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terça-feira, 26 de março de 2019

Lista de 25 filmes sobre a Guerra Civil Espanhola (1936-1939) e a Ditadura Franquista (1939-1975)!

Lista de 25 Filmes sobre a Guerra Civil Espanhola (1936-1939) e a Ditadura Franquista (1939-1975)! - Marcos Doniseti!
Marina Ginesta: Republicana espanhola que lutou em defesa do governo democraticamente eleito do país na brutal Guerra Civil Espanhola (1936-1939). A foto é de Juan Guzmán e foi tirada no Hotel Colón, em Barcelona, em 21/07/1936. As forças republicanas contaram com uma significativa participação de mulheres nos combates, algo que não ocorreu no lado franquista. 


Abaixo, estou publicando uma relação de 25 filmes que estão relacionados com a Guerra Civil Espanhola (1936-1939) e com a Ditadura Franquista (1939-1975). 

Escrevi uma pequena sinopse para cada um dos filmes. A lista segue uma ordem cronológica, do filme mais antigo para o mais recente. Para quem deseja se aprofundar no estudo desse tema fascinante estes filmes são essenciais. E no texto eu também apresento dois excelentes livros a respeito do assunto. 

1) L'Espoir (A Esperança; 1939) - André Malraux e Boris Peskine:

"L'Espoir" foi realizado pelo escritor francês André Malraux, que procurou mobilizar ajuda internacional ao governo Republicano democraticamente eleito (em Fevereiro de 1936) e que reunia as forças progressistas do país. 

Porém, em função da Guerra Civil, que se iniciou após uma fracassada tentativa de Golpe de Estado promovida pelas forças reacionárias do país (que ocorreu em Julho de 1936), ele somente foi exibido a partir 1945. O filme é baseado no livro 'L'Espoir' ('A Esperança') do próprio André Malraux;

2) For Whom the Bells Tolls (Por quem os sinos dobram?; 1943) - Sam Wood: 

Este filme foi baseado no livro de mesmo título de autoria de Ernest Hemingway, escritor estadunidense que foi até a Espanha lutar ao lado das forças Republicanas e democráticas. 


Na época, dezenas de milhares de voluntários (cerca de 70 mil) foram lutar na Espanha, integrando as chamadas 'Brigadas Internacionais', contra as forças franquistas, que contavam com forte apoio da Alemanha Nazista e da Itália Fascista. 


Os protagonistas do filme são Gary Cooper e Ingrid Bergman;


3) Mourir à Madrid (Morrer em Madri; 1963) - Frédéric Rossif: 

Excelente documentário francês que foi indicado ao Oscar em 1966. Ele mostra qual foi a evolução dos acontecimentos políticos e sociais que resultaram na eclosão da Guerra Civil Espanhola e faz um uso intenso de imagens da época do conflito;
Combatentes anarquistas que lutavam em defesa da República democrática espanhola.

4) "La Guerre est Finie" (A Guerra Acabou; 1966) - Alain Resnais:


Este é um excelente filme francês a respeito da luta dos refugiados Republicanos espanhóis que  viviam na França, para onde fugiram da criminosa perseguição franquista nos últimos meses de Guerra Civil Espanhola e nos primeiros anos da Ditadura Franquista. 


A história gira em torno de um grupo de militantes do PCE (Partido Comunista Espanhol) que, mesmo depois de muitos anos do fim da Guerra Civil, ainda continua acreditando na possibilidade de se derrubar a brutal Ditadura de Franco, embora não exista o menor sinal de que isso poderia vir a acontecer, o que explica o título do filme. 


O roteiro do filme é muito realista e bem fundamentado, até por ter sido escrito por Jorge Semprún, escritor espanhol e ex-líder do PCE que estava exilado na França na época da realização. E o protagonista do filme é o personagem Diego Mora, que é baseado no próprio Semprún, sendo interpretado pelo brilhante Yves Montand. Portanto, o filme tem um forte componente autobiográfico 


'La Guerre est Finie' conquistou o prêmio de Melhor Filme do Sindicato de Críticos da França de 1967, foi premiado pelos Críticos de Cinema de Nova York e ganhou prêmio no Festival de Locarno (Suíça) em 1966. Alain Resnais recebeu o prêmio Louis Delluc em 1966. 

Garota espanhola descansa durante a fuga da cidade de Barcelona, em Janeiro de 1939, quando a cidade era alvo de brutais ataques das forças franquistas. Centenas de milhares de espanhóis, principalmente bascos e catalães, fugiram da cruenta perseguição promovida pelas forças lideradas pelo genocida Francisco Franco.


5) "El Espíritu de la Colmena" (O Espírito da Colmeia; 1973) - Víctor Erice:

A historia do filme se desenvolve durante a década de 1940, em um povoado do interior da Espanha, em plena Ditadura Franquista (1939-1975), que foi a mais sanguinária da Europa no Pós-Guerra, eliminando entre 2 e 5 milhões de pessoas. 


A situação política da Espanha serve de pano de fundo para uma história que gira em torno de duas pequenas irmãs (Ana e Isabel). Elas assistem a um filme sobre Frankenstein e Isabel convence a irmã menor de que a criatura do filme realmente existe e que ela deve procurar pelo mesmo. 


Assim, a história do filme é contada do ponto de vista de Ana, a irmão mais nova, e a mesma acaba servindo como uma alegoria da situação política e social vivenciada pelos espanhóis nos primeiros anos da Ditadura Franquista. 


6) El Árbor de Guernica (A Árvore de Guernica; 1975) - Fernando Arrabal:


O filme mostra o desenvolvimento da Guerra Civil Espanhola, mas com o uso de elementos muito próprios do cineasta, que é bastante influenciado pelo Surrealismo. A 'árvore de Guernica' simboliza a luta do povo basco por sua liberdade;

'A Espinha do Diabo', de Guillhermo del Toro, tem uma história marcada por metáfora que se relaciona com os horrores da Guerra Civil Espanhola, na qual morreram entre 500 mil e 1 milhão de pessoas. 


7) Cría Cuervos (Cria Corvos; 1976) - Carlos Saura:

Tal como o filme de Victor Erice, este 'Cría Cuervos' também tem uma trama que gira em torno da história de crianças e sua relação com a Ditadura Franquista, que já estava em seus últimos momentos, como pano de fundo da história. 



8) Si Te Dicen Que Caí (1989) - Vicente Aranda:

Em 1970, os corpos de dois adultos são reconhecidos numa sala de autópsia por dois velhos amigos dos falecidos. Por meio das lembranças comuns, eles começam a falar sobre como era a vida dos quatro, quando eram crianças, que estavam sempre brincando juntas, em Barcelona, em 1940, logo após o término da Guerra Civil Espanhola. 

Logo, as memórias dos personagens se confundem com a história da Espanha. 


O filme se baseou no livro de mesmo título de autoria do escritor catalão Juan Marsé e conta com a participação de Victoria Abril, Antônio Banderas e Jorge Sanz (que ganhou o Prêmio Goya de melhor ator de 1990);

Francisco Franco e Adolf Hitler, juntos. Sem o substancial apoio que recebeu de Hitler e Mussolini as forças lideradas por Franco jamais teriam vencido a Guerra Civil Espanhola. Franco retribuiu esse apoio enviando 50 mil soldados espanhóis para participar da 'Operação Barbarossa' (foi a chamada 'Divisão Azul'), quando os nazistas alemães invadiram a URSS, em 22/06/1941.


9) Ay, Carmela! (1990) - Carlos Saura:

A história do filme se passa durante a Guerra Civil Espanhola e mostra um casal, que simpatizava com a causa dos Republicanos, mas que acaba sendo feito prisioneiro pelos militares Franquistas. 

Um comandante militar italiano que gosta de teatro passa a garantir a sobrevivência deles desde que os mesmos passem a fazer espetáculos teatrais para divertir as tropas das forças reacionárias lideradas por Franco que, quando a Guerra Civil começou, havia prometido eliminar todos os simpatizantes dos Republicanos.


Com isso, o casal tem que fazer de tudo para continuar vivo, o que implica em esconder as suas simpatias pelos Republicanos; 



10) Tyerra y Libertad (Terra e Liberdade; 1995) - Ken Loach:

Este é um filme excelente do grande cineasta britânico Ken Loach e que se baseia no livro 'Lutando na Espanha' de autoria do escritor (também britânico) George Orwell. 

Orwell fez parte das chamadas 'Brigadas Internacionais', que reuniu cerca de 70 mil voluntários, originários do mundo inteiro, inclusive do Brasil, para lutar ao lado das forças Republicanas, e que foram organizadas pelo Comintern, órgão do Partido Comunista da União Soviética que, naquela época, passou a apoiar a formação das chamadas 'Frente Populares', que reuniam todas as forças políticas e sociais que estivessem dispostas a lutar contra o Nazi-Fascismo. 

Quando chegou à Catalunha, Orwell se integrou a um grupo de soldados que lutava sob o comando do POUM (Partido Operário Unificado Marxista),  um pequeno partido de Extrema-Esquerda que tinha uma boa penetração popular na região catalã, para onde Orwell se dirigiu.

Em seu livro (ao qual eu li tempos atrás e recomendo) Orwell relata os inúmeros conflitos entre as muito variadas, política e ideologicamente, forças Republicanas (anarquistas, socialistas, comunistas, liberais), o que é mostrado por Loach em seu filme;
Cartaz da CNT-FAI, organizações anarquistas, convocando os trabalhadores a lutar contra as forças franquistas e em defesa da Revolução. Anarquistas e Comunistas divergiram radicalmente durante o conflito, pois enquanto os primeiros priorizavam a Revolução Social, os Comunistas entendiam que a prioridade era vencer a Guerra Civil.

11) Libertarias (1996) - Vicente Aranda:

Este excepcional filme mostra a luta das forças dos Anarquistas (ou Anarcossindicalistas) na região da Catalunha, na qual a penetração destas mesmas era bastante significativa, rivalizando em popularidade com os socialistas e nacionalistas locais, chegando a superar os mesmos em apoio popular até antes do início da Guerra Civil, em Julho de 1936. 

Os comunistas ainda eram fracos na Catalunha quando a Guerra Civil começou e seu fortalecimento se deu à medida que o conflito se desenvolveu, pois a URSS foi o país que mais apoiou as forças Republicanas. Somente os socialistas tinham força política para rivalizar com os Anarquistas na região. 

