sexta-feira, 7 de outubro de 2016

'Krik' (O Choro, Jaromil Jires, 1963): Uma história romântica, política e poética que trata da crise do presente e da incerteza ante o futuro! - Marcos Doniseti!

'Krik' ('O Choro', Jaromil Jires, 1963): Uma história romântica, política e poética que trata da crise do presente e da incerteza ante o futuro! - Marcos Doniseti!
'Krik' (O Choro', 1963) foi o primeiro longa-metragem de Jaromil Jires e é considerado por muitos como o marco inaugural da chamada 'Nova Onda Tcheca', movimento que renovou a linguagem cinematográfica do país. Muitos destes filmes conquistaram importantes prêmios internacionais. 
A chamada 'Nouvelle Vague Tchecoslovaca' (ou 'Nova Onda Tcheca') foi uma das várias 'Nouvelles Vagues' que tivemos pelo mundo afora (Japão, Brasil, Canadá), sendo que a pioneira foi, evidentemente, a francesa, que começou no final da década de 1950 e que revelou ao mundo cineastas do porte de Jean-Luc Godard, François Truffaut e Claude Chabrol.

O movimento tchecoslovaco de renovação cinematográfica também abriu espaço para uma nova geração de cineastas bastante talentosos, como são os casos de Stefan Uher (cujo filme 'O Sol em uma Rede' já foi comentado aqui no blog), Milos Forman, Jirí Menzel, Vera Chytilová, Jan Nemec, Pavel Jurácek, Juraj Herz, Karel Kachyna, Ivan Passer, Evald Schorm e Jaromil Jires, diretor do ótimo filme que irei comentar neste texto, que é 'Krik' ('O Choro'). Estes diretores se formaram na 'Escola de Cinema e Televisão da Academia de Artes Performáticas em Praga (FAMU)

A chamada 'Nova Onda Tcheca' também foi mais um movimento cinematográfico que foi bastante influenciado pelo Neo-Realismo italiano.

Um claro exemplo disso é 'Krik', no qual vemos pessoas comuns e cenas filmadas in loco, ao natural, fora dos estúdios (pelas ruas de Praga), o uso de atores não-profissionais (a protagonista Ivana, é interpretada por uma 'não-atriz'), que são características presentes nas obras neo-realistas.
Ivana é um jovem e bonita loira que conhece Slavek, de forma acidental, em uma ponte de Praga. 
Essa influência se mistura com as críticas políticas e sociais, uma poesia, um lirismo e uma fantasia que estão presentes na Nova Onda Tchecoslovaca, que também sofreu uma significativa influência do Surrealismo, que exerceu um grande impacto cultural no país durante as décadas de 1920/1930.

Aliás, não é à toa que com uma efervescência cinematógráfica e cultural tão rica, com tantas críticas políticas e sociais sendo feitas em um grande número de filmes, durante vários anos, e que foram reconhecidos internacionalmente, a Tchecoslováquia tenha passado por uma radical experiência política de caráter democrático, que foi a chamada 'Primavera de Praga', em 1968.

Obs1: A experiência da 'Primavera de Praga' acabou violentamente reprimida e destruída pela URSS, em Agosto de 1968, com a invasão da Tchecoslováquia promovida pelo 'Pacto de Varsóvia'. Depois deste trágico acontecimento, a crença no futuro do 'Socialismo Real' desmoronou em todo o bloco soviético, pois ficou evidente para todos os seus habitantes que tal modelo político e social era incompatível com um grau mais avançado de liberdades democráticas, que era o grande desejo da população dos países do chamado 'bloco soviético', junto com a manutenção de relevantes conquistas sociais: moradia, alimento e transportes coletivos baratos e subsidiados; pleno emprego; educação e saúde pública e gratuitas.
Ivana e Slavek: Ela vai até o pequeno e desconfortável apartamento dele. Eles passam a morar juntos e, é claro, iniciam um romance. 
'Krik' é um belo filme de Jaromil Jires.

Nele, temos momentos intimistas, realistas, políticos, sociais, poéticos e de pura fantasia, no qual fica clara a busca por uma renovação da linguagem cinematográfica, o que faz dele um dos mais relevantes filmes desta 'Nova Onda Tchecoslovaca'. Este foi um movimento que ganhou bastante destaque no cenário mundial, conquistando inúmeros prêmios internacionais, durante a década de 1960.

