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terça-feira, 26 de março de 2019

Lista de 25 filmes sobre a Guerra Civil Espanhola (1936-1939) e a Ditadura Franquista (1939-1975)!

Lista de 25 Filmes sobre a Guerra Civil Espanhola (1936-1939) e a Ditadura Franquista (1939-1975)! - Marcos Doniseti!
Marina Ginesta: Republicana espanhola que lutou em defesa do governo democraticamente eleito do país na brutal Guerra Civil Espanhola (1936-1939). A foto é de Juan Guzmán e foi tirada no Hotel Colón, em Barcelona, em 21/07/1936. As forças republicanas contaram com uma significativa participação de mulheres nos combates, algo que não ocorreu no lado franquista. 


Abaixo, estou publicando uma relação de 25 filmes que estão relacionados com a Guerra Civil Espanhola (1936-1939) e com a Ditadura Franquista (1939-1975). 

Escrevi uma pequena sinopse para cada um dos filmes. A lista segue uma ordem cronológica, do filme mais antigo para o mais recente. Para quem deseja se aprofundar no estudo desse tema fascinante estes filmes são essenciais. E no texto eu também apresento dois excelentes livros a respeito do assunto. 

1) L'Espoir (A Esperança; 1939) - André Malraux e Boris Peskine:

"L'Espoir" foi realizado pelo escritor francês André Malraux, que procurou mobilizar ajuda internacional ao governo Republicano democraticamente eleito (em Fevereiro de 1936) e que reunia as forças progressistas do país. 

Porém, em função da Guerra Civil, que se iniciou após uma fracassada tentativa de Golpe de Estado promovida pelas forças reacionárias do país (que ocorreu em Julho de 1936), ele somente foi exibido a partir 1945. O filme é baseado no livro 'L'Espoir' ('A Esperança') do próprio André Malraux;

2) For Whom the Bells Tolls (Por quem os sinos dobram?; 1943) - Sam Wood: 

Este filme foi baseado no livro de mesmo título de autoria de Ernest Hemingway, escritor estadunidense que foi até a Espanha lutar ao lado das forças Republicanas e democráticas. 


Na época, dezenas de milhares de voluntários (cerca de 70 mil) foram lutar na Espanha, integrando as chamadas 'Brigadas Internacionais', contra as forças franquistas, que contavam com forte apoio da Alemanha Nazista e da Itália Fascista. 


Os protagonistas do filme são Gary Cooper e Ingrid Bergman;


3) Mourir à Madrid (Morrer em Madri; 1963) - Frédéric Rossif: 

Excelente documentário francês que foi indicado ao Oscar em 1966. Ele mostra qual foi a evolução dos acontecimentos políticos e sociais que resultaram na eclosão da Guerra Civil Espanhola e faz um uso intenso de imagens da época do conflito;
Combatentes anarquistas que lutavam em defesa da República democrática espanhola.

4) "La Guerre est Finie" (A Guerra Acabou; 1966) - Alain Resnais:


Este é um excelente filme francês a respeito da luta dos refugiados Republicanos espanhóis que  viviam na França, para onde fugiram da criminosa perseguição franquista nos últimos meses de Guerra Civil Espanhola e nos primeiros anos da Ditadura Franquista. 


A história gira em torno de um grupo de militantes do PCE (Partido Comunista Espanhol) que, mesmo depois de muitos anos do fim da Guerra Civil, ainda continua acreditando na possibilidade de se derrubar a brutal Ditadura de Franco, embora não exista o menor sinal de que isso poderia vir a acontecer, o que explica o título do filme. 


O roteiro do filme é muito realista e bem fundamentado, até por ter sido escrito por Jorge Semprún, escritor espanhol e ex-líder do PCE que estava exilado na França na época da realização. E o protagonista do filme é o personagem Diego Mora, que é baseado no próprio Semprún, sendo interpretado pelo brilhante Yves Montand. Portanto, o filme tem um forte componente autobiográfico 


'La Guerre est Finie' conquistou o prêmio de Melhor Filme do Sindicato de Críticos da França de 1967, foi premiado pelos Críticos de Cinema de Nova York e ganhou prêmio no Festival de Locarno (Suíça) em 1966. Alain Resnais recebeu o prêmio Louis Delluc em 1966. 

Garota espanhola descansa durante a fuga da cidade de Barcelona, em Janeiro de 1939, quando a cidade era alvo de brutais ataques das forças franquistas. Centenas de milhares de espanhóis, principalmente bascos e catalães, fugiram da cruenta perseguição promovida pelas forças lideradas pelo genocida Francisco Franco.


5) "El Espíritu de la Colmena" (O Espírito da Colmeia; 1973) - Víctor Erice:

A historia do filme se desenvolve durante a década de 1940, em um povoado do interior da Espanha, em plena Ditadura Franquista (1939-1975), que foi a mais sanguinária da Europa no Pós-Guerra, eliminando entre 2 e 5 milhões de pessoas. 


A situação política da Espanha serve de pano de fundo para uma história que gira em torno de duas pequenas irmãs (Ana e Isabel). Elas assistem a um filme sobre Frankenstein e Isabel convence a irmã menor de que a criatura do filme realmente existe e que ela deve procurar pelo mesmo. 


Assim, a história do filme é contada do ponto de vista de Ana, a irmão mais nova, e a mesma acaba servindo como uma alegoria da situação política e social vivenciada pelos espanhóis nos primeiros anos da Ditadura Franquista. 


6) El Árbor de Guernica (A Árvore de Guernica; 1975) - Fernando Arrabal:


O filme mostra o desenvolvimento da Guerra Civil Espanhola, mas com o uso de elementos muito próprios do cineasta, que é bastante influenciado pelo Surrealismo. A 'árvore de Guernica' simboliza a luta do povo basco por sua liberdade;

'A Espinha do Diabo', de Guillhermo del Toro, tem uma história marcada por metáfora que se relaciona com os horrores da Guerra Civil Espanhola, na qual morreram entre 500 mil e 1 milhão de pessoas. 


7) Cría Cuervos (Cria Corvos; 1976) - Carlos Saura:

Tal como o filme de Victor Erice, este 'Cría Cuervos' também tem uma trama que gira em torno da história de crianças e sua relação com a Ditadura Franquista, que já estava em seus últimos momentos, como pano de fundo da história. 



8) Si Te Dicen Que Caí (1989) - Vicente Aranda:

Em 1970, os corpos de dois adultos são reconhecidos numa sala de autópsia por dois velhos amigos dos falecidos. Por meio das lembranças comuns, eles começam a falar sobre como era a vida dos quatro, quando eram crianças, que estavam sempre brincando juntas, em Barcelona, em 1940, logo após o término da Guerra Civil Espanhola. 

Logo, as memórias dos personagens se confundem com a história da Espanha. 


O filme se baseou no livro de mesmo título de autoria do escritor catalão Juan Marsé e conta com a participação de Victoria Abril, Antônio Banderas e Jorge Sanz (que ganhou o Prêmio Goya de melhor ator de 1990);

Francisco Franco e Adolf Hitler, juntos. Sem o substancial apoio que recebeu de Hitler e Mussolini as forças lideradas por Franco jamais teriam vencido a Guerra Civil Espanhola. Franco retribuiu esse apoio enviando 50 mil soldados espanhóis para participar da 'Operação Barbarossa' (foi a chamada 'Divisão Azul'), quando os nazistas alemães invadiram a URSS, em 22/06/1941.


9) Ay, Carmela! (1990) - Carlos Saura:

A história do filme se passa durante a Guerra Civil Espanhola e mostra um casal, que simpatizava com a causa dos Republicanos, mas que acaba sendo feito prisioneiro pelos militares Franquistas. 

Um comandante militar italiano que gosta de teatro passa a garantir a sobrevivência deles desde que os mesmos passem a fazer espetáculos teatrais para divertir as tropas das forças reacionárias lideradas por Franco que, quando a Guerra Civil começou, havia prometido eliminar todos os simpatizantes dos Republicanos.


Com isso, o casal tem que fazer de tudo para continuar vivo, o que implica em esconder as suas simpatias pelos Republicanos; 



10) Tyerra y Libertad (Terra e Liberdade; 1995) - Ken Loach:

Este é um filme excelente do grande cineasta britânico Ken Loach e que se baseia no livro 'Lutando na Espanha' de autoria do escritor (também britânico) George Orwell. 

Orwell fez parte das chamadas 'Brigadas Internacionais', que reuniu cerca de 70 mil voluntários, originários do mundo inteiro, inclusive do Brasil, para lutar ao lado das forças Republicanas, e que foram organizadas pelo Comintern, órgão do Partido Comunista da União Soviética que, naquela época, passou a apoiar a formação das chamadas 'Frente Populares', que reuniam todas as forças políticas e sociais que estivessem dispostas a lutar contra o Nazi-Fascismo. 

Quando chegou à Catalunha, Orwell se integrou a um grupo de soldados que lutava sob o comando do POUM (Partido Operário Unificado Marxista),  um pequeno partido de Extrema-Esquerda que tinha uma boa penetração popular na região catalã, para onde Orwell se dirigiu.

Em seu livro (ao qual eu li tempos atrás e recomendo) Orwell relata os inúmeros conflitos entre as muito variadas, política e ideologicamente, forças Republicanas (anarquistas, socialistas, comunistas, liberais), o que é mostrado por Loach em seu filme;
Cartaz da CNT-FAI, organizações anarquistas, convocando os trabalhadores a lutar contra as forças franquistas e em defesa da Revolução. Anarquistas e Comunistas divergiram radicalmente durante o conflito, pois enquanto os primeiros priorizavam a Revolução Social, os Comunistas entendiam que a prioridade era vencer a Guerra Civil.

11) Libertarias (1996) - Vicente Aranda:

Este excepcional filme mostra a luta das forças dos Anarquistas (ou Anarcossindicalistas) na região da Catalunha, na qual a penetração destas mesmas era bastante significativa, rivalizando em popularidade com os socialistas e nacionalistas locais, chegando a superar os mesmos em apoio popular até antes do início da Guerra Civil, em Julho de 1936. 

Os comunistas ainda eram fracos na Catalunha quando a Guerra Civil começou e seu fortalecimento se deu à medida que o conflito se desenvolveu, pois a URSS foi o país que mais apoiou as forças Republicanas. Somente os socialistas tinham força política para rivalizar com os Anarquistas na região. 

A trama do filme gira em torno de um grupo de mulheres que fazia parte de uma organização feminista chamada 'Mujeres Libres', que reivindicavam maior participação na luta contra as forças franquistas. Quando a Guerra Civil começou elas invadiram os bordéis, que foram socializados, a fim de tirar milhares de mulheres da vida de prostituição em que se encontravam. E em um dos bordéis tínhamos uma freira e um padre escondidos. 

Quando isso é descoberto pelas mulheres anarquistas, estas decidem matar o padre, devido ao apoio ostensivo que a Igreja Católica dava às forças franquistas, mas preservam a vida da jovem freira. Assim, juntas, as mulheres anarquistas, a jovem freira e as prostitutas que se integraram ao coletivo das 'Mujeres Libres' vão continuar a luta em defesa da República Democrática espanhola.

O diretor Vicente Aranda conquistou o Prêmio Especial do Júri no Festival Internacional de Cinema de Tóquio em 1996. 

12) La lengua de las Mariposas (A língua das Mariposas; 1999) - José Luis Cuerda: 

Este é um belo e emocionante filme espanhol cuja história se desenvolve em torno do relacionamento entre um idoso professor (Don Gregorio, que está próximo da aposentadoria) e um aluno (Moncho) que tinha medo de frequentar a escola, devido ao autoritarismo dos professores da mesma. 

A trama se desenvolve enquanto a Guerra Civil está em andamento e se passa em uma pequena comunidade rural da Galícia e mostra o processo de desumanização que é provocado pelo conflito e pela ascensão das forças reacionárias lideradas por Franco, que contava com o apoio das Falanges fascistas que tinham como slogan a frase 'Viva a Morte!';
Cartaz da 'Izquierda Republicana', partido político com grande força na Catalunha e que estimulava a participação feminina na vida política e social. Essa crescente participação das mulheres na sociedade foi um dos principais motivos que levou as forças reacionárias da Espanha a tentar derrubar o governo Republicano do país por meio de um Golpe, cujo fracasso deu início à Guerra Civil.

13) Silêncio Roto (2001) - Montxo Armendáriz:

O filme trata da história de uma jovem (Lucia) que, no inverno de 1944, retorna para a vila onde nasceu a fim de trabalhar para a sua tia, na região norte da Espanha. Mas ela acaba se envolvendo romanticamente com um jovem (Manuel) que faz parte de um grupo de 'Maquis' (guerrilheiros) que continua lutando contra a Ditadura Franquista.

O filme conquistou vários prêmios nos festivais de cinema espanhol de Toulouse (2001) e Nantes (2002);

14) El Espinazo del Diablo (A Espinha do Diabo; 2001) - Guilhermo del Toro: 

Filme dirigido por Guillhermo del Toro, vencedor de inúmeros prêmios internacionais (Oscar, Globo de Ouro, BAFTA, Goya, Leão de Ouro em Veneza). Este é outro filme que mostra a Guerra Civil Espanhola como pano de fundo e que tem crianças como protagonistas. 

A trama gira em torno de um adolescente de 12 anos (Carlos) que perde o pai durante o conflito e que é levado para um orfanato, onde é tratado com hostilidade pelos funcionários e pelas outras crianças. Ele é visitado pelo espírito de um garoto que morreu no orfanato e que estimula Carlos a descobrir quem foi o responsável pela sua morte.

Segundo o diretor, o filme mostra que a Guerra "deixa atrás de si tristeza e fantasmas, arranca vidas, destrói memórias, destroça famílias". 

Obs: Tal declaração do cineasta foi publicada no texto "Filme de horror faz metáfora de guerra", de autoria de Inácio Araújo, na 'Folha de S.Paulo' (edição de 12/10/2001).
Durante a Guerra Civil Espanhola os cartazes Republicanos tiveram um papel fundamental para se comunicar com uma população que era, em grande parte, analfabeta e que não tinha recursos para comprar jornais. A criação deles foi bastante influenciada pelo Construtivismo de origem russa, pois o PCE era uma das principais forças políticas que atuava em defesa da República Espanhola. 

15) El Viaje de Carol (A Viagem de Carol; 2002) - Imanol Uribe:

Clara Lago interpreta Carol, que é uma adolescente de 12 anos que tem um pai estadunidense e uma mãe espanhola. O pai acaba se integrando às 'Brigadas Internacionais', nas quais irá combater como piloto, que lutam ao lado das forças republicanas na Guerra Civil Espanhola. 

Na primavera de 1938 ela e a mãe viajam, pela primeira vez,  para a Espanha, com a guerra em pleno andamento e Carol acaba conhecendo pessoas que passarão a ser importantes em sua vida (o avô, a professora e um amigo).

O filme foi baseado no livro "A Boca de Noche", de Ángel García Roldán. 

16) Soldados de Salamina (2003) - David Trueba: 

Uma jornalista decide investigar a história de que um dos principais líderes da Falange espanhola (que era um movimento fascista), Rafael Sanchez-Maza, e que teria sido assassinado pelos Republicanos durante a Guerra Civil Espanhola. Assim, ela mergulha na história do conflito até descobrir a verdade. 

O filme é baseado em um livro de autoria de Javier Cercas e ganhou o prêmio de melhor fotografia dos Prêmios Goya (2004) e também foi premiado no Festival de Cinema Espanhol de Nantes (2004) e no Festival Internacional de Copenhague (2003). 

17) O Labirinto do Fauno (2008) - Guillermo del Toro:

Este é outro filme de Guillermo del Toro, que mostra uma história que se desenrola durante a Ditadura Franquista (1939-1975) e na qual uma garota (Ofélia) viaja com a sua mãe (Carmen) para o campo, onde vive o seu padrasto (Vidal), que é um sádico capitão das forças franquistas. 

A menina encontra um labirinto subterrâneo no qual vive uma criatura que é metade humana e metade bode e que a convence a realizar três tarefas. Enquanto isso, Vidal continua massacrando os rebeldes que lutam contra a Ditadura de Franco. 
'La Voz Dormida' (2011) é um dos melhores filmes recentes a respeito da Ditadura Franquista, mostrando a perseguição que milhares de mulheres sofreram durante a mesma, com muitas sendo assassinadas por ordens de Franco.

18) Las 13 Rosas (2007) - Emilio Martínez-Lázaro:

A trama deste belo filme é baseada em uma história verdadeira, na qual 13 jovens integrantes da 'Juventude Socialista Unificada' (JSU) que foram falsamente acusadas de participar de uma conspiração para matar o Ditador Francisco Franco foram presas e terminaram por ser executadas pela Ditadura Franquista. 

A culpa delas nunca foi provada e, mesmo assim, elas acabaram sendo consideradas culpadas e executadas, sendo que das treze jovens oito eram menores de idade.

 O filme é baseado no livro de autoria de Carlos Fonseca, um jornalista espanhol ('Trece Rosas Rojas Y La Rosa 14'). 

'Las 13 Rosas' conquistou 4 Prêmios Goya em 2008;


19) La Mujer del Anarquista (A Mulher do Anarquista, 2008) - Marie Noelle e Peter Sehr:


Este filme mostra a Guerra Civil Espanhola como pano de fundo e se concentra nas consequências da mesma, bem como dos efeitos da vitória das reacionárias forças franquistas para a população espanhola, da Catalunha, em especial.

A história se desenvolve em Barcelona, região controlada pelas forças Republicanas e progressistas (que caiu sob o domínio franquista apenas nos últimos dias de guerra) e gira em torno da vida de um jovem e apaixonado casal de classe média. Ela é Manuela e o seu marido é Justo, que é um guerrilheiro anarquista que luta em defesa da República. Durante o conflito eles tiveram uma filha (Paloma).  

Quando a Guerra Civil termina, Manuela e Paloma ficam sem ter notícias a respeito do que aconteceu com Justo. Mas, apesar disso, Manuela não desiste de tentar descobrir o que ocorreu e faz de tudo para reencontrar o marido. E quando isso acontecer ela irá descobrir que nem tudo poderá ser como antes. 

'La Mujer del Anarquista' ganhou o prêmio de melhor filme no Festival de Munique de 2008;
'Morir em Madrid' (1963) é um dos melhores documentários já realizados sobre a Guerra Civil Espanhola. É fundamental para quem deseja compreender as causas do conflito.
20) Los Girasoles Ciegos (2008) - José Luis Cuerda:

Este ótimo filme mostra muito bem como funcionava a repressão da Ditadura Franquista, deixando claro que as pessoas (os Republicanos, em especial) tinham que tomar muito cuidado com tudo o que falavam e faziam, mesmo dentro de suas residências.

Mesmo com a vitória na Guerra Civil (1936-1939), o Ditador genocida Francisco Franco não ficou satisfeito e continuou perseguindo todos os que haviam lutado contra ele, montando um brutal e mortalmente eficiente aparato policial e de espionagem.

A trama do filme gira em torno de uma família cujo chefe (Ricardo) era um comunista perseguido pela Ditadura Franquista. Para evitar que o mesmo fosse preso e condenado à morte, a família (Elena, esposa, Elenita, a filha e Lorenzo, o filho mais novo) protege Ricardo, escondendo-o dentro da própria casa. Os membros da família dizem para todos que Ricardo morreu na guerra. Mas um jovem diácono se apaixona por Elena e isso irá complicar muito a missão de proteger o seu marido. 

O filme conquistou três prêmios no Festival de Cartagena de 2009.

21) Pa Negre (Pão Negro, 2010) - Agustí Villaronga:

A trama deste filme se desenvolve na Catalunha, onde um jovem tenta provar para todos que o seu pai foi falsamente acusado de cometer um assassinato. As suas investigações irão levar o mesmo a descobrir inúmeros segredos que cercam a população local. É bom ressaltar que o filme inteiro é falado em catalão. 

A história é baseada em um livro homônimo do autor Emili Teixidor e o filme conquistou nove Prêmios Goya em 2011 e outros treze prêmios Gaudí no mesmo ano.
'La Lengua de las Mariposas' (1999) é um comovente filme espanhol, que se desenvolve em um pequeno povoado da Galícia durante a Guerra Civil Espanhola. A sequência final é uma das mais impactantes a que já assisti.

22) Pájaros de Papel (Pássaros de Papel; 2010) - Emilio Aragon Álvarez:

A história do filme gira em torno de um grupo de artistas de 'vaudeville' (teatro de revista) que tenta sobreviver nos primeiros tempos da Ditadura Franquista, com todas as dificuldades de um país que foi devastado pela guerra e no qual a miséria e a fome se disseminaram. 

O filme foi premiado no Festival de Cinema de Montreal (2010), no Canadá, e no Festival de Cinema de Murcia (2010), na Espanha. 

23) "Insensibles" (Insensíveis; 2012) - Juan Carlos Medina:

A história do filme mescla fatos atuais e do passado espanhol, que estão ligados à Guerra Civil, é claro. Tudo começa quando um neurocirurgião descobre que precisa de um transplante de medula óssea e que, para isso, ele necessita encontrar os seus pais biológicos, o que o levará a mergulhar no seu passado e no da própria Espanha.

O filme conquistou vários prêmios em festivais de filmes fantásticos (Estrasburgo e Madrid). 

24) "La Voz Dormida" (A Voz Adormecida; 2011) - Benito Zambrano:

Este é mais um filme que mostra o período da Ditadura Franquista (1939-1975), que foi extremamente cruel e sanguinária, fazendo da Espanha o país mais violento e repressivo da Europa no Pós-Guerra. 

A história é baseada em um livro de autoria de Dulce Chacón, que o escreveu depois de entrevistar e pesquisar a respeito da vida de inúmeras mulheres que foram perseguidas e assassinadas pela Ditadura Franquista. 

A se destacar no filme a fantástica interpretação de Maria León, como irmã de uma prisioneira política (interpretada por Inma Cuesta). O filme conquistou três prêmios Goya e também foi premiado no Festival de Cinema Espanhol de Nantes e no Festival Internacional de San Sebastián (todos em 2012). 
'Libertarias' (1996): Filme dirigido por Vicente Aranda mostra a intensa participação das mulheres anarquistas na defesa da República democrática espanhola.

25) "Il Silencio de Otros" (O Silêncio dos Outros; 2018); Almudena Carracedo e Robert Bahar:

Este é a mais recente produção a respeito da Guerra Civil Espanhola e da Ditadura Franquista e mostra a luta de familiares e parentes de vítimas do sanguinário regime liderado por Francisco Franco a fim de descobrir o que aconteceu com as mesmas.

Após o fim da Ditadura Franquista foi assinado um amplo acordo entre todas as principais forças políticas e sociais da Espanha e, pelo mesmo, ficou combinado que não seriam feitas investigações a respeito dos crimes cometidos pela Ditadura liderada por Franco, que eliminou entre 2 e 5 milhões de pessoas durante a sua existência (1939-1975). 

Essa brutal Ditadura chegou a implantar campos de concentração, promover prisões ilegais, julgamentos forjados e execuções extrajudiciais de milhões de espanhóis. 

Assim, Franco cumpriu com a promessa que havia feito no início da Guerra Civil Espanhola (1936-1939), quando afirmou que se fosse necessário ele mataria metade da população da Espanha a fim de conquistar e manter o poder. 

Um dos produtores deste belo documentário é o consagrado cineasta espanhol Pedro Almodóvar. 
"A Guerra Civil Espanhola", de Francisco J. Romero Salvadó, é um dos melhores livros sobre o sangrento conflito que devastou a Espanha entre 1936-1939. O autor volta às últimas décadas do século XIX para encontrar as origens do sangrento conflito. 

Links:

Texto de Inácio Araújo sobre o filme 'A Espinha do Diabo':

https://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq1210200111.htm

Textos publicados neste blog a respeito de vários dos filmes citados nesta lista:

A Voz Adormecida:

http://popeseries.blogspot.com/2017/12/a-voz-adormecida-mostra-mulheres-que.html

"Las 13 Rosas":

http://popeseries.blogspot.com/2017/11/las-13-rosas-filme-conta-historia-do_5.html

O Silêncio dos Outros:

http://popeseries.blogspot.com/2019/03/o-silencio-dos-outros-e-um-documentario.html

Mourir à Madrid:

http://popeseries.blogspot.com/2017/12/mourir-madrid-um-documentario-classico.html

"A Guerra Civil Espanhola", de Joseph M. Buades, é outro excelente livro sobre o conflito que matou centenas de milhares de espanhóis e gerou uma das mais brutais Ditaduras do século XX. O autor se concentra nos acontecimentos da década de 1930 para fazer a sua análise sobre a guerra que devastou a Espanha. 

Los Girasoles Ciegos:

http://popeseries.blogspot.com/2017/12/los-girasoles-ciegos-mostra-como.html

La Mujer del Anarquista:

http://popeseries.blogspot.com/2017/12/la-mujer-del-anarquista-mostra-as.html

La Guerre est Finie:

https://popeseries.blogspot.com/2016/08/filme-la-guerre-est-finie-guerra-acabou.html

Os Refugiados espanhóis na França após a Guerra Civil:

https://www.eldiario.es/sociedad/enfermos-republicanos-Francia-barcos-concentracion_0_933006758.html

domingo, 31 de dezembro de 2017

'La Mujer del Anarquista' mostra as consequências da derrota na Guerra Civil para os Republicanos espanhóis! - Marcos Doniseti!

'La Mujer del Anarquista' mostra as consequências da derrota na Guerra Civil para os Republicanos espanhóis! - Marcos Doniseti!

La Mujer del Anarquista! - Contexto Histórico!
Filme 'La Mujer del Anarquista' mostra a fase final da trágica derrota da República na Guerra Civil, bem como mostra o que aconteceu com centenas de milhares de Republicanos espanhóis que buscaram refúgio em outros países (na França, em especial).

Este é um filme que possui uma ótima história, sendo que o seu maior atrativo é mostrar o que aconteceu com centenas de milhares de Republicanos espanhóis que fugiram da brutal perseguição promovida pela criminosa Ditadura Franquista (1939-1975).


'A Mulher do Anarquista' mostra alguns aspectos interessantes e relevantes da Guerra Civil Espanhola e do Pós-Guerra na Espanha, que é um tema que me interessa bastante e sobre a qual também leio muito, tais como:

A) A destruição provocada pelos bombardeios em Madrid, sendo que os edifícios ligados à Cultura sofreram muito... Afinal, Fascistas odeiam Cultura;

B) A falta de apoio externo para os Republicanos, pois o governo da França fechou a sua fronteira com a Espanha, para impedir que os Republicanos recebessem ajuda militar, em várias oportunidades;
Justo é um advogado Anarquista que trabalha na emissora de rádio dos Republicanos, em Madrid, por meio do qual estimula os espanhóis a continuar resistindo e lutando contra as forças do Franquismo Reacionário.

C) A divisão das famílias e de velhos amigos entre os dois lados em conflito: Republicanos X Franquistas;


D) A maneira como os Republicanos foram persguidos e humilhados, pelos franquistas vitoriosos, após a derrota para as forças reacionárias lideradas por Franco;

E) A decisão de Franco de exterminar os Republicanos, executando-os aos milhares, todos os anos, e por muito tempo, sem que tenham sido deixados documentos a respeito dessas execuções.  Assim, até hoje é impossível calcular o número de espanhóis que foram assassinados por sua Ditadura genocida. 

Oficialmente, foi possível descobrir a verdade sobre o assassinato de cerca de 150 mil espanhóis pela Ditadura Franquista, mas o número de execuções extra-judiciais foi muito maior. E não há documentos sobre o que aconteceu com estas pessoas. 

São os famosos 'desaparecidos';
Justo e Manuela se amam intensamente. Mas a vida que eles imaginavam será muito diferente, devido às tragédias provocadas pela Guerra Civil Espanhola. 

E) A tentativa dos Republicanos refugiados de (na França) continuar a lutar contra a Ditadura Franquista (planejando greves e até uma luta armada contra Franco, que ocorreu em 1944, mas que acabou derrotada);


F) A participação dos Republicanos espanhóis na Resistência Francesa e na Segunda Guerra Mundial, lutando ao lado de forças antifascistas francesas na África e na própria Europa. Muito deles acabaram sendo levados para campos de concentração nazistas. Exemplo disso foi o do escritor espanhol Jorge Semprún, que por muitos anos foi militantes do PCE (Partido Comunista Espanhol). 

O principal ponto fraco do filme, como disseram vários cinéfilos, é que faltou mais 'sal' no filme, que é conduzido sem paixão e de maneira muito fria. Uma direção melhor faria deste um filme superior, sem dúvida alguma. 

