sexta-feira, 15 de março de 2019

Godard: Relação de Longas-Metragens do Gênio da Nouvelle Vague!

Godard: Relação de Longas-Metragens do Gênio da Nouvelle Vague! - Marcos Doniseti!

Jean-Luc Godard compôs uma vasta, diversificada e genial obra durante a sua fantástica carreira.
 
Relação de Longas-Metragens e Séries de TV de Jean-Luc Godard (Inclui filmes dirigidos em regime de co-autoria)!
1) À Bout De Souffle (Acossado; 1959); 
2) Le Petit Soldat (O Pequeno Soldado; 1960);
3) Une Femme est une Femme (Uma Mulher é Uma Mulher; 1961); 
4) Vivre sa Vie (Viver a Vida; 1962);
5) Les Carabiniers (Tempo de Guerra; 1963);
6) Le Mépris (O Desprezo; 1963); 
7) Bande à Part (1964); 
8) Une Femme Mariée (Uma Mulher Casada; 1964);
9) Alphaville (Alphaville; 1965); 
10) Pierrot le Fou (O Demônio das Onze Horas; 1965); 
'A Bout de Souffle' (1959), que mostra uma típica história policial, mas que revolucionou a maneira de se fazer filmes, dividindo a história do Cinema em antes e depois.  
11) Masculin Féminin (Masculino Feminino; 1966); 
12) Made in U.S.A. (1966);
13) Deux ou Trois choses que je sais D'elle (Duas ou Três coisas que eu sei Dela; 1967); 
14) La Chinoise (A Chinesa; 1967);
15) Weekend (Week End à Francesa; 1967); 
16) One Plus One/Sympathy for the Devil (1968);
17) Um Film comme les Autres (Um Filme Como os Outros; 1968);
18) Le Gai Savoir (A Gaia Ciência; 1969); 
19) 1 A.M./1 P.M. (JL Godard; D. A. Pennebaker; 1968-1971);
20) Pravda (JL Godard; Jean-Henri Roger; 1969); 
Brigitte Bardot em 'Le Mépris', outra obra-prima de Godard, que entrou em sérios conflitos com os produtores do filme (Carlo Ponti e Joseph Levine), que o pressionaram para que fizesse um filme comercial. Godard deu o troco de várias maneiras, como na caracterização do personagem de Jack Palance, um produtor de cinema ganancioso e fútil. 
21) British Sounds (1969); 
22) Le Vent D'Est (O Vento do Leste; 1970); 
23) Lotte in Itália (As Lutas Ideológicas na Itália; 1971);
24) Vladimir et Rosa (1971); 
25) Tout va Bien (Tudo vai Bem; 1972); 
26) Letter to Jane (Carta para Jane; 1972);
27) Numéro Deux (1975);
28) Comment ça va? (1976); 
29) Six fois deux/Sur et sous la communication (1976); 
30) Ici et Ailleurs (Aqui e em Qualquer Lugar; 1976); Inclui trechos do filme inacabado 'Jusqu'à la Victoire' ('Até à Vitória'), que foi filmado na Jordânia, Síria e Líbano por Godard e Gorin, em 1970;
'Alphaville' (1965), obra-prima de Godard, é um filme de Ficção Científica que não tem nenhum efeito especial e antecipou o Cyberpunk em 15 anos. Sem o filme não teríamos 'Blade Runner' ou 'Matrix'.
31) France/tour/détour/deux/enfants (1977-1978);
32) Sauve qui Peut (la vie) - (Salve-se Quem Puder - A Vida; 1980); 
33) Sauve la Vie (qui peut) - (Salve a Vida - Quem Puder; 1981);
34) Passion (Paixão; 1982); 
35) Prénom: Carmen (Carmen de Godard; 1983);
36) Je Vous Salue, Marie (Eu vos Saúdo, Maria; 1985);
37) Détective (Detetive; 1985); 
38) Soft and Hard (JL Godard e Anne-Marie Miéville; 1985);  
39) Grandeur et décadence d'un petit commerce de cinéma (1986);
40) King Lear (Rei Lear; 1987);
'Tudo Vai Bem' (1972) foi o penúltimo filme do período do Grupo Dziga Vertov e foi dirigido por Godard e Gorin. O filme contou com a participação de Yves Montand e Jane Fonda.
41) Soigne ta Droite (Atenção à Direita; 1987); 
42) Entretien entre Serge Daney et Jean-Luc Godard (1988);
43) Le Rapport Darty (JL Godard e Anne-Marie Miéville; 1989);
44) Nouvelle Vague (1990);
45) Allemagne 90 neuf Zéro (Alemanha 90 Novo Zero; 1991); 
46) Les enfants jouent à la Russie (1993);
47) Helas Pour Moi (Infelizmente para Mim; 1993); 
48) JLG/JLG - Autportrait de Décembre (JLG/JLG - Autorretrato de Dezembro; 1994); 
49) Deux fois 50 ans de cinéma français (1995); 
50) For Ever Mozart (Para Sempre Mozart; 1996);
Myriem Roussel em 'Je Vous Salue, Marie' (1985), filme de Godard que gerou polêmica mundial, mas que trata a figura de Maria com respeito.
51) Histoire (s) du cinéma (1989-1994-1999);
52) The Old Place (JL Godard e AM Miéville; 2000);
53) Éloge de L'Amour (Elogio ao Amor; 2001); 
54) Moments choisis des Histoire (s) du cinéma (2001);
55) Notre Musique (Nossa Música; 2004);
56) Film Socialisme (Filme Socialismo; 2010); 
57) Adieu au Langage (Adeus à Linguagem; 2014);
58) Le Livre D'Image (Imagem e Palavra; 2018). 
'Adeus a Linguagem' (2014) foi o penúltimo longa metragem de Godard, no qual ele trabalhou com a nova tecnologia do 3D.
Link: 
Relação das produções (filmes, documentários, séries de TV) de Jean-Luc Godard: 

