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quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

'Fringe' - A degeneração dos Universos e o retorno de Peter! - por Marcos Doniseti!

'Fringe' - A degeneração dos Universos e o retorno de Peter! - por Marcos Doniseti!

'Fringe' é como os bons vinhos, que melhoram com o passar do tempo!


Texto revisto e atualizado no dia 19/04/2015


As experiências do Dr. Krick, que misturavam ósmio e lutécio, somente foram bem sucedidas porque os Universos estavam passando por um processo de degeneração cada vez mais rápido. 

Estou revendo a 4a. temporada de 'Fringe' e penso que, além das lembranças e das memórias de Olívia e de Walter, mais um fator contribuiu para o retorno de Peter à história. 

Como vimos nas três primeiras temporadas, os dois Universos estavam passando por um processo de degeneração e que o mesmo estava se acelerando. 


Um episódio da terceira temporada que demonstra isso claramente foi 'Os' (3X16), