segunda-feira, 23 de maio de 2016

'Le Notti Bianche' ('Noites Brancas') - Um filme clássico do genial cineasta Luchino Visconti! - Marcos Doniseti!

'Le Notti Bianche' ('Noites Brancas') - Um filme clássico do genial cineasta Luchino Visconti! - Marcos Doniseti!
'Le Notti Bianche', de Luchino Visconti, é uma obra clássica, um dos grandes filmes da história do Cinema. 
Esse é um dos mais belos filmes da história do Cinema, sem dúvida alguma. 

Acabei de rever essa Obra-Prima. A fotografia é belíssima e as imagens lembram, claramente, um sonho, com a trama se desenvolvendo numa atmosfera de irrealidade, acentuando um clima de tristeza e de melancolia que estão presentes durante quase todo o filme, com alguns poucos momentos em que os personagens desfrutam de uma rara felicidade.   

E ainda bem que o filme é em preto e branco. Se o mesmo fosse a cores, a própria história meio que perderia o sentido, pois a presença delas entraria em conflito com a trama e com o próprio clima do filme, triste e melancólico, no qual os personagens parecem viver em um mundo onírico, de sonhos e de fantasia.

Neste belíssimo filme, Luchino Visconti rompe com a estética do Neo-Realismo italiano, do qual foi um dos pioneiros, e constrói uma obra inteiramente voltada para a realidade interior dos protagonistas, que são seres solitários e infelizes e que estão à procura de viver um grande amor. 

O filme é uma adaptação de uma obra de Fiodor Dostoievsky, 'Noites Brancas'. Na adaptação, Visconti fez algumas mudanças no espaço e no tempo em que a trama se desenvolve. Em vez da Rússia de meados do século XIX, a história se passa em uma Livorno, no final da década de 1950. Porém, a essência da obra de Dostoievsky, na qual duas pessoas solitárias, que estão desesperadas para viver um belo, duradouro e intenso romance, foi preservada pelo genial cineasta italiano.
Cena do início do filme: No fundo, vemos um cartaz onde dois homens parecem lutar pelo coração de uma jovem e bela mulher loira, algo que acontece, de certa maneira, neste belo filme de Visconti. 
O filme foi rodado em um teatro da Cinecittá, com Visconti deixando de fazer qualquer filmagem externa, rompendo com aquela que era outra característica fundamental do Neo-Realismo. Porém, tal reconstrução se dá em cenários bem realistas, com as suas paredes rachadas, a iluminação precária, a atmosfera melancólica, as ruas sujas, com as prostitutas e mendigos que vagam, desesperados, pelas mesmas. 

Resumidamente, a história dessa maravilhosa obra de arte é a seguinte: Uma bela e jovem mulher, Natalia, brilhantemente interpretada pela loira austríaca Maria Schell, fica todas as noites em uma ponte, esperando pelo retorno do seu amor, conhecido apenas como 'O Inquilino' (interpretado por Jean Marais). Este havia se hospedado um ano antes em um quarto alugado por sua avó e Natalia se apaixonou pelo mesmo, tão logo o viu pela primeira vez. 

Seu amor pelo homem, que aparenta ser bem mais velho do que ela, era tão evidente que a própria Natalia se envergonhava com isso. Aliás, ela ficava tão enrubescida quando o mesmo tomava a iniciativa de conversar, que ela sequer conseguia lhe responder, ficando num silêncio envergonhado.  

Em uma das primeiras vezes em que conversa com Natalia, ou melhor fala para ela, que não diz nada, o Inquilino percebe o quanto ela é tímida, inexperiente, ingênua, preservando uma certa pureza que ele mesmo diz que não está mais presente em outras jovens da mesma idade que ela. 

Mario, depois, irá perceber o mesmo e, por isso, irá dizer que ela é louca. 
Este é o cenário no qual se desenvolve quase toda a trama deste filme maravilhoso de Luchino Visconti. 
E a presença de uma outra personagem, uma prostituta, e que também sofre pela solidão em que vive (interpretada por Clara Calamai), realça ainda mais o contraste com a ingenuidade e o caráter doce, angelical, adolescente, que ainda estão presentes em Natalia, que vê o Inquilino como um autêntico 'Príncipe Encantado', que irá resgata-la daquela existência sofrida, miserável e infeliz. 

Mas, a ansiedade por saber mais a respeito daquele estranho por quem ela, Natalia, havia se apaixonado perdidamente logo na primeira vez em que o viu, era tanta, que ela invade o quarto dele e começa a ler alguns livros que encontrou no local. Ela está tão concentrada na leitura, que sequer se dá conta que ele entrou no quarto. Vendo o interesse dela, o Inquilino lhe dá os livros que possui, afirmando que já leu a todos. E enquanto ele fala, Natalia fica no mesmo silêncio envergonhado de antes. 

Grande parte da história do filme se desenvolve em um mesmo local, sempre na ponte em que Mario encontrou Natalia pela primeira vez. 

Num primeiro momento, Mario pensou que Natalia fosse mais uma prostituta, pois o lugar em que ela estava era ponto das mesmas, com inúmeros bares próximos onde elas, que também são personagens tristes, infelizes, solitárias e desesperadas, 'caçavam' seus clientes. Mas depois ele percebe que Natalia está chorando e se aproxima dela, tentando descobrir o motivo disso. 

Aos poucos, Mario vai procurando conquistar a confiança dela, mostrando que não lhe representa qualquer ameaça e acaba conseguindo. Ele chegou até a desconfiar que Natalia estivesse pensando em cometer suicídio, em função de algum desgosto que sofrera. Mario diz que ela é a primeira pessoa com quem ele consegue estabelecer um diálogo (ah, a solidão...) desde que chegou naquela cidade e que está feliz com isso. 
Momento do filme no qual Mario vê Natalia pela primeira vez, percebendo que ela está chorando. Depois, ele irá descobrir o motivo disso.
E daí ele diz 'Depois eu vi você...', deixando claro o seu fascínio por aquela bela, jovem e misteriosa mulher. Natalia permite que ele o acompanhe até a sua casa, embora ele quisesse, mesmo, ir a um bar com ela, a fim de fazer com que aquela noite maravilhosa durasse muito mais tempo. Porém, ela recusa a oferta. 

Mario confessa a sua timidez com as mulheres, mas Natalia responde dizendo que ela e as mulheres gostam muito mais dos homens tímidos. Eles combinam de se encontrarem na noite seguinte, no mesmo horário e local, e Mario vai todo feliz, embora, para casa (um quarto numa modesta pensão, que é o que o seu salário permite pagar). 

Mario está tão envolvido emocionalmente com Natalia que, no dia seguinte, sai atrasado da pensão para trabalhar e só pensa em voltar ao mesmo local a fim de poder se encontrar com ela novamente. A prostituta tenta se aproximar dele (ela já havia passado ao lado dele e de Natalia na noite anterior) de novo, mas ele a ignora. 

No filme, notamos a presença de algumas marcas famosas (Esso, Coca-Cola), o que é uma maneira de demonstrar a penetração econômica das grandes empresas multinacionais dos EUA na economia italiana e europeia no Pós-Guerra. Seria essa, talvez, uma maneira mais sutil de Visconti se referir ao seu ciclo anterior no Cinema, quando fazia obras na linha do Neo-Realismo? 

No bar, ele vê Natalia passar em frente e sair correndo. 

Ela foge de Mario, chegando a se esconder em um galinheiro, pois teme que ele pense que ela seja do tipo que marca encontro com o primeiro que aparece. Ele fica magoado, é claro, com a atitude dela que, acaba se arrependendo do que fez e o convida a acompanhá-la, propondo que se tornassem amigos. Essa postura contraditória dela o deixa confuso, é claro. 
Natalia foi incomodada por alguns motociclistas playboys, mas o apaixonado Mario os afastou da jovem. Foi uma boa maneira de começar a ganhar a confiança dela. 
Depois disso ela diz o seu nome e pede que ele conte a história da sua vida, mas ele responde que não tem o que falar, evidenciando o claro vazio existencial de sua vida. 

E no fim, Natalia é que começa a falar sobre a sua vida, contando que foi abandonada pelos pais e que, por isso, a sua avó a prende, com um alfinete, pela saia, com medo de que ela também acabe fugindo. Ela conta essa história, trágica, rindo, o que deixa Mario ainda mais encantado... 

E ele volta a convidá-la para sair, mas daí ela conta o motivo de estar sempre ali, no mesmo lugar e no mesmo horário, todas as noites, que é o fato de que espera pelo retorno do Inquilino, ao qual ama perdidamente, e que a deixou um ano antes. 

Mesmo assim, Mario continua ao lado dela, já que a paixão por Natalia o controla e fala mais forte. E Natalia já esteve tantas vezes, naquele lugar, à noite, que sabe, até mesmo, quando o ar úmido indica se irá chover ou não. Ela conta que a sua família tem origem eslava, que vivia de comercializar tapetes, permitindo que vivessem muito bem, mas que agora a sua avó e uma empregada, Giuliana, limitam-se a conserta-los, o que os levou a empobrecer muito. Sua avó também aluga um quarto da casa, pois somente assim elas conseguem sobreviver. 

Naquele lugar, para onde ela se dirige todas as noites, ela espera pela volta do seu grande amor (o Inquilino), ao qual conheceu um ano antes e pelo qual se apaixonou imediatamente. 
O Inquilino, o 'Príncipe Encantado', pelo qual Natalia se apaixonou logo na primeira vez em que o viu e ao qual foi fiel no ano em que ele ficou ausente. 
Natalia diz, também, que ela e o Inquilino chegaram a ir até a Ópera e que, naquele momento em que ficaram juntos, ela soube que iria amá-lo para sempre e que eles ficariam juntos e que seriam felizes por toda a vida. 

Mas, logo depois ela diz que o Inquilino a avisou que ficaria um ano fora, deixando-a desconsolada e desesperada, falando que sem a presença dele a sua vida não valeria mais nada. O Inquilino disse que teria que deixá-la a fim de resolver alguns problemas, mas que voltaria e que ela deveria esperar por ele sempre no mesmo local, mas que quando ele retornasse eles seriam felizes para sempre. Natalia também fala para Mario que ela e o Inquilino combinaram de não escrever um para o outro enquanto ele estivesse fora. 

Quando ela termina de contar a sua história, Mario está convencido de que Natalia é ingênua, ao acreditar que o Inquilino irá voltar, e que também é louca, falando que aquilo vai contra tudo aquilo que ele pensa e que já vivenciou. Mas ela diz que sabe que o Inquilino já retornou, mas que ainda não a procurou. 

Afinal, ele pergunta como é que ela pode esperar tanto tempo por alguém que ela nem sabe o que está fazendo ou sequer imagina se o mesmo irá voltar. Ele fica tão incrédulo com a história que ouviu de Natália, que chega a lhe perguntar se tal homem realmente existe.

Mas é claro que Mario fala tudo isso porque está apaixonado por aquela doce e ingênua jovem, que o encantou com a sua beleza e inocência. Ele até se propõe a ajudá-la, escrevendo uma carta, que ela enviaria para o Inquilino, por meio dele. Mas é claro que Natalia percebe que ele está apaixonado por ela, porém Mario até se propõe a entregar a carta dela para o Inquilino. E ela fala que o vê como se fosse o seu irmão mais velho, o que ele lamenta, é claro. 
Observado pela prostituta infeliz e solitária, Mario lê a carta que ajudou Natalia a escrever. Ele se comprometeu a levar a mesma para o Inquilino, mas a sua paixão por Natalia o impediu. 
Porém, quando Mario lê a carta, ele a rasga, pois o amor que sente por Natalia o impede de entregá-la ao Inquilino. E a prostituta que se sente atraído por ele é, também, outra personagem que se sente solitária e infeliz, e que também gostaria de sair desta vida marcada pela tristeza e pela melancolia. 

No dia seguinte, Mario está doente, mas à noite ele decide que é hora de se divertir. 

Ele está feliz, pois como rasgou a carta de Natalia, agora ele terá a chance de tentar conquista-la, fazendo com que ela venha a se esquecer do Inquilino. Mas, naquele momento, ele a evita, pois não quer confrontá-la depois que não cumpriu com a promessa feita para ela. Além disso, é claro que ela quer saber se a carta para o Inquilino foi entregue por Mario, sendo que pensou nisso o dia inteiro. Uma jovem e bela mulher até chega a flertar com ele, mas sem que ele, Mario, demonstre interesse por ela. 

Natalia se propõe a lhe fazer companhia e, mesmo sem qualquer entusiasmo, ele aceita. Ela diz que o tempo não passa mais... É claro que isso acontece porque ela está ansiosa em saber se a sua carta foi entregue. Ela pergunta e Mario mente, confirmando que o fez naquela manhã. Mario muda de atitude e propõe que eles saiam juntos, ao mesmo tempo em que tenta dizer que é apaixonado por ela. 

Natalia diz, para Mario, que sente que tudo acabará bem e que, por isso, até está usando uma roupa de festa. Mario também deseja que tudo 'acabe bem', mas para ele, é claro. Ambos estão felizes, rindo juntos, mas por razões radicalmente distintas. 

E fica claro que a felicidade de um, representará a infelicidade do outro. 
Mario e Natalia dançando: Ambos estão felizes, mas por motivos radicalmente distintos.
Eles acabam indo a um bar, onde os casais de jovens namorados dançam a música 'Mulher Rendeira'. E depois começa uma dança frenética, ao ritmo de um vibrante Rock'n'Roll (afinal, era 1957 e o sucesso do estilo estava no auge, com Elvis Presley, Chuck Berry, Jerry Lee Lewis, Buddy Holly, Carl Perkins, Little Richard, Eddie Cochrane vendendo milhões de cópias no mundo inteiro). 

E até Mario e Natalia acabam dançando o Rock, de uma forma totalmente desajeitada (a dança de Mastroianni é sensacional...) naquele que termina sendo o momento mais feliz da noite para ele, é claro. E neste momento é que ele começa a contar a história de sua vida, marcada por muitas mudanças, devido ao fato do pai ser um militar. 

Mario também diz que gosta de sair pela cidade e de fantasiar, de sonhar, mas que isso é um erro, pois o impede de descobrir a vida. Depois, eles dançam ao som de canções românticas. Estes serão os momentos de maior felicidade para Mario, em toda a sua vida.

Enquanto isso, Natalia sorri o tempo inteiro, pois tudo aquilo é novidade para ela, ao mesmo tempo em que está convencida de que tudo dará certo entre ela e o Inquilino, que é o seu grande amor. Mas as atitudes de Mario mostram que ele acredita que será possível convencê-la a esquecer do Inquilino e a ficar com ele. 
Mario sendo paquerado por uma bela e jovem mulher, mas o seu amor por Natalia o leva a não demonstrar interesse pela mesma. 
No entanto, às 22 horas, Natalia saiu correndo e foi embora, pois era o horário que ela tinha que ir esperar pelo Inquilino. Mario vai atrás dela e consegue alcança-la, mas ela se recusa a continuar junto com ele durante a noite. 

Obs: Quanto Natalia começa a correr, é possível ver na rua um letreiro da 'Esso' e outro da palavra 'Farmacia', mas na qual aparece apenas as três últimas letras, formando a sigla CIA (agência secreta dos EUA). Será esta uma forma que Visconti encontrou de criticar a interferência econômica e política dos EUA na Itália do Pós-Guerra? Não é de se duvidar, visto que Visconti era membro do PCI (Partido Comunista Italiano). 

Mario vai embora e, na correria, se encontra com a prostituta, que sente uma forte atração por ele, mas ambos discutem, fazendo com que ela comece a gritar, o que atrai um grupo de homens com quem ele acaba brigando e por quem é surrado. A prostituta, solitária e que também deseja ser amada, se arrepende do que fez e tenta proteger Mario. Na confusão, ele consegue fugir.  

Depois, Mario reencontra Natalia, que está no mesmo lugar de sempre, esperando pelo Inquilino. Ela está desconsolada, pois o seu grande amor não apareceu. Mario acaba confessando, para Natalia, que não entregou a carta para o Inquilino e que ela havia cometido o erro de confiar nele, que está apaixonado por ela. 