quinta-feira, 14 de março de 2019

Jean-Luc Godard: Sugestões para melhor compreender a obra deste Gênio do Cinema!

Jean-Luc Godard: Sugestões para melhor compreender a obra deste Gênio do Cinema! - Marcos Doniseti!
Jean-Luc Godard é autor de uma obra fantástica, uma das mais revolucionárias e relevantes da história do Cinema mundial. 

Sugestões para conhecer a obra de Godard!

Uma amiga do Facebook fez um comentário em uma das publicações de um dos grupos sobre Cinema do qual sou integrante e administrador (Cults e Clássicos) no qual ela disse que gostaria de conhecer melhor e experimentar a obra do Godard. Ela também afirmou que aceita sugestões.



Então, inspirado nas afirmações desta amiga, eu decidi escrever um texto com algumas sugestões, dizendo o que é necessário, a meu ver, para se conhecer melhor a obra deste genial cineasta franco-suíço que é Jean-Luc Godard e cujo filme mais recente ('Imagem e Palavra'; 2018) acabou de estrear no Brasil.

Então, vamos começar:

1) Antes de assistir a algum filme (longa-metragem) de Godard eu sugiro que procurem ler alguns textos com uma biografia resumida da trajetória deste genial cineasta.

Comecem procurando por conhecer a época em que ele ainda era um cinéfilo que não saia da Cinemateca e dos cineclubes de Paris, passando pelo período em que foi um dos principais críticos da influente revista 'Cahiers du Cinéma', quando começou a fazer os seus primeiros curtas-metragens, até a sua estreia com a obra-prima que é 'Acossado' (1960). 
'À Bout De Souffle' ('Acossado'; 1960) promoveu uma das maiores revoluções cinematográficas da história do Cinema. Nas palavras de Philippe Garrel e de Bernardo Bertolucci, os filmes de Godard mostravam os caminhos que deveriam ser seguidos pelos demais cineastas.

2) Depois disso eu recomendo que assistam aos filmes (longas-metragens) na sequência em que eles foram realizados pelo Godard, começando com 'Acossado', é claro. 