Apesar disso, vale a pena assistir ao filme, que possui as suas virtudes, como o bom trabalho dos atores, a ótima fotografia e o caráter realista dos fatos que ocorreram durante e após a Guerra Civil Espanhola.
Justo se despedindo da sua bela e jovem esposa, Manuela. A sua história resume o que aconteceu com centenas de milhares de Republicanos espanhóis após a trágica derrota na Guerra Civil. 

'La Mujer del Anarquista' também mostra aspectos importantes do que foi a Guerra Civil Espanhola, como a Ditadura Franquista conseguiu impor o seu poder a todo o país e mostra as dificuldades imensas que os Republicanos tiveram após a derrota, procurando refúgio em outros países.


Cerca de 400 mil espanhóis fugiram para a França, após a vitória franquista. Muitos deles chegaram a participar da luta contra as forças Nazi-Fascistas na Segunda Guerra Mundial, sendo que milhares de Republicanos lutaram ao lado dos franceses, entrando para a Legião Estrangeira ou lutando sob o comando do General Leclerc. Cerca de 10 mil deles acabaram em campos de concentração nazistas.

Obs1: A participação dos Republicanos espanhóis na Segunda Guerra, em especial na Resistência Francesa, foi significativa. Inclusive, quando as forças dos Aliados entraram em Paris, em Agosto de 1944, os Republicanos espanhóis (anarquistas, socialistas, comunistas) foram os primeiros a entrar na cidade. Eles faziam parte da chamada 'La Nueve', ou seja, a 'Nona Companhia do Terceiro Batalhão de Marcha do Chade' (que contava com 150 Republicanos espanhóis), que integrava a 'II Divisão Blindada da França Livre', também chamada de 'Divisão Leclerc', pois o seu comandante máximo era o General Philippe Leclerc. No total, cerca de 3500 Republicanos espanhóis lutaram no Exército Regular francês. 

Um exemplo dessa participação foi o escritor espanhol Jorge Semprún (Republicano que militava no PCE) e que foi levado para o campo de concentração nazista de Buchenwald. Ele escreveu vários livros a respeito dessa experiência, sendo 'A Escrita ou a Vida' o mais representativo dos mesmos. 
Durante a Guerra Civil Espanhola, o governo Republicano, eleito democraticamente, sofreu um bloqueio internacional (comandado pela Grã-Bretanha), o que dificultava a aquisição dos bens necessários à sobrevivência da população, motivo pelo qual se formavam inúmeras filas para comprar tais produtos. 

A trama do filme!


E no filme a história destas centenas de milhares de Republicanos refugiados é resumida nos personagens de Justo e de Manuela, em especial. Ele é um advogado que luta em defesa do governo da Frente Popular. Este era defendido por Socialistas, Comunistas, Anarquistas (caso de Justo), Republicanos de Esquerda e Liberais Burgueses. 

Enquanto ele participa da luta, a sua bela esposa (Manuela) permanece em sua casa, em Madrid, cuidando da residência e da filha (Paloma). Elas procuram acompanhar a Guerra Civil por meio do rádio, pois Justo é o locutor da emissora de rádio dos Republicanos em Madrid e que estimula o povo a conquistar resistindo às forças Franquistas. 

Na medida em que o desenvolvimento da guerra passou a ser cada vez mais favorável às forças reacionárias lideradas por Franco, Justo procurou convencer Manuela a ir para a França, junto com a filha, mas a sua bela esposa recusou-se a fazer isso. 

Justo temia que caso a cidade de Madrid caísse sob o domínio das forças franquistas, Manuela e a filha acabassem sendo mortas, pois era política dos Nacionalistas estuprar as mulheres e fuzilar aos simpatizantes dos Republicanos pelo simples fato de que eles eram... Republicanos.
Francisco e Justo: Dois irmãos em conflito, pois lutam em lados opostos na Guerra Civil Espanhola. Justo é Republicano e Francisco é Franquista (sendo um integrante da Falange, o movimento Fascista espanhol, que foi criado por José Antonio Primo de Rivera). 
Obs2: O futuro ditador Francisco Franco deixou bem claro, desde o início da Guerra Civil, que iria procurar exterminar os Republicanos depois que o sangrento e brutal conflito terminasse. E foi exatamente isso que ele fez, durante várias décadas. O número de vítimas da Ditadura Franquista é impossível de ser conhecido, mas estima-se em vários milhões de mortos. E isso aconteceu em um país que possuía apenas 26 milhões de habitantes em 1940. 

Manuela lhe diz, no entanto, que prefere ficar em Madrid, pois se tiver que morrer prefere que isso aconteça ao lado de Justo. Logo, o filme é, também, uma bonita história de amor, que mostra uma mulher de fibra e coragem e que se recusa a abandonar ou a esquecer do seu marido, mesmo que tenha que esperar muitos anos para que voltem a viver juntos. 


Manuela também possuía um irmão mais jovem (Luís), que era um pintor talentoso, mas que lutou no Exército Popular da República. E justamente por isso ele será perseguido pela Ditadura Franquista, tendo um destino trágico, tal como aconteceu com milhares de outros Republicanos.  

Justo também possui um irmão (Francisco), que é um Falangista e apoia Franco. Este é um fato histórico. Milhares de famílias espanholas se dividiram em função da Guerra Civil, com integrantes das mesmas apoiando tanto os Republicanos, quanto os Franquistas. 
Cenal real de aviões alemães (Henkel, Junker) e italianos (Fiat) bombardeando a cidade de Madrid. O filme faz uso de cenas reais da Guerra Civil Espanhola em vários momentos. 
Justo também acaba conhecendo uma excelente piloto de avião (Magdalena Lenin, uma comunista). Isso será algo importante, pois no futuro ela irá salvar a sua vida.

Após o final do conflito, que terminou com a vitória das forças Franquistas, graças ao apoio dos EUA, Grã-Bretanha, Alemanha Nazista e Itália Fascista (que lhes forneceram dinheiro, petróleo, veículos, soldados, armamentos), Manuela perderá completamente o contato com o marido por muitos anos. Apesar disso, ela nunca o esquecerá e jamais perderá a esperança de, algum dia, poder reencontrar o homem que ama. 

Desta maneira, Manuela e Paloma permaneceram em Madrid depois que a cidade caiu sob o domínio dos Fascistas, mas acabaram sendo humilhadas pelos Franquistas da cidade. 


Assim, seu antigo inquilino (Pedro Munoz, um simpatizante franquista) torna-se o proprietário de sua ampla e confortável residência, sendo que ela e a filha são obrigadas a pagar aluguel para o mesmo para poder continuar morando em um quarto da casa. E o irmão de Manuela (Luís) também é um soldado Republicano e que acaba sendo preso pelos franquistas quando os mesmos entram em Madrid, no dia 27/03/1939. 
Os bombardeios sobre a população civil de Madrid, realizados por aviões alemães e italianos, geravam uma grande destruição e matavam centenas de pessoas. O objetivo destes ataques covardes era destruir a vontade de lutar dos Republicanos.
Depois que perdeu o contato com Justo, Manuela sofre e chora muito. E para piorar a situação, ela perdeu o filho mais novo (Rafael) ainda criança. Rafael havia nascido quando Justo já havia partido. Logo, o pai jamais irá conhecer o seu filho. 

Com a vitória franquista na Guerra, Francisco, o irmão falangista de Justo, passou a ocupar um cargo importante no Ministério do Interior e tenta ajudar Manuela, de quem ele também gosta, mas ela se recusa a ter qualquer envolvimento com ele. 

Manuela procura por qualquer informação que possa levá-la a descobrir onde se encontra, afinal, o seu marido desaparecido. Ele vai ao cinema, onde vê um noticiário a respeito da libertação dos prisioneiros que estavam em um campo de concentração nazistas. Ela também compra revistas proibidas de um vendedor que trabalha com produtos no mercado paralelo, imaginando que conseguirá descobrir algo a respeito do destino do marido. Enfim, ela se recusa a se esquecer de Justo.

Até mesmo a filha, Paloma, diz para a mãe deixar aquilo de lado, mas ela nunca esqueceu o homem que ama. E a sua persistência acaba sendo recompensada, quando ela recebe uma carta da Cruz Vermelha dizendo que Justo está na França, em um campo de refugiados. Ela fica toda feliz e mostra a carta para Francisco. Este, por sua vez, mesmo sendo franquista, acaba ajudando Manoela em suas tentativas de reencontrar o marido.  
As propriedades de muitos Republicanos foram confiscadas pela Ditadura Franquista. No filme, isso também é mostrado. A família Munoz compra a casa de Justo e Manuela após o confisco. E esta última passa a morar em um quarto do antigo escritório de Justo, tendo que pagar um elevado aluguel pelo mesmo.  
A carta de Justo é de seis anos antes (1940), mas ela não se importa. Posteriormente, ela recebe a visita de um refugiado espanhol (Jaime) que informa Manuela que Justo está vivo e que esteve prisioneiro em um campo de concentração nazista de Mauthausen. 

Obs3: O campo de concentração de Mauthausen ficava na Áustria, a 20 km de distância de Linz, cidade natal de Adolf Hitler. Mauthausen foi o campo que mais recebeu Republicanos espanhóis. Entre 5 mil e 7 mil Republicanos morreram ali. O campo também foi o último a ser libertado pelas forças Aliadas. Cerca de 90 mil pessoas morreram neste campo nazista. 

Ela recebe uma carta do marido, que fala para que ela vá até a França, onde ele estará esperando, na cidade de Cerbere, que é uma pequena cidade localizada nas proximidades da fronteira entre França e Espanha. 

Na viagem, de trem, ela é observada por um policial franquista, que tentará fazer contato com ela quando chegar à França, mas Manuela recusa-se, percebendo que ele é um agente da Ditadura espanhola. Ela diz que tais agentes são 'Ratos'. 
Manuela pede a ajuda de Francisco, que acaba colaborando na tentativa dela de reencontrar o marido na França. 
Depois que chega a Cerbere, Manuela se encontra com Justo no hotel. Ele está bastante enfraquecido e com a saúde abalada, devido aos vários anos em que ficou prisioneiro no campo de Mauthausen. 

Na França, eles decidem recomeçar o casamento, mas Justo ficará muito triste com a notícia da morte de Rafael. Ele também terá problemas de relacionamento com a filha, Paloma, que vê o pai como se fosse um estranho. E isso irá piorar, depois, quando ela passa a suspeitar que Justo tem um caso com Madgalena, o que não acontece. Mas somente no final é que isso será esclarecido.

O que acontecia é que Justo fazia parte, junto com Magdalena e mais alguns refugiados espanhóis (Jaime, Pierre...) de um grupo de Resistência, que tentava manter viva a luta contra a Ditadura Franquista, por meio de atos de sabotagem. 

Quando Paloma e Manuela chegaram à Cerbere, eles estão planejando um atentado contra Franco, que irá pescar em um rio próximo à fronteira com a França. O grupo também produz pesetas falsas, que planejam levar para a Espanha, imaginando que isso irá prejudicar a economia do país e enfraquecer Franco. 
Justo apresenta a esposa, Manuela, para Magdalena. A filha, Paloma, pensará que há um romance entre o pai e a bela loira.  

Porém, como Justo esconde tudo isso da esposa e da filha, esta última pensa que a proximidade entre Justo e Magdalena se dá em função de algum romance entre eles, o que não acontece. E isso levará a um crescente conflito entre pai e filha. Esta última ficará sabendo da verdadeira história depois e a relação entre Justo e Paloma irá melhorar bastante. 


Além disso, as ações do grupo acabam chamando a atenção da polícia francesa, que deseja repatriar Justo para a Espanha. Manoela fica desesperada e tenta provar que Justo participou da Resistência e lutou na Guerra ao lado dos franceses. No fim, ela consegue provar isso e Justo permanece vivendo na França. 

Manoela descobre que Justo havia ficado preso no campo de Mauthausen e que o número dele no local era 5602, algo que ela já desconfiava desde o tempo em que vivia na Espanha. Na época, ela pesquisou a respeito do prisioneiro com este número, mas o nome do mesmo no documento era Antonio Modesto, que havia sido libertado em Junho de 1945 e que havia sido levado para um sanatório na Suíça.

No final, ele finalmente consegue contar para ela tudo o que passou no campo de refugiados francês (onde os Republicanos espanhóis foram muito mal tratados) e no campo de Mauthausen. Ele diz que gostaria de esquecer de tudo o que lhe aconteceu, menos dela.

Justo chora e a mulher que nunca o esqueceu e que o amou a vida inteira, Manuela, chora junto com ele.
Justo e o grupo de refugiados e membros da Resistência com quem ele lutou durante a Segunda Guerra Mundial. Depois do término desta, eles continuaram fazendo ações de sabotagem, tentando derrubar a Ditadura Franquista. Este é mais um fato histórico que é mostrado no filme, embora os personagens sejam ficcionais. 

E daí vemos a filha, Paloma, já crescida, casada com Pierre e com o seu filho (Justo Junior), o antigo amigo de seus pais e que também fazia parte do grupo de Resistentes. 


Obs4: Milhares de Republicanos participaram da Resistência francesa e algumas centenas se integraram ao Exército Vermelho da URSS. Estes últimos eram militantes ligados ao PCE (Partido Comunista Espanhol) que fugiram para a URSS após a derrota na Guerra Civil Espanhola. Assim, por exemplo, o filho de Dolores Ibárruri, a 'Pasionaria', morreu lutando na defesa de Stalingrado, em 1942.

Logo, mesmo sem ser uma obra-prima, 'A Mulher do Anarquista' acaba tendo a sua importância pelo fato de mostrar o que aconteceu aos Republicanos espanhóis no final da Guerra Civil e depois, já na condição de refugiados, durante a Segunda Guerra Mundial e durante a Ditadura Franquista (1939-1975). 


Obs5: É bom ressaltar que as forças franquistas nunca conseguiram conquistar militarmente a cidade de Madrid. O que aconteceu é que em Março de 1939 ocorreu um Golpe de Estado traiçoeiro, comandado pelo Coronel Segismundo Casado, que derrubou o governo legítimo da República, liderado pelo Primeiro-Ministro Juan Negrin. Este queria continuar lutando e resistindo, acreditando que quando estourasse uma guerra europeia entre Alemanha/Itália contra França/Grã-Bretanha, o cenário internacional se modificaria radicalmente. Com isso, as Democracias do Ocidente passariam a apoiar o governo Republicano. Mas a Guerra Civil Espanhola terminou no final de Março de 1939, enquanto que a guerra europeia estourou apenas em Setembro de 1939, quando a Alemanha Nazista invadiu a Polônia. 
Na praia onde Justo ficou preso no campo de refugiados, Manuela consola o homem que sempre amou e com quem passará todos os dias restantes de sua vida. É um final comovente e emocionante.
No Pasarán!

Informações Adicionais:

Título: La Mujer del Anarquista; 
Diretor: Marie Noelle e Peter Sehr; 
Roteiro: Marie Noelle e Ray Loriga;
Fotografia: Jean-François Robin; Música: Zacarias M. de la Riva; 
Gênero: Drama Político; Duração: 117 minutos;
Países de Produção: Espanha, Alemanha e França; Ano de Produção: 2008;
Elenco: María Valverde (Manuela); Juan Diego Botto (Justo Calderón); Ivana Baquero (Paloma adolescente, aos 15 anos); Nina Hoss (Magdalena Lenin); Jean-Marc Barr (Pierre); Laura Morante (Lucienne); Irene Montalà (Pilar); Adrià Collado (Francisco); Biel Duran (Luis); Irene Visedo (Paloma aos 35 anos); Toni Sevilla (Pedro Munoz); Luis Callejo (Jose María Munoz); Ainoa Ruiz (Paloma aos 11 anos). 
Prêmio: Melhor Filme no Festival de Munique (2008). 

Links:

A participação dos Republicanos espanhóis na Segunda Guerra Mundial e na Libertação de Paris:

https://colectivolibertarioevora.wordpress.com/2016/08/25/agosto-de-1944-os-anarquistas-que-libertaram-paris/
Soldados Republicanos espanhóis da 'La Nueve' entrando em Paris, quando ocorreu a libertação da cidade (em Agosto de 1944). O gesto do soldado mostra que ele era um Anarquista.

Paco Roca, consagrado autor de HQs, lançou uma história em quadrinhos que mostra a participação de Republicanos espanhóis na libertação de Paris:


http://www.tujaviu.com/2014/04/la-nueve-os-republicanos-espanhois-que-libertaram-paris-graphic-novel-espanhol-paco-roca-ganha-versao-em-frances.html

França condecora três Republicanos espanhóis que participaram da libertação de Paris:

https://www.terra.com.br/noticias/mundo/europa/franca-condecora-3-soldados-espanhois-que-libertaram-paris,35899ce682a0b310VgnCLD200000bbcceb0aRCRD.html

O campo de concentração de Mauthausen:

http://g1.globo.com/mundo/noticia/2013/05/inaugurado-novo-memorial-no-campo-de-concentracao-de-mauthausen.html


Republicanos Espanhóis saudando a chegada das forças Aliadas que libertaram os prisioneiros no campo de concentração de Mauthausen. 

Vídeo - Trailer do filme 'La Mujer del Anarquista':