A trama do filme gira em torno de um grupo de mulheres que fazia parte de uma organização feminista chamada 'Mujeres Libres', que reivindicavam maior participação na luta contra as forças franquistas. Quando a Guerra Civil começou elas invadiram os bordéis, que foram socializados, a fim de tirar milhares de mulheres da vida de prostituição em que se encontravam. E em um dos bordéis tínhamos uma freira e um padre escondidos. 

Quando isso é descoberto pelas mulheres anarquistas, estas decidem matar o padre, devido ao apoio ostensivo que a Igreja Católica dava às forças franquistas, mas preservam a vida da jovem freira. Assim, juntas, as mulheres anarquistas, a jovem freira e as prostitutas que se integraram ao coletivo das 'Mujeres Libres' vão continuar a luta em defesa da República Democrática espanhola.

O diretor Vicente Aranda conquistou o Prêmio Especial do Júri no Festival Internacional de Cinema de Tóquio em 1996. 

12) La lengua de las Mariposas (A língua das Mariposas; 1999) - José Luis Cuerda: 

Este é um belo e emocionante filme espanhol cuja história se desenvolve em torno do relacionamento entre um idoso professor (Don Gregorio, que está próximo da aposentadoria) e um aluno (Moncho) que tinha medo de frequentar a escola, devido ao autoritarismo dos professores da mesma. 

A trama se desenvolve enquanto a Guerra Civil está em andamento e se passa em uma pequena comunidade rural da Galícia e mostra o processo de desumanização que é provocado pelo conflito e pela ascensão das forças reacionárias lideradas por Franco, que contava com o apoio das Falanges fascistas que tinham como slogan a frase 'Viva a Morte!';
Cartaz da 'Izquierda Republicana', partido político com grande força na Catalunha e que estimulava a participação feminina na vida política e social. Essa crescente participação das mulheres na sociedade foi um dos principais motivos que levou as forças reacionárias da Espanha a tentar derrubar o governo Republicano do país por meio de um Golpe, cujo fracasso deu início à Guerra Civil.

13) Silêncio Roto (2001) - Montxo Armendáriz:

O filme trata da história de uma jovem (Lucia) que, no inverno de 1944, retorna para a vila onde nasceu a fim de trabalhar para a sua tia, na região norte da Espanha. Mas ela acaba se envolvendo romanticamente com um jovem (Manuel) que faz parte de um grupo de 'Maquis' (guerrilheiros) que continua lutando contra a Ditadura Franquista.

O filme conquistou vários prêmios nos festivais de cinema espanhol de Toulouse (2001) e Nantes (2002);

14) El Espinazo del Diablo (A Espinha do Diabo; 2001) - Guilhermo del Toro: 

Filme dirigido por Guillhermo del Toro, vencedor de inúmeros prêmios internacionais (Oscar, Globo de Ouro, BAFTA, Goya, Leão de Ouro em Veneza). Este é outro filme que mostra a Guerra Civil Espanhola como pano de fundo e que tem crianças como protagonistas. 

A trama gira em torno de um adolescente de 12 anos (Carlos) que perde o pai durante o conflito e que é levado para um orfanato, onde é tratado com hostilidade pelos funcionários e pelas outras crianças. Ele é visitado pelo espírito de um garoto que morreu no orfanato e que estimula Carlos a descobrir quem foi o responsável pela sua morte.

Segundo o diretor, o filme mostra que a Guerra "deixa atrás de si tristeza e fantasmas, arranca vidas, destrói memórias, destroça famílias". 

Obs: Tal declaração do cineasta foi publicada no texto "Filme de horror faz metáfora de guerra", de autoria de Inácio Araújo, na 'Folha de S.Paulo' (edição de 12/10/2001).
Durante a Guerra Civil Espanhola os cartazes Republicanos tiveram um papel fundamental para se comunicar com uma população que era, em grande parte, analfabeta e que não tinha recursos para comprar jornais. A criação deles foi bastante influenciada pelo Construtivismo de origem russa, pois o PCE era uma das principais forças políticas que atuava em defesa da República Espanhola. 

15) El Viaje de Carol (A Viagem de Carol; 2002) - Imanol Uribe:

Clara Lago interpreta Carol, que é uma adolescente de 12 anos que tem um pai estadunidense e uma mãe espanhola. O pai acaba se integrando às 'Brigadas Internacionais', nas quais irá combater como piloto, que lutam ao lado das forças republicanas na Guerra Civil Espanhola. 

Na primavera de 1938 ela e a mãe viajam, pela primeira vez,  para a Espanha, com a guerra em pleno andamento e Carol acaba conhecendo pessoas que passarão a ser importantes em sua vida (o avô, a professora e um amigo).

O filme foi baseado no livro "A Boca de Noche", de Ángel García Roldán. 

16) Soldados de Salamina (2003) - David Trueba: 

Uma jornalista decide investigar a história de que um dos principais líderes da Falange espanhola (que era um movimento fascista), Rafael Sanchez-Maza, e que teria sido assassinado pelos Republicanos durante a Guerra Civil Espanhola. Assim, ela mergulha na história do conflito até descobrir a verdade. 