Ele também consegue convence-la a lhe dar uma oportunidade, para que possam ficar juntos, que é o que ele tanto deseja, deixando-o imensamente feliz. Afinal, mesmo que ela não fique com o homem que tanto ama, ao menos ela terá, ao seu lado, alguém que gosta dela, permitindo que ela saia daquela vida solitária, triste, melancólica e sofrida. 
Um trabalhador pobre, que vive numa pensão modesta, mas que sonha em viver um grande amor. Porém, Mario somente conseguiu isso por breves momentos, ao lado da sua amada, Natalia. 
Mario fica tão radiante que pega um barco 'emprestado' e a leva para passear pelos canais da cidade. Mas, ele acaba levando-a para um local repleto de mendigos, o que não é nada romântico, sem dúvida, mas que mostra que a fantasia de Mario (de poder amar Natalia e ser feliz ao seu lado) e a realidade miserável que os cercam enfim se mesclaram. 

Logo depois começa a nevar, o que também é motivo de felicidade para ambos, e que simboliza a transformação do sonho de Mario, de ser feliz ao lado da mulher que ama, em realidade. Mario fala que o seu casaco, cheio de neve, será como um vestido de noiva e o coloca em Natalia. 

O novo casal chega a brincar, fazendo uma guerra com a neve. Porém, nesta cena, as imagens escuras e enevoadas parecem realçar o fato de que tudo aquilo é um sonho, uma fantasia de Mario e que este momento está condenado a não durar muito.

E é exatamente o que acaba acontecendo quando, logo depois, Natalia vê o Inquilino sobre a ponte, esperando por ela. Ela chora e ri, tudo ao mesmo tempo, e sai correndo em sua direção, deixando o 'vestido de noiva' cair ao chão, enquanto Mario recusa-se a ver a cena, tão dolorida para ele, pois sabe que perdeu, para sempre, a mulher que ama. 
O momento de maior felicidade para Mario, quando começa a nevar. Para ele, isso significa que o seu sonho de ser feliz ao lado da mulher amada, Natalia, se tornou realidade. 
Natalia volta e se despede de Mario. Este, chorando, diz para ela ir ao encontro do homem que ama e a agradece pelos poucos momentos de felicidade que ele desfrutou e que valeram por toda uma vida. E Natalia vai embora, junto com o seu 'Príncipe Encantado', o Inquilino.

No final, sozinho, Mario pega o casaco, o 'vestido de noiva' abandonado por Natalia, representação de uma felicidade da qual desfrutou por apenas alguns breves momentos. Mario caminha pela mesma rua na qual o vimos, na sequência inicial do filme, mas em sentido contrário, como se, ali, estivesse se despedindo do seu sonho de felicidade. 

E encontra o mesmo cãozinho do início...

Fim.
Momento em que Natalia sai correndo em direção ao Inquilino, o homem que ama. Mario vira o rosto, para não ver a cena que ele, ao rasgar a carta, tanto tentou impedir que acontecesse. 
Frases e Diálogos:

Natalia: Conte-me sua história. E será como se tivéssemos sido amigos, desde sempre.
Mario: Minha história. Eu não tenho uma história. 
Natalia: E como conseguiu viver, até hoje, sem uma história?
Mario: Vivi, assim...

Natalia: Mas eu não quero mais chorar pela dor dos outros. Tenho de pensar em mim. Até para chorar por mim.

Natalia: Não dissemos nada. Mas, para mim, foi como se tívéssemos dito tudo, que teríamos nos amado por toda a vida. Que nunca mais nós iríamos nos separar, nem por um dia. 

Mario (para Natalia): Não sabia que ainda existissem moças como você no mundo. Veja, para mim, é como se você tivesse me dito que ainda acredita em fábulas. 

Mario (para Natalia): Não confie em ninguém, muito menos em alguém que está apaixonado. 
O Inquilino e Natalia, juntos, e Mario, triste e solitário, ao fundo, vendo a chance de ser feliz ir embora. 
Informações:

Título: Le Notti Bianche ('Noites Brancas');
Diretor: Luchino Visconti;
Roteiro: Luchino Visconti e Suso Cecchi D'Amigo (baseado no romance de Fiódor Dostoiévsky);
Ano de Produção: 1957; País de Produção: Itália;
Elenco: Marcelo Mastroianni (Mario); Maria Schell (Natalia); Jean Marais (o Inquilino);
Marcella Rovena (dona da pensão); Clara Calamai (Prostituta); Dirk Sanders (dançarino de rock); 
Duração: 102 minutos.
Prêmio: Vencedor do Leão de Prata, no Festival de Veneza, em 1957. 

Trailer do Filme: 

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