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domingo, 22 de setembro de 2019

Em defesa de Jean-Luc Godard e do Cinema Autoral!

Em defesa de Jean-Luc Godard e do Cinema Autoral! - Marcos Doniseti!
O nível de desinformação no Brasil é tão gigantesco que é necessário defender a importância da obra revolucionária de um cineasta ousado e inovador como é o Godard. Enquanto isso, os patéticos filmes de super-heróis arrebentam nas bilheterias. Pobre país...


Godard: Uma obra vasta, genial, diversificada e que poucos realmente conhecem!

"Rossellini me ensinou que, para fazer um filme, você só precisa de um jovem, uma garota e de um carro" (Jean-Luc Godard). 

Godard foi o cineasta mais inovador e ousado da Nouvelle Vague. 

Ele nunca se acomodou, nunca fez um filme igual ao anterior. Diferente de outros cineastas, que criam uma fórmula, uma receita, para fazer os seus filmes, lucram com isso e não a modificam mais, Godard sempre procurou inovar. Sempre. Até os dias atuais ele faz isso. 

Ele poderia ter se acomodado, ter ido para Hollywood e feito 'Acossado' 2, 3, 4... Teria ficado milionário rapidamente e poderia ter ido cuidar da vida, sem se preocupar com o dia seguinte, pois talento ele sempre teve de sobra.

Mas Godard não fez isso. 

Godard escolheu seguir um caminho pessoal e não se deixou dominar pelos desejos do público (que, na sua maior parte, não sabe nada sobre Cinema e enxerga o mesmo apenas como uma reles forma de escapismo) e nem dos produtores gananciosos, que desejam apenas acumular lucros cada vez maiores, não tendo qualquer compromisso com uma obra de arte ou com a cultura. 

Assim, e tal como o produtor interpretado por Jack Palance fala em 'Le Mépris' (O Desprezo; 1963), quando os produtores ouvem a palavra 'cultura', eles sacam o talão de cheques. 

Foi a esse negócio sujo, meramente mercantil, visando o lucro, ao qual o grande artista que é Godard não se rendeu. Assim, ele pôde preservar a sua independência e o caráter autoral da sua obra, possuindo total controle sobre a mesma. Quantos cineastas ou artistas podem dizer o mesmo? 

Aliás, é bom ressaltar que a defesa do Cinema Autoral sempre foi a razão de existir da chamada Nouvelle Vague e isso começou anos antes, quando os criadores do movimento ainda eram críticos da 'Cahiers du Cinéma'. 

E tudo isso, para mim, é motivo de elogios e não de críticas. 
Capa da revista 'Cahies du Cinéma' com a belíssima Jean Seberg, em cena de 'Acossado', na edição 103, de Janeiro de 1960. O filme foi lançado em Março do mesmo ano e revolucionou o Cinema mundial. 

Aliás, são bem poucos, entre os autodenominados cinéfilos, aqueles que conhecem, de verdade, a íntegra da obra de Godard, que é muito vasta e diversificada. 

Godard dirigiu 47 filmes (longas-metragens) e também dirigiu mais 104 trabalhos de vários tipos: Séries de TV, curtas-metragens, documentários, segmentos para projetos coletivos.

Assim, no total, são 151 produções dirigidas por Godard. No entanto, a maior parte das pessoas assistiu, no máximo, meia-dúzia dos seus filmes e produções e já pensam que sabem tudo sobre o trabalho dele, o que é totalmente ridículo, patético mesmo.

Obs: A relação completa das obras de Godard vocês encontram no IMDB (ver link abaixo).

Na verdade, o grande público, atualmente, é muito mal informado e também é muito acomodado. Logo, poucas são as pessoas que vão atrás de informações corretas, que pesquisam por conta própria, com o objetivo de ter conhecimento dos fatos e, desta maneira, passar a ter condições de tirar conclusões corretas a respeito dos mesmos.