O filme foi produzido em 1963, logo depois de 'O Sol em uma Rede' (de Stefan Uher), tendo sido um dos primeiros filmes do movimento, sendo que muitos o consideram como o marco inaugural da 'Nova Onda Tchecoslovaca'.

Obs2: O diretor tcheco Milos Forman disse que a abertura política e cultural que surgiu no bloco soviético após as denúncias dos crimes de Stalin por Nikita Kruschev, em 1956, é que criaram as condições para que o 'Novo Cinema Tchecoslovaco' pudesse florescer. Ele também afirmou que foi em função do sucesso que os cineastas tchecoslovacos alcançaram no exterior que levou a que o governo do país fosse tolerante com as críticas sociais e políticas que eram feitas nos filmes do movimento, pois os prêmios que eles conquistavam aumentavam o prestígio do país no exterior. Se eles soubessem que a 'Nova Onda' cinematográfica do país iria contribuir para a eclosão da 'Primavera de Praga', talvez eles não tivessem sido tão tolerantes assim.
Slavek observa o movimento da bela cidade de Praga. A 'Nova Onda Tcheca' foi influenciada pelo Neo-Realismo italiano e também usava de cenários naturais e de atores não-profissionais.  
O filme de Jires gira em torno de um casal (Slavek e Ivana), que mora em Praga, que se conheceu de forma acidental e que, pouco tempo depois, já estava morando junto. Slavek é um técnico que conserta aparelhos de TV e, assim, não é à toa que o filme começa (tal como acontece em 'O Sol em uma Rede', de 1962) mostrando antenas de TV sobre os edifícios de uma cidade tcheca (Praga, a capital do país).

E tal como ocorre no filme do eslovaco Stefan Uher, em 'Krik' isso também serve como introdução para uma história que irá procurar mostrar um panorama da sociedade (no caso de 'Krik', da parte tcheca do país) do começo da década de 1960, bem como também fará um tipo de apelo por mudanças sociais e políticas.

Ela, Ivana, fica grávida de Slavek e é levada para o hospital e o filme mostra como foi a história do romance deles até esse momento, na perspectiva de ambos, em cenas de flashback, que se alternam o tempo inteiro com outras cenas, do presente e, algumas, do futuro (poucas e rápidas).

Assim, teremos acesso às memórias que eles tem de sua vida juntos até aquele momento e que também se alternam o tempo todo. Estas memórias vão construindo uma espécie de quebra-cabeças do relacionamento de Slavek e Ivana e que é cheio de idas e vindas.
Ivana e Slavek, juntos, em um momento romântico. Ela é bastante ciumenta e exige atenção permanente por parte de Slavek. Quando ela é contrariada, chora, fica nervosa e o deixa sozinho.
Em determinados momentos o filme mostra o presente, com Ivana prestes à dar a luz e Slavek preocupado com o parto, enquanto faz o seu trabalho pela cidade, mas ele também remete ao passado (pelas memórias do casal, que seguem uma ordem não-linear) e trata das incertezas em relação ao futuro, como o medo de uma guerra devastadora que aniquilasse o planeta (cenas de desfiles militares, com uma fileira de blindados, e de caças militares estão presentes).

E o fato de que sua filha, que está para nascer, irá viver num mundo tão marcado por conflitos e incertezas os deixam angustiados, é claro. Não é à toa, portanto, que o filme se chama 'O Choro'. É como se a criança que está para nascer já estivesse chorando de antemão pelo fato de saber que está vindo para um mundo tão caótico e conturbado.

Enquanto Ivana se prepara, no hospital, para ser submetida à cirurgia que trará a sua filha ao mundo, vemos Slavek percorrer diferentes locais da cidade onde os seus serviços são requisitados. Desta maneira, veremos um retrato da sociedade e da população tcheca da época por meio de suas andanças pela cidade.