No caso de Godard isso é importante, sim, pois a sua obra foi passando por várias mudanças durante a sua longa carreira e os seus filmes nunca se repetiam.

Um filme de Godard nunca é igual ao anterior. Sempre temos algo diferente. E durante os anos 1960, é nítida a mudança que Godard promove em sua obra. Se quiserem fazer uma experiência sugiro que assistam 'Acossado' (1960) e, logo depois, vejam 'Weekend' (1967).

São filmes muito diferentes. Os sete anos que separam os dois anos parecem muito mais, de tão distintos que eles são. Nem parece que foram feitos pelo mesmo cineasta. 

E para perceber melhor as mudanças pelas quais a obra de Godard passou é necessário assistir aos filmes que sucedem 'Acossado' e que antecedem 'Weekend' de forma cronológica. Assim, se 'Acossado' é o ponto de partida da obra godardiana, 'Weekend' representa o fim de um ciclo, de toda uma trajetória, o que ele mesmo anuncia no final do filme. 
'A Nouvelle Vague e Godard', de Michel Marie, é um dos melhores livros lançados no Brasil a respeito deste fundamental movimento cinematográfico e do clássico filme de 1960 de Godard.

Portanto, Godard percorreu toda uma trajetória (pessoal e artística) que o levou a promover mudanças muito radicais em sua obra e que fizeram com que realizasse filmes com características tão diferentes.

No site IMDB temos a relação completa dos filmes feitos por Godard e na sequência em que foram realizados. O único erro na lista é que ela coloca 'Le Petit Soldat' como sendo o quarto longa-metragem de Godard quando, na verdade, ele foi o segundo.

Acontece que 'Le Petit Soldat' foi filmado em 1960, mas foi censurado pelo governo francês (pois tratava da Guerra da Argélia, que era um assunto tabu na França naquele momento) e somente foi liberado para exibição em 1963. No filme, Godard disse que os franceses iriam perder a guerra, pois eles não sabiam qual era o motivo pelo qual estavam lutando, enquanto que os argelinos lutavam por um ideal (a independência da sua nação). Ele acertou, pois em 1962 a guerra terminou, com a França reconhecendo a Independência da Argélia. 

3) Os filmes de Godard exigem muito esforço do público.

Os filmes de Godard não são fáceis, mas também não são 'monstros de 7 cabeças indecifráveis'. Porém, eles exigem bastante esforço do público para que possam ser compreendidos. Assim, recomendo que os vejam mais de uma vez a cada um deles. 

De preferência, sugiro que os assistam, no mínimo, duas vezes.
"Imagem e Palavra", novo filme de Godard, que recebeu uma Palma de Ouro Especial no Festival de Cannes de 2018, está sendo lançado no Brasil.

Garanto que vocês irão, ao rever os filmes, notar muitos detalhes que não haviam percebido quando os assistiram pela primeira vez. E o mesmo irá acontecer se os assistirem uma terceira vez...

Desta maneira, a cada nova oportunidade que vemos um filme de Godard sempre descobrimos algo diferente, percebemos detalhes que haviam passado desapercebidos nas vezes anteriores, diálogos ou cenas cuja importância não tínhamos dado o devido valor.

Assistir a um filme de Godard é uma experiência muito semelhante aos filmes dele, que são obras em andamento, que nunca tem um final propriamente dito. Uma história que ilustra muito bem essa concepção de Godard sobre o caráter inacabado das obras de arte (e do seus filmes) ficou claro quando do lançamento do filme 'One Plus One'/'Sympathy for the Devil' (1968).

Assim, enquanto os produtores britânicos do filme (Michael Pearson e Iain Quarrier) lançaram uma versão do mesmo na qual a música título dos The Rolling Stones era finalizada, na versão de Godard o grupo nunca terminava a música, que permanecia inacabada. Justamente por isso é que o filme tem dois títulos, sendo que a versão de Godard é o 'One Plus One'. 
Godard e Marina Vlady, estrela do seu filme 'Duas ou Três Coisas que eu sei sobre Ela' (1967).

