segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Filme: 'Le Quai des Brumes' (Cais das Sombras): Carné mostra uma França desiludida, enfraquecida e fragmentada em plena era de ascensão do Nazi-Fascismo!

Filme: 'Le Quai des Brumes' (Cais das Sombras): Marcel Carné mostra uma França desiludida, enfraquecida e fragmentada em plena era de ascensão do Nazi-Fascismo!
'Cais das Sombras', de Marcel Carné, é um dos clássicos do Realismo Poético francês da década de 1930. Esse movimento cinematográfico influenciou o Filme Noir (EUA) e o Neo-Realismo italiano.

O chamado 'Realismo Poético' foi um movimento cinematográfico que se desenvolveu na França durante a década de 1930. Entre os principais cineastas que são inseridos no gênero temos: Marcel Carné, Jean Vigo, Jean Renoir, Julien Duvivier e Jacques Feyder. 


Para se compreender melhor os filmes deste importante movimento da história do Cinema é importante conhecer o contexto histórico durante o qual o mesmo se desenvolveu. 


Nos anos 1930 tivemos a 'Grande Depressão', que jogou a economia capitalista globalizada na pior crise de toda a sua história, provocando desemprego, pobreza, fome e miséria em grande escala, em todos os países: EUA, Alemanha, Grã-Bretanha, França, Itália, América Latina. As taxas de desemprego dispararam, chegando a 44% na Alemanha e a 33% nos EUA no início de 1933. 

Isso fez com que surgisse uma nova geração de produtores e de cineastas, na França, que passou a realizar uma série de filmes que mostravam a realidade de pobreza, miséria, desespero, injustiças, desilusão e violência que grassava pelo país. 
Jean e Nelly se conhecem e se apaixonam, passando a acreditar que poderiam ser felizes juntos. Nesta cena, Carné parece ter feito uma moldura para ambos. 

Assim, tivemos o início do que se chamou de 'Realismo Poético' e que resultou na produção de inúmeros clássicos do Cinema francês e mundial. Tais filmes exerceram uma significativa influência sobre a produção cinematográfica mundial nas décadas seguintes, tal como se pode comprovar assistindo-se aos filmes do Policial Noir americano (vide a belíssima fotografia deste 'Cais das Sombras') e do Neo-Realismo italiano.


Nos filmes do 'Realismo Poético' francês tudo formava uma unidade: a fotografia, a atuação, os diálogos, a posição das câmeras. 

Além disso, a França da década de 1930 é uma nação fragmentada, desunida, sendo bastante dividida política e ideologicamente, com as forças pró-Fascismo (fascistas, nazistas, monarquistas conservadores, antissemitas) e anti-Fascistas (socialistas, comunistas, anarquistas, radicais, liberais e alguns Conservadores) se enfrentando de forma cada vez mais intensa, algo que também aconteceu em inúmeros outros países. 

Esse processo de divisão e de radicalização política e ideológica acabou dividindo e enfraquecendo a França, que se via cada vez mais ameaçada pelo fortalecimento dos regimes Nazista (Alemanha) e Fascista (Itália). 

E para agravar ainda mais a visão pessimista da vida e do mundo que os filmes do 'Realismo Poético' divulgavam, na vizinha Espanha tivemos a 'Guerra Civil', que levou o general Francisco Franco (aliado de Hitler e de Mussolini) ao poder. 
Dana Andrews e GeneTierney em 'Laura', filme de Otto Preminger, de 1944. 'Laura' foi um dos principais clássicos do Filme Policial Noir, que foi bastante influenciado pelo 'Realismo Poético' francês. 

A 'Guerra Civil Espanhola' gerou uma imensa destruição e provocou a morte de cerca de 400 mil pessoas, terminando com a vitória do General Francisco Franco, vitória essa que foi alcançada, em grande parte, graças ao decisivo apoio dos governos de Hitler e Mussolini, que implantou uma brutal ditadura no país. O regime ditatorial franquista somente foi derrubado em 1975, após a morte de Franco, cujo brutal regime de governo matou cerca de 1.600.000 pessoas após o fim da Guerra Civil, fazendo um total de 2 milhões de vítimas durante quase 40 anos (1936-1975).


Além disso, na própria França existia, nesta época, uma parcela significativa da população que nutria uma grande simpatia pelo Nazi-Fascismo, pois o anti-comunismo e o anti-esquerdismo da burguesia e da classe média francesas eram mais fortes do que os temores que elas possuíam em relação às pretensões imperialistas de Hitler e Mussolini. 

Obs1: No Brasil também ocorreu esse processo de radicalização política e ideológica com, por exemplo, os membros da ANL (Aliança Nacional Libertadora), liderada por Luiz Carlos Prestes, enfrentando os militantes integralistas em verdadeiras batalhas de rua. O Integralismo foi a versão brasileira do Nazi-Fascismo e foi liderado por Plínio Salgado, Miguel Reale e Gustavo Barroso. Todas as principais características do Nazi-Fascismo estavam presentes no Integralismo brasileiro: O autoritarismo, a disciplina e a hierarquia rígidas, o anti-semitismo, o culto ao líder, o militarismo, a xenofobia. 
Jean e Nelly vivem breves momentos de felicidade. 

Em 1936 a França chegou a eleger um governo progressista, da chamada 'Frente Popular', tendo um Primeiro-Ministro socialista e judeu (Léon Blum), que promoveu importantes reformas sociais e econômicas: adoção da jornada de 40 horas semanais e do descanso semanal remunerado; nacionalização da indústria armamentista, entre outras. Tais medidas eram inaceitáveis para grande parte das forças direitistas francesas, que eram anti-comunistas e anti-semitas e simpatizavam com o Nazi-Fascismo. Nesta época, as forças direitistas francesas demonstravam tal ódio pelo governo progressista do país que o lema delas era 'Antes Hitler, do que a Frente Popular'. 


A divisão da sociedade francesa em movimentos políticos rivais e a admiração de muitos franceses pelo Nazi-Fascismo acabou enfraquecendo e dividindo o país, permitindo que a França fosse facilmente conquistada pelos nazistas em Maio/Junho de 1940, após uma campanha militar que durou menos de dois meses. Enquanto que na Primeira Guerra Mundial os alemães permaneceram por mais de 4 anos lutando dentro do território francês sem que jamais tenham conseguido conquistar o país, na Segunda Guerra Mundial a conquista da França pelos alemães se deu de forma extremamente rápida, o que foi uma surpresa para o próprio Hitler e para os líderes nazistas, devido ao fato de que ela era uma grande potência militar. 

E alguns dos principais motivos dessa fragorosa e humilhante derrota (que reduziu a França à condição de 'potência de segunda classe' no cenário mundial) já estão presentes nos filmes do 'Realismo Poético' francês, sendo que em 'Cais das Sombras' isso já é bastante evidente. 
Vittel, o bêbado, ao lado amigo Jean, que desertou do Exército Colonial francês que guerreava na Indochina, em frente à miserável Pousada de Panamá. 

Fica claro, no filme de Carné, que muitos franceses já não confiam mais em seus líderes, instituições e governantes e que eles preferiam viver à margem da sociedade, apelando até para atividades ilegais e criminosas como forma de sobrevivência. Afinal, os problemas gerados pela Grande Depressão estavam longe de ser resolvidos e os conflitos políticos e ideológicos se intensificaram no país neste período. 


E a visão essencialmente pessimista que os cineastas franceses do 'Realismo Poético' tinham da vida, da sociedade e do mundo fica bem claro quando um pintor diz para Jean que 'quando vejo alguém nadando, já penso nele como um afogado'. 

Logo, não é à toa que temos, no filme de Carné, toda uma atmosfera sinistra, um clima cinzento, escuro e sombrio, com uma névoa permanente, que ameaça a todos (o Nazi-Fascismo?), bem como vemos o fatalismo dos personagens, que são tristes e melancólicos. 

Fica bem evidente que eles desejavam ter uma outra vida, mas sabem que isso não está ao seu alcance e acabam aceitando aquilo que a vida lhes oferece, um destino trágico, do qual eles não conseguem fugir, embora procurando, mesmo que em um momento breve e fugaz, vivenciar uma situação de felicidade. 
O desertor Jean e o criminoso Lucien entrarão em conflito em vários momento do filme. E o fim será trágico...

A história do filme gira em torno de um soldado (Jean), que desertou do Exército e que demonstra não acreditar em mais nada. Daí, ele sai vagando pela França, pegando carona com caminhoneiros e acaba se abrigando em uma Pousada isolada e decadente, na qual perambulam por ali outras pessoas que são tão solitárias e perdidas quanto ele, pessoas desiludidas como Jean, que procuram, de certa maneira, beber e se unir, mesmo que de forma breve, para poder continuar vivendo. 


O plano de Jean é ir até o porto de Le Havre e, ali, embarcar em um navio que o leve para fora do país (o destino é a Venezuela), a fim de escapar de uma inevitável, caso ele venha a ser denunciado às autoridades. 

Obs2: O desertor Jean é interpretado por Jean Gabin, que fez muito sucesso em vários filmes da década de 1930 e que muitos consideram como sendo uma espécie de 'Humphrey Bogart francês'.

E mesmo com as pessoas com as quais ele cruza percebendo que Jean é um desertor (afinal ele ainda está usando o seu uniforme), ninguém irá denunciá-lo, pois o desencanto com as instituições e com o rumo do país é algo que afeta a muitos franceses, que foram deixados de lado, abandonados pela sociedade e pelo Estado.  

Desta maneira, Jean irá se encontrar com um bêbado (Vittel), que vive querendo dormir num quarto de hotel que tenha um quarto com uma cama limpa e arrumada, mas que nunca tem dinheiro suficiente para as duas coisas (beber e dormir) e, assim, ele acaba se limitando a beber. 
Jean quer sair da França e embarcar em um navio com destino à Venezuela. Mas o destino que lhe foi traçado não permitirá que isso aconteça. 

Vittel é quem conduz Jean a pousada de Panamá, onde ele irá 
conhecer um pintor com vocação suicida e que não tem mais vontade de viver (Michel Krauss), bem como terá contato com outras figuras nebulosas e solitárias que irão cruzar o seu caminho em suas andanças: Panamá, o dono desta 'Pousada das Almas Perdidas', que dá abrigo a pessoas que não tem outro local para viver ou para passar o tempo, sendo que sempre procura ajudá-las de alguma forma (oferecendo comida, roupas, dinheiro).

E é na Pousada também que Jean irá conhecer uma bonita jovem (Nelly, interpretada por Michèle Morgan), que atrai a atenção e o interesse de todos, inclusive do próprio Jean, é claro. Nelly é uma jovem de 17 anos, perdida e solitária, e com quem Jean terá um breve romance, permitindo que ele desfrute de alguns momentos de felicidade ao lado dela. Porém, depois, quando eles saem juntos, ela descobre que Jean não tem dinheiro algum e coloca algumas notas no bolso dele.

Obs3: No filme 'Cronaca di um Amore' (de 1950; ele já foi comentado aqui no blog), de Michelangelo Antonioni, também vemos uma cena semelhante, na qual a bela Paola Molon (Lucia Bosé) coloca dinheiro no bolso do casaco de Guido (Massimo Girotti), o homem que ela ama e que também está sem dinheiro algum. Antonioni fez parte do Neo-Realismo italiano, que foi influenciado pelo 'Realismo Poético' francês e em 'Cronaca di un Amore' ele parece ter homenageado o filme clássico de Carné. 

Jean também passará a usar roupas civis e adotará uma identidade falsa, passando-se por pintor, a fim de poder sair do país no navio que se encontra no porto de Le Havre. 
As brumas do Nazi-Fascismo cobriam uma parte cada vez maior do território europeu em 1938. A sensação de que uma nova Grande Guerra se aproximava era cada vez mais percebida pelos europeus. 

Jean e Nelly se apaixonam, vivenciam momentos felizes juntos e, assim, passam a fazer planos de viver juntos, indo embora da França (para a Venezuela), em um navio, que sairá do porto de Le Havre, mas isso não irá acontecer, pois um destino trágico aguarda Jean. 
Jean também acabará entrando em conflito com outras pessoas que desejam possuir a jovem e bonita Nelly, como é o caso do pequeno comerciante Zabel, que é o padrinho dela e que confessa estar apaixonado pela jovem. 

E Zabel também faz negócios nebulosos com alguns gângsters (liderados por Lucien), embora não fique claro que negócios seriam esses (contrabando? talvez, afinal aquela é uma região portuária). 

Lucien e seus comparsas estão procurando por outro criminoso (Maurice) e tentam descobrir, com Zabel, onde o mesmo está, mas não arrancam nenhuma informação dele. Com isso, eles vão até a Pousada, onde Zabel se escondeu, e temos uma troca de tiros com o dono (Panamá), que acaba levando os gângsters a ir embora do local. 

Zabel age como se os gângsters fossem pessoas inferiores, que vinham de boas famílias, mas que seguiram um caminho equivocado na vida (do crime), enquanto que ele seria um homem digno, honrado e respeitável. 

Mas não é bem assim... 
Jean e Nelly: O amor foi o que lhes restou para dar algum sentido às suas trágicas, infelizes e solitárias existências. Michèle Morgan interpreta Nelly, uma jovem de 17 anos, e essa era a sua idade na época em que atuou em 'Cais das Sombras'. 

E o líder deste grupo de gângsters (Lucien, um tipo zombeteiro, bom de conversa, mas que não passa de um covarde) também procura se informar sobre o destino de Maurice com Nelly, que é a ex-namorada do criminoso desaparecido. E é claro que Lucien também irá se interessar por Nelly, levando Jean a reagir, estapeando o líder dos criminosos publicamente. 


Lucien, por sua vez, tenta sempre mostrar que é corajoso e que não tem medo de nada, mas não passa de um medroso. Jean demonstra um desinteresse total pela vida, tendo uma permanente expressão de tristeza e de melancolia em seu rosto, mas quando se apaixona por Nelly, ele muda radicalmente, passando a acreditar que poderá vir a ser feliz ao lado dela. 

Aliás, somente quando se trata de Nelly é que Jean demonstra possuir algum interesse pela vida, pois se apaixonou pela bonita jovem e é ao lado dela que ele vive aqueles que são os únicos momentos realmente felizes de sua vida. 


Zabel, tal como vários personagens do filme, tenta passar a imagem de alguém que seria uma pessoa dotada de inúmeras virtudes (honestidade, moralidade), típicas das classes mais abastadas, mas depois descobre-se que ele foi o responsável pela morte de Maurice, o ex-namorado de Nelly. Assim, a sua natureza maléfica acaba sendo revelada. E isso ainda é comprovado pelo fato de que ele ainda tentou possuir Nelly à força, o que ela repudiou. E por essa tentativa nefasta, Jean acaba atacando e assassinando Zabel. 

Assim, os protagonistas do filme são pessoas que vivem às margens da sociedade e que não conseguem ascender na vida (afinal, estamos em plena Grande Depressão), e tampouco conseguem realizar os seus sonhos, passando a viver do crime, a beber, a desertar, a sair de casa, a viver uma existência errante, marcada pelo desencanto e pela desilusão, bem como de atividades ilegais e imorais. 
Jean ataca o comerciante Zabel, pois este tentava forçar Nelly a ter relações com ele, mesmo sabendo que ela amava o desertor Jean. 

Tais personagens não acreditam em mais nada e, logo, adotam uma postura niilista de vida, preocupando-se apenas em sobreviver e focando apenas em seus próprios interesses, deixando claro uma nítida influência individualista e existencialista sobre o filme de Carné, cujos diálogos são um dos pontos altos do mesmo.


Outro aspecto interessante do filme de Carné é que se percebe claramente como a vida de todos os personagens está, de alguma forma, conectada: Jean, Nelly, Zabel, Lucien, Maurice, Panamá. E todos eles estão predestinados a uma existência melancólica e a ter um final trágico. Eles tentam evitar esse destino, mas fracassam. 

Afinal, as brumas (o Nazi-Fascismo) que cobrem Le Havre e envolvem aos personagens irá, em breve, se abater sobre todos. E não há nada que se possa fazer para evitar o destino trágico que os aguarda, bem como à população europeia. Assim, o filme de Carné acaba antecipando o estouro do mais brutal e sangrento conflito da história humana, que foi a Segunda Guerra Mundial, que matou 50 milhões de pessoas apenas na Europa. 

Obs4: Afinal, em 1938, o governo de Hitler já havia anexado a Áustria (Março de 1938) e no final de Setembro do mesmo ano ele havia assinado o 'Pacto de Munique', por meio do qual anexou os Sudetos, região mais rica e industrializada da então Tchecoslováquia, garantindo o controle de toda a Europa Central para a Alemanha Nazista. Neste momento, já havia ficado claro para muitos, na Europa, que Hitler nunca iria ficar satisfeito enquanto não dominasse todo o Velho Mundo e que, portanto, uma nova Grande Guerra europeia era inevitável. E é justamente esse clima de pessimismo, tristeza, melancolia e de destino trágico e inevitável que vemos neste clássico filme de Marcel Carné. Sem o entendimento do momento histórico durante o qual o filme foi realizado a compreensão do mesmo torna-se impossível. 
O covarde criminoso Lucien atira e acaba matando Jean. O desejo deste de ser feliz ao lado de Nelly foi destruído.

Obs5:
Os diálogos do filme foram escritos pelo poeta Jacques Prévert, que participou da elaboração de inúmeros roteiros, ficando famoso em função da sua participação nos filmes do 'Realismo Poético' francês dos anos 1930. 


E no fim o conflito entre o gângster Lucien e o desertor Jean acaba com um resultado trágico para este último, que sonhava em ser feliz ao lado da sua amada, Nelly, mas que termina morrendo nos braços desta, que chora desesperada. 

Fim. 

Obs6: O meu interesse em assistir a este belo filme de Marcel Carné veio da leitura do livro 'E os Hipopótamos foram cozidos em seus Tanques', de Jack Kerouac e William Burroughs. No livro, que li há poucas semanas, Kerouac comenta que assistiu ao 'Cais das Sombras' ao lado de alguns amigos e que um deles chegou a chorar copiosamente ao final do mesmo, dizendo que era o mais belo filme que ele já havia assistido em sua vida. 
Cena mostra o momento em que Jean é baleado e morto pelo gângster Lucien.

Informações Adicionais:


Título: Le Quai des Brumes (Cais das Sombras);
Diretor: Marcel Carné;
Roteiro: Jacques Prévert e Pierre Dumarchais, baseado no romance de Pierre Mac Orlan;
País de Produção: França; Ano de Produção: 1938;
Duração: 91 minutos;
Gênero: Policial, Drama, Romance;
Música: Maurice Jaubert;
Fotografia: Eugen Schufftan;
Elenco: Jean Gabin (Jean); Michèle Morgan (Nelly); Michel Simon (Zabel); Pierre Brasseur (Lucien, o gângster); Édouard Delmont (Panamá, dono da Pousada); René Génin (Dr. Molêne, o Médico); Roger Legris (Garçom do Hotel); Raymond Amos (Vittel, o bêbado), Robert Le Vigan (Michel Krauss, o pintor suicida). 
Prêmios: Louis Delluc (Melhor Direção para Marcel Carné);
Festival de Veneza: Menção Especial para Marcel Carné. 

Informações sobre o filme:

http://www.imdb.com/title/tt0030643/

O governo da Frente Popular na França:

http://operamundi.uol.com.br/conteudo/historia/28083/hoje+na+historia+1950+%96+morre+leon+blum+lider+socialista+frances.shtml

Lista de Filmes Noir:

https://ajanelaencantada.wordpress.com/2014/09/14/film-noir/
Nelly beija Jean, segundos antes dele morrer. 

Trailer:


domingo, 6 de novembro de 2016

Beat Generation: O leilão da 'Joan Anderson Letter', 'On The Road' e o legado dos Beats! - Marcos Doniseti!

Beat Generation: O leilão da 'Joan Anderson Letter', 'On The Road' e o legado dos Beats! - Marcos Doniseti!
Trecho da carta original de 18 páginas que foi escrita por Neal Cassady e na qual ele usou a técnica de 'fluxo de consciência'. Cassady enviou a carta para Kerouac, que devido à sua leitura, decidiu escrever 'On The Road' usando a mesma técnica.
Em Dezembro de 2014 eu escrevi e postei, aqui no blog, dois textos a respeito da descoberta da carta que Neal Cassady enviou para Jack Kerouac (datada de 17 de Dezembro de 1950), e que inspirou e influenciou o genial 'católico solitário, louco e místico' de origem franco-canadense a escrever 'On The Road' usando da técnica de 'fluxo de consciência'. 

Segundo Jack Kerouac, a carta de Cassady (que não foi a única... tivemos outras) tinha cerca de 40 mil palavras páginas e o mesmo a escreveu em três dias, sob o efeito de Benzedrina. 

Jerry Cimino, responsável pelo 'Beat Museum', de São Francisco, disse o seguinte a respeito da descoberta da 'Joan Anderson Letter': 

"É o maior achado da história da Beat Generation. Isso é ainda mais importante do que o manuscrito original de 'On The Road'... Esta é a carta que levou Jack Kerouac a mudar o seu estilo de escrever, de um jeito bastante sério, de um estilo influenciado por Thomas Wolfe, para a 'Prosa Bop espontânea' que Kerouac usou em 'On The Road'.".

Kerouac já havia feito várias tentativas de escrever 'On The Road', mas não tinha sido bem sucedido, por não conseguir encontrar o jeito certo de fazê-lo. Até que ele recebeu a carta de Neal Cassady e, pronto, veio o estalo, permitindo que ele começasse a escrever o livro, o que acabou fazendo em três semanas, durante o mês de Abril de 1951, ao som de Jazz e bebendo muito café, devidamente misturado com Benzedrina. 

A maneira livre, rápida, fluída e espontânea com que Neal Cassady escreveu a carta levou Kerouac a usar da mesma técnica ao escrever o clássico 'On The Road', que se transformou em um grande sucesso (já vendeu mais de 3,5 milhões de cópias), quando o mesmo foi publicado em 1957, embora a edição original tenha passado por muitas alterações para que pudesse ser publicado. 
Capas de três livros essenciais da Beat Generation: On The Road (Jack Kerouac, 1957), Uivo (Allen Ginsberg, 1956) e Almoço Nu (William Burroughs, 1959) que foram lançados no Brasil.

A 'Joan Anderson Letter' ficou desaparecida por várias décadas e os próprios Beats pensavam que ela havia se perdido. As chances de encontrá-la eram muito remotas, mas isso acabou acontecendo, felizmente (ver links abaixo, onde conto a história de como isso ocorreu). 


Nesta carta, Neal Cassady relatava o seu envolvimento amoroso com uma jovem chamada Joan Anderson, no ano de 1946, sendo que a sua escrita tinha uma forma muito mais livre e fluída, o que acabou agradando e muito a Kerouac. E justamente por isso é que ela entrou para a história com o nome de 'Joan Anderson Letter'. 

Pois esta antológica carta, que é uma espécie de documento fundador (um 'Santo Graal') da Literatura Beat, foi a leilão recentemente nos EUA (em Junho deste ano). Porém, o elevado valor mínimo exigido para a sua venda (US$ 400 mil dólares) não foi atingido. O máximo a que se chegou foi o valor de US$ 380 mil dólares. 

Assim, ela continua sem comprador, mesmo sendo um dos mais importantes documentos literários do século XX.  

Kerouac, a Prosa Bop espontânea, o Jazz e o Manuscrito original de 'On The Road'!

Quando tivemos a venda do manuscrito original de 'On The Road', em Maio de 2001, o mesmo foi comprado pela espantosa quantia de US$ 2,430 milhões de dólares, que é o maior valor já pago por um manuscrito literário. 
A Santíssima Trindade da Beat Generation: Jack Kerouac, Allen Ginsberg e William Burroughs no campus da Columbia University, em 1945. A influência das obras que realizaram foi imensa nas décadas seguintes. 

Kerouac chamou essa técnica literária, que foi utilizada por ele em 'On The Road', de 'Prosa Bop Espontânea', pois ele desejava escrever da mesma forma que os músicos de Jazz Bop faziam os seus improvisos, sendo que a sua maior influência foi Charlie Parker. 


É bom dizer que Kerouac conhecia profundamente o Jazz e chegou a escrever textos a respeito do assunto, frequentou inúmeros shows do estilo e até chegou a se tornar amigo de Lester Young, um dos mais geniais e talentosos jazzistas da história.

O Jazz sempre foi a grande paixão musical dos Beats, até porque quando eles viajaram pelos EUA e pelo mundo e escreveram as suas obras, o Rock'n'Roll ainda não havia estourado ou então ainda era um estilo musical em desenvolvimento, que atingiria o seu ápice criativo na década de 1960.

A música que mexia com os Beats era, sem dúvida alguma, o Jazz. Em 'On The Road' (livro e filme) um artista que se destaca bastante é Slim Gaillard, cujas músicas são cantadas por Cassady (Dean Moriarty) e Kerouac (Sal Paradise), sendo que este último diz que Gaillard é Deus. 
Jack Kerouac, Lucien Carr e Allen Ginsberg, em 1955. Lucien Carr acabou se afastando do grupo e levou uma vida convencional, devido ao fato de ter assassinado David Kammerer, que era obcecado por ele e que o perseguia há muitos anos. Carr ficou preso por dois anos em um reformatório e, depois, foi libertado. 

Posteriormente, principalmente nos anos 1960 e, também, nas décadas seguintes, os nomes mais importantes da Beat Generation após a morte de Kerouac (que ocorreu em 21/10/1969), Allen Ginsberg e William Burroughs, se ligaram a muitos músicos de Rock, incluindo Bob Dylan, David Bowie, Patti Smith, Kurt Cobain, entre muitos outros. 


O manuscrito original de 'On The Road' era um longo texto, sem parágrafos, sem vírgulas, escrito em um rolo de telex de 40 metros, cujas várias partes Kerouac uniu, a fim de poder escrever, sem parar, até a conclusão do livro, o que ele fez em um período de três semanas. 

O rolo de telex que foi usado por Kerouac lhe foi fornecido pelo amigo Lucien Carr (que obteve o mesmo na UPI, agência de notícias na qual ele trabalhava), que fazia parte do grupo Beat original e que foi quem apresentou Ginsberg, Kerouac e Burroughs. 

Embora não tenha escrito nenhum livro, Lucien Carr estimulava os amigos a escrever de uma forma totalmente inovadora, rompendo com os conservadores e ultrapassados padrões literários que imperavam nos EUA nas décadas de 1940 e 1950. Ele mesmo não tinha o talento para criar tal literatura, mas Allen Ginsberg disse que Carr foi muito importante, pois era a cola que mantinha o grupo Beat unido. 
As mulheres fizeram parte da Beat Generation, sim, mas elas eram duramente reprimidas. Gregory Corso disse que os homens podiam se rebelar, nos anos 1950, mas as mulheres não. E muitas delas foram parar em hospitais psiquiátricos. 

Lucien Carr continuou sendo amigo dos Beats, mesmo depois que se afastou do grupo e decidiu viver uma vida convencional, casando-se duas vezes e tendo três filhos. 


Obs1: A história da participação de Lucien Carr no movimento Beat original é contada no livro 'E os Hipopótamos foram cozidos em seus tanques', de Jack Kerouac e William Burroughs, e no bom filme 'Kill Your Darlings' (de 2013). O livro 'Howl' ('Uivo') foi dedicado para ele, por Ginsberg, na primeira edição. Porém, Carr pediu que a referência a ele fosse retirada, o que aconteceu a partir da segunda edição da obra, pois havia modificado radicalmente o seu modo de vida. Apesar disso, ele continuou amigo dos Beats. 

As mudanças no manuscrito original, a crítica de Gilbert Millstein e a busca espiritual dos Beats! 

No entanto, a editora que publicou 'On The Road' (Viking) exigiu que o livro passasse por inúmeras mudanças, a fim de poder publicá-lo, tais como: 

A) Redução do número de páginas (foram cortadas cerca de 140); 
B) Uso de pseudônimos, a fim de se evitar processos judiciais por parte das pessoas citadas na obra; 
C) Amenizar o conteúdo explicitamente sexual e de consumo de substâncias ilegais no livro (drogas...);
D) Estruturar o livro de forma tradicional, dividindo o mesmo em capítulos, parágrafos, pontos e vírgulas. 

Com isso, o próprio Kerouac foi obrigado a reescrever o livro, deixando-o mais de acordo com a vontade da editora. E a própria editora completou o serviço depois, promovendo novos cortes. 
Trecho do vídeo 'Subterraneam Homesick Blues', de Bob Dylan, de 1965, que conta com a participação de Allen Ginsberg. A letra da música é sobre um jovem beatnik que recebe conselhos para abandonar aquela vida alternativa e voltar a ser um jovem careta e bem comportado. O Prêmio Nobel de Literatura que Dylan recebeu neste ano não deixa de ser uma homenagem indireta aos escritores Beat, que exerceram uma influência imensa sobre ele. 

Apesar de não ter gostado de tantas mudanças, Kerouac ficou na maior expectativa quanto à publicação do livro. E quando isso aconteceu, o sucesso do mesmo foi quase que imediato.


Contribuiu muito para esse imenso sucesso de 'On The Road' a publicação de uma crítica, bastante elogiosa ao livro, no 'The New York Times', por Gilbert Millstein, em Setembro de 1957. 

A crítica de Millstein fez com que 'On The Road' se tornasse um grande sucesso e transformou Jack Kerouac em uma verdadeira celebridade, da noite para o dia, fato este com o qual ele nunca soube lidar muito bem e que contribuiu para que o alcoolismo o consumisse em seus últimos anos de vida, colaborando bastante para a sua morte precoce em 21/10/1969, com apenas 47 anos de idade. 

O esgotamento emocional pelo qual Kerouac passou depois disso acabou resultando em um novo livro: 'Big Sur', que trata de um período em que ele ficou, sozinho, em uma cabana que pertencia a Lawrence Ferlinghetti, que é um dos principais nomes da Beat Generation. 
David Bowie e William Burroughs entrevistaram um ao outro em 1973. E o resultado foi impagável (ver link abaixo).

Obs2:
Ferlinghetti está com 97 anos e, além de ser um poeta de primeira grandeza, ele também foi fundamental para divulgar e promover a Literatura Beat, com a sua editora (a City Lights) tendo sido o responsável por publicar 'Howl' ('Uivo'), de Allen Ginsberg, ainda em 1956. Na época, a publicação do livro gerou um processo por obscenidade e o julgamento acabou servindo como propaganda da obra, que vendeu vários milhões de exemplares. 


Uma das razões pela qual a Viking exigiu que o livro de Kerouac fosse modificado é que no manuscrito original de 'On The Road' tínhamos inúmeros personagens com os seus nomes verdadeiros e o mesmo mostrava um grupo de pessoas vivendo de forma alternativa, o que significava que elas bebiam muito, fumavam muito (maconha...), se drogavam muito (benzedrina...), faziam muito sexo, viajavam muito e não estavam nem um pouco interessadas em trabalhar em um emprego das '09 às 17 horas', como fazia a imensa maioria dos estadunidenses. 

Tudo isso fez com que a Viking temesse a abertura de inúmeros processos judiciais por parte das pessoas citadas na obra, o que obrigou Kerouac a usar de pseudônimos para todos os personagens. 
Carl Solomon, Patti Smith, Allen Ginsberg e William Burroughs. A influência da Beat Generation sobre o Rock foi gigantesca e muitos dos mais criativos e talentosos artistas do estilo reverenciam os Beats. Jim Morrison, David Bowie, Michael Stipe e Kurt Cobain também fazem parte da lista.  

Enfim, o livro era sobre um grupo de pessoas (os Beats) que rejeitava explicitamente o 'American Way of Life', com suas instituições autoritárias e repressivas, seus valores conservadores, seu anticomunismo patético (era a época do odioso e repugnante Macarthismo), seu racismo, seu conformismo ridículo, seu consumismo desenfreado, sua homofobia, sua perseguição a quem não se enquadrava nos padrões e valores dominantes na sociedade. 


Os Beats estavam mais interessados em descobrir a 'alma da América', em se conectar com o mundo espiritual e em ver a face de Deus. 

Assim, a turma da 'Beat Generation' tinha, sim, a ambição de estabelecer uma conexão com o mundo espiritual e cada um deles procurou fazer isso de um jeito diferente. Assim, Gary Snyder tornou-se um mestre Zen Budista; Ginsberg e Burroughs faziam uso de alucinógenos; Kerouac mergulhou no Catolicismo, foi buscar isso no Budismo e, depois, voltou ao Catolicismo. 

Em uma oportunidade, quando foi questionado sobre o que ele queria, Kerouac respondeu 'Quero que Deus me mostre a sua face'. 
Bob Donlin, Neal Cassady, Allen Ginsberg, Robert Lavigne e Lawrence Ferlinghetti, em frente à livraria City Lights, em São Francisco, em 1955.  

Os Beats, o Cinema e o seu Legado!


Nos últimos anos o Cinema tem levado às telas alguns dos principais livros e histórias da 'Beat Generation', incluindo o próprio 'On The Road' (2012, direção de Walter Salles), 'Howl' (2010, 'Uivo'), 'Naked Lunch' (1991, com direção de David Cronenberg), 'Big Sur' (2013) e 'Kill Your Darlings' (2013). 

Tais filmes tem gerados resultados distintos e bastante polêmica, agradando a alguns fãs dos Beats, mas desagradando a outros. Nem sempre eles conseguem mostrar toda a multiplicidade existente no universo da 'Beat Generation', que não foi apenas um movimento que procurou promover uma mudança no comportamento das pessoas, mas também foi um movimento literário, que gerou imensas repercussões nas décadas seguintes, e cujos integrantes promoveram uma autêntica busca espiritual. 

Alguns filmes a respeito da Geração Beat tem privilegiado esse último aspecto, o da rebeldia deles contra o moralismo hipócrita e o conservadorismo da sociedade da época e, com isso, tais filmes mostram o uso (e abuso...) de álcool, drogas, a prática de sexo sem preconceitos e a diversão sem fim por parte dos Beats.  

Os Beats fizeram tudo isso? Sim, sem dúvida. Mas eles não se limitaram a fazer tais coisas. Eles liam muito, debatiam muito sobre Literatura, passando noites inteiras em discussões intermináveis a respeito da obra de Rimbaud, Whitman, Céline, Dostoievski, Proust, entre outros escritores já citados aqui. 
Três das principais escritoras Beat: Diane di Prima, Anne Waldman e Lenore Kandel. Como disse Gregory Corso: “Houve mulheres, estiveram lá, eu as conheci, suas famílias as internaram, elas receberam choques elétricos. Nos anos 1950, se você era homem, podia ser um rebelde, mas se fosse mulher, sua família mandava trancá-la. Houve casos, eu as conheci, algum dia alguém escreverá a respeito.”

Logo, a busca espiritual dos Beats (por meio do Budismo, do Catolicismo, do Hinduísmo, do uso de drogas alucinógenas, do LSD), e a sua formação literária (que era bastante sofisticada... Eles eram profundos conhecedores das obras de Dostoievski, Blake, Céline, Rimbaud, Proust, Joyce, Whitman, entre muitos outros) foi negligenciada em alguns destes filmes. 


Neste aspecto, entendo que 'Kill Your Darlings' seja o melhor dos filmes Beat que foram produzidos nos últimos anos, pois mostra o quanto os Beats estavam imbuídos da intenção de promover uma revolução literária nos EUA naquela época, cujas universidades eram profundamente conservadoras.

E eles conseguiram. 

A influência da Beat Generation sobre a Literatura, a Poesia, o Rock a Contracultura dos anos 1960, o movimento Hippie, os movimentos em defesa do meio ambiente, o movimento contra a Guerra do Vietnã, a defesa do Pacifismo, a valorização da lutas das mulheres (sim, elas participaram do movimento Beat, mas foram duramente reprimidas pela sociedade e por suas famílias em função disso, sendo tratadas como se fossem loucas), bem como a importância que davam a outras culturas (como as do Oriente) são inegáveis. 

Então, se atualmente as pessoas desfrutam de uma liberdade muito mais ampla e vasta do que aquela que os próprios Beats puderam desfrutar em sua época (anos 1940 e 1950) isso se deve, sem dúvida alguma, em grande parte, às suas obras, às suas buscas espirituais e às suas atitudes, que tiveram um alcance muito maior do que eles sonhavam quando se reuniram para começar a divulgar a sua 'Nova Visão'. 
'Kill Your Darlings' é o filme que prioriza o aspecto literário da Beat Generation, mostrando que os Beats tinham, desde o início, a intenção de promover uma verdadeira revolução na literatura produzida nos EUA. Outra característica importante do movimento foi a valorização da amizade. Os Beats foram amigos durante todas as suas vidas. 

Links:


Joan Anderson Letter é descoberta:

http://popeseries.blogspot.com.br/2014/12/carta-de-neal-cassady-que-inspirou.html

Começa a batalha judicial pela propriedade da 'Joan Anderson Letter':

http://popeseries.blogspot.com.br/2014/12/batalha-judicial-por-joan-anderson.html

Leilão da 'Joan Anderson Letter' termina sem comprador:

http://www.huffingtonpost.com/regina-weinreich/what-price-kerouac-the-jo_b_10557450.html

Manuscrito original de 'On The Road' foi vendido por US$ 2,430 milhões:

http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2001/010523_kerouac.shtml

Leilão da 'Joan Anderson Letter':

http://www.christies.com/features/Neal-Cassady-long-lost-letter-to-Jack-Kerouac-comes-to-auction-7393-1.aspx

'On The Road' ganha nova edição da L&PM Editores:

http://www1.folha.uol.com.br/livrariadafolha/2015/03/1601731-on-the-road-traduzido-por-eduardo-bueno-ganha-nova-edicao.shtml

William Burroughs e o seu 'Almoço Nu':

http://www.diretorioliterario.com/2014/03/comentarios-sobre-industria-de-consumo_19.html
O manuscrito original de 'On The Road' foi lançado, nos EUA, apenas em 2007, 50 anos depois que a sua versão bastante alterada foi lançada (Setembro de 1957). 
O uivo vivo de Allen Ginsberg:


Jack Kerouac, Geração Beat, Literatura e Cinema - por Claúdio Willer:

http://popeseries.blogspot.com.br/2013/03/jack-kerouac-geracao-beat-literatura-e.html

As mulheres da Beat Generation:

http://violettecollective.com/las-mujeres-beatniks-que-nos-ocultaron/

As mulheres esquecidas da Beat Generation:

https://www.taringa.net/posts/arte/18565805/Las-mujeres-en-la-Generacion-Beat.html

As mulheres da Geração Beat - Elise Cowen:

https://blocodenotasaleatorias.wordpress.com/2015/04/07/mulheres-da-geracao-beat-o-indizivel-nos-cadernos-de-elise-cowen/

Carolyn Cassady morre aos 90 anos:

http://oglobo.globo.com/cultura/carolyn-cassady-escritora-da-geracao-beat-morre-aos-90-10119162

Folha de Poesia - Matérias sobre os Beats e poesias de Ginsberg:

http://folhadepoesia.blogspot.com.br/2016/04/wales-visitation-ginsberg.html

David Bowie e William Burroughs: Um entrevista o outro em 1973:

http://www.socialistamorena.com.br/entrevistas-historicas-william-burroughs-entrevista-david-bowie-e-vice-versa/

Texto analisando 'On The Road', 'Uivo' e 'Almoço Nu':

http://www.tempomoderno.com.br/2013/01/livros-on-road-uivo-almoco-nu.html

William Burroughs interpretando 'Star Me Kitten', do R.E.M.:

Vídeo - Bob Dylan em 'Subterranean Homesick Blues': 



segunda-feira, 31 de outubro de 2016

The Doors lança novo disco, com músicas gravadas no 'London Fog' em 1966! - Marcos Doniseti!

The Doors lança novo disco, com músicas gravadas no 'London Fog' em 1966! - Marcos Doniseti!
The Doors, na época em que se apresentavam no 'London Fog', em Los Angeles. 
O genial grupo The Doors, um dos mais importantes e influentes da história do Rock, começou a sua carreira musical tocando em um nightclub de Los Angeles chamado 'London Fog'.

Eles foram a 'banda da casa' por cerca de 3 meses (entre Fevereiro e Maio de 1966) e, depois, acabaram sendo contratados para tocar no 'Whisky a Go Go', de onde despontaram para o sucesso.

Nesta época, Jim Morrison ainda se recusava a cantar de frente para o público, ficando de costas para o mesmo, devido à sua timidez. E o grupo combinava, nas apresentações, músicas de sua autoria e versões de clássicos do Blues e do Rock'n'Roll.

Foi neste período, também, que a clássica 'The End' deixou de ser uma simples canção de amor, para se transformar na canção bela, triste e épica que conhecemos.

Agora, teremos o lançamento de um disco com algumas gravações ao vivo feitas nesta época, em que o The Doors tocava no 'London Fog', e que foram descobertas recentemente.

O disco irá se chamar 'London Fog 1966' e será lançado em 09/12/2016 em formato Box Set de CD e Vinil, junto com algumas fotos do período em que o grupo se apresentava no local.

As músicas foram remasterizadas por Bruce Botnick, engenheiro de som dos álbuns do The Doors e co-produtor do último disco do grupo com a formação completa (o clássico 'L.A.Woman', de 1970/71).
Ray Manzarek, Jim Morrison, John Densmore e Robbie Krieger: Os três meses em que tocaram no 'London Fog' foram muito importantes para o crescimento musical do grupo, que foi aperfeiçoando as suas apresentações, bem como melhorando as suas composições. 

O novo disco terá 7 músicas:

“Rock Me” (Muddy Waters)
“Baby, Please Don’t Go” (Big Joe Williams)
“You Make Me Real” (The Doors)
“Don’t Fight It” (Wilson Pickett)
“I’m Your Hoochie Coochie Man” (Muddy Waters)
“Strange Days” (The Doors)
“Lucille” (Little Richard).

Como se percebe, o repertório inicial do grupo mostra uma grande influência do Blues (o que foi uma marca do The Doors durante toda a sua existência) e, em menor grau, do Rock'n'Roll.

Posteriormente, o The Doors concebeu uma música e um show muito mais completo e sofisticado, que incorporou outros elementos de Teatro, Cinema e Poesia.

Isso era algo inédito no Rock, que ainda era considerado um estilo musical de menor importância e de qualidade inferior por grande parte da crítica e da imprensa musical.

Nos EUA, antes do The Doors, os grupos de maior sucesso eram os de surf music, tipo os Beach Boys da primeira fase, e cuja música era, em grande parte, uma cópia descarada do Rock'n'Roll dos anos 1950, mas com muito menos qualidade, rebeldia e agitação. 

Também tínhamos os 'Monkees', grupo criado pela CBS, rede de TV dos EUA, para fazer frente à chamada 'British Invasion', liderada por Beatles e Rolling Stones e que levou as paradas de sucesso ianques a serem lideradas pelos grupos britânicos, principalmente no período 1964-1966.

O The Doors foi um dos grupos responsáveis por essa mudança qualitativa, que levou o Rock a um novo patamar de criatividade, qualidade e de inovação.

E o padrão de qualidade do Rock, na época, melhorou tanto que até Bob Dylan acabou de ganhar, agora, o Prêmio Nobel de Literatura, o que não deixa de ser um reconhecimento à qualidade da música e das letras criadas pelos principais grupos e artistas de Rock daquele período: Beatles, Rolling Stones, The Who e, é claro, The Doors. 

Obs1: Tal prêmio também foi um reconhecimento, indireto, da qualidade literária dos textos dos escritores da Beat Generation (Jack Kerouac, Allen Ginsberg, William Burroughs, Lawrence Ferlinghetti, Gregory Corso), que jamais foram agraciados por um Nobel, o que foi uma grande injustiça, sem dúvida.  

Com tudo isso, o grupo se tornou um dos mais relevantes da história do Rock, cuja influência é até difícil de medir, sendo muito forte ainda nos dias atuais.
O busto de Jim Morrison, em seu túmulo no cemitério Père Lachaise, em Paris, já foi roubado tantas vezes que ele não foi mais substituído. Seu túmulo é uma das principais atrações turísticas da cidade. 

E as apresentações explosivas e sensacionais do grupo, especialmente quando Jim Morrison estava inspirado, entraram para a história do Rock. Mas infelizmente foram feitas poucas filmagens e gravações do The Doors quando o grupo estava no auge do sucesso e da forma musical.

O lançamento deste disco, com certeza, será muito bem recebido pelos fãs deste grupo fantástico, pois os mesmos terão a oportunidade de ouvir o The Doors  em seu nascedouro.

O fim do The Doors ocorreu depois que os membros remanescentes gravaram mais dois discos, que não repetiram o sucesso da época em que Jim Morrison estava no grupo: 'Other Voices', de 1971, e ''Full Circle', de 1972. Estes são bons discos mas, sem Jim, eles não receberam a mesma atenção da época em que o genial poeta e vocalista era integrante do grupo. 

Posteriormente, Ray Manzarek, Robby Krieger e John Densmore lançaram, em 1978, um novo álbum ('An American Prayer'), com novas músicas, que acompanhavam Jim declamando as suas poesias, de gravações feitas por ele em 1970. 

A popularidade do The Doors chegou a tal ponto que, mesmo após a morte de Jim Morrison e o fim do grupo, o local em que Jim Morrison foi enterrado (sim, ele morreu, mesmo... infelizmente), no cemitério Père Lachaise, tornou-se centro de peregrinação de roqueiros, poetas e de fãs do grupo originários do mundo inteiro.

Longa vida ao The Doors!
The Doors, na época do lançamento de seu primeiro álbum ('The Doors', 1967), que tornou-se um clássico absoluto do Rock.

Link:

The Doors lançará disco ao vivo, da época do 'London Fog' (1966):