Mostrando postagens com marcador petróleo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador petróleo. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 25 de abril de 2019

'Il Caso Mattei': Francesco Rosi conta a história verídica do atentado que matou o líder italiano que desafiou o poder das 'Sete Irmãs'!

'Il Caso Mattei': Francesco Rosi conta a história verídica do atentado que matou o líder italiano que desafiou o poder das 'Sete Irmãs'! - Marcos Doniseti!
"Il Caso Mattei" (O Caso Mattei; Francesco Rosi; 1972): Este clássico filme dirigido por Francesco Rosi conta a história de Enrico Mattei, que foi o responsável por transformar uma falida empresa estatal italiana em uma das mais poderosas petrolíferas e holdings do mundo, desafiando o poderio das famosas 'Sete Irmãs'. 

O contexto histórico!

Enrico Mattei foi o mais poderoso dirigente do maior conglomerado industrial e econômico da Itália no Pós-Guerra, que foi a ENI (Ente Nazionali Idrocarburi).

A ENI foi uma empresa estatal que foi criada em Fevereiro de 1953 a partir das ruínas da AGIP, que era uma empresa petrolífera (também estatal) que havia sido criada por Benito Mussolini em 1926 mas que, durante o regime fascista, fracassou na tentativa de encontrar gás natural ou petróleo no território italiano. 

Porém, no Pós-Guerra,  o governo conservador do PDC (Partido Democrata-Cristão) queria liquidar a AGIP, fechando a empresa, devido às pressões dos políticos liberais, que eram contrários à atuação do Estado na economia e que viam a AGIP como sendo uma 'herança fascista'.

Mas o visionário Enrico Mattei convenceu o governo italiano de que a AGIP não deveria ser liquidada, muito pelo contrário, mas fortalecida. E foi exatamente isso que ele fez depois que obteve do governo do país o apoio político necessário para expandir e desenvolver a AGIP/ENI.

Assim, Matttei desenvolveu uma estratégia de longo prazo que transformou a ENI em uma das mais poderosas empresas petrolíferas do mundo e que, depois, passou a controlar inúmeras outras empresas (também estatais), transformando-se em uma imensa e poderosa holding, que também atuava em muitos setores: petroquímica, geração de energia, navegação, gás, projetos e engenharia, construção, etc. 

"L'Assassinio di Enrico Mattei" foi o livro que deu origem ao filme de Francesco Rosi. Ele é de autoria de Fúlvio Bellini e Alessandro Previdi, sendo que foi publicado em Janeiro de 1970, pouco mais de sete anos após o atentado que tirou a vida de Mattei, que ocorreu em 27/10/1962.

Porém, Mattei  também adotou uma política de obrigar a que todas as empresas da holding fossem lucrativas e competitivas. Sua política de promover imensos investimentos no setor industrial e de infraestrutura contribuiu imensamente para o desenvolvimento industrial e econômico da Itália no Pós-Guerra.

Enrico Mattei levou adiante a política de fechar acordos com governos de países árabes e muçulmanos possuidores de petróleo (Líbia, Argélia, Tunísia, Egito, Nigéria, etc) e de fazer acordos que previam uma divisão de lucros que era muito favorável aos mesmos, pois os governos detentores das reservas petrolíferas ficavam com 75% dos lucros, enquanto que a ENI ficava com os outros 25%.

Enquanto isso, as 'Sete Irmãs' que dominavam o mercado petrolífero global sempre ofereciam acordos nos quais os lucros eram divididos pela metade, com as petroleiras ficando com 50% dos mesmos e os governos dos países produtores ficando com os outros 50%.

Essa postura de Enrico Mattei, de conceder 75% dos lucros aos governos dos países produtores, fez com que a ENI se expandisse rapidamente entre os países do então chamado 'Terceiro Mundo'. 

Essa política adotada por Mattei também se beneficiou do processo de descolonização que ocorreu na África e na Ásia nas décadas de 1950 e 1960, que permitiu o surgimento de dezenas de novas nações independentes. 

Os governantes destes novos países ambicionavam desenvolver economicamente seus países e melhorar as condições de vida de suas populações. E para isso estes governos dos países precisavam de recursos (capital, tecnologia, trabalhadores qualificados) que muitos deles não possuíam. 

Enrico Mattei (o verdadeiro) cumprimenta Gamal Abdel Nasser, líder do Egito, que foi um dos países que assinou contrato para extração de petróleo com a ENI. Mattei defendia uma nova maneira de se relacionar com os países em desenvolvimento. 

No entanto, essa rápida expansão da ENI pelo mundo em desenvolvimento (que, na época, era chamado de 'Terceiro Mundo') representava um claro desafio ao domínio do mercado mundial de petróleo pelas famosas 'Sete Irmãs', que eram (estou usando os nomes atuais): Shell (anglo-holandesa), British Petroleum (britânica); Exxon, Chevron, Mobil, Texaco e Gulf (estas cinco eram todas dos EUA). Estas empresas, somadas, controlavam 85% do mercado mundial de petróleo. 

Desta maneira, EUA e Grã-Bretanha controlavam o mercado mundial de petróleo no Pós-Guerra, produto que era essencial (e que ainda é) para o desenvolvimento da economia capitalista globalizada. A ENI foi a empresa que desafiou esse domínio das 'Sete Irmãs', fato este que as deixou, no mínimo, profundamente irritadas.

E o responsável por isso foi Enrico Mattei, que acabou pagando com a própria vida por essa ousadia, sendo assassinado em 1962, quando o avião em que viajava de Catania (na Sicília) rumo a Milão acabou sendo sabotado, levando a queda do mesmo antes de aterrissar na pista do aeroporto da cidade. 

Além disso, Enrico Mattei também fez a ENI assinar acordos petrolíferos com a União Soviética, o que gerou fortes críticas do governos dos EUA, pois ainda estávamos vivendo a época da Guerra Fria. Não se pode esquecer, por exemplo, que o ano do assassinato de Enrico Mattei, que foi 1962, também foi aquele em que tivemos a famosa 'Crise dos Mísseis', em Cuba, que quase levou o mundo a uma devastadora guerra nuclear entre EUA e URSS. 
O fantástico ator Gian Maria Volonté interpreta Enrico Mattei. Nesta cena, ele esconde da esposa uma carta que continha ameaças de morte.

Este corajoso filme de Francesco Rosi (diretor de ideias socialistas, mas que nunca foi filiado a nenhum partido, embora fosse próximo do PCI), realizado em 1972, usa de um livro escrito na época para denunciar este crime. O livro se chama "L'Assassinio di Enrico Mattei".

Obs1: Os autores do livro usado por Francesco Rosi para realizar o seu belo filme são Fúlvio Bellini e Alessandro Previdi. Bellini foi um partigiano (guerrilheiro) que lutou contra o nazifascismo e no Pós-Guerra ele se tornou um autor voltado para temas da história italiana, escrevendo livros sobre a história do PCI (Partido Comunista Italiano), a respeito da queda do regime Fascista de Mussolini em Julho de 1943 e também sobre o sequestro e morte de Aldo Moro pelas 'Brigadas Vermelhas' em 1978. Previdi também foi um Partigiano e no Pós-Guerra ele se tornou jornalista, trabalhando em importantes jornais italianos. 

É bom que se diga que embora milhões de italianos, durante muitos anos, afirmassem que Mattei tinha sido assassinado, somente em 1997 é que a Procuradoria da cidade de Pavia (norte da Itália) comprovou o fato de que isso havia acontecido. Nas investigações realizadas foi realizada uma autópsia nos ossos do corpo de Mattei e descobriu-se a presença de traços de explosivos nos mesmos. 

Também foi provado que o agricultor que, na época afirmou que tinha visto o avião explodir em pleno ar (antes de atingir o solo, portanto) mudou, posteriormente, a sua versão quando prestou depoimento para a Justiça. 

Aliás, todas essas informações, que foram comprovadas em 1997, já apareciam neste corajoso filme dirigido por Francesco Rosi em 1972 e que, inclusive, participa do filme como diretor e personagem do mesmo.
Enrico Mattei fazia bom uso da Mídia para divulgar as suas realizações.

O Cinema Político Italiano!

Durante as décadas de 1960 e 1970 foram produzidos na Itália inúmeros filmes que procuravam retratar a realidade política e social do país. E para entender isso é necessário compreender o que aconteceu no país neste período.

Os primeiros anos da década de 1960 foram marcados pelo 'Boom' econômico, pela retomada das greves operárias e pelo início da participação do Partido Socialista Italiano no governo do país, que começou em 1963.

Mas o período que foi o mais conturbado politicamente foi aquele que tivemos entre os anos de 1968 e 1981. Em 1968 tivemos a emergência de um forte e organizado movimento estudantil que, tal como ocorreu na França, realizou inúmeras manifestações.

Nos anos seguintes as lutas dos estudantes e de segmentos da classe operária e da intelectualidade  italianas resultaram na criação de inúmeros movimentos de Extrema-Esquerda, tais como o 'Prima Linea', as 'Brigate Rosse' (Brigadas Vermelhas) e o 'Lotta Continua'. Este último chegou a ter cerca de 20 mil militantes, 
sendo bastante atuante.

Destes movimentos de Extrema-Esquerda o mais famoso foram as 'Brigadas Vermelhas', que foram as responsáveis pelo sequestro e morte de Aldo Moro  (um dos líderes principais do Partido Democrata-Cristão) em Abril de 1978.

A polícia vai até o local do acidente conversar com as pessoas a respeito das circunstâncias da queda do avião em que Mattei estava. 

Esta foi uma época em que a Itália foi palco de inúmeros conflitos políticos e sociais que eram travados entre forças extremistas, de Direita e de Esquerda, nas ruas das principais cidades italianas. Tais grupos extremistas usaram de muita violência, promovendo inúmeros atentados terroristas e assassinatos de inimigos políticos e ideológicos. Até mesmo jornalistas, editores e juízes eram vítimas dessa violência.

Estes anos entraram para a história italiana com o nome de 'Anni di Piombo' (Anos de Chumbo), período no qual morreram cerca de 2 mil pessoas, que foram vítimas da violência política do período.

O ponto de partida para essa onda de violência política foi o famoso atentado que ocorreu em uma agência bancária na Piazza Fontana (Praça Fontana), no dia 12/12/1969, em Milão, e que foi realizado pela Extrema-Direita. Esse atentado brutal resultou na morte de 17 pessoas. Outras 88 ficaram feridas. Além disso, ocorreram também alguns atentados, de menor porte, em Roma.

Na época, as investigações sobre o atentado de Milão foram manipuladas no sentido de se tentar culpar um grupo da Esquerda Anarquista como o responsável pelo atentado, mas posteriormente descobriu-se que foram grupos de Extrema-Direita, que envolviam Militares, Serviço Secreto, políticos direitistas, Neofascistas e a Máfia.

Tais atentados perpetrados pela Extrema-Direita faziam parte da chamada 'Estratégia de Tensão', que visava promover um processo de radicalização política e ideológica a fim de justificar um Golpe de Estado que implantasse uma Ditadura Militar na Itália. 

Tal estratégia já havia sido usada na Grécia, o que resultou em um Golpe de Estado 
em 1967.
Mattei procura pelo engenheiro Ferrari, que comandou uma pesquisa na época do regime fascista, mas que havia sido demitido da AGIP. Ele que afirmava que existia uma grande jazida de gás natural na região Vale do Rio Pó. Mattei o recontratou e a jazida foi encontrada. 

A intenção desses grupos extremistas de Direita era culpar os grupos de Extrema-Esquerda pelos atentados em Milão e Roma, usando os mesmos para levar o Golpe de Estado adiante, mas o plano acabou fracassando. Aliás, qualquer semelhança com outros Golpes semelhantes na história não é mera coincidência. Exemplo disso foi incêndio do Reichstag alemão, em 27/02/1933, que foi usado por Hitler como justificativa para implantar a Ditadura na Alemanha, dizendo que o mesmo fazia parte de um 'Golpe de Estado Comunista', o que era uma deslavada mentira.  

Obs2: O cineasta italiano Marco Tullio Giordana dirigiu um excelente filme a respeito da história do atentado na Piazza Fontana e que se chama 'Romanzo di una Strage'.

A Itália já possuía uma bela história de produzir filmes que retratassem a realidade do país e do seu povo desde a época do Neorrealismo, que se desenvolveu a partir de 1943, com a realização do filme 'Ossessione', de Luchino Visconti, e que se consolidou com o grande sucesso alcançado por 'Roma Città Aperta', de Roberto Rossellini, de 1945. 'Ladrões de Bicicleta', (1948) de Vittorio De Sica, foi outra produção neorrealista que obteve grande sucesso, chegando até a conquistar o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro de 1950 e o Globo de Ouro do mesmo ano.

Aliás, isso ajuda a explicar porque vários dos principais cineastas italianos que realizaram os filmes do ciclo do 'Cinema Político' tiveram a sua formação na época do Neorrealismo, o que foram os casos de Francesco Maselli,  Elio Petri e de Francesco Rosi (diretor deste 'Il Caso Mattei'), por exemplo. Eles trabalharam com vários dos principais diretores ligados ao Neorrealismo.
Operários italianos olham para o gás que é extraído do Vale do Rio Pó. Com a descoberta a região inicia um longo período de crescimento econômico.

Assim, Francesco Rosi trabalhou com Luchino Visconti, Michelangelo Antonioni, Luigi Zampa e Luciano Emmer, seja na condição de roteirista ou como assistente de direção.

Entre os inúmeros filmes da época do ciclo do 'Cinema Político Italiano', nós tivemos:

- Os Delfins (Francesco Maselli; 1960);
- O Assassino (Elio Petri; 1961);
- Aquele que Sabe Viver (Dino Risi; 1962);
- As Mãos sobre a Cidade (Francesco Rosi; 1963);
- O Boom (Vittorio De Sica; 1963);
- Antes da Revolução (Bernardo Bertolucci; 1964);
- De Punhos Cerrados (Marco Bellocchio; 1965);
- Enquanto Durou o Nosso Amor (Florestano Vancini; 1966);
- Os Subversivos (Paolo e Vittorio Taviani; 1967);
- Investigação Sobre um Cidadão Acima de Qualquer Suspeita (Elio Petri; 1970);
- A Classe Operária vai ao Paraíso (Elio Petri; 1971);
- Mimi, o metalúrgico (Lina Wertmuller; 1972);
- O Monstro na Primeira Página (Marco Bellocchio; 1972);
- Golpe de Estado à Italiana (Mario Monicelli; 1973);
- Nós que nos amávamos Tanto (Mario Monicelli; 1974);
- Cadáveres llustres (Francesco Rosi; 1976);
- Eu Tenho Medo (Damiano Damiani; 1977).

Enrico Mattei sempre recebia muito bem os jornalistas a fim de divulgar as suas realizações à frente da AGIP/ENI.

A trama do filme! 

A história do filme já foi resumida aqui e a mesma trata do assassinato de Enrico Mattei por meio de um atentado terrorista que derrubou o avião no qual ele viajava. Mattei vivia sofrendo ameaças de morte e foi alertado de que o seu avião poderia ser sabotado, mas dizia que se realmente desejassem a sua morte, então não haveria como impedir que isso acontecesse.

Mattei era o dirigente da principal holding empresarial italiana (a ENI), de caráter estatal, que era a maior investidora da Itália, atuando em inúmeros setores produtivos. O mais importante setor em que a ENI atuava era o de petróleo.

O filme de Francesco Rosi começa mostrando o local em que ocorreu a queda do avião em que Mattei viajava, um pouco antes de chegar ao aeroporto de Milão (ele caiu nas proximidades de Pavia). Mattei vinha da Sicília e o filme de Rosi mostra que o avião em que o dirigente da ENI viajou foi sabotado, de maneira a que explodisse em pleno ar quando começasse a se preparar para fazer a aterrissagem.

Durante o filme vemos a Polícia interrogando os moradores da região em que o avião explodiu, o que resultou na morte de Mattei, de um jornalista da revista 'Time' e do piloto. Durante os interrogatórios realizados no local do atentado um camponês chegou a declarar que tinha visto o avião que levava Mattei explodir em pleno ar, deixando claro que havia ocorrido um atentado terrorista.

Mas, posteriormente, o mesmo camponês, quando prestou depoimento para a Justiça, apresentou uma versão diferente, dizendo que não tinha visto explosão alguma. Então, o filme de Mattei deixa aberta a possibilidade que o camponês teria sido ameaçado. 

Dirigente de uma das 'Sete Irmãs', que se sentiam bastante incomodadas pela política de Enrico Mattei de levar a ENI a assinar contratos de exploração de petróleo com países árabes (Líbia, Argélia, Tunísia).

Inclusive, quando a Justiça italiana comprovou (em 1997) que Mattei tinha morrido em um atentado terrorista a Procuradoria de Pavia (local onde o avião explodiu), que havia reaberto o caso, anunciou que iria processar o agricultor pelo fato dele ter modificado o seu depoimento, o que impediu que fosse comprovado que Mattei havia sido assassinado.

O filme mistura vários momentos históricos, começando já com a morte de Mattei e depois conta a história de como ele se tornou o presidente da AGIP e, mais adiante, da ENI e, mais tarde, como ele enfrentou, sem medo, o imenso poder das 'Sete Irmãs'.

Rosi mostra que Mattei teve que lutar intensamente, desde o início, para conseguir provar que a AGIP (e a futura ENI) era uma empresa viável e que valia a pena manter a mesma funcionando. Ele usa, inclusive, de depoimentos verdadeiros de dirigentes italianos da época de Mattei e o próprio Rosi chega a participar do filme, como alguém que está investigando a morte de Mattei.


Obs3: Aliás, ao pedir que um jornalista originário da Sicília (Mauro de Mauro, do jornal siciliano "L'Ora", que era próximo do PCI) investigasse, em Setembro de 1970, as circunstâncias da morte de Mattei, o mesmo acabou sendo assassinado, o que mostra que o caso do assassinato de Mattei, mesmo depois de tanto tempo (o filme é de 1972), ainda era um tema tabu e bastante perigoso para se mexer. O jornal "L'Ora" sempre foi conhecido por combater e denunciar os crimes da Máfia e sofreu vários ataques da organização.
No filme, Francesco Rosi promove um debate entre Enrico Mattei e um jornalista liberal, que se opunha à sua política de promover grandes investimentos produtivos por meio da ENI.

Mas para que isso acontecesse ele sabia que era necessário encontrar alguma fonte de riqueza que a AGIP pudesse explorar e que gerasse lucros e benefícios para a economia italiana. E foi assim que o persistente Mattei encontrou entre inúmeros documentos da empresa a comprovação de que isso seria possível. Ele leu relatórios elaborados por técnicos da empresa que diziam existir petróleo e gás natural no Vale do Rio Pó (norte da Itália). 

Mattei procura pelo engenheiro da AGIP que comandou a prospecção (engenheiro Ferrari) e que havia sido demitido junto com outros técnicos tempos antes, quando o governo italiano ainda demonstrava intensão de fechar a empresa. Mattei o encontra em Milão (em frente à Catedral da Cidade, na 'Piazza del Duomo' ou 'Praza da Catedral') e o questiona sobre a viabilidade daqueles estudos. 

Ferrari explica que os estudos foram elaborados de maneira rigorosa e, assim, Mattei decide viajar com ele até a região em que haviam sido encontrados indícios da existência de gás natural e petróleo. 

Mattei e Ferrari encontram uma região desolada, com os trabalhadores que antigamente eram empregados da AGIP estando inativos, desempregados, que passavam o tempo jogando cartas em um barracão. Ferrari afirma que a jazida de gás natural é enorme e, depois de comprovar a existência das mesmas, Mattei recontrata o técnico e os trabalhadores que haviam sido demitidos.
Mattei discurso para diretores de grandes empresas de petróleo, incluindo as 'Sete Irmãs', e reafirma a defesa das políticas que adotou à frente da ENI, para irritação do Cartel privado que controlava o mercado mundial de petróleo.

Com a descoberta de grandes reservas de gás, Mattei conseguirá um empréstimo bancário e unindo tais recursos com o apoio de importantes lideranças políticas do governo do Partido Democrata-Cristão ele consegue levar adiante o seu projeto de manter a AGIP funcionando. Em 1953 ele irá transformar a mesma AGIP na ENI, que se tornará uma das maiores holdings da Europa no Pós-Guerra, atuando em vários setores da economia italiana. 

E graças à descoberta do gás, que era explorado apenas pela AGIP (e pela futura ENI) a industrialização do norte da Itália passou a contar com uma importante fonte de energia, visto que a Itália sempre sofreu muito para se desenvolver a sua indústria e a sua economia justamente pelo fato de ser um país pobre em recursos naturais. 