4) Além disso, os filmes de Godard contém inúmeras referências e citações de todos os tipos: literárias, filosóficas, cinematográficas, poéticas, históricas, culturais, pictóricas. Muitos filmes, livros e pinturas são citados em seus filmes. São tantas as referências que é praticamente impossível a uma única pessoa identificar a todas.

Aliás, foi justamente por isso que Manny Farber, um dos principais críticos de Cinema dos EUA, afirmou que Godard era o único cineasta que fazia com que ele se sentisse como sendo um 'burro'.

Obras de escritores e artistas franceses (Céline, Aragon, Rimbaud, Paul Eluard, pintores impressionistas como Monet, Renoir, Manet), em especial, estão muito presentes nas obras de Godard.

Logo, procurar se informar sobre estas referências ajuda e muito a compreender os filmes de Godard, pois tais elementos não estão presentes nos filmes dele apenas para que o cineasta mostre que é uma pessoa culta, mas são essenciais na construção da obra e da própria narrativa 'godardiana'.

5) Ler muitos textos sobre os filmes de Godard também é importante.

Godard é um dos cineastas cuja obra mais foi objeto de análise e interpretação. Na Internet é possível encontrar muitas e boas criticas de seus filmes, tanto em sites brasileiros (Plano Crítico, Adoro Cinema, Cineplayers, Outros Críticos, Cena de Cinema, por exemplo), quanto estrangeiros (Slant Magazine e Senses of Cinema são muito bons).

No site IMDB temos relações de críticas escritas sobre cada filme do Godard. Somente sobre 'Acossado', por exemplo, temos quase 200 críticas relacionadas. 
Jean-Paul Belmondo e Jean Seberg em cena de 'Acossado' (1960), filme que revolucionou o Cinema mundial. O padrão de beleza da lindíssima Jean Seberg passou a ser imitado por muitas mulheres pelo mundo afora. Quando participou do filme ela tinha 21 anos. Belmondo contou em sua autobiografia que Godard tinha uma paixão secreta por ela e que este foi o verdadeiro motivo dele ter convidado Seberg para trabalhar em 'Acossado'. 

Na Internet é possível encontrar teses de mestrado e até de doutorado a respeito da Nouvelle Vague e da obra de Godard (estão em formato PDF) e também encontramos muitos textos de estudiosos que foram publicados em revistas ou publicações especializadas (de cinema, universitárias).

6) Livros e Documentários sobre Godard e a Nouvelle Vague também são importantes.


A obra de Godard e dos cineastas da Nouvelle Vague já foi analisada em inúmeros livros.

No Brasil, não temos muitos livros traduzidos, mas temos alguns muito bons que eu recomendo, incluindo 'A Nouvelle Vague e Godard', 'Um Ano Depois', 'Godard, Cinema, Literatura' e 'Escrever com a Câmera: A Literatura Cinematográfica de Jean-Luc Godard', 'Group Dziga Vertov' e 'Godard, Imagens e Memórias: Reflexões sobre a História do Cinema'.

Também temos um excelente documentário, que foi lançado em DVD no Brasil, chamado 'Godard, Truffaut e a Nouvelle Vague', cujo roteiro foi escrito por Antoine de Baecque, o principal biógrafo de Godard, Truffaut e da revista 'Cahiers du Cinéma', revista na qual a dupla começou a sua carreira de críticos de cinema.

Espero que esse texto ajude a todos que desejam conhecer melhor e querem se aprofundar na compreensão da obra deste genial cineasta que é Jean-Luc Godard.
'Escrever com a Câmera - A Literatura Cinematográfica de Jean-Luc Godard', de Mário Alves Coutinho, analisa com profundidade as influências literárias sobre a obra de Godard, baseando-se em três filmes fundamentais: 'Le Mépris' ('O Desprezo', 1963), 'Alphaville' (1965) e 'Pierrot le Fou' ('O Demônio das Onze Horas', 1965).