O filme é baseado em um livro de autoria de Javier Cercas e ganhou o prêmio de melhor fotografia dos Prêmios Goya (2004) e também foi premiado no Festival de Cinema Espanhol de Nantes (2004) e no Festival Internacional de Copenhague (2003). 

17) O Labirinto do Fauno (2008) - Guillermo del Toro:

Este é outro filme de Guillermo del Toro, que mostra uma história que se desenrola durante a Ditadura Franquista (1939-1975) e na qual uma garota (Ofélia) viaja com a sua mãe (Carmen) para o campo, onde vive o seu padrasto (Vidal), que é um sádico capitão das forças franquistas. 

A menina encontra um labirinto subterrâneo no qual vive uma criatura que é metade humana e metade bode e que a convence a realizar três tarefas. Enquanto isso, Vidal continua massacrando os rebeldes que lutam contra a Ditadura de Franco. 
'La Voz Dormida' (2011) é um dos melhores filmes recentes a respeito da Ditadura Franquista, mostrando a perseguição que milhares de mulheres sofreram durante a mesma, com muitas sendo assassinadas por ordens de Franco.

18) Las 13 Rosas (2007) - Emilio Martínez-Lázaro:

A trama deste belo filme é baseada em uma história verdadeira, na qual 13 jovens integrantes da 'Juventude Socialista Unificada' (JSU) que foram falsamente acusadas de participar de uma conspiração para matar o Ditador Francisco Franco foram presas e terminaram por ser executadas pela Ditadura Franquista. 

A culpa delas nunca foi provada e, mesmo assim, elas acabaram sendo consideradas culpadas e executadas, sendo que das treze jovens oito eram menores de idade.

 O filme é baseado no livro de autoria de Carlos Fonseca, um jornalista espanhol ('Trece Rosas Rojas Y La Rosa 14'). 

'Las 13 Rosas' conquistou 4 Prêmios Goya em 2008;


19) La Mujer del Anarquista (A Mulher do Anarquista, 2008) - Marie Noelle e Peter Sehr:


Este filme mostra a Guerra Civil Espanhola como pano de fundo e se concentra nas consequências da mesma, bem como dos efeitos da vitória das reacionárias forças franquistas para a população espanhola, da Catalunha, em especial.

A história se desenvolve em Barcelona, região controlada pelas forças Republicanas e progressistas (que caiu sob o domínio franquista apenas nos últimos dias de guerra) e gira em torno da vida de um jovem e apaixonado casal de classe média. Ela é Manuela e o seu marido é Justo, que é um guerrilheiro anarquista que luta em defesa da República. Durante o conflito eles tiveram uma filha (Paloma).  

Quando a Guerra Civil termina, Manuela e Paloma ficam sem ter notícias a respeito do que aconteceu com Justo. Mas, apesar disso, Manuela não desiste de tentar descobrir o que ocorreu e faz de tudo para reencontrar o marido. E quando isso acontecer ela irá descobrir que nem tudo poderá ser como antes. 

'La Mujer del Anarquista' ganhou o prêmio de melhor filme no Festival de Munique de 2008;
'Morir em Madrid' (1963) é um dos melhores documentários já realizados sobre a Guerra Civil Espanhola. É fundamental para quem deseja compreender as causas do conflito.
20) Los Girasoles Ciegos (2008) - José Luis Cuerda:

Este ótimo filme mostra muito bem como funcionava a repressão da Ditadura Franquista, deixando claro que as pessoas (os Republicanos, em especial) tinham que tomar muito cuidado com tudo o que falavam e faziam, mesmo dentro de suas residências.

Mesmo com a vitória na Guerra Civil (1936-1939), o Ditador genocida Francisco Franco não ficou satisfeito e continuou perseguindo todos os que haviam lutado contra ele, montando um brutal e mortalmente eficiente aparato policial e de espionagem.

A trama do filme gira em torno de uma família cujo chefe (Ricardo) era um comunista perseguido pela Ditadura Franquista. Para evitar que o mesmo fosse preso e condenado à morte, a família (Elena, esposa, Elenita, a filha e Lorenzo, o filho mais novo) protege Ricardo, escondendo-o dentro da própria casa. Os membros da família dizem para todos que Ricardo morreu na guerra. Mas um jovem diácono se apaixona por Elena e isso irá complicar muito a missão de proteger o seu marido. 

O filme conquistou três prêmios no Festival de Cartagena de 2009.

21) Pa Negre (Pão Negro, 2010) - Agustí Villaronga:

A trama deste filme se desenvolve na Catalunha, onde um jovem tenta provar para todos que o seu pai foi falsamente acusado de cometer um assassinato. As suas investigações irão levar o mesmo a descobrir inúmeros segredos que cercam a população local. É bom ressaltar que o filme inteiro é falado em catalão. 

A história é baseada em um livro homônimo do autor Emili Teixidor e o filme conquistou nove Prêmios Goya em 2011 e outros treze prêmios Gaudí no mesmo ano.
'La Lengua de las Mariposas' (1999) é um comovente filme espanhol, que se desenvolve em um pequeno povoado da Galícia durante a Guerra Civil Espanhola. A sequência final é uma das mais impactantes a que já assisti.

22) Pájaros de Papel (Pássaros de Papel; 2010) - Emilio Aragon Álvarez:

A história do filme gira em torno de um grupo de artistas de 'vaudeville' (teatro de revista) que tenta sobreviver nos primeiros tempos da Ditadura Franquista, com todas as dificuldades de um país que foi devastado pela guerra e no qual a miséria e a fome se disseminaram. 

O filme foi premiado no Festival de Cinema de Montreal (2010), no Canadá, e no Festival de Cinema de Murcia (2010), na Espanha. 

23) "Insensibles" (Insensíveis; 2012) - Juan Carlos Medina:

A história do filme mescla fatos atuais e do passado espanhol, que estão ligados à Guerra Civil, é claro. Tudo começa quando um neurocirurgião descobre que precisa de um transplante de medula óssea e que, para isso, ele necessita encontrar os seus pais biológicos, o que o levará a mergulhar no seu passado e no da própria Espanha.

O filme conquistou vários prêmios em festivais de filmes fantásticos (Estrasburgo e Madrid). 

24) "La Voz Dormida" (A Voz Adormecida; 2011) - Benito Zambrano:

Este é mais um filme que mostra o período da Ditadura Franquista (1939-1975), que foi extremamente cruel e sanguinária, fazendo da Espanha o país mais violento e repressivo da Europa no Pós-Guerra. 

A história é baseada em um livro de autoria de Dulce Chacón, que o escreveu depois de entrevistar e pesquisar a respeito da vida de inúmeras mulheres que foram perseguidas e assassinadas pela Ditadura Franquista. 

A se destacar no filme a fantástica interpretação de Maria León, como irmã de uma prisioneira política (interpretada por Inma Cuesta). O filme conquistou três prêmios Goya e também foi premiado no Festival de Cinema Espanhol de Nantes e no Festival Internacional de San Sebastián (todos em 2012). 
'Libertarias' (1996): Filme dirigido por Vicente Aranda mostra a intensa participação das mulheres anarquistas na defesa da República democrática espanhola.

25) "Il Silencio de Otros" (O Silêncio dos Outros; 2018); Almudena Carracedo e Robert Bahar:

Este é a mais recente produção a respeito da Guerra Civil Espanhola e da Ditadura Franquista e mostra a luta de familiares e parentes de vítimas do sanguinário regime liderado por Francisco Franco a fim de descobrir o que aconteceu com as mesmas.

Após o fim da Ditadura Franquista foi assinado um amplo acordo entre todas as principais forças políticas e sociais da Espanha e, pelo mesmo, ficou combinado que não seriam feitas investigações a respeito dos crimes cometidos pela Ditadura liderada por Franco, que eliminou entre 2 e 5 milhões de pessoas durante a sua existência (1939-1975). 

Essa brutal Ditadura chegou a implantar campos de concentração, promover prisões ilegais, julgamentos forjados e execuções extrajudiciais de milhões de espanhóis. 

Assim, Franco cumpriu com a promessa que havia feito no início da Guerra Civil Espanhola (1936-1939), quando afirmou que se fosse necessário ele mataria metade da população da Espanha a fim de conquistar e manter o poder. 

Um dos produtores deste belo documentário é o consagrado cineasta espanhol Pedro Almodóvar. 
"A Guerra Civil Espanhola", de Francisco J. Romero Salvadó, é um dos melhores livros sobre o sangrento conflito que devastou a Espanha entre 1936-1939. O autor volta às últimas décadas do século XIX para encontrar as origens do sangrento conflito. 

Links:

Texto de Inácio Araújo sobre o filme 'A Espinha do Diabo':

https://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq1210200111.htm

Textos publicados neste blog a respeito de vários dos filmes citados nesta lista:

A Voz Adormecida:

http://popeseries.blogspot.com/2017/12/a-voz-adormecida-mostra-mulheres-que.html

"Las 13 Rosas":

http://popeseries.blogspot.com/2017/11/las-13-rosas-filme-conta-historia-do_5.html

O Silêncio dos Outros:

http://popeseries.blogspot.com/2019/03/o-silencio-dos-outros-e-um-documentario.html

Mourir à Madrid:

http://popeseries.blogspot.com/2017/12/mourir-madrid-um-documentario-classico.html

"A Guerra Civil Espanhola", de Joseph M. Buades, é outro excelente livro sobre o conflito que matou centenas de milhares de espanhóis e gerou uma das mais brutais Ditaduras do século XX. O autor se concentra nos acontecimentos da década de 1930 para fazer a sua análise sobre a guerra que devastou a Espanha. 

Los Girasoles Ciegos:

http://popeseries.blogspot.com/2017/12/los-girasoles-ciegos-mostra-como.html

La Mujer del Anarquista:

http://popeseries.blogspot.com/2017/12/la-mujer-del-anarquista-mostra-as.html

La Guerre est Finie:

https://popeseries.blogspot.com/2016/08/filme-la-guerre-est-finie-guerra-acabou.html

Os Refugiados espanhóis na França após a Guerra Civil:

https://www.eldiario.es/sociedad/enfermos-republicanos-Francia-barcos-concentracion_0_933006758.html

domingo, 31 de dezembro de 2017

'Mourir à Madrid': Um documentário clássico que mostra quais foram as causas da Guerra Civil Espanhola! - Marcos Doniseti!