Para defender a ENI e poder enfrentar os interesses das chamadas 'Sete Irmãs', Mattei contava sempre a história de um gatinho, débil e fraco (que simbolizava a ENI), que queria se alimentar, mas que era impedido pelas 'Setes Irmãs' (representadas por cães raivosos). 

O filme clássico de Rosi também mostra que Mattei era muito habilidoso no seu relacionamento com a imprensa, procurando usar a mesma para fazer uma ampla publicidade das realizações da AGIP/ENI. E mesmo quando os jornalistas criticavam a sua atuação e da empresa ele procurava conversar com os mesmos a fim de prestar esclarecimentos e informações.
Mattei levou o jornalista que o contestava até a Tunísia para ver pessoalmente os investimentos que eram feitos pela ENI no país africano.

Assim, temos no filme um jornalista (sem nome) que representa esse segmento da imprensa, defensora do Liberalismo econômico, e que era extremamente crítico com a atuação da ENI e acusava a empresa de usar verbas secretas e de excesso de intervenção na economia. Mattei diz, claramente, para o jornalista que o mesmo está defendendo tais interesses privados e não os da Itália. A ENI, diz Mattei, gera trabalho para 50 mil pessoas altamente qualificadas. 

Assim, em vez de arrumar confusão publicamente com esse jornalista, Mattei o convida para acompanhar como era a sua rotina de trabalho, levando-o até a visitar uma plataforma de petróleo da ENI, bem como os países árabes (Líbia, Argélia, Tunísia), com os quais a ENI havia assinado inúmeros contratos de produção (baseado na divisão 75%/25%). 

Estes países haviam descoberto grandes reservas de petróleo, mas não possuíam o capital, a tecnologia e nem os trabalhadores qualificados para fazer o trabalho de pesquisa e extração do petróleo. A ENI fornecia tudo isso. Desta maneira, a ENI irá ocupar um importante espaço no mercado petrolífero global que, antigamente, era exclusivo das 'Sete Irmãs', o que irá deixar as mesmas profundamente irritadas. 

Esse conflito com essas empresas, que atuavam como um gigantesco Cartel Privado, dividindo o controle do petróleo no mundo entre elas, é representado no filme por um diretor de uma destas empresas (é um personagem alto, cabelos brancos, pele extremamente clara e corpulento) e que não aceita nenhuma das ideias e políticas de Enrico Mattei. 
Gian Maria Volonté tem mais uma excelente atuação neste filme clássico do 'Cinema Político Italiano'. Nesta cena, Mattei é recebido com festa pelo povo da Sicília.

Desta maneira, Mattei acaba desenvolvendo uma política externa própria, que leva em consideração os interesses italianos, o que faz com que a ENI assine até mesmo contratos de compra de petróleo soviético, para profunda irritação dos EUA. 

Com esse imenso crescimento da ENI, dentro da própria Itália o engenheiro Enrico Mattei se torna uma importante liderança econômica e também política e é requisitado até mesmo para usar a empresa a fim de salvar empresas que estão correndo o risco de quebrar, gerando aumento do desemprego. 

E quando a ENI encontra reservas de gás natural na Sicília ele foi recebido na ilha como se fosse o verdadeiro governante da Itália, com festas públicas, passeatas, com a presença de milhares de pessoas e reuniões e jantares com as figuras mais poderosas da ilha. 

Embora o filme não diga exatamente quem teriam sido os responsáveis pela morte de Enrico Mattei, no mesmo é sugerido que tivemos participação do Serviço Secreto francês e da Máfia. 

Em 1997, como já afirmei, finalmente foi comprovado, pela Justiça italiana, que essa versão que o filme apresenta para a morte de Enrico Mattei é verdadeira. Porém, até agora não se sabe quem foram os responsáveis pelo atentado que o vitimou.
O cineasta Francesco Rosi (de boina e óculos escuros) aparece em algumas cenas do seu filme, incluindo esta, feita em uma lanchonete do aeroporto de Catania, de onde saiu o avião que levava Mattei para Milão e cuja queda provocou a sua morte. 

Informações Adicionais!

Título: Il Caso Mattei (O Caso Mattei);
Diretor: Francesco Rosi;
Roteiro: Francesco Rosi e Tonino Guerra; Baseado no livro "L'Assassinio di Enrico Mattei", de autoria de Fúlvio Bellini e Alessandro Previdi;
Ano de Produção: 1972;
País de Produção: Itália;
Gênero: Drama Político;
Duração: 110 minutos;
Música: Piero Piccioni;
Fotografia: Pasqualino De Santis;
Elenco: Gian Maria Volonté (Enrico Mattei);
Prêmios: Melhor Filme - Palma de Ouro no Festival de Cannes de 1972.
Globo de Ouro (Itália) - Melhor Filme em 1973. 



Links:

Itália admite que Enrico Mattei morreu em um atentado terrorista:

https://www1.folha.uol.com.br/fsp/1997/11/22/mundo/9.html

Enrico Mattei, a AGIP e as Sete Irmãs:

https://www.cartamaior.com.br/?/Editoria/Cinema/Petrobras-um-filme-a-ser-revisto/59/32548

A história da ENI e seus conflitos com as 'Sete Irmãs':

https://jornalggn.com.br/historia/a-italia-contra-as-sete-irmas-do-petroleo-por-andre-araujo/

https://jornalggn.com.br/historia/eni-a-petroleira-italiana-da-guerra-fria/

Enrico Mattei e o jornalista McHale sorrindo, pouco antes da queda do avião que matou os dois. Com a morte de Mattei as 'Sete Irmãs' se livraram da pessoa que mais afetava negativamente aos seus interesses. 

Informações sobre o filme:

https://www.imdb.com/title/tt0068346/?ref_=ttfc_fc_tt

História do livro que deu origem ao filme:

http://www.archiviostorico.info/Rubriche/Librieriviste/recensioni4/assassinioEnricoMattei.htm

sexta-feira, 15 de maio de 2015

'Fringe' - Comentando o episódio 'What Lies Below' (2X13) - Marcos Doniseti!

'Fringe' - Comentando o episódio 'What Lies Below' (2X13) - Marcos Doniseti!
Esta é a primeira vítima do vírus que veio da Pré-História e que poderia exterminar a Humanidade. Ah, se não fosse o Walter...  
Este é mais um dos episódios da segunda temporada que não está relacionado com a Mitologia do seriado, mas que consegue prender a atenção do público do início ao fim. 

'What Lies Below' mostra as mudanças que estavam se desenvolvendo no relacionamento dos personagens (Walter/Astrid, Peter/Olívia, Broyles/WPOA) ainda coloca Walter em uma situação que o deixava extremamente angustiado, para dizer o mínimo, que é o medo de perder Peter. 

Obs1: WPOA = Walter, Peter, Olívia e Astrid.

E o próprio nome do episódio tem um duplo significado. A tradução literal seria 'o que se encontra abaixo', que tanto pode estar relacionado ao vírus assassino, como também a um segredo a respeito de Peter que o Walter guarda consigo e que recusa-se a relevar, mesmo para Astrid que, nesta altura da série, já era bem mais do que uma mera assistente do genial cientista. Ela era um amiga que o ajudava em todos os momentos, mesmo nos mais complicados, e que não o abandonava por nada, mesmo que estivesse correndo sérios riscos e perigos. E neste episódio ela faz isso novamente. 

'What Lies Below' começa com um executivo de uma empresa de petróleo (Vandenkemp) que vai até Boston, mas que ao entrar no edificio da 'Petrol Vitas' ele acaba morrendo de maneira repentina enquanto exala um vírus de tom avermelhado que se espalha pelo ambiente. 

Depois vemos Astrid e Walter em um centro infantil. Astrid diz a um funcionário que procura por um homem que se perdeu (Walter parece ser especialista em despistar a Astrid... vide 'Snakehead' - 2X09) e ele pergunta se o mesmo é especial. Astrid responde com uma ótima frase: 'Nem faz ideia'. 

Realmente, Walter é mais do que especial. É genial. 

Depois, Astrid vê o genial cientista contando uma história para as crianças sobre um monstro que estaria embaixo da cama das crianças e que devoraria as mesmas, o que as deixa assustadas. Por isso ele perde a condição de membro do local. A história de Walter inicialmente tinha relação com a viagem de Fernão de Magalhães ao redor do planeta e que comprovou que a Terra era redonda.

Mas durante a sua 'aula assustadora' Walter disse uma frase muito interessante, que foi: "Pois é, quando se abre novas portas, há um preço a se pagar'. 

E Walter pagou um alto preço, não apenas pelas portas (ou portal...) que abriu, mas também por uma janela (episódio 'Peter' - 2X16). 

Obs2: E no episódio vemos que em vez de abrir portas, Walter teve que mandar fechá-las, pois o vírus contaminou várias pessoas que estavam no edifício e faria o mesmo com muitas outras pessoas pelo mundo afora, correndo o risco até de exterminar a espécie humana. Por isso, Walter falou para que o edifício fosse colocado em quarentena. E as portas do edifício foram fechadas, é claro. 
No episódio 'Johari Window', Walter e Astrid procuravam por arquivos e em um deles estava escrito 'Magellan Files'. Em 'What Lies Below' aparece a imagem de Magellan , Fernão de Magalhães, responsável por comandar a primeira viagem de circunavegação do planeta, entre 1519-1522. Magalhães, no entanto, morreu durante a viagem, em 1521, nas Filipinas, antes que o único navio da expedição naval retornasse à Espanha. 
Chegando ao edifício (de propriedade da empresa 'Petróleo Vitas'), Peter e Olívia encontram o detetive Kassel e Peter descobre o nome do morto (Vandenkemp). 

Kassel diz que nunca viu nada parecido com aquilo e Peter responde com uma ironia, dizendo 'Sorte sua'. Realmente, trabalhando na 'Fringe Division' Peter já viu e vivenciou situações bem mais estranhas do que essa. 

Olívia conversa com Lynda, funcionária da 'Vitas', e esta diz que ninguém esperava por Vandenkemp. Nisso, Vincent Ames se apresenta para Olívia, perguntando se eles serão liberados, mas ela diz que não. Lynda informa que Mike entrou junto com Vandenkemp, no elevador, e também acabou sendo contaminado pelo vírus. 

Mike tentou sair do edifício, mas neste momento Walter nota que ele está mal e fecha a porta. Mike libera o vírus e morre. E Walter manda colocar o edifício em quarentena, mesmo com Peter e Olívia ainda dentro do local.  Mesmo assim, olhando de maneira sofrida para o filho, Walter confirma o pedido de quarentena. 

Assim, o episódio irá colocar novamente Walter numa situação desesperadora, na qual Peter irá correr sério risco de morrer.

Walter pede a Peter que descubra o máximo possível de informações sobre a primeira vítima, a fim de saber a causa da sua morte. E mesmo sofrendo ao pensar que Peter possa estar contaminado, Walter decide trabalhar para resolver o caso. E o CDC (Centro de Controle de Doenças) chega ao local para agir na contenção do vírus. 

E novamente a vida de Peter irá depender de Walter.

Peter e Olívia informam a todos que ficaram no edifício que este foi colocado em quarentena e que Mike também morreu. Olívia separa as pessoas em grupos, colocando em separado aquelas que estavam próximas de Vandenkemp.

Mcfadden, da CDC, fala com Broyles e diz que soube que tem dois agentes do FBI no edifício. Walter nem se apresenta aos funcionários do CDC e já vai dando ordens. E acaba sendo preso por isso. E Broyles informa McFadden sobre o fato de Walter trabalhar com o FBI e de Peter ser o filho dele. 

Walter quer tanto ajudar a resolver a situação que acaba sendo grosseiro com o chefe da CDC, chamando-o de 'burocrata obtuso' (a expressão que Astrid faz nesta hora é muito boa... foi tipo 'Ah, não, o Walter estragou tudo'). Broyles o adverte e Walter se desculpa, pedindo que McFadden o deixe trabalhar. Broyles diz para o chefe da CDC que Walter é muito valioso e o mesmo concorda que Walter colabore. 


Mike tentou sair do prédio, mas Walter o impediu a tempo. 
Peter avisa Olívia que as pessoas no edifício estão telefonando para os familiares e pergunta se ela quer ligar para Rachel, mas ela ignora a pergunta. Olívia questiona porque Vincent Ames estava ali e suspeita dele. Kassel avisa Peter e Olívia que Lynda está doente (seu nariz está sangrando, tal como aconteceu com Vandenkemp e Mike). Eles a ajudam, mas ela acaba morrendo. 

Obs3: Neste episódio temos a participação de dois atores que trabalharam em 'X-Files'. A primeira é Megan Leitch (Elaine no episódio), que fez o papel do clone da irmã de Mulder (Samantha). O segundo é Brendan Beiser (Steve no episódio) , que interpretava o agente Pendrell e que era apaixonado pela Scully. Mulder chegou a fazer piadas com ele em função disso. 

Olívia questiona Ames sobre o fato de que ele iria se encontrar com Vandenkemp e ele confessa que o holandês foi até lá para vender informações de um dos concorrentes da empresa para a qual ele trabalha a respeito de uma nova reserva de petróleo. Olívia diz que talvez o holandês tenha sido contaminado pelo vírus neste local, mas Ames não sabe do que se tratava, pois Vandenkemp lhe disse que tinha apenas algo para lhe mostrar, mas que não o fez. 

Obs4: Seria o vírus? Será que Vandenkemp sabia que estava contaminado e foi até o local para passá-lo para Ames? Talvez. 

Obs5: Este episódio está repleto de ângulos e posicionamentos de câmera incomuns, mesmo para os padrões de 'Fringe'.

Broyles informa Olívia que Vandenkemp era consultor de petróleo e que havia chegado de Dubai há três dias e que 174 dos 212 passageiros a bordo do vôo já foram contatados e que nenhum mostra sinal de infecção. Broyles também diz que no hotel em que o holandês se hospedou também não havia ninguém com os sintomas e que Walter ainda não conseguiu identificar o vírus.

Em seu laboratório, Walter diz que se conseguir isolar a sepa, será possível entender a 'personalidade' do vírus, o que leva Astrid a questioná-lo, pois o vírus não é uma pessoa. Walter fala que vírus parecem ter sua própria mente e cita o caso do vírus da raiva, que não sobrevive na água e que, por isso, faz o seu hospedeiro desenvolver um medo paralisante de água. Walter diz que os vírus negam as nossas definições de vida e morte e que a sua única função parece ser sobreviver e usar os humanos como um veículo para isso. 

Walter descobre, porém, que o vírus que infectou Peter não é transmitido pelo ar, pois se fosse assim haveria muito mais pessoas infectadas no edifício da 'Petróleo Vitas'. 

Olívia diz para Peter que não conseguiram descobrir, afinal, o que Vandenkemp estava tentando vender e quando questionada se telefonou para Rachel, ela diz que não, pois esta já havia passado por maus momentos quando ela ficou no hospital, logo após voltar do Universo Vermelho, e que a irmã ainda tem pesadelos com o fato de que Olívia teria chegado a morrer e que não queria assustá-la novamente, dizendo a Peter que eles iriam superar aquela situação.

E Peter fala algo muito bacana, quando diz para Olívia "Eu pensei que essa fosse a vantagem de ter pessoas que se importam com você. Ter alguém com quem conversar quando está com medo.". Com esta frase, Peter mostra que percebeu o temor que Olívia sente, mostrando que eles já conseguem identificar os sinais que emitem a respeito do que estão pensando e sentindo, o que é uma clara demonstração de maior proximidade entre eles. 
Consciente de que já deveria estar contaminado, Peter encontra as chaves do carro alugado por Vandenkemp. Se ele não tivesse feito isso, Walter não teria conseguido descobrir qual era a origem do vírus e, assim, não conseguiria neutralizá-lo.
Mas Olívia fica em silêncio e logo depois ela vê Lynda sair correndo e se atirar para fora do edifício, caindo sobre um veículo da CDC. E Peter escorregou e caiu sobre o sangue de Vandenkemp, deixando Olívia muito preocupada, temendo que ela possa ter se infectado. Broyles telefona para Olívia, perguntando o que está acontecendo lá dentro e Peter se lava com água, mas é claro que isso não irá adiantar coisa alguma. 

Mas ao ter certeza de que está contaminado, Peter mexe no corpo do holandês e encontra as chaves de um carro alugado. E ele faz um comentário típico de quem já se envolveu em inúmeras situações 'estranhas', e nas quais as leis não eram respeitadas, ao dizer que nunca se deve levar para uma negociação algo que pode causar a sua prisão, sugerindo que Vandenkemp estava envolvido em algum negócio ilegal.

A CDC usa as chaves encontradas por Peter para abrir o carro de Vandenkemp, onde acham uma maleta. 

Walter fala para Broyles que o vírus quer se disseminar e para isso ele precisa infectar outros organismos. E daí ele diz que Vandenkemp somente 'vomitou' o vírus quando estava em um escritório com inúmeras pessoas ao redor e que, agora, o vírus 'quer sair' do edifício para poder se espalhar e contaminar mais pessoas. 

Mas Broyles estranha tal teoria (e olha que ele está acostumado com as 'teorias malucas' de Walter) e pergunta se isso não é improvável. E ele diz que no caso de Mike e de Lynda o vírus também demonstrou a intenção de ir para fora do edifício e que foi ele que a fez pular para fora do prédio.

Na maleta de Vandenkemp, que estava no carro alugado, é encontrada uma sonda, que continha o vírus. 

McFadden diz que a amostra foi roubada da empresa 'Petróleo Solum' e que a mesma não foi armazenada de maneira correta, levando Broyles a sugerir que Vandenkemp tivesse a intenção de contrabandear a mesma. E Walter diz que o vírus foi o responsável pela aniquilação dos mamíferos na Era do Gelo. 

Broyles pergunta a Walter se pode encontrar a cura, levando-o este a dizer que conseguirá dentro de algum tempo e que fará um exame da amostra que possui.

Obs6: A palavra 'Vitas' significa 'o que dá vida'. E o curioso é que a reserva de petróleo descoberta recentemente trouxe à vida novamente um vírus de 75 mil anos que aniquilou os mamíferos na 'Era do Gelo'. E ironicamente, caso ele se espalhasse pelo planeta, acabaria exterminando a espécie humana, liquidando com a vida humana na Terra. 

Obs7: A palavra 'Solum' significa 'sozinho'. Talvez esta seja uma referência à condição de Peter, que foi o único membro da 'Fringe Division' a ser contaminado pelo vírus. E daí os outros tiveram que se esforçar para salvá-lo, pois ele não tinha como fazer isso, pois estava sozinho. 

Obs8: Em 'X-Files' também tivemos um episódio ('Vienen' - 8X18) em que um vírus foi encontrado em uma reserva de petróleo (no Golfo do México). Mas o mesmo era de origem alienígena e queria conquistar o planeta e exterminar a Humanidade. Em 'Fringe', o vírus teria esse mesmo efeito, caso se espalhasse pelo planeta, mas ele era terráqueo, mesmo. 
'The Forbbiden Planet': Peter assistia a uma cena do filme enquanto estava preso no edifício. 
No edifício, Peter assiste ao filme 'The Forbbiden Planet' ('O Planeta Proibido', de 1956). Walter, Astrir e um funcionário do CDC (Hubert) sobem ao edifício para identificar aqueles que estão contaminados. O chefe da CDC determina que se peça autorização ao Departamento de Estado para uma erradicação 'nível 6', o que significa que todos que ficaram presos no edifício e que foram contaminados serão mortos. 

Peter começa a sangrar pelo nariz, o que significa que ele foi contaminado, mas ele esconde isso de Olívia e consegue enganar Walter no exame, trocando o cotonete, fazendo com que todos acreditem que a sua situação é normal. Walter fica aliviado com isso, mas quando Peter tentava sair do edifício, ele é detido por um funcionário do CDC que percebe que o mesmo está sangrando e que, portanto, foi infectado. 

Peter fica desesperado, tentando sair do edifício de qualquer maneira, pedindo para Olívia abrir a porta, mas não consegue. Percebe-se que o comportamento de Peter fica cada vez mais violento e irracional, o que é um efeito da contaminação.

Olívia informa Astrid que Peter foi contaminado. 

McFadden diz para Broyles que, além de Peter, mais 11 pessoas foram infectadas e que elas terão de ser sacrificadas, chamando o Exército para isso. O chefe do CDC mostra para Olívia e Broyles o que aconteceria com a humanidade caso o vírus conseguisse sair do edificío: em duas semanas todos os seres humanos estariam mortos, pois não se conhecia nenhuma cura ou agente que pudesse bloquear o vírus. 

Walter diz para Astrid que o vírus é transmitido por fluídos corporais (sangue, saliva) e recusa-se a sair do edifício, dizendo que irá descobrir a cura. Olívia diz para Astrid que o CDC irá matar a todos os doze que foram contaminados, mas a amiga inseparável de Walter diz que este dará um jeito e que eles ficarão bem.

Assim, nem mesmo correndo o risco de morrer a Astrid abandonou o Walter. Ficou com ele até o fim e quando ele pergunta para a Astrid o que a Olívia queria, ela simplesmente diz 'Nada', escondendo de Walter a informação passada por Olívia, pois ela sabia que se dissesse que todos os infectados seriam mortos, Walter poderia 'entrar em parafuso', pois não suportaria a ideia de perder o Peter. 

Curioso notar é que no episódio anterior ('Johari Window' - 2X12) foi o Walter quem mentiu para a Astrid quando disse para ela que Peter havia lhe pedido que eles ficassem em Edina e tentassem descobrir onde estava o equipamento (a antena) que retransmitia o pulso eletromagnético emitido pela base militar.
Walter examina a cada um dos que ficaram presos no edifício a fim de descobrir quais deles está contaminado (testando as amostras de DNA). Peter burla o teste e engana a todos.
Walter diz que a humanidade sobreviveu ao vírus há milhares de anos e conclui que algo deve ter matado ao mesmo. Ele vai ficando cada vez mais nervoso à medida que o tempo passa e ele não consegue pensar em como será possível neutralizar o vírus. 

Neste momento, Astrid mostra a sua importância, pois consegue acalmá-lo e faz com que ele se concentre em tentar descobrir uma cura. E daí ele diz uma frase enigmática para Astrid, que é 'Não posso deixar que Peter morra de novo. Mas vai morrer. Todos eles morrerão. E eu não posso fazer nada.'. 

Astrid não pergunta nada a respeito disso que Walter lhe disse, neste momento, mas é claro que fica intrigada com o que ele falou. Astrid comenta com Walter sobre a aula que ele deu para as crianças no Centro Infantil a respeito da viagem de Fernão de Magalhães, que saiu com 237 pessoas da Espanha. Walter diz que quase todas morreram, mas Astrid lembra que 18 tripulantes sobreviveram à mesma quando a viagem terminou. 

E Walter fala que o restante morreu de escorbuto e diz 'e ainda estamos aqui' , referindo-se à humanidade. 

Daí ele diz que há 75 mil anos o vírus deixou o planeta quase deserto, mas que a vida prosseguiu, pois algo matou o vírus. Na sequência, Walter conclui que a uma gigantesca erupção vulcânica (do Monte Toba), a maior dos últimos 25 milhões de anos liberou uma grande quantidade de cinzas que bloqueou o Sol, provocando uma chuva de cinzas sulfúricas no mundo todo. 

Obs9: Viram como até mesmo uma cena aparentemente sem muita importância, do início do episódio, como a do Centro Infantil, acabou sendo fundamental para que Walter encontrasse a cura? Em 'Fringe' nada é por acaso.

E Walter conclui que o enxofre liberado pela erupção vulcânica pode ter matado o vírus. Astrid diz 'precisamos de enxofre'. Na geladeira há um vidro de rábano que, segundo Walter, contém enxofre. Desta maneira, Walter conseguiu combater e neutralizar o vírus. Depois, Olívia recebe de Walter as informações do que deve ser feito para impedir a ação do vírus. 

Olívia informa McFadden de que Walter encontrou a cura, mas os infectados que permaneceram no edifício estão tentando quebrar o vidro e sair do local, o que irá espalhar o vírus pelo planeta. O chefe do CDC diz que é preciso agir rapidamente, antes que eles consigam fazer isso, e que irá demorar várias horas para sintetizar o antídoto. 

Broyles sugere que eles devem bombear gás fentanil no edifício, o que deixará os infectados inconscientes. Entretanto, McFadden diz que o sistema de ventilação do edifício está desligado e que ele não irá enviar outro agente do CDC para lá. Porém, Olívia se oferece para fazer o trabalho de abrir o sistema de ventilação e Broyles concorda, mas o enérgico chefe do CDC fala que ela terá apenas 15 minutos para fazer isso. 

Obs10: Esta catastrófica erupção vulcânica do Monte Toba, datada de 75 mil anos atrás, realmente aconteceu (ver link abaixo).
Olha o Observer lá atrás...
Olívia entra no edifício para tentar abrir o sistema de ventilação, mas se depara com um inimigo feroz: Peter. É que depois de todo aquele tempo em que ele ficou infectado pelo vírus, o seu comportamento se tornou violento e irracional, pois ele se encontra sob o 'domínio' do vírus. E com isso Olívia é obrigada a lutar com Peter (que fala que ela o traiu), no estacionamento do edifício. Peter pega a arma da Olívia e a deixa para trás, entrando no elevador. 

Broyles tenta entrar em contato com ela, mas não consegue, telefona para Astrid, que diz que o sistema de ventilação continua fechado, o que leva Mcfadden a querer agir imediatamente, mas Broyles diz que há pessoas dentro do edifício que ele considera como sendo da sua família.

É a 'Fringe Family'...

Olívia consegue abrir o sistema de ventilação e o gás é bombeado por três militares que entraram no edifício. Com isso, Peter e os demais infectados ficam inconscientes. Depois, Walter injeta o antídoto em Peter, que acaba sendo curado. 

Desta vez, Walter conseguiu salvar a vida de Peter. Ele não morreu 'novamente'.

Peter pede desculpas a Olívia pela luta e ela responde dizendo que ele se encontrava fora de si. Ele faz uma ironia, dizendo 'Ainda bem que você estava normal'. 

Astrid pergunta a Walter o que ele quis dizer quando falou que não poderia deixar Peter morrer novamente e ele fala que não se deve mexer com certas coisas, chamando Astrid de 'Agente Farnsworth', o que é uma forma de mantê-la distante deste assunto. Mas é claro que a resposta de Walter a deixou ainda mais curiosa e intrigada. 

Fim.
Olívia sofre ao ver Peter infectado e querendo sair do edifício, mas ela sabe que não pode permitir isso, mesmo sabendo que ele poderá morrer. 

Conclusão:

Li vários textos (em inglês) a respeito deste episódio nos quais o mesmo é criticado pelo fato de que lembra vários episódios de 'X-Files', em especial um da primeira temporada que se chama 'Ice' ('Terror no Gelo'). De fato, há várias semelhanças entre eles. 

Assim, em ambos os episódios vemos os personagens presos em um local e sendo atacados por um vírus que tem milhares de anos de existência e que foi trazido à superfície terrestre após ser retirados das profundezas do planeta (de uma reserva de petróleo no caso de 'What Lies Below' e do gelo do Ártico no caso de 'Ice'). E nos dois episódios o vírus é responsável por gerar um comportamento agressivo, irracional e violento naqueles que são infectados. 

Assim, o contexto em que as tramas dos dois episódios se desenvolve é bastante semelhante. 

Porém, há várias diferenças entre os vírus das duas séries. O vírus de 'X-Files' é de origem alienígena, enquanto que o de 'Fringe' é terráqueo, mesmo. Além dissso, o vírus de 'X-Files' faz com que a violência que o mesmo desencadeia na pessoa que é infectada se volta contra ela mesma e vários dos contaminados cometeram suicídio. 

Já no caso de 'Fringe', a violência gerada pelo vírus é fruto da 'vontade' do mesmo de sair do edifício e, assim, poder se espalhar pelo planeta, com o objetivo de infectar os demais seres humanos. 

E a conclusão dos dois episódios também é diferente, pois no caso de 'Ice', a Scully descobre que o vírus é tão violento que ele se volta contra os outros que são semelhantes a ele, sendo que os dois espécimes que ela coloca juntos em um recipiente acabam se matando. 

Já no caso de 'What Lies Below' o vírus é neutralizado devido ao fato de Walter ter descoberto que o enxofre era eficiente para neutralizar o mesmo.

Outro episódio de 'X-Files' ao qual este episódio de 'Fringe' pode ser relacionado é 'Vienen', no qual o Vírus Alienígena é encontrado em uma reserva de petróleo localizada no Golfo do México. E mais um outro episódio de 'X-Files' ao qual esta trama de 'Fringe' pode ser relacionado é 'Firewalker' (2X09), no qual um forma de vida baseada em silício infectava as pessoas em uma região isolada, levando-as à morte. 

Assim, 'What Lies Below' remete claramente a estes três episódios de 'X-Files', fato este que é inegável.

Mas, independente da falta de originalidade na trama que foi desenvolvida, 'What Lies Below' acaba tendo algumas situações e diálogos interessantes, e prende a atenção do espectador do começo ao fim, como aquela que demonstra que Peter consegue perceber quando Olívia estava com medo, mesmo com esta sendo uma especialista em esconder os seus sentimentos das outras pessoas. Isso é algo que Charlie Francis, um amigo de longa data de Olívia, também conseguia reconhecer.

E mesmo sendo bastante contida em expressar os seus sentimentos, Olívia não consegue esconder a sua preocupação com Peter quando descobre que ele está contaminado e que ficará preso no edifício da empresa petrolífera.

E outros momentos relevantes do episódio foram aqueles que mostraram o medo de Walter em perder Peter. A maneira mal educada e grosseira como ele tratou os funcionários do CDC e o próprio chefe desta, Mcfadden, podem ser explicados, claramente, em função disso. 

A briga entre Peter (dominado pelo vírus) e Olívia também foi um momento interessante do episódio, e bastante estranho, é claro, pois é mais do que evidente a atração existente entre eles, algo que até a jovem Lisa Donovan (do episódio 'Unearthed' - 2X11) percebeu, chegando até a dizer para Olívia parar de perder tempo e aproveitar a vida. 

E mesmo com Astrid se mostrando de inteira confiança de Walter, de acreditar até o fim em que o genial cientista iria conseguir encontrar a cura e tendo decidido ficar ao lado dele até o fim não foi suficiente para impedir que Walter se recusasse a explicar o motivo de ter dito aquela enigmática frase, ou seja, de que não poderia permitir que Peter morresse novamente e, tal como disse para Astrid no final do episódio, que não se deveria mexer com certas coisas. 

Isso demonstra o quanto esse assunto era significativo e importante para Walter. Ele tinha os seus segredos, recusando-se a revelá-los, mesmo para os amigos mais próximos.

Tal momento é o único que, de fato, estabelece uma pequena conexão deste episódio com a Mitologia do seriado, mas que consegue segurar a atenção das pessoas do início ao fim da história.
Cena do ótimo episódio 'Ice' ('Terror no Gelo' - 1X08), de 'X-Files', que inegavelmente influenciou este episódio de 'Fringe', que apesar de ter momentos interessantes, não é um dos mais originais da série. 

Links:

'Fringe': 'What Lies Below' (Review):

http://www.avclub.com/tvclub/fringe-what-lies-below-37379

'Fringe': 'What Lies Below' (Review):

http://www.ign.com/articles/2010/01/22/fringe-what-lies-below-review



Frases e Diálogos:

1) Astrid: Estou procurando alguém que parece que se perdeu.
Funcionário: Certo. De que escola ele é?
Astrid: Ele não é de nenhuma escola, é um homem, ele se chama Walter Bishop.
Funcionário: Sei. Ele é um indivíduo especial.
Walter: Nem faz ideia. 

2) Walter: Pois é, quando se abre novas portas, há um preço a se pagar.

3) Kassel: Eu nunca vi nada parecido.
Peter: Sorte sua. 


4) Walter: Quero ir para o laboratório. Estou tentando determinar qual patogenia estou enfrentando. Quero uma amostra de sangue para analisar. 
McFadden: Eu entendo que queira auxiliar, doutor, mas eu tenho muita experiência com patogenias.
Walter: E eu fui presidente da bioquímica na Harvard e não tenho paciência com burocratas obtusos.

5) Walter: É uma tolice os seres humanos acreditarem que estamos no topo da cadeia alimentar. Na verdade, os vírus estão. 

6) Peter: Eu pensei que essa fosse a vantagem de ter pessoas que se importam com você. Ter alguém com quem conversar quando está com medo.

7) Walter: O vírus a impeliu a sair do prédio.

8) Walter: Não posso deixar que Peter morra de novo. Mas vai morrer. Todos eles morrerão. E eu não posso fazer nada. 

9) Broyles (para McFadden): Eu sei que você está no comando da operação aqui. Mas há pessoas lá dentro que considero da família. 

10) Astrid: Lá dentro, lá em cima, disse que não podia deixar que o Peter morresse de novo. O que quis dizer com isso?
Walter: Não se deve mexer com certas coisas, Agente Farnsworth.
Cena do excelente episódio 'Vienen', de 'X-Files', no qual Mulder e Doggett investigaram a presença do Vírus Alienígena numa reserva de petróleo. 

Links:

X-Files - Episódio 'Ice' ('Terror no Gelo' - 1X08):

http://www.marcelotanisho.com.br/2012/07/01/arquivo-x-1x08-terror-no-gelo-ice/

Erupção do Monte Toba:

http://cosmosfischer.blogspot.com.br/2011/03/teoria-da-catastrofe-de-tobao.html

http://www.publico.pt/ciencias/jornal/adn-mostra-que-humanos-modernos-so-estao-na-asia-ha-60-mil-anos-26688694

Trailer do Filme 'The Forbbiden Planet':




Viagem de Fernão de Magalhães:

http://www2.uol.com.br/historiaviva/artigos/fernao_de_magalhaes_deu_a_volta_ao_mundo__falso_.html


Informações Adicionais:

Audiência: 6.900.000;

Data de Exibição nos EUA: 21/01/2010;

Diretor: Deran Sarafian;

Roteiro: Jeff Vlaming;

Glyph Code: Window (Janela).


A glyph code deste episódio significa 'Janela'. E aqui pode tanto ser uma referência ao fato de que Peter ficou preso dentro do edifício, sendo visível apenas por uma 'janela' de vidro, como também pode se referir à maneira como Peter veio do Universo Vermelho para o Azul, o que será explicado nos próximos episódios. 

Músicas tocadas:

http://www.tunefind.com/show/fringe/season-2/4924