Ele tentará, o tempo inteiro, telefonar para o hospital (mas sem conseguir), a fim de descobrir como está a esposa, enquanto que essa fica preocupada, questionando-se do motivo pelo qual o marido não lhe telefona para se informar a respeito de sua situação.
Ivana, no hospital, esperando pelo momento do parto. Ela fica ansiosa, preocupando-se com o fato de que Slavek não telefona para saber como ela está. 
Assim, ele vai até uma escola, onde a professora tenta controlar uma sala cheia de crianças bastante agitadas, depois irá até um escritório, onde um jornalista dita um texto (a respeito de um filme neo-realista italiano) para a secretária, com quem ele tem um romance, visita a residência de uma jovem belíssima e sensual que tenta seduzi-lo mal ele entra na casa dela, briga em um local público com um racista, que ofende um adolescente que havia ajudado um jovem negro a fazer um telefonema para uma outra jovem, com quem ele namora.

Ivana é uma bonita e jovem loira que aprecia a música de Bach e que começa a sentir as dores do parto que se aproxima e, por isso, Slavek a leva até o hospital. No local, quando ela olha diretamente para a câmera, começamos a ver a história de como eles se conheceram.

Em sua primeira memória (de Ivana), vemos que isso aconteceu quando Slavek passeava por uma ponte e viu Ivana de cabeça baixa e falou com ela, pensando que ela poderia estar chorando. Ela não estava, mas isso foi o suficiente para que eles demonstrassem um interesse mútuo. E logo depois ela vai até a casa de Slavek e ele permite que ela passe a morar ali, embora o local tenha pouquíssimo espaço. E é claro que começa um romance entre eles.

O primeiro lugar onde Slavek vai trabalhar, enquanto Ivana espera pelo parto, é uma escola, onde as crianças começam a dizer o que elas fariam se fossem invisíveis e é claro que elas falam sobre situações que gostariam de vivenciar, mas que não podem, pois os outros estão observando e vigiando.
Slavek tenta telefonar para Ivana, que está no hospital, mas não consegue e fica irritado com isso. 
É bastante evidente que esta é uma maneira não muito explícita que Jaromil Jires encontrou de criticar o governo autoritário do país, que procura vigiar, controlar e reprimir a população.

Vemos também cenas das pessoas indo para abrigos (como se fosse um documentário), em uma simulação, a fim de se proteger de ataques aéreos.

Obs3: O medo de uma guerra nuclear era algo bastante presente naquela época e isso fazia parte do cotidiano da população da Europa (Ocidental e Oriental), bem como dos EUA e da URSS. Não se pode esquecer que, na época, nós tivemos a chamada 'Crise dos Mísseis' (1962), entre EUA e URSS, que quase desencadeou uma guerra nuclear.

Nas memórias do casal, o filme também mostra cenas de fantasia, com Slavek e Ivana correndo em meio a uma floresta, bem como o dia em que eles se casaram.

Também temos uma cena na qual Ivana fala ao telefone e onde ela parece estar em uma peça de teatro. Depois, ela aparece mobiliando o apartamento que eles compraram, que é bem mais espaçoso e confortável do que o local onde moravam anteriormente.
Em uma das residências nas quais foi trabalhar, para consertar um aparelho de TV, Slavek encontra uma jovem bela e sensual. A cena até sugere que eles tiveram uma relação, mas isso é inconclusivo. 
Slavek tenta telefonar para o hospital, para saber como está Ivana, mas não consegue. E vemos cenas de uma floresta, enquanto toca Bach, e Slavek comenta se a esposa estaria com medo do parto.

Slavek vai consertar o aparelho de TV de um jornalista que dita um texto sobre um filme neo-realista italiano para a sua bela secretária e que fala a respeito da crise social do mundo capitalista e que cita Babel, Pasternak e Le Corbusier. Mas quando ele falava sobre a crise do mundo capitalista, ele também falou do socialista, sugerindo uma crítica aos dois sistemas, que disputavam a hegemonia mundial naquele momento.

Depois, Slavek vai até a casa de uma belíssima jovem (para consertar um aparelho de TV, é claro), de lindos cabelos pretos e lisos, extremamente sensual, que tenta seduzi-lo, mas que aparentemente não consegue.

Percebe-se que Slavek sente-se bastante atraído pela jovem, tanto que ele se deixa abraçar por ela, mas a ideia de que eles consumaram a relação fica apenas na sugestão, embora isso não possa ser descartado.
A jovem bela e sensual tenta seduzir Slavek e não ficamos sabendo se isso aconteceu ou não. O filme de Jaromil Jires mostra que os tchecos desejavam desfrutar de uma liberdade política, comportamental e sexual mais ampla.
Assim, temos presente no filme, também, a ideia de que as pessoas queriam se libertar de uma repressão que tolhia a sua liberdade sexual e comportamental, algo que veria à tona nos anos seguintes, com a emergência do movimento Hippie e da Contracultura, que exerceram uma significativa influência na Tchecoslováquia.

Obs4: O poeta Beat Allen Ginsberg chegou a visitar o país em 1965 e foi aclamado como 'Rei de Maio' por 100 mil pessoas, fato este que o levou a ser expulso pelo governo do país. Ginsberg escreveu um brilhante poema a respeito do acontecimento ('Kral Mahales', ou seja, 'Rei de Maio'; ver link abaixo com o poema devidamente traduzido por Cláudio Willer).

Vemos uma cena do passado de Slavek e Ivana, quando ela fez de tudo para chamar a atenção dele, mas na qual Slavek não se interessou, ela se irritou e lhe estapeou. Em vários momentos vemos que Ivana era muito ciumenta e que sempre queria ser objeto da atenção por parte de Slavek.

Depois, quando Slavek vai para a residência de um casal bem sucedido, percebe-se a frustração da esposa, que não tem um filho, quando Slavek telefona para o hospital a fim de perguntar sobre o parto de Ivana.
Slavek e Ivana se beijam no meio da rua. Ela se questiona se ele realmente sente a sua ausência e teme que, um dia, ele não retorne para ela. 
O marido estimula Slavek a ser pai, para garantir a sua posteridade, preservando o seu nome, mas ao mesmo tempo ele não coloca em prática tal ideia em seu casamento, o que é uma forma de denunciar a sua hipocrisia. Slavek vai ao cinema, onde duas mulheres conversam sobre os filmes que assistem e que não mexem com os sentimentos dela, não fazendo nem rir e tampouco chorar.

Essa foi uma forma que o diretor, Jaromil Jires, encontrou de criticar o Cinema e que era produzido no país até aquele momento, que era dominado pelas ideias do chamado 'realismo socialista', bem como de mostrar aspectos negativos da sociedade da época.

Estes eram alguns dos principais objetivos da 'Nouvelle Vague Tchecoslovaca': 

Renovar a obsoleta e retrógrada linguagem cinematográfica que vigorava no país, ao mesmo tempo em que se mostrava o cotidiano e a realidade da população, criticando o sistema político e social vigentes, aproveitando-se da liberdade relativa que o governo passou a tolerar a partir da segunda metade da década de 1950.

Assim, o governo tchecoslovaco abriu algumas brechas no repressivo sistema político e os brilhantes e talentosos cineastas do país aproveitaram-se disso para ampliá-las, no que foram muito bem sucedidos.
Alguns dos principais diretores da 'Nova Onda Tcheca': Vera Chytilová (ao centro), Milos Forman (segundo, à direita), Evald Schorm (à direita de Forman) e Jirí Menzel (à esquerda de Forman) estão entre os principais nomes de uma geração que mostrou o desejo de liberdade por parte dos tchecos, o que contribuiu para a formação de uma consciência crítica que desembocou na 'Primavera de Praga' (1968).
No filme, inclusive, a bela cidade de Praga é mostrada tal como era naquela época, com seus moradores demonstrando possuir um bom padrão de vida. De fato, a parte tcheca do país era mais rica e desenvolvida, possuindo uma economia industrial mais avançada e uma sociedade mais urbanizada, liberal e cosmopolita do que a parte eslovaca.

Comparando-se os filmes do eslovaco Stefan Uher ('O Sol em uma Rede', de 1962) com 'O Choro' (1963), de Jaromil Jires, percebe-se pelo filme do primeiro que o desejo de mudanças na sociedade eslovaca ainda era algo que não estava presente entre a população, enquanto que na parte tcheca do país tal desejo já era algo bastante evidente.

Obs5: Aliás, é bom ressaltar que a então Tchecoslováquia oferecia (principalmente a parte tcheca), de fato, um dos melhores padrões de vida do bloco soviético, sendo que a sua população vivia melhor do que os próprios soviéticos e do que a população da maioria dos países do chamado 'Socialismo Real'.

Nas memórias que contam a história do seu romance, Slavek e Ivana também fazem um passeio pela cidade, ela lhe pede que compre algo, ele o faz, a cena muda e ela diz 'você demorou anos'. Ele lhe dá uma maçã ácida, tiram uma foto, beijam-se e se despedem.

Neste momento, vemos que o beijo deles se dá em frente a uma loja na qual vemos um vestido caro com um colar, o que seria uma forma de crítica, pois é claro que eles não tem os recursos necessários para comprá-los.
Cena de um desfile militar. Filme foi realizado pouco tempo depois da Crise dos Mísseis (1962) que quase desencadeou uma guerra nuclear entre EUA e URSS e o medo de um conflito global está presente no filme. 
Slavek também se envolve em uma briga com um homem racista e encontra seu grande amigo pintor (Lada), a quem vive emprestando dinheiro, para desgosto de Ivana. Juntos, eles levam um berço para a futura filha de Slavek e Ivana, atrapalhando o trânsito.

Slavek lembra-se que já tinha visto Ivana antes do encontro na ponte, sendo que eles trocaram um olhar, mas não se falaram. Ivana preocupa-se com a possibilidade de que Slavek poderá não voltar para ela um dia e que ele apenas finge que se importa em deixá-la sozinha, 'como se' estivesse triste, quando não está. Por isso, ela diz que tem vontade de chorar, mas finge, 'como se' estivesse feliz. E eles acabam se acostumando ao 'como se', aos fingimentos.

Ela declama um poema de sua autoria, enquanto toca uma música triste, melancólica e vemos cenas de inúmeros casais se beijando: 'Nós Somos Dois. Sempre como Dois. Não podemos ser Um. Somos Um. Sempre como Um. Não podemos ser Dois".
Slavek abaixa o som do aparelho de TV enquanto um cientista fala a respeito de uma experiência científica realizada em uma nave espacial soviética 'Vostok', o que não deixa de ser uma forma de se criticar a URSS.

Slavek vê livros que mostram que seus pais, dele e de Ivana, lutaram na Segunda Guerra Mundial. Enquanto o pai dela foi lutar na Itália, o pai de Slavek teve que trabalhar como escravo para o Reich Nazista.
O filme de Jaromil Jires também se destaca pelo charme e beleza de algumas das suas atrizes. 
Obs6: Isso sugere que o pai de Ivana era eslovaco, enquanto que o de Slavek seria tcheco. É que durante a Segunda Guerra Mundial a Eslováquia chegou a conquistar uma 'independência' temporária, sob o comando de um regime fantoche que era aliado da Alemanha Nazista, o que explicaria o fato do pai dela ter ido lutar na Itália, ao lado dos alemães. Enquanto isso, a parte Tcheca passou a ser governada diretamente pelos alemães e a fazer parte do Reich Nazista, que escravizou grande parte da população do país.

Quando Slavek vê as fotos antigas de Ivana, toca uma música antiga, estilo 'loucos anos 1920', também chamada de 'Era do Jazz'. E finalmente Slavek consegue tomar conhecimento do fato de que era pai de uma saudável menina. Com isso, ele vai até o hospital, mas não vê a esposa e nem a filha. 

Ele vai embora e se lembra de um momento quando ela disse:

"Quando nos olhamos pela primeira vez, parece que conhecemos tudo. E depois começamos a esquecer. Não lave a louça. E coma os morangos você mesmo. Ou lave a louça. E separe os morangos. Nós os colocaremos na mesinha de cabeceira. E então iremos 'como se'.

Fim.
Ivana e sua filha recém nascida. O filme questiona para qual tipo de mundo ela está vindo, em que tipo de sociedade ela irá viver, se ela nasceu com 'a cor de pele' ou com o 'status social' certos. As críticas ao presente e a incerteza quanto ao futuro marcam essa bela obra de Jaromil Jires. 
Título: Krik (O Choro);
Diretor: Jaromil Jires;
Roteiro: Jaromil Jires, Ludvik Askenazy;
Gênero: Drama;
Duração: 77 minutos;
Ano de Produção: 1963; País de Produção: Tchecoslováquia;
Elenco: Josef Abrhám (Slavek); Eva Límanová (Ivana).

Links:

Furto do Paraíso: O Novo Cinema Tcheco dos anos 1960:


Filmes tchecos denunciavam sistema repressor:


15 filmes para se conhecer a Nova Onda Tchecoslovaca:


20 filmes da Nova Onda Tchecoslovaca:


Poema de Allen Ginsberg sobre a sua expulsão da Tchecoslováquia:

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