Links:

Textos sobre o novo filme de Godard ('Imagem e Palavra'):

'Outros Críticos':

https://outroscriticos.com/a-imagem-variacao-sobre-palavra-e-imagem-de-jean-luc-godard/

'Adoro Cinema':

http://www.adorocinema.com/filmes/filme-253724/criticas-adorocinema/

'Folha de S.Paulo':

https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2019/03/e-impossivel-entender-totalmente-um-filme-de-godard-e-essa-e-sua-forca.shtml

Luiz Carlos Merten (Estadão Conteúdo):



'Godard, Truffaut e a Nouvelle Vague' é um excelente documentário sobre a criação do mais revolucionário movimento cinematográfico da história e também a respeito da relação de amizade entre Godard e Truffaut. Posteriormente, eles acabaram rompendo.

'Canal Claquete':

http://canalclaquete.com.br/criticas-de-filmes/critica-imagem-e-palavra/

'Plano Crítico':

https://www.planocritico.com/critica-imagem-e-palavra/

Instituto Goethe:

https://www.goethe.de/ins/br/pt/kul/sup/tps/21418207.html

Um casal cheio de Estilo - Jean-Luc Godard e Anna Karina:

https://glamurama.uol.com.br/o-estilo-do-casal-icone-da-nouvelle-vague-anna-karina-e-jean-luc-godard/

Godard e a obra inacabada:

http://www.revistacinetica.com.br/oneplusone.htm
Godard e Anna Karina formaram o casal ícônico da Nouvelle Vague francesa nos anos 1960. Além de tudo, eles eram muito elegantes.

Trailer do Filme (Legendado)!


domingo, 3 de março de 2019

'O Silêncio dos Outros' é um documentário essencial sobre os crimes da Ditadura Franquista na Espanha!

'O Silêncio dos Outros' é um documentário essencial sobre os crimes da Ditadura Franquista na Espanha! - Marcos Doniseti!

'El  Silencio de Otros' é um documentário que tem Pedro Almodóvar entre os seus produtores executivos. Ele mostra a busca de espanhóis pela verdade a respeito de familiares e parentes que foram assassinados pela Ditadura Franquista (1939-1975). Historiadores estimam que o total de vítimas ficou entre 2 e 5 milhões de mortos (essencialmente, os Republicanos), caracterizando o maior genocídio  que ocorreu na Europa no Pós-Guerra. 

Está sendo lançado no Brasil o documentário 'El Silencio de Otros' ('O Silêncio dos Outros', 2018), que trata da busca, por parentes e familiares, da verdade a respeito das vítimas da Ditadura de Francisco Franco e de sua luta por justiça. 

Obs: Na capital paulista, o filme está sendo exibido no 'Espaço Itaú de Cinema Augusta'. 

Quando a Ditadura Franquista chegou ao fim, em 1975, os acordos assinados pelas mais variadas forças políticas e sociais combinaram que a Democracia Liberal voltaria à Espanha, mas que não seriam feitas investigações a respeito dos crimes cometidos pelo regime ditatorial e genocida de Franco.

Logo, os espiões, torturadores e assassinos que trabalharam para a Ditadura Franquista ficaram totalmente impunes.

Historiadores espanhóis estimam que a Ditadura Franquista eliminou entre 2 e 5 milhões de pessoas entre 1939 e 1975. E isso foi feito num país que tinha, em 1939, apenas 25,6 milhões de habitantes.

Até hoje são descobertos cemitérios clandestinos nos quais os corpos das vítimas foram jogados e escondidos.

Para se compreender melhor esse cenário, é bom termos uma rápida explicação sobre a história da Guerra Civil Espanhola.

Vamos lá.

A Guerra Civil Espanhola (1936-1939) e a Ditadura Franquista (1939-1975)!

Josep M. Buades é autor de um excelente livro sobre a Guerra Civil Espanhola (1936-1939). Sua análise se concentra na década de 1930. 

A Guerra Civil Espanhola (1936-1939) foi, de fato, a primeira batalha da Segunda Guerra Mundial na Europa.

É bom ressaltar que a Segunda Guerra Mundial já havia começado na Ásia, em 1931, quando os japoneses atacaram o norte da China e implantaram um governo fantoche na região. A China foi o segundo país com o maior número de mortos na Segunda Guerra Mundial (15 milhões), perdendo apenas para a União Soviética (27 milhões).

Aliás, os crimes cometidos pelos japoneses na China não ficam nada a ver aos crimes nazistas na Europa, principalmente na URSS e na Polônia. 

A Guerra Civil Espanhola contou com um amplo envolvimento internacional, principalmente da Alemanha Nazista, da Itália Fascista e Grã-Bretanha, três das maiores potências mundiais e que apoiaram, de uma forma ou de outra, as forças reacionárias (Latifundiários, Igreja Católica, Exército, Falange) que eram lideradas pelo general Francisco Franco. 

Até mesmo os EUA, por meio de suas empresas, apoiaram as forças de Franco. A GM e a Ford, por exemplo, doaram muitos veículos (principalmente caminhões) para as forças franquistas. Mussolini enviou 70 mil soldados italianos para lutar ao lado dos franquistas, enquanto a Alemanha Nazista enviou, principalmente, armamentos modernos (aviões, tanques, etc) e usou de novas técnicas de guerra (bombardeio de civis em áreas urbanas, por exemplo).

A Grã-Bretanha apoiou as forças lideradas por Franco de uma maneira distinta, impedindo que outros países apoiassem ao governo progressista e democraticamente eleito da República Espanhola. 

Outro excelente livro a respeito da Guerra Civil Espanhola. Nele, o autor (Francisco J. Romero Salvadó) também analisa as últimas décadas do século XIX, momento histórico no qual se localizam as origens da Guerra Civil que devastou a Espanha e gerou a mais brutal Ditadura europeia do Pós-Guerra.

Assim, o governo britânico promoveu, na prática, um Bloqueio internacional contra o democraticamente eleito governo da República Espanhola, que ficou sem apoio externo relevante, enquanto que as forças de Franco recebiam toda a ajuda possível de, principalmente, nazistas alemães e fascistas italianos.

O único país que furou esse bloqueio britânico à República Democrática da Espanha foi a URSS que, apesar da imensa distância que a separava do território espanhol e que dificultava a ajuda ao governo democrático e progressista do país, tratou de enviar armas e organizou (via Comintern) as chamadas 'Brigadas Internacionais', que eram formadas por milhares de voluntários (a maioria sem formação militar) do mundo inteiro.

As Brigadas Internacionais reuniram cerca de 70 mil voluntários, incluindo alguns bastante famosos, como Ernest Hemingway, André Malraux e George Orwell. Ambos, aliás, escreveram livros sobre a sua participação no sangrento conflito espanhol que, ao longo de três anos, provocou a morte de 500 mil a 1 milhão de pessoas.

Foi graça ao apoio destas três poderosas nações (Alemanha Nazista, Itália Fascista e Grã-Bretanha) que Franco pode iniciar e vencer uma Guerra Civil, contra um governo Republicano eleito democraticamente (que era formado por Liberais, Socialistas, Anarquistas e Comunistas) e que tentava modernizar a Espanha (nas áreas econômica, social, política, de comportamento) promovendo a reforma agrária, reconhecendo os direitos das mulheres e criando uma legislação trabalhista.

A Guerra Civil Espanhola se tornou internacional e em seus campos de batalha tivemos o experimento de novos armamentos e de novas formas de se guerrear, como foi o caso da destruição de Guernica, no dia 26/04/1937, cidade do País Basco (norte da Espanha) pela Legião Condor nazista. A destruição da cidade Basca foi um teste levado adiante pela Alemanha Nazista, que descobriu o quanto os ataques aéreos sobre áreas urbanas poderiam ser destrutivos e mortais.

Assim, o povo de Guernica serviu de cobaia para os criminosos nazistas e franquistas. 

'Guernica': Famoso quadro de Pablo Picasso sobre a destruição da cidade Basca de Guernica pela 'Legião Condor', da Alemanha Nazista, em 26/04/1937, durante a Guerra Civil Espanhola. Questionado, por um oficial nazista, se ele, mesmo, é que havia feito o quadro, Picasso respondeu: 'Não. Foram vocês'. Picasso somente permitiu que o quadro entrasse na Espanha quando o país voltasse a ser uma Democracia. Em 1981, finalmente 'Guernica' pôde entrar no país. 

É bom ressaltar que esse tipo de ataque nunca tinha sido feito na Europa até aquele momento. Foi a primeira vez que tal técnica foi empregada em uma Guerra no Velho Mundo. Porém, durante a Segunda Guerra Mundial, a Alemanha Nazista experimentou do próprio veneno e viu as suas principais cidades serem reduzidas a escombros e ruínas pela Força Aérea dos Aliados (EUA e Grã-Bretanha).

E mesmo depois que venceu a Guerra Civil, o ditador genocida Franco continuou perseguindo e massacrando com todas aquelas pessoas que haviam apoiado os Republicanos. Com isso, ele matou, segundo estimativas de historiadores espanhóis, entre 2 e 5 milhões de pessoas DEPOIS que a Guerra Civil já tinha terminado e que ele já havia se tornado o Tirano de toda a Espanha. Na verdade, essa foi uma promessa (exterminar os Republicanos) que Franco fez logo no início da Guerra Civil. E ele cumpriu, infelizmente. 

Francisco Franco, de fato, foi o mais sanguinário ditador europeu do Pós-Guerra. Nem Stalin, que governava um país multinacional com mais de 170 milhões de habitantes (em 1939) chega perto dos crimes franquistas, que ocorreram em um país que, no mesmo ano de 1939, tinha cerca de 25,6 milhões de habitantes.

Assim, até hoje são descobertos inúmeros cemitérios clandestinos por toda a Espanha e nos quais são encontrados os esqueletos e restos de centenas de vítimas da Ditadura Franquista. É bom ressaltar que essa Ditadura sanguinária contou com o total apoio dos EUA e do Ocidente 'livre e democrático' , principalmente depois que Franco assinou um amplo acordo de cooperação com os EUA em 1953.

Esse documentário, que trata dos crimes franquistas tem, entre seus produtores executivos, o consagrado cineasta espanhol Pedro Almodóvar e seu irmão Agustín. 

Obrigatório.
A 'Guerra Civil Espanhola', de autoria de Helen Graham, é um ótimo livro (de bolso) sobre o assunto. 

Links:

Texto de Inácio Araújo na 'Folha de S.Paulo':


Trailer do Documentário:


Matéria sobre o documentário:


Informações sobre o filme:


População dos países em 1939:

https://pt.wikipedia.org/wiki/Lista_de_países_por_população_em_1939

'Las 13 Rosas' (Emilio M. Lázaro; 2007) é outro ótimo filme a respeito da perseguição e crimes cometidos pela Ditadura Franquista, o que resultou na morte de 2 a 5 milhões de vítimas. Os responsáveis pelo genocídio nunca foram julgados e condenados pelos seus horrendos crimes. 

'Guernica' e a obra genial de Pablo Picasso:

https://www.culturagenial.com/quadro-guernica-de-pablo-picasso/

Texto sobre o filme 'Las 13 Rosas':

https://popeseries.blogspot.com/2017/11/las-13-rosas-filme-conta-historia-do_5.html

Filme 'A Voz Adormecida' mostra mulheres que foram perseguidas pela Ditadura Franquista:

https://popeseries.blogspot.com/2017/12/a-voz-adormecida-mostra-mulheres-que.html

Filme 'Los Girasoles Ciegos' mostra como funcionava a repressão da Ditadura Franquista contra os Republicanos:

https://popeseries.blogspot.com/2017/12/los-girasoles-ciegos-mostra-como.html

'La Mujer del Anarquista' mostra as consequências da derrota na Guerra Civil para os Republicanos espanhóis:

https://popeseries.blogspot.com/2017/12/la-mujer-del-anarquista-mostra-as.html

'Mourir à Madrid': Um documentário clássico que mostra quais foram as causas da Guerra Civil Espanhola:

https://popeseries.blogspot.com/2017/12/la-mujer-del-anarquista-mostra-as.html