'Mourir à Madrid': Um documentário clássico que mostra quais foram as causas da Guerra Civil Espanhola! - Marcos Doniseti!
'Morir en Madrid': Excelente documentário que mostra a evolução dos conflitos políticos e sociais que geraram a Guerra Civil Espanhola. Ele foi indicado ao Oscar em 1966. 

'Mourir a Madrid' é um excepcional documentário, dirigido por Frédéric Rossif. Ele mostra quais foram as causas da Guerra Civil Espanhola e porque as forças mais reacionárias acabaram vitoriosas no conflito, no qual morreram cerca de 1 milhão de pessoas em dois anos e nove meses de guerra. 


O documentário é muito esclarecedor a respeito dos conflitos políticos e sociais que provocaram essa que foi, sem dúvida, a 'Guerra Civil Espanhola' (1936-1939), e que se transformou na primeira batalha da Segunda Guerra Mundial (1939-1945). 

Afinal, todas as principais potências europeias, mais os EUA, se envolveram, de uma forma ou de outra, no brutal conflito espanhol: Grã-Bretanha, Alemanha Nazista, Itália Fascista, França URSS. Destas, somente França e, principalmente, a URSS ajudaram ao governo democrático da República. 

Mas, no caso francês, pois havia uma divisão muito forte dentro do governo (também de Frente Popular) e do país. Uma boa parte dos franceses apoiou Franco e, ainda, pressionou o governo do país para que recusasse qualquer ajuda à República espanhola. A França possuía muitos movimentos políticos de Direita e de Extrema-Direita que simpatizavam com Franco, Hitler e Mussolini, sendo que os mesmos contavam com significativo apoio popular. 
François de La Rocque liderava um movimento de características tipicamente Fascistas (o Croix de Feu). Em 06 de Fevereiro de 1934 ele comandou seus seguidores numa tentativa de Golpe de Estado, tentando imitar o seu ídolo (Mussolini), promovendo uma espécie de 'Marcha Sobre Paris', mas que acabou fracassando. 

Exemplo disso foi o movimento de Direita Radical chamado 'Croix de Feu', liderado por François la Roque, que possuía uma força paramilitar própria (chamada de 'Dispos'), defendia a instalação de uma Ditadura, atacava o Liberalismo e o Socialismo, bem como defendia o Corporativismo. 


Desta maneira, a 'Croix de Feu' reunia as principais características de um movimento tipicamente Fascista. 

As causas da Guerra Civil Espanhola foram essencialmente internas, mas as questões envolvidas eram as mesmas que afetavam outros países da Europa neste período: 

- Luta de classes, com o fortalecimento das mobilizações promovidas por operários e camponeses, que lutavam por reforma agrária, melhores salários, leis trabalhistas e, até, por uma Revolução Social que destruísse o Capitalismo e criasse uma sociedade igualitária.

No caso espanhol, uma parte deste movimento era mais radical e queria também destruir o Estado, a Igreja e o Capitalismo: Eram os Anarquistas ou Anarcossindicalistas, representados pela CNT-FAI, e por uma minoria dos Socialistas, que eram representados pelo PSOE e pela UGT (seu principal líder era Francisco Largo Caballero, que foi o primeiro líder do governo Republicano, entre 1936-1937). 
Cartaz Republicano estimulando a defesa de Madrid por parte da população. A criação de cartazes, durante a Guerra Civil Espanhola, foi de grande importância. Afinal, uma grande parte da população espanhola era de analfabetos. 

Uma outra ala, mais moderada, queria reformar e modernizar a Espanha, mas sem promover uma Revolução Social, o que era o caso da maioria dos Socialistas, dos Comunistas, da Burguesia Liberal e da Classe Média;


A) Rejeição às mudanças e à modernização por parte das forças conservadoras (Igreja, Exército, Latifundiários);

B) Crescente papel dos jovens e das mulheres na sociedade;  

C) Industrialização e urbanização, que enfraquecia progressivamente os poderes da Igreja Católica e dos Latifundiários, que exercia uma influência bem pequena nas regiões mais industrializadas e nas maiores cidades (Barcelona, Madrid, Valência, Bilbao);


Cartaz do PCE chamando os operários, camponeses, soldados e intelectuais a se unirem ao Partido e em defesa da República.

D) Expansão das classes médias instruídas e urbanas, que lutavam para participar do sistema político, o que era barrado pelas forças mais reacionárias do país;


E) Lutas de algumas regiões por maior autonomia em relação ao governo central. Na Espanha, este era o caso do País Basco e da Catalunha, em especial. As forças Franquistas queriam o contrário, construindo um Estado totalmente centralizado. 

Com isso, depois que venceu a Guerra Civil, Franco chegou até a proibir que as populações da Catalunha e da região Basca usassem as suas línguas, obrigando-as a falar apenas o Castelhano.

Também vemos, no documentário, quais eram as forças políticas e sociais que entraram em choque na Guerra e quais os motivos que as levaram a participar do conflito: 
Hitler e Franco juntos. Hitler deu apoio decisivo para a vitória de Franco na Guerra Civil. Em troca, Franco entregou para controle alemão minérios que foram importantes para a indústria bélica germânica. Ele também enviou uma 'Divisão Azul', com 47 mil soldados, que lutou ao lado dos alemães na invasão da URSS. Poucos sobreviveram. 

A) De um lado, as forças reacionárias, contrárias às mudanças políticas, econômicas, sociais e culturais que ocorriam no país, pois as mesmas levavam a uma crescente perda do seu imenso poderio e dos seus privilégios. 


Estes eram os casos dos Latifundiários, do Exército, da Monarquia e da Igreja Católica, cujo apoio vinha das regiões mais pobres e atrasadas do país (as áreas rurais, onde ainda vivia mais da metade da população espanhola);

B) Enquanto isso, outras forças políticas e sociais lutavam para aprofundar e acelerar as mudanças e promover a modernização da Espanha: Operários, Camponeses, Classe Média instruída, Industriais, Nacionalistas bascos e catalães, jovens e mulheres. 

A base social destas forças se concentrava nas regiões mais ricas, industrializadas e urbanizadas do país: Catalunha, Valência e País Basco, em especial. 
Brigadistas internacionais que foram lutar do lado Republicano na Guerra Civil Espanhola. A ida deles para a Espanha era organizada pelo PCF (Partido Comunista Francês, liderado por Maurice Thorez).

Os Anarquistas (ou Anarcossindicalistas) conseguiram, também, conquistar um grande apoio entre os camponeses e trabalhadores rurais miseráveis da região Sul da Espanha, pois estes eram brutalmente explorados pelos Latifundiários. Estes contavam com o apoio da Igreja e das forças policiais, motivos pelos quais os camponeses sulistas espanhóis repudiavam o Estado, o Capitalismo e a Religião. 


Isso explica o grande apelo popular do discurso Anarcossindicalista na região sulista espanhola.  

Os segmentos reacionários temiam os efeitos das mudanças realizadas pelo primeiro governo Republicano (de perfil progressista e liberal, que durou de 1931 a 1933), que promoveu a reforma agrária, fez investimentos maciços na educação pública, aumentou salários, criou leis trabalhistas (jornada de 8 horas diárias, a licença-maternidade, as férias remuneradas,), reconheceu o direito de voto para as mulheres, reformou o Exército e proibiu cultos religiosos. 

Este governo Republicano era um governo de perfil Iluminista, cuja principal fonte de inspiração era a Revolução Francesa de 1789-1799. Mas, entre 1935-1936, a divisão das forças progressistas, que entraram em choque entre si, enfraqueceu o governo Republicano. 
Cartaz das Brigadas Internacionais. Cerca de 60 mil brigadistas foram lutar em defesa da República. Eles eram originários de 54 países. Inclusive, tivemos 40 brigadistas brasileiros, sendo que um deles foi Apolônio de Carvalho.

Isso aconteceu porque alguns segmentos sociais dos Republicanos entendiam que as mudanças promovidas pelo governo eram insuficientes e queriam acelerar e radicalizar o processo de transformação. Este era o caso dos Anarquistas e de setores radicais dos Socialistas (cuja maioria era reformista, mas não revolucionária).  


Com isso, as forças mais conservadoras venceram as eleições de 1934 e retomaram o controle do governo espanhol. Daí, elas procuraram reverter as principais mudanças que o governo Republicano progressista havia promovido.

Esse retrocesso fará com que as forças políticas e sociais mais progressistas (Anarquistas, Socialistas, Comunistas, Republicanos de Esquerda e Burguesia Liberal) se unam. 

E essa união as levará a criar a chamada 'Frente Popular', que venceu (por estreita margem) as eleições para o Parlamento espanhol em Fevereiro de 1936. 

Assim, a Espanha voltou a ter um governo Republicano e progressista novamente. E com isso, as mudanças do governo de 1931-1933 foram retomadas. 
Mulheres que combateram do lado Republicano na Guerra Civil Espanhola. As mulheres Anarquistas criaram uma organização chamada 'Mujeres Libres', que foi fundada em 1936 e chegou a possuir 21 mil integrantes. A luta delas se davam tanto contra o Capitalismo explorador, como contra o domínio patriarcal na sociedade. Suas lutas anteciparam os movimentos feministas da década de 1970. 

E foi isso que levou as forças mais retrógradas da Espanha a se unir para promover um Golpe de Estado que derrubasse o governo da Frente Popular. Mas esta tinha substancial base popular organizada, que lhe dava sustentação: partidos políticos, sindicatos, centrais sindicais, movimentos de jovens e mulheres.


E tais segmentos progressistas resistiram ao Golpe das forças Reacionárias, que estourou em 17/07/1936,  graças à esta base social organizada que possuía. 

Com isso, o Golpe Reacionário foi apenas parcialmente vitorioso. 

No início da Guerra Civil, os golpistas conseguiram assumir o controle apenas das regiões mais atrasadas do país: parte agrária do Sul (dominada pelos latifundiários) e o Norte, no qual a Igreja Católica predominava. Já nas áreas mais ricas e industrializadas, as forças progressistas da Frente Popular foram vitoriosas, conseguindo derrotar os golpistas. 

Se dependesse apenas das forças políticas e sociais internas, é muito provável que a República fosse vitoriosa. Afinal, ela controlava as regiões mais ricas e tinha as reservas de ouro do país em suas mãos. Mas tal vitória não aconteceu, pois o fator que acabou decidindo o resultado final do conflito foi a atuação das grandes potências mundiais.
Dolores Ibárruri (La Pasionaria) discursando para uma multidão em Barcelona. Ela estimulou a Resistência até o final e dizia "Mais vale morrer de pé que viver de joelhos'. Ela terminava seus discursos usando da famosa expressão 'No Pasarán!'. 

Assim, Franco contou com o apoio descarado e gigantesco da Itália Fascista e da Alemanha Nazista que, somadas, enviaram mais de 90 mil soldados (passam de 100 mil se somarmos os 10 mil soldados enviados pela Ditadura de Salazar) e muitos armamentos modernos (aviões, blindados e artilharia), tais como os canhões de 88 mm e os aviões alemães Junker 52, Henkel 111 e Messerschmitt 109. 


Franco também contou com um significativo apoio dos setores privados dos EUA, da Grã-Bretanha e da França. Muitos industriais e banqueiros destes países ajudaram as forças franquistas com petróleo, empréstimos e veículos. A GM e a Ford forneceram milhares de veículos para os franquistas. 

Enquanto isso, a República contava apenas com o apoio limitado da URSS que, no entanto, evitou um envolvimento maior no conflito espanhol para não alarmar a França, a Grã-Bretanha e os EUA, com quem Stalin desejava forjar uma ampla aliança a fim de conter a expansão do Nazi-Fascismo. 

E tudo isso acontecia enquanto o governo da Grã-Bretanha promovia uma hipócrita, falsa e mentirosa política de 'não-intervenção', que foi inteiramente prejudicial apenas para o governo Republicano. 

Afinal, tal política foi totalmente ignorada pela Itália Fascista e pela Alemanha Nazista, que controlavam o acesso dos espanhóis ao Mar Mediterrâneo (impedindo a chegada de produtos e armamentos para as forças Republicanas) e enviaram armamentos e soldados em grande quantidade para as forças Franquistas. 
Aviões alemães Messerschmitt BF-109, que foram utilizados na Guerra Civil Espanhola, contribuíram fortemente para a vitória de Franco, que graças ao maciço apoio italiano e alemão dispôs de imensa superioridade aérea durante todo o conflito.

Logo, as forças franquistas sempre dispuseram de uma significativa vantagem em termos de forças militares, tanto no número de soldados (seus mortos e feridos eram repostos com mais facilidade e rapidez), quanto nos armamentos disponíveis (aviões, blindados, canhões). E também nunca faltou acesso a empréstimos externos por parte de banqueiros britânicos, franceses e estadunidenses para que Franco e seus aliados pudessem comprar o petróleo, alimentos, veículos necessários a uma guerra que durou dois anos e nove meses. 


Essa substancial ajuda externa que as forças Franquistas receberam, bem como o isolamento internacional da República, foi o fator principal que levou à vitória das forças franquistas na Guerra Civil Espanhola. 

Sem o apoio decisivo de Hitler e Mussolini, e do apoio disfarçado, mas significativo, dos EUA e da Grã-Bretanha, Franco jamais teria vencido a Guerra na Espanha. 

E o povo espanhol pagou um alto preço por esta vitória de Franco, que impôs uma Ditadura brutal, que procurou aniquilar toda e qualquer oposição, real ou imaginária, implantando um Estado Policial e Totalitário dos mais brutais e cruéis que já existiu na Europa, construindo campos de concentração, explorando trabalho escravo dos prisioneiros, eliminando fisicamente centenas de milhares de Republicanos. 
Chamberlain, Daladier, Hitler, Mussolini e Ciano durante as negociações que resultaram na assinatura do Pacto de Munique, que entregou a Tchecoslováquia e a Europa Central para o controle da Alemanha Nazista. Tal fato condenou a República Espanhola à derrota. A assinatura do Pacto representava a continuidade das políticas de 'Apaziguamento' e de 'Não-Intervenção' adotada por britânicos e franceses e que resultou no progressivo fortalecimento da Alemanha Nazista e da Itália Fascista no cenário europeu e mundial. 

Informações Adicionais:

Título: Mourir à Madrid (Morrer em Madrid);
Diretor: Frédéric Rossif;
Roteiro: Frédéric Rossif e Madeleine Chapsal;
Ano de Produção: 1963; País de Produção: França;
Gênero: Documentário; Fotografia: Georges Barsky; Música: Maurice Jarre; 
Narradores: Suzanne Flon; Germaine Montero; Pierre Vaneck; Roger Mollien e Jean Vilar;
Prêmios:  BAFTA Awards de Documentário de 1968; Prêmio Jean Vigo, de 1963, de Melhor Produção. 

Link:

A Guerra Civil Espanhola - Augusto Buonicore:

http://vermelho.org.br/noticia/283839-1

As 'Mujeres Libres' Anarquistas:

http://www.publico.es/politica/memoria-publica/80-anos-mujeres-libres-xxx-mujeres-libres-anarquistas-revolucionaron-clase-obrera.html

Vídeo - Documentário 'Morir à Madrid' na íntegra (legendado em Português):