domingo, 28 de outubro de 2018

'Arquivo X' e a pergunta mais importante sobre a essência da série: Afinal, porque o frango atravessou a estrada?

'Arquivo X' e a pergunta mais importante sobre a essência da série: Afinal, porque o frango atravessou a estrada?
Mulder e Scully em 'Minha Luta 1' (10X01). 

Mulder: O frango atravessou a estrada contra a sua vontade. Ele foi sequestrado por militares a serviço do Sindicato e dos Alienígenas que desejam exterminar as atuais raças de frangos. Esse frango foi submetido a testes de hibridação genética para criar uma nova raça de frangos, muito mais evoluída do que as existentes. Temos que denunciar essas planos malignos para o mundo. As pessoas tem o direito de conhecer a Verdade. 


Scully: Como assim, frango, Mulder? Você já fez os testes e avaliações científicas necessários para saber se era mesmo um frango? Você acredita em tudo, Mulder, sem questionar nada, até em frangos que atravessam a estrada. Eles usarão o frango contra você, Mulder. Mulder, você é louco.

Krycek: Frango? Olha, eu tenho uma ótima galinha aqui. Vamos fazer uma troca e nos tornaremos grandes amigos.

Skinner: Mulder, estou te avisando: Se você insistir nessa história do frango as consequências serão drásticas e eu não poderei ajudar nem você e nem a Scully. Todos nós recebemos ordens de alguém. Considere-se avisado.

Canceroso: Não existe frango nenhum. Isso é maluquice do Mulder.  

Pistoleiros Solitários: Os frangos são usados pelo governo para nos vigiar e nos controlar o tempo inteiro. Nos olhos dos frangos temos câmeras minúsculas que filmam e gravam tudo o que os frangos vêem. Os olhos dos frangos estão conectados a uma central informatizada que é controlada pelo CIA e pela NSA. Por isso que nunca comemos frangos. Todos os frangos são espiões a serviço do Governo. 
Mulder e Skinner em 'Minha Luta 1' (10X01).

Garganta Profunda: Sr. Mulder, estou numa posição de poder que me permite saber tudo o que os frangos estão fazendo e tenho livre acesso para entrar em qualquer galinheiro do país. Mas somente vou te passar as informações sobre os frangos que forem do meu interesse. 


X: Mas que frango, Sr. Mulder? O Sr. entra em contato comigo nas horas mais impróprias, nos colocando em situação de grande perigo. O meu predecessor morreu porque te passou informações demais sobre os frangos. Eu não cometerei o mesmo erro (e entrega um calhamaço cheio de informações sobre os frangos para o Mulder...). 

Donnie Pfaster: Esse frango usa shampoo?

O Instigador (Robert P. Modell): Se quiser eu posso fazer esse frango passar a acreditar que é um elefante...

John Barnett (O Homem que não queria morrer): Eu voouuu peeeggaaaarrrr esseee fraaaangoooo...

Evas (Projeto Litchfield): Nós não fizemos nada de mais contra esse frango. Essa é a nossa natureza. Fomos criadas assim. Ninguém nos contou. Apenas sabíamos. 

Boggs (O Vidente): Eu posso entrar em contato com as almas de todos os frangos que já morreram, Scully. Eu tenho uma mensagem do além vinda diretamente do frango que você tinha, e do qual tanto gostava, e que acabou de morrer, o que te deixou tão triste. O Mulder não acredita em mim, mas você acredita. 
Eugene Victor Tooms foi um dos principais vilões da história de 'Arquivo X'. 
O Incendiário: Eu vou torraaaarrr esse frango... hahahaha...

Reverendo Calvin Hartley (O Homem dos Milagres): Senhoras e Senhores, estamos hoje aqui reunidos, nesse Templo do Senhor, para testemunhar mais um milagre do meu amado filho, Samuel: Ele irá ressuscitar esse frango. Tenham fé e orem. 


Roland Fuller (Roland): Os frangos morrem. Não voltam mais. 

Albert Hosteen: Um frango morre apenas quando todos os outros frangos já não se lembram dele. 

Augustus Cole (Sem Dormir): Esse frango não dorme há 24 anos. Os cientistas o submeteram a cirurgias e experiências de erradicação do sono e a vida dele virou um inferno. Irei livrá-lo deste sofrimento. 

Duane Barry: Eu troquei esse frango por mim. Eles o levaram. Nunca mais irão levar Duane Barry.

Harry Cokely (Irresistível): Eu vou matar esse frango, irmãzinha...

Samantha Mulder (clone de 'A Colônia'/'Fim de Jogo'): Esse frango é um clone. Aquele outro frango é que você precisa salvar, Mulder. 
Canceroso é o grande vilão da história de 'Arquivo X'. 
Jim Rose (A Fraude): A quinta emenda da nossa amada Constituição diz... cocoricóoooo...

Charlie (Os Calusari): Mamãe, eu quero aquele frango. Eu quero aquele frango, mamãe. 


Homem Bem-Vestido: Os frangos fazem parte de um consórcio com interesses globais que tem o poder de prever o futuro de todos os frangos. E a melhor maneira de fazer isso é inventando esse futuro. 

Clyde Bruckman: Em uma outra realidade esse frango nunca atravessou a estrada. Assim, nesse outro mundo essa pergunta nunca foi feita. E a invasão de Granada nunca aconteceu. 

Reggie Something: Não é um frango. Nunca foi. É um ganso. Vocês não se lembram disso porque as suas memórias foram apagadas pelo Dr. They.

Erika Price: Nosso plano, Sr. Mulder, é levar todos os frangos para um simulador, para que continuem a existir em um mundo virtual, onde eles irão viver para sempre. Será uma coisa maravilhosa.  
Scully e a agente Einstein em cena de 'Minha Luta 2' (10X06). 

Tad O'Malley: Esse frango comanda a mais terrível conspiração da história da humanidade, mas eu irei denunciar os seus planos malignos. Vejam tudo a respeito em 'The Truth Squad'. 


Doggett: Monica, eu não posso acreditar que esse frango exista, pois isso significa que eu jamais fiz tudo o que podia para salvar o pintinho que eu tanto amava. 

Monica: Se eu acredito que esse frango existe? Digamos que eu tenho a mente aberta e admito que os frangos possam realmente existir. 


Kersh: Mulder e Scully, se vocês voltarem aqui para me falar novamente a respeito deste frango eu irei expulsá-los do FBI. Estamos entendidos? 

Brad Follmer: Monica, esse frango é invenção do John Doggett. Esqueça dele e beije-me. 

Robert Comer: Esse frango precisa morrer, pois existe uma profecia que diz que se o mesmo crescer ele será usado para exterminar a humanidade.
William em cena de 'Minha Luta 4' (11X10). 
William ('filho' de Mulder e Scully): Esse frango quer me usar para levar adiante os seus planos malignos. Prefiro morrer do que ser usado deste jeito. 

Billy Miles (supersoldado): Os frangos são bons. Eles estão aqui para nos salvar. 


Agente Einstein: Miller, você é maluco se acredita na existência de frangos. Eu não quero sofrer o mesmo que a agente Scully sofre por ter que aguentar as ideias pseudo-científicas do Mulder. 

Agente Miller: Agente Mulder, é um grande prazer conhecê-lo, sou um grande admirador seu e gostaria muito de aprender com você tudo que sabe a respeito dos frangos e de outros fenômenos sobrenaturais e inexplicáveis. 

Garganta Profunda: Sr. Mulder, os frangos estão aqui há muito, muito tempo. 

Chris Carter: O Frango Está Lá Fora!
Monica Reyes conversa com Scully em 'Minha Luta 2' (10X06).

Abertura da série:

segunda-feira, 15 de outubro de 2018

'Il Cappotto': Lattuada fez um clássico sobre o desprezo das elites dominantes pelo cidadão comum! - Marcos Doniseti!

'Il Cappotto' ('O Sobretudo'): Lattuada fez um clássico sobre o desprezo das elites dominantes pelo cidadão comum! - Marcos Doniseti!
'Il Cappotto': Para muitos este é o melhor filme de Alberto Lattuada, diretor bastante identificado com o Neo-Realismo. Ele dirigiu outros filmes importantes, tais como 'Il Bandito', 'Senza Pietà', 'Anna' e 'Luci del Varietà' (com Fellini). 
A trajetória crítica e comercial de 'Il Cappotto'!

'Il Cappotto' é um dos melhores filmes italianos da década de 1950, sem dúvida alguma, e foi muito elogiado já na época do seu lançamento. O escritor italiano Alberto Moravia disse que este é o melhor filme de Lattuada, sendo bem dosado, compacto, sem vazio e bem narrado. 


Já o crítico de cinema italiano Giuseppe Turroni disse que 'Il Cappotto' é um filme que cativa, meio amargo, repleto de sentidos eróticos, que possui uma música triste, uma fotografia maravilhosa e que é marcado por um noção de tempo e de memória excepcionais. O catálogo Bolaffi disse que o filme de Lattuada é um filme muito delicado, repleto de 'poesia tenra e melancólica'. 

E o cineasta Mario Camerini disse que 'Il Cappotto' foi um dos primeiros filmes italianos de autor a libertar-se completamente do modo neo-realista que, na época da produção deste filme, estava passando por um processo de deterioração. 

Obs1: De fato, o início dos anos 1950 é um momento em que o cinema Neo-Realista não estava mais em seu auge, que se deu entre 1943-1948, porém ainda exercia influência na produção cinematográfica italiana, mas já incorporando novos elementos em suas produções: humor, misticismo, belas atrizes, produções mais elaboradas, melhor acabadas. Isso aconteceu muito em função da repressão promovida pelo conservador governo italiano contra os cineastas Neo-Realistas, a partir de 1948, e da abertura do mercado italiano para as produções de Hollywood. Assim, os diretores e roteiristas Neo-Realistas começaram a promover mudanças em suas obras, incorporando outros elementos, mas sem abandonar totalmente a influência do Neo-Realismo. Em seu livro 'O Neo-Realismo Cinematográfico Italiano', Mariarosaria Fabbris diz que, segundo Alfonso Canziani, as produções Neo-Realistas se estenderam até 1955. 
Carmine usando o seu sobretudo velho, gasto e rasgado. 

Na época em que o filme foi lançado, o jornal milanês 'Corriere della Sera' (um dos principais da Itália) considerou que o filme de Lattuada é o mais compacto e tem que ser discutido, sendo também uma obra na qual o cineasta conseguiu reunir características de dois estilos diferentes de filmar: a caligrafia e o realismo. 


Obs2: O 'Caligrafismo' foi uma corrente do cinema italiano, dos anos 1940, cujas obras eram marcadas por uma estética muito formalizada e pela recusa dos temas do cotidiano, dando preferência aos temas históricos, principalmente os do século XIX e da chamada 'Belle Époque', motivo pelo qual havia muitos elementos decorativos nos mesmos: bordados, rendas, chapéus altos e espelhos. 

Obs3: O filme que é considerado como o mais representativo do 'Caligrafismo' é 'Malombra', de Mario Soldati, de 1942. Alguns críticos também enxergam uma influência dessa vertente em filmes de Mauro Bolognini e, até, de Luchino Visconti (seriam os casos de 'Senso' e de 'Il Gattopardo'). Logo, os filmes ligados ao 'Caligrafismo' tomam um rumo totalmente oposto ao do Neo-Realismo italiano, ao qual Lattuada era ligado inicialmente. 

O célebre crítico francês Georges Sadoul, autor de uma monumental obra sobre a história do cinema mundial, disse que 'Il Cappotto' é uma bela adaptação do livro de Gógol e que é perfeitamente interpretado por Rascel, cuja atuação se refere à melhor tradição chapliniana, sendo que a refinada encenação nunca tem o mérito de perder a contemporaneidade e o calor humano. 
Um idoso pobre pede a um burocrata do governo informações a respeito da sua pensão, mas é ignorado. 

E o jornal belga 'La Flandre Libérale' disse que Lattuada criou uma obra-prima, afirmando ainda que o estilo de Gógol, mesmo italianizado, foi preservado no filme que a atuação de Rascel é prodigiosa, sendo quase um novo Chaplin. E os jornais ingleses ('The Times' e 'Daily Telegraph', por exemplo) também elogiaram muito o filme de Lattuada. 


'Il Cappotto' também fez bastante sucesso comercial na época do seu lançamento, sendo que foi um dos filmes mais assistidos na Itália em 1952, ficando em 15o. lugar em arrecadação naquele ano. Posteriormente, ele fez uma carreira bem sucedida no exterior, sendo muito bem recebido pelo público no Festival de Cannes (onde foi exibido pela primeira vez, em Maio de 1953) e também quando foi exibido no Reino Unido e na Bélgica. 

Atualmente, este belo filme já é considerado como sendo um verdadeiro clássico, bem como é, para muitos, a obra-prima do cineasta Alberto Lattuada. Em uma lista de 80 filmes Neo-Realistas do IMDB, o rating do filme de Lattuada o coloca em um honroso 16o. lugar. 

O filme é baseado no livro 'O Capote', do escritor ucraniano/russo Nikolai Gógol, que foi publicado em 1942. Lattuada explicou a escolha do livro de Gógol porque o mesmo trata de valores universais (tirania e cegueira burocrática) e que são válidos para qualquer parte do mundo e para qualquer época. 
O Prefeito (no centro), o secretário-geral (à esquerda) e Carmine (à direita). 
A obra literária se passa na Rússia do século XIX mas, no filme, os acontecimentos do livro foram transpostos para a Itália do século XX (na cidade de Pavia, que se localiza na região da Lombardia, norte da Itália, próxima de Milão), porém não fica claro qual é a época exata em que a trama se desenvolve na obra de Lattuada. A história se desenvolve na Itália dos anos 1930, época do regime fascista liderado por Mussolini.

A trama do filme!


Resumidamente, o filme mostra a vida de Carmine De Carmine, que é um pobre, humilde e solitário funcionário público italiano e que trabalha para a Prefeitura de Pavia. 

Ele é tratado com total e absoluto desprezo pelos seus superiores, principalmente pelo governante da cidade (Il Sindaco) e pelo secretário-geral do município (principal assessor do Prefeito), até porque está sempre muito mal vestido, pois não tem dinheiro para comprar roupas de melhor qualidade, sendo que está sempre usando um sobretudo velho, gasto e rasgado.

Carmine também é apaixonado, platonicamente, por Caterina, uma bela e elegante mulher que é amante do Prefeito, que é elitista, corrupto e infiel. Mas é claro que ele, pobre e que está sempre mal vestido, é ignorado por ela, que chega a lhe dar uma esmola quando cruza com ele, sem olhar, em um momento no qual ele a admirava pelas ruas de Pavia, cidade em que se desenvolve a história do filme.
O Prefeito apresenta seu projeto de grandes obras, que beneficiam apenas aos grandes empresários, ignorando as necessidades da população. 
O pobre Carmine mora em uma pensão, que mais se parece com um cortiço, e como ele trabalha na prefeitura, o mesmo é visto pelos demais moradores do local como alguém que poderia levar as suas reivindicações aos governantes, mas é claro que isso não acontece, pois Carmine é um pobre coitado que é totalmente ignorado e desprezado pelos ricos e poderosos da cidade (burocratas, prefeito e empresários).

O prefeito, seus assessores e os principais empresários da cidade não ligam a mínima para as necessidades da população e se preocupam apenas em fazer obras e festas que servirão apenas para que possam aparecer com uma imagem positiva perante o povo e para poder desviar dinheiro público. Eles fazem tudo isso em seu próprio benefício e repassam a conta para a população, por meio do aumento dos impostos. 

O próprio Carmine é um funcionário público que mal sabe ler e escrever, mas que é mantido no cargo que ocupa apenas por ser obediente e disciplinado, fazendo tudo o que lhe é determinado, mesmo que faça o seu trabalho de forma que não agrada aos seus superiores. 

Ele mal consegue escrever e ler corretamente a ata de uma reunião do Prefeito com assessores e empresários e a forma como o faz acaba por ser uma espécie de denúncia bem humorada e indireta do desprezo que os mesmos demonstram pela população, nesta que é uma das melhores e mais irônicas cenas do filme. 
Carmine lendo a ata que escreveu a respeito da reunião entre o Prefeito e os empresários da cidade. 
Isso leva o secretário-geral a querer demitir Carmine, mas quando este conta para o mesmo que ouviu uma conversa altamente comprometedora, relacionada ao pagamento de subornos, que envolvia o secretário-geral da prefeitura, empresários e um jornalista, ele acaba sendo mantido no cargo e ainda ganha um bônus pelo trabalho realizado, o que é uma maneira de mantê-lo calado a respeito do que tinha ouvido. 

O dinheiro do bônus e da esmola que recebeu de Caterina são suficientes, no entanto, para que o pobre e humilde Carmine tenha condições de, pelo menos, pagar a entrada de um novo sobretudo, que era o seu grande sonho, pois imaginava que, desta maneira, andando de maneira elegante, ele acabaria por conquistar o respeito das pessoas. Este sobretudo é feito por um alfaiate e, depois que fica pronto, o mesmo vira motivo de orgulho para Carmine, que passa a desfilar com ele em todos os locais.

Apesar do sobretudo que comprou, ele continua tão pobre quanto antes e, em uma noite, ao voltar para a pensão, quando estava chovendo, ele não tinha sequer um guarda-chuva e, usando da sua esperteza natural, foi pegando carona com outras pessoas, até que chegou ao local em que morava. Esta foi a maneira que ele usou para impedir que o seu sobretudo ficasse molhado. 

Graças ao sobretudo novo e bonito, ele chega a participar, até mesmo, de uma festa de Ano-Novo na casa do secretário-geral e que reúne a elite da cidade (prefeito, empresários, burocratas) e na qual ele fuma e bebe bastante e consegue realizar o velho sonho de dançar com a sua paixão platônica, a bela Caterina. 
Carmine admira a beleza de Caterina, que o ignora totalmente. 
Na festa, a bela Caterina, inclusive, acaba por simpatizar com a inocência e a simplicidade de Carmine, para irritação do Prefeito, que não perde uma única oportunidade de demonstrar o seu completo desprezo pelos cidadãos comuns, do qual Carmine é a principal representação neste belo filme de Lattuada. Carmine também chega a ler uma carta, dos moradores miseráveis da pensão em que morava, com as reivindicações deste, o que deixa o Prefeito ainda mais furioso. 

Porém, toda esta felicidade durou pouco tempo e quando voltava da festa de Ano-Novo, sozinho, para a pensão, ele teve o bonito sobretudo roubado por um ladrão. Em um primeiro momento, ele apela para um vigia noturno, que não dá a mínima para o pedido de ajuda de Carmine. 

Depois disso, ele vai até o gabinete do Prefeito, a quem implora que o ajude a encontrar o sobretudo, entrando em contato com a Polícia, para fazer com que esta encontrasse o ladrão e recuperar o seu sobretudo. Mas ele é, novamente, humilhado pelo manda-chuva da cidade, que não liga a mínima para o seu pedido e que o manda embora do local.

Logo, Carmine fica desesperado e passa a se comportar de maneira irracional, sofrendo um colapso nervoso e acaba por vir a falecer. Isso acontece porque, afinal, a perda do sobretudo não foi, de fato, uma perda de natureza exclusivamente material (devido ao prejuízo financeiro que ele sofreu), mas principalmente de caráter simbólico, pois o bonito sobretudo que havia comprado representava o seu passaporte para a respeitabilidade, para ser notado e aceito pelas outras pessoas.
Carmine fica todo orgulhoso quando veste o seu novo e bonito sobretudo que, para ele, é um sinal de respeitabilidade. 
Assim aconteceu, por exemplo, com a bela Caterina, que o ignorava totalmente antes dele comprar o sobretudo e que até aceitou dançar com ele na festa de Ano-Novo quando Carmine possuía o mesmo. 

E depois disso, quando o Prefeito (autoritário, arrogante e elitista) organizou a grande festa que desejava, a fim de impressionar um ilustre visitante na cidade, o funeral de Carmine acabou por atrapalhar e prejudicar o evento realizado pelo desonesto governante. E o visitante ilustre que se entediava com o discurso do Prefeito acabou demonstrando respeito pelo falecimento de Carmine, cujo corpo era levado por uma carroça, o que interrompeu o discurso hipócrita do adúltero e corrupto governante local.

Porém, Carmine não desapareceu da história, pois o seu espírito começa a aparecer em situações que deixam o prefeito e os poderosos da cidade assustados, tirando os botões dos sobretudos dos mesmos, gerando brigas e confusões entre os moradores da cidade.  

Em um outro momento, quando o Prefeito foi visitar Caterina, o falecido Carmine fazia barulhos, o que deixou o mesmo sem saber o que estava acontecendo, estragando o encontro do corrupto governante com a sua bela amante. E no fim, quando o Prefeito voltava sozinho para casa, Carmine lhe apareceu (como se fosse um fantasma), exigindo justiça, que ele mudasse o seu comportamento em relação às pessoas. 
O prefeito da cidade na festa de Ano-Novo do secretário-geral. Ele era casado mas tinha um caso com a bela Caterina.

E assim, finalmente, o corrupto e autoritário governante, que sempre havia tratado o humilde funcionário com total desprezo, acabou reconhecendo que estava errado na sua maneira de agir e prometeu que iria mudar radicalmente a sua forma de se comportar, passando a deixar de lado as grandes obras, que beneficiam apenas aos grandes capitalistas, e passando a priorizar as necessidades do povo. 


Assim, ele diz que passará a se preocupar em atender as reivindicações da população e a tratar as pessoas com respeito, o que deixa o falecido Carmine contente. 

Roteiro, influências e atuação de Rascel!

Existem várias versões a respeito de quem escreveu o roteiro de 'Il Cappotto'. Lattuada disse que o autor do mesmo foi Luigi Malerba e que Leonardo Sinisgalli e Giorgio Prosperi também contribuíram com a sua elaboração. Mas um dos produtores do filme (Giordano Corsi) disse que o roteiro foi escrito por Giorgio Prosperi e que os nomes de Zavattini e de Sinisgalli foram acrescentados para aumentar o prestígio da produção. 

Neste filme de Lattuada fica clara a influência dos Filmes Noir, pois muitas das cenas são ambientadas a noite e temos a história de um crime na trama (o roubo do sobretudo de Carmine).
Carmine dança com a bela Caterina, realizando um sonho, o que somente foi possível devido ao fato de ter comprado um elegante sobretudo, que o tornou uma pessoa respeitável aos outros dos outros. 

E ainda temos a excepcional atuação de Renato Rascel, cuja interpretação foi considerada 'chapliniana' por muitos críticos de cinema. Seu personagem, claramente, lembra o Carlitos do genial Chaplin. O brilhante trabalho de Rascel, inclusive, lhe rendeu o prêmio de melhor ator por parte dos críticos de cinema italianos em 1953. Uma curiosidade é que, na época da produção do filme, Rascel realmente realmente teve um sobretudo roubado. 


Aliás, a brilhante atuação de Rascel foi uma grande surpresa para muitos jornalistas e críticos, pois ele estava habituado a trabalhar em produções mais leves e ninguém esperava que ele fosse capaz de realizar uma interpretação tão excepcional quanto a que fez neste belo filme de Lattuada. 

As cenas filmadas em interiores foram realizadas nos estúdios da 'Titanus', enquanto que as cenas externas foram inteiramente filmadas em Pavia. Uma curiosidade é que as cenas externas tinham que ter a presença de neve, mas naquele ano (1952) não nevou na cidade, o que obrigou os produtos a fazer uso de toneladas de neve artificial. 

A produtora responsável pelo filme (Faro Film, de Messina) era nova, tendo sido fundada em 1950 por alguns fãs de Cinema e havia se especializado em documentários, com os quais conseguiu um bom lucro. Com isso, ela se arriscou em produzir 'Il Cappoto'. Mas depois deste filme de Lattuada ela produziu apenas mais quatro filmes entre 1953 e 1960.

Um dos motivos que levou a 'Faro Film' a produzir 'Il Cappotto' é que o diretor Alberto Lattuada vinha de um sucesso comercial recente, que foi 'Anna', produção de 1951 e que teve Silvana Mangano como protagonista. 
O Prefeito conversa com o espírito de Carmine e reconhece que sua forma de governar e de agir com a população está totalmente errada. Ele promete para Carmine que irá mudar. 

Informações Adicionais!


Título: Il Cappotto (O Sobretudo);
Diretor: Alberto Lattuada;
Roteiro: Alberto Lattuada, Giorgio Prosperi, Cesare Zavattini, Giordano Corsi, Luigi Malerba, Enzo Curreli e Leonardo Sinisgalli; Baseado no livro 'O Capote', de Nikolai Gógol;
Música: Felice Lattuada; Fotografia: Mario Montuori;
Duração: 102 minutos; Gênero: Drama Social;
Ano de Produção: 1952; País de Produção: Itália;
Elenco: Renato Rascel (Carmine De Carmine); Giulio Stival (Prefeito); Ettore Mattia (Secretário-Geral); Yvonne Sanson (Caterina, amante do Prefeito); Giulio Cali (alfaiate); Silvio Bangolini (vendedor ambulante); Antonella Lualdi (Vittoria, filha do Prefeito); Sandro Somaré (namorado de Vittoria); Claudio Ermelli (o fotógrafo);
Prêmios: Renato Rascel ganhou a 'Fita de Prata' de Melhor Ator do Sindicato Nacional de Críticos de Cinema da Itália de 1953.

Informações sobre o filme:

https://it.wikipedia.org/wiki/Il_cappotto_(film)

https://www.imdb.com/title/tt0044474/?ref_=ttfc_fc_tt
Créditos finais do belo e poético filme de Alberto Lattuada. 

Trailer do Filme:


domingo, 16 de setembro de 2018

'Arquivo X': Saiba tudo sobre 'Home', o episódio mais polêmico da história do seriado! - Marcos Doniseti!

'Arquivo X': Saiba tudo sobre 'Home', o episódio mais polêmico da história do seriado! - Marcos Doniseti!
Os irmãos Peacock, membros de uma família cujos ancestrais sofrem de deformidades físicas de origem genética e que vão se agravando com o tempo. 

'Home' ('O Lar', 4X02) é, com certeza, o episódio mais polêmico da história de 'Arquivo X' e muito dificilmente uma série de TV irá produzir um episódio que vá gerar tanto debate e discussão quanto este, que foi o segundo da quarta temporada de 'Arquivo X'.


A Fox,  que é uma das quatro grandes redes de TV abertas dos EUA, exibiu o episódio no dia 11/10/1996. Mas foi só. Depois disso, ela nunca mais o mostrou, apesar de sempre reprisar os episódios da série após o término de cada temporada. 'Home' voltou a ser exibido, mas apenas no canal pago do grupo Fox (que é o FX) em 1997, durante uma maratona da série na qual 'Home' foi o primeiro episódio a ser exibido. 

A trama de 'Home' mostra Mulder e Scully investigando o fato de um bebê deformado ter sido enterrado em um terreno localizado próximo à residência de uma família (os Peacocks) em uma pequena cidade da Pensilvânia e que se chama justamente 'Home'.  

Por isso, Mulder e Scully vão até o local, conversam com o Xerife e procuram interrogar os membros da família, que vivem em uma casa sem energia elétrica ou água tratada e que também não tem virtualmente nenhum contato com a população local. 
Mulder, Scully e o Xerife Taylor. Este tem medo das mudanças que estão acontecendo no mundo global e que irão terminar por mudar a vida das pessoas mesmo numa pequena comunidade rural como é 'Home'. 
Durante a investigação, a dupla dos 'Arquivos X' acaba descobrindo que o bebê havia sido enterrado vivo. Eles também suspeitam que o bebê nasceu como resultado de relações que ocorreram entre os próprios integrantes da família, o que acaba se confirmando. 

Os Peacock viviam isolados do mundo, produzindo seus próprios alimentos e pegando água em um poço, e eram portadores de uma doença de origem genética que fazia com que tivessem corpos totalmente deformados, sendo que o pai já tinha falecido há muitos anos. 

Em função disso, a mãe (Interpretada pela excepcional atriz Karin Konoval, que voltou para a 11a. temporada da série, participando de 'Plus One', 11X03) e os três filhos tinham relações sexuais com o objetivo de gerar uma descendência que garantisse a sobrevivência da família.

Na época de sua exibição pela Fox, uma das quatro grandes Redes de TV abertas dos EUA, grupos conservadores usaram o mesmo como pretexto para defender a censura prévia na TV. 'Home' foi usado por tais grupos como um exemplo do que jamais deveria ser exibido na TV. 
Mulder e Scully empurrando os porcos... Ele brincou, perguntando se ela pensaria mal dele se dissesse que estava excitado ao fazer isso. 

É bom esclarecer que a Fox tinha seu próprio departamento de censura (chamado de 'Padrões e Práticas') e 'Arquivo X', pelos temas trabalhados, era u
ma das séries mais visadas pelo mesmo. Em muitas ocasiões o criador e produtor executivo da série, Chris Carter, teve que lutar para manter intactas cenas e diálogos de vários episódios que o departamento desejava cortar. Muitas vezes ele conseguiu preservar, pelo menos, partes das cenas.

Sobre o episódio, o livro 'Arquivo X - Bastidores III', de Andy Mesler, revela uma série de informações interessantes:

1) O diretor de 'Home', o falecido Kim Manners (que foi homenageado no episódio 'Mulder e Scully encontram o Monstro', 10X03), disse que filmou muitas cenas do bebê morto, sendo que este tinha a mesma doença genética dos outros integrantes da família, mas que elas foram cortadas pelo departamento de 'Padrões e Práticas' da Fox. 

Depois que foi exibido, Manners passou a considerar que 'Home' era um clássico, afirmou que amava o episódio e disse que o mesmo se tornou um dos favoritos de sua carreira. 
Cena clássica da série, com Mulder e Scully sentados em um banco, e que foi refilmada em 'Home Again' (10X02).
2) Sobre o episódio, David Duchovny disse o seguinte: "Eu não apreciei 'Home' logo que li o roteiro, nem quando começamos a filmar o episódio. Mas quando o trabalho ficou pronto, eu achei realmente engraçado, embora um tanto perturbador. Gostei muito do episódio.".

3) O xerife Andy Taylor foi interpretado por Tucker Smallwood, que havia trabalhado em 'Comando Espacial', série criada e desenvolvida por Glen Morgan e James Wong, os roteiristas de 'Home'. 

Smallwood ficou chocado com a violência contida no roteiro e perguntou a quem já trabalhava no seriado há tempos se o mesmo era sempre assim. Daí ele ficou sabendo que a violência contida em 'Home' era algo incomum mesmo para os padrões de 'Arquivo X' e que aquele era o episódio mais 'horrível' da história do seriado. 

4) O diretor do departamento de maquiagem da série, Toby Lindala, diz que se orgulha muito do trabalho feito por ele e sua equipe no episódio, principalmente em função de ter modificado totalmente a aparência dos atores que interpretaram os irmãos Peacock e também por ter construído o bebê repleto de defeitos genéticos. 

5) Uma cena que David e Gillian interpretaram de maneira 'muito sugestiva', dentro de um pequeno armário na casa do xerife Taylor, chegou a ser filmada mas acabou sendo cortada. 

Aposto que os fãs shippers do seriado adorariam ver essa cena. 

6) A casa que foi utilizada como a residência dos Peacock já tinha sido usada no episódio 'Aubrey' (2X12) como a casa de Harry Cokely e fica em South Surrey, próximo da fronteira entre EUA e Canadá;
A escuridão é um dos elementos fundamentais da série. E as cenas de Mulder e Scully com as lanternas são clássicas.

7) A música 'Wonderful, Wonderful', que toca no carro dos Peacock na sequência final, foi gravada por Johnny Mathis mas este recusou-se a permitir o uso da sua gravação depois que leu o roteiro (e quem não rejeitaria???). 


Com certeza, ele deve ter ficado com o cabelo em pé ao ter lido o roteiro.

Dai a solução adotada pelos produtores foi a de usar uma gravação feita por um cantor que imitava perfeitamente Johnny Mathis. O produtor executivo e diretor David Nutter, que foi cantor profissional, chegou se a apresentar como voluntário para a tarefa, mas a ideia foi deixada de lado quando o cantor que imitava Mathis foi encontrado e contratado.

Kim Manners disse que queria usar essa música porque ela teria uma qualidade 'nojenta e assustadora', mesmo que as pessoas não percebessem isso de forma clara. 

8) Os porcos que aparecem na cena do chiqueiro com Mulder e Scully foram alugados e junto com eles vieram toda a sujeira e o fedor. 

Os porcos, no entanto, ficaram desesperados para sair do confinamento e na cena em que Mulder e Scully os empurravam por trás, alguns treinadores de animais (que ficaram escondidos por trás das câmeras) tiveram que empurrar os porcos pela frente, na direção de David e Gillian;

E quem não se lembra do Mulder fazendo piada com a Scully, dizendo que ele estava ficando excitado por empurrar os porcos...
Mulder fica 'desolado' quando vê que Elvis morreu aos 42 anos de idade, quando encontra um velho jornal na casa dos Peacock.

9) O 'Cadillac 1958', que foi usado como o veículo da família Peacock, estava a caminho do ferro-velho, pois tinha sido usado em outro programa de TV, no qual foi explodido. O veículo foi encontrado em uma fazenda de Vancouver (inteiramente detonado, é claro), sendo que foi alugado e devidamente restaurado  por Nigel Hapwood, do departamento de transportes. 


Hapwood enfrentou muitos problemas com o veículo e teve que cortar o teto do carro e martelar a lataria, sendo que o conserto dos freios foi a parte que mais deu trabalho. 

No entanto, todo esse trabalho, de certa maneira, acabou recompensado após a exibição do episódio. Kim Manners, que dirigiu o episódio, disse que recebeu uma carta da divisão Cadillac (da General Motors), que agradeceu a série por estar fazendo propaganda de um dos seus produtos...

Propaganda de produto? Em 'Home'? Sei... 

Essa turma da Cadillac deve ter visto o episódio depois de ter tomado uma boa quantidade de chá de cogumelo... rs. 

10) Glen Morgan afirma que deu o nome Peacock para a família de deformados genéticos por ter se lembrado de uma família que foi vizinha da de seus pais. Será que essa família de vizinhos dos pais de Morgan ficou sabendo disso? Se isso realmente aconteceu, então eles não devem ter gostado muito da 'homenagem', não... rs.
Um dos ancestrais dos Peacocks, que já sofria da doença de origem genética que afetava aos membros da família. 

11) No entanto, existe uma outra versão para a escolha do nome da família de deformados genéticos (Peacock, que significa pavão). O nome Peacock teria sido escolhido em função de uma disputa que estava sendo travada entre a Fox e a NBC, rede de TV que é competidora da Fox e cujo símbolo é um pavão.


Se isso é verdade, então essa foi uma bela maneira que a Fox encontrou para alfinetar a NBC... rs.

12) Os roteiristas de 'Home' foram Glen Morgan e James Wong, que haviam trabalhado na série durante as duas primeiras temporadas. 

Eles saíram após escrever o roteiro de 'Os Adoradores das Trevas' (2X14), que também foi dirigido por Kim Manners, episódio no qual um grupo de professores de uma escola secundária integrava um culto satânico e que invoca o Capeta, que aparece na cidade e começa a cometer uma série de crimes. 

Depois disso, Morgan e Wong saíram de 'Arquivo X' para desenvolver um novo projeto, que foi a série 'Comando Espacial' que, apesar de ter sido bastante inovadora e receber muitos elogios, acabou sendo cancelada depois de apenas uma temporada devido à baixa audiência. 

E quando voltaram para 'Arquivo X' qual foi o primeiro episódio que Morgan e Wong escreveram? "Home"... 
A Sra. Peacock vivia embaixo da cama e convenceu os filhos a tentar gerar descendentes para que a família pudesse sobreviver. 
Eles também voltaram a trabalhar na série nas 10a. e 11a. temporadas (junto com Darin Morgan, o irmão de Glen, e que é um pouco mais doido do que este), sendo que na décima eles escreveram o roteiro de 'Home Again' (10X02). 

Inclusive, eles se aproveitaram de várias cenas de 'Home' em 'Home Again', como a de Mulder e Scully conversando em um banco e o uso de uma música popular no episódio (em 'Home Again' a música escolhida foi 'Dowtown', que foi gravada por Petula Clark). 

13) Na cena de abertura do episódio, que mostra o bebê deformado sendo enterrado, o roteiro original previa que o mesmo teria que chorar e gritar, mas os censores da Fox vetaram isso. Assim, o bebê quase não aparece na cena e é enterrado em silêncio, sem gritos ou choro. Os gritos e choros do bebê foram substituídos pelos de um dos irmãos Peacock. 

Inclusive, uma parte da cena foi filmada da perspectiva do bebê. Kim Manners disse que esta foi a cena mais horrível que filmou em sua carreira;

14) Os produtores da série acharam que o episódio 'tinha ido longe demais' e o ator que interpretou o xerife Taylor disse que ficou chocado com o nível de violência do episódio;

15) Foram duas as fontes de inspiração para Morgan e Wong escreverem 'Home': 

A) A primeira foi um documentário chamado 'Brother's Keeper', sobre um grupo de quatro irmãos (família Ward) que vivia em uma pequena fazenda da área rural do estado de Nova York, isolados do mundo, e no qual era sugerido que havia uma relação homossexual entre os mesmos. Foi feita uma investigação depois que um dos irmãos havia falecido.
Um dos irmãos Peacock encarando Mulder. Não era uma visão das mais agradáveis. 

A segunda fonte de inspiração foi uma história narrada por Charles Chaplin em sua autobiografia. Segundo o genial ator, uma vez ele visitou uma família que o levou para o quarto e no qual estava o filho, que não possuía nem braços e nem pernas e que 'vivia' amarrado embaixo da cama. Quando os integrantes da família cantavam e dançavam o filho se agitava. 


Com essas 'maravilhosas' fontes de inspiração, Morgan e Wong não poderia ter escrito nada diferente de 'Home'...

16) Os temas polêmicos que temos em 'Home' não foram acidentais. Morgan e Wong quiseram, de fato, marcar o seu retorno à série escrevendo um episódio que fosse deliberadamente polêmico e que testasse os limites da TV.

Eles conseguiram, sem dúvida alguma. 

17) 'Home' foi o único episódio da história de 'Arquivo X' e da Fox que foi exibido com a recomendação de que era impróprio para menores de 17 anos. Antes da exibição do episódio foi mostrado um aviso recomendando-se 'descrição' para ver o mesmo, algo como 'tirem as crianças da sala'. 

Isso voltou a acontecer apenas na 8a. temporada, com o episódio 'Via Negativa' (8X07).

18) 'Home' obteve um ótimo índice de audiência (11.9 no Nielsen) e foi visto por 18.850.000 espectadores; 
Scully atira em um dos irmãos Peacock.

19) 'Home' também foi muito elogiado pelos críticos e alguns o compararam com o trabalho do cineasta David Lynch, criador de 'Twin Peaks' e que di
giu vários filmes 'estranhos, para dizer o mínimo.


Logo, a comparação está mais do que justificada. 

20) Críticos apontaram que os temas principais de 'Home' seriam uma sátira ao chamado 'American Dream' e à globalização, bem como trataria da natureza da maternidade.

Realmente, Morgan e Wong encontraram uma maneira muito 'estranha', ousada e criativa para fazer tudo isso. 

Mas o episódio foi reconhecido como sendo uma versão satírica sobre os valores familiares tradicionais, apresentando um conflito entre os valores clássicos dos EUA e o mundo moderno. A cidade 'Home' representaria os valores tradicionais, enquanto os Peacock simbolizam o lado mais sombrio do 'American Dream'. 

Além disso, a cidade 'Home' também mostraria uma realidade intocada pelo processo de globalização, enquanto os Peacock seriam o lado negativo disso. O Xerife Taylor chega a dizer, para Mulder e Scully, que eles sempre viveram de forma tranquila ali e que gostaria que isso continuasse, mas sabia que o mundo estava mudando. 

Já a escritora Sarah Stegall viu na cena de abertura, quando o bebê é enterrado, como sendo 'um comentário sobre a ideologia do 'Sonho Americano', usando a morte de uma criança para falar conosco sobre esperanças e medos enterrados, bem como sobre os segredos obscuros que podem unir uma família'. 
Scully e Mulder após o confronto com os irmãos Peacock. 

21) O episódio é um dos primeiros a explorar o desejo de Scully de se tornar mãe, o que aconteceria, de forma involuntária, na quinta temporada, nos episódios 'Surpresas no Natal'/'Emily' (5X06 e 5X07). Posteriormente, ela também iria engravidar na 7a. temporada, o que é descoberto em 'Requiem', e na 11a. temporada '(Minha Luta 4', 11X10). 


22) Quando foi exibido pela primeira vez, a 'Entertainment Weekly' deu nota máxima para 'Home' e descreveu o episódio como 'uma das horas mais perturbadoras da TV' e também como 'um banquete cinematográfico para os olhos, repleto de audácia sagaz'. 

23) 'Home' é frequentemente citado por críticos e jornalistas como um dos melhores episódios da história do seriado. 

Dean A. Kowalski, autor de 'A Filosofia de Arquivo X', o considera como sendo um dos três melhores episódios de 'Monstro da Semana' da série, junto com 'Squeeze' ('Assassino Imortal', 1X03) e  'The Host' ('O Hospedeiro', 2X02). 

Alguns dos críticos dizem que foi um milagre que 'Home' não tenha sido censurado e que o episódio é um dos dez mais assustadores da história da TV. 

24) O ator William B. Davis (o Canceroso da série) disse que o episódio foi bem escrito e dirigido, mas que levou alguns fãs a questionarem se deveriam continuar assistindo ao seriado. Ele também falou que há filmes modernos de Terror, produzidos posteriormente, que são mais violentos do que 'Home', mas que na época o episódio foi bastante perturbador. 

25) O site 'Vulture' considerou 'Home' como o programa mais aterrorizante para ser visto na época do 'Halloween'. 
Edmund e a mãe (dentro do porta-malas) vão embora, à procura de um novo Lar. 

Fontes: 


Livro 'Arquivo X - Bastidores 3', de Andy Mesler, págs. 38/47.

Matéria sobre o episódio 'Home':

https://uproxx.com/tv/10-fascinating-facts-disturbing-episode-tv-broadcast-television-history/

Episódio 'Home': Informações no IMDB:

https://www.imdb.com/title/tt0751137/

'Home' - Informações na Wikipedia:

https://en.wikipedia.org/wiki/Home_(The_X-Files)