Com isso, cria-se uma situação em que muitas pessoas começam a acreditar que 'a Terra é plana', que 'o Nazismo é de Esquerda' e outras asneiras e imbecilidades semelhantes. O cérebro destas pessoas já foi estragado, não tem mais conserto e afirmar que elas são burras é uma ofensa aos burros, esse animal tão útil para o ser humano.
'Um Ano Depois': Ótimo livro de Anne Wiazemsky sobre o seu relacionamento com Godard nos últimos anos da década de 1960 e que possui um relato plausível e equilibrado, muito diferente do filme de Hazanavicius. Este último distorceu e manipulou inúmeros acontecimentos em prejuízo de Godard, com o objetivo de atacar o genial cineasta franco-suíço.

'Le Redoutable'/'O Formidável' - O filme mais desonesto da história!

E como se não bastasse tudo isso ainda tivemos um filme absurdamente desonesto e mentiroso (aquele 'O Formidável'), feito por aquele diretor invejoso do Michel Hazanavicius, que dirigiu um filme inteiro atacando Godard de forma baixa, suja e covarde.

Afirmo isso porque no filme nós temos um festival interminável de mentiras abjetas e repulsivas a respeito deste que é um dos mais importantes cineastas de todos os tempos e que mudou a história do Cinema mundial.

'O Formidável' foi o filme mais desonesto e mentiroso que já vi na vida. Nunca vi um filme tão manipulador. Nunca vi tantas mentiras em apenas um filme.

Apesar disso,eu li textos de vários críticos conhecidos que não leram o livro da Anne Wiazemsky ('Um Ano Depois', que recomendo), no qual o Hazanavicius diz que se baseou para fazer o 'Le Redoutable', e que acreditaram que o filme refletia a verdade a respeito de Godard.

Nada mais falso.

Eu li o livro da Anne e assisti ao filme do Hazanavicius na mesma época. Assim, eu tive como comparar ambos e fiquei horrorizado, pois o Hazanavicius deturpou e distorceu TUDO o que está no livro da Anne. TUDO!

Desta maneira, não há um único acontecimento que a Anne tenha relatado em seu livro que tenha sido transposto para o filme de maneira correta. Tudo foi manipulado.

Portanto, enquanto a Anne fez um relato bem plausível e equilibrado da época em que viveu (e foi casada) com o Godard, nos últimos anos da década de 1960, o Hazanavicius fez um filme desonesto, mentiroso e manipulador, com o objetivo de enganar o público e jogar o mesmo contra o Godard.

Isso fica claro porque todas as deturpações do filme de Hazanavicius foram feitas com o objetivo de atacar, de forma suja e covarde, ao Godard, em comparação ao qual o Hazanavicius não passa de um diretor medíocre, sem importância alguma para a história do Cinema. Todas as alterações realizadas por ele foram feitas para piorar a imagem de Godard perante o público que, na sua imensa maioria, não leu (e nem irá ler, pois o hábito de leitura nunca vigou aqui no Brasil), acredita que o filme seria fiel ao livro. E não é.

E com relação ao trabalho de Godard, eu fico com a frase do Truffaut: Existe o Cinema antes de Godard e existe o Cinema depois de Godard.

É isso.
"L'Express", em sua edição 328 (de 03/01/1957), trouxe uma matéria de capa sobre a nova geração da juventude francesa, a qual ela denominou de 'Nouvelle Vague'. Posteriormente a expressão foi usada para designar o movimento cinematográfico criado por críticos da revista 'Cahiers du Cinéma', que eram defensores do chamado 'Cinema Autoral'.

A expressão 'Nouvelle Vague' não tem nada a ver com o Cinema!

Talvez muitos não saibam, mas na verdade a expressão Nouvelle Vague foi um rótulo criado pela imprensa francesa. A expressão foi inventada por uma revista semanal francesa de informações chamada "L'Express" e não tinha nada a ver com o Cinema.

Em Outubro de 1957 a revista publicou, em uma matéria de capa, os resultados de uma ampla pesquisa sobre a juventude francesa, que havia sido encomendada, pela publicação, para o instituto 'IFOP' (um IBOPE francês) a fim de descobrir quais eram as características, anseios e objetivos desta nova geração, que a revista chamou de 'Nouvelle Vague'.

E quando apareceu aquela nova e revolucionária geração de cineastas que eram originários da revista 'Cahiers du Cinéma' (Godard, Truffaut, Chabrol, Rivette, Rohmer), junto com outros que também faziam um trabalho de perfil autoral (Jean-Pierre Melville; Robert Bresson; Agnes Vardà; Louis Malle; Alain Resnais) eles passaram a ser considerados como sendo membros de uma 'Nouvelle Vague', uma nova geração.

Mas o que os cineastas ligados à chamada Nouvelle Vague defendiam mesmo era a criação de um Cinema Autoral, ou seja, um cinema produzido com a assinatura pessoal do cineasta.

A origem do termo está em um texto de Alexandre Astruc (ver link abaixo), de Março de 1948, no qual ele defendia a criação de um Cinema Autoral, que foi a grande luta dos críticos da 'Cahiers du Cinéma' durante toda a década de 1950. Inclusive, para defender tal projeto cinematográfico, eles diziam que muitos dos principais cineastas eram autores, incluindo Anthony Mann, Orsos Welles, Alfred Hitchcock, Jean Renoir, Nicholas Ray, Fritz Lang, entre muitos outros.

Neste sentido, todos os cineastas do movimento foram fiéis à Nouvelle Vague, pois cada um criou e desenvolveu o seu próprio estilo de filmar.

Godard, Truffaut, Chabrol, Rivette, Rohmer: Cinco cineastas com cinco maneiras diferentes de filmar. Portanto, eles triunfaram, pois conseguiram criar uma arte de caráter estritamente pessoal, que é exatamente o que eles queriam.
Antes de começar a trabalhar com Godard, a bela Anna Karina era modelo, Jean-Paul Belmondo ainda lutava para se firmar no cenário do Cinema francês e Jean Seberg vinha de dois filmes, dirigidos por Otto Preminger, que haviam fracassado. Depois de trabalhar com Godard os três se tornaram grandes estrelas. 

Links:

Alexandre Astruc escreveu o texto que antecipou a criação da 'Nouvelle Vague':

Relação das obras dirigidas por Godard:

Os curtas e médias-metragens dos 'Jovens Turcos' da 'Cahiers du Cinéma' que anteciparam o movimento:

'Cahiers du Cinéma': Como foi a sua recepção para a 'Nouvelle Vague':

Antoine de Baecque conta a história da Cinefilia na França entre 1944 e 1968:
https://popeseries.blogspot.com/2019/06/cinefilia-antoine-de-baecque-conta.html

sexta-feira, 12 de abril de 2019

Uma pequena história sobre o início da 'Nouvelle Vague'!

Uma pequena história sobre o início da 'Nouvelle Vague'! - Marcos Doniseti!
Imagens de filmes clássicos da Nouvelle Vague.

Jacques Rivette foi o primeiro cineasta da Nouvelle Vague a dirigir um longa-metragem!

A Nouvelle Vague foi criada por um grupo de críticos originários da revista 'Cahiers du Cinéma' e que incluía Trufffaut, Godard, Chabrol, Rivette e Rohmer. Nesta fase, em que eles atuavam como críticos de cinema, Truffaut era o nome mais combativo, popular e polêmico. 

Seu texto 'Uma certa tendência do cinema francês', publicado em Janeiro de 1954 na  edição de número 31 da 'Cahiers du Cinéma', balançou os alicerces da conservadora indústria cinematográfica do país, gerando um debate que durou muitos anos, sendo que o mesmo teve continuidade até a década de 1960, época em que os cineastas do movimento lançaram inúmeros filmes. Nos primeiros anos da "Nouvelle Vague" muitos críticos de cinema franceses torciam o nariz e atacavam duramente os filmes do movimento.

Rivette foi o pioneiro, entre os membros do movimento, a iniciar a produção de um longa-metragem ("Paris nos Pertence"), ainda em 1957, mas a falta de recursos impediu que o filme fosse concluído naquele ano. Antes dele, Éric Rohmer havia dirigido um média-metragem ("La sonate à Kreutzer", de 1956). 

Se isso tivesse acontecido, então "Paris nos Pertence" teria sido o primeiro longa-metragem de um cineasta do movimento a ser exibido comercialmente. Infelizmente, o filme de Rivette demorou muito para ser finalizado e acabou sedo lançado apenas em 1961, quando a "Nouvelle Vague" não era mais uma novidade e os nomes de Truffaut, Godard e Chabrol já eram conhecidos de todos e desfrutavam de um grande prestígio no cinema francês e mundial.
"A Nouvelle Vague e Godard", de Michel Marie, é um livro essencial para se entender o movimento e o primeiro longa-metragem de Godard.

Assim, foi Claude Chabrol quem dirigiu os dois primeiros longas-metragens da Nouvelle Vague, que foram 'Nas Garras do Vício' e 'Os Primos', sendo que ambos fizeram muito sucesso. Os dois filmes foram filmados em 1958 e acabaram sendo lançados em Janeiro e Março de 1959.

Logo depois, Truffaut lançou 'Os Incompreendidos', que é um filme com uma característica fortemente autobiográfica e que também fez um grande sucesso, com o jovem cineasta recebendo o prêmio de melhor diretor no Festival de Cannes de 1959. 

No mesmo festival, outro cineasta que se consagrou com o seu primeiro longa-metragem foi Alain Resnais, com o clássico "Hiroshima Mon Amour", também de 1959, que recebeu o prêmio de melhor filme da crítica francesa e que foi muito elogiado por Godard, Truffaut e Chabrol.

Com o sucesso destes três filmes, o prestígio de Truffaut e Chabrol cresceu
tanto que foi somente com a assinatura deles na produção e no roteiro de 'Acossado' que o Godard conseguiu dirigir o seu primeiro e atemporal longa-metragem.

Godard, até o verão de 1959 (quando "À Boute De Souffle" foi filmado), tinha realizado apenas um documentário, que foi 'Opération Béton' (1958), e quatro curtas-metragens, que foram "Une Femme Coquette" (1955), "Une Histoire d'Eau" (1958), "Charlotte et son Jules" (1958) e "Charlotte et Véronique, ou Tous les garçons s'appelent Patrick" (1959).
Livro "O Prazer dos Olhos" reúne inúmeras críticas e textos de autoria de François Truffaut.

Em "Charlotte et son Jules" (curta de 1958) nós tivemos a participação de Jean-Paul Belmondo e Godard gostou tanto da sua atuação, fortemente marcada por uma grande capacidade de improvisação, que ele avisou Belmondo de que quando fosse filmar o seu primeiro longa-metragem ele, Belmondo, seria convidado a trabalhar no mesmo. Mas, na edição final de 'Charlotte et son Jules' Belmondo acabou sendo dublado por outro ator. 

Belmondo disse, em sua autobiografia ("Mil Vidas valem mais do que Uma", lançada no Brasil pela L&PM Editores em 2018) que não levou muito a sério essa promessa do Godard, mas quando este conseguiu viabilizar a produção de 'Acossado', o mesmo foi chamado a interpretar o protagonista da história, um criminoso que pratica o roubo de um carro e mata um policial e que passa a ser perseguido por toda a Polícia francesa. 

A brilhante atuação de Belmondo em 'Acossado' o transformou instantaneamente em uma estrela de primeira grandeza do cinema francês e a partir dali não lhe faltaram mais propostas de trabalho. É justamente por isso que em seu livro Belmondo agradeceu a Godard, com o qual ele voltou a trabalhar em 'Une Femme est une Femme' (1961) e em 'Pierrot le Fou' (1965). 

Nesta época, Belmondo era um ator de talento que ainda procurava conquistar o seu espaço no cinema francês, que não facilitava muito o surgimento de novos rostos e tampouco de novos diretores e roteiristas. A indústria do cinema francês dos anos 50, pré-Nouvelle Vague, era bastante fechada e conservadora, o que levou os críticos da 'Cahiers' a fazer duras críticas à mesma, vindas principalmente de François Truffaut, que era o mais ácido crítico da 'Cahiers'. 
Godard e a belíssima Jean Seberg durante as filmagens de 'Acossado'. Belmondo disse, em sua autobiografia, que Godard tinham uma paixão secreta pela atriz e que a convidou para participar do filme em função disso.
O roteiro de 'Acossado': Quem é o autor?

O roteiro de "À Bout De Souffle" ("Acossado") foi baseado em uma história real, que envolveu um criminoso francês chamado Michel Portail que, em 1952, roubou um carro e matou um policial. Ele foi perseguido e preso pela polícia francesa durante um fim de semana que mobilizou toda a imprensa da França. No filme, o final da história de Michel foi modificada por Godard.

Porém, os produtores franceses estavam receosos de aplicar dinheiro em um longa-metragem que seria realizado por um diretor estreante (Godard, é claro), que nunca havia realizado um longa-metragem. Isso aconteceu porque após o grande sucesso inicial dos filmes de Truffaut e Chabrol nós tivemos a produção, na França, de inúmeros filmes dirigidos por cineastas estreantes e a imensa maioria deles fracassou comercialmente. 

Para conseguir convencer estes produtores (Georges de Beauregard, em especial), Truffaut e Chabrol decidiram ajudar o amigo Godard, o que era algo comum entre os cineastas do movimento que, nesta época, viviam ajudando uns aos outros quando os mesmos enfrentavam dificuldades para realizar os seus filmes.

Exemplo dessa colaboração é que nos primeiros filmes de Godard e Truffaut, cada um deles citava o filme do outro em suas obras. Em "Une femme est une Femme" (1961), de Godard, vemos várias referências á "Jules et Jim", que Truffaut estava filmando na época, contando até mesmo com uma pequena participação de Jeanne Moreau (protagonista de "Jules et Jim"). Nesta cena, Anna Karina pergunta para Jeanne Moreau como estavam Jules e Jim. 
Godard e Truffaut: Uma amizade de 20 anos acabou sendo rompida por questões políticas e ideológicas, mas no início da carreira eles colaboraram muito com o outro, ajudando-se mutuamente. 

Marie Dubois também fez uma pequena participação no mesmo filme de Godard, em que ela contracena com Anna Karina e na qual temos uma referência ao segundo filme dirigido por Truffaut, que foi "Atirem no Pianista" (1961), do qual Marie participou. 

Assim, graças a essa colaboração entre Godard e Truffaut, foi informado a Beauregard que o roteiro de "À Bout De Souffle" era de autoria de Truffaut e que Chabrol seria um consultor técnico do filme. Na verdade, isso foi feito apenas para conseguir convencer Beauregard e os outros produtores a bancar o filme de estreia do Godard e esse objetivo foi alcançado.

No entanto
, de fato, o roteiro de 'Acossado' foi escrito pelo próprio Godard, que o escrevia durante o café da manhã, filmando as cenas à tarde. Na verdade, o que Truffaut escreveu, antes, tinha sido apenas uma sinopse, com um resumo da história. O roteiro, com as cenas e diálogos, foi obra de Godard. Além disso, Chabrol nunca trabalhou como consultor técnico de Godard, sendo que jamais apareceu nas filmagens. 

Portanto, os nomes de Truffaut e Chabrol foram ligados à produção de "Acossado" como uma forma de dar um aval criativo, por meio do qual eles garantiam aos produtores que Godard era um ótimo diretor e que eles não perderiam dinheiro se investissem na produção do filme. 

E como o genial Godard sabia muito bem o que desejava fazer, o 'Filme Manifesto' (como diz Michel Marie em seu livro) "À Bout De Souffle" acabou se tornando um dos mais revolucionários e essenciais filmes da história do Cinema mundial.
Chabrol e Godard, dois dos grandes nomes da história do Cinema mundial. 
Links:

Inácio Araújo comenta livros de Bazin e Truffaut:


Inácio Araújo: 'Acossado' tirou as amarras do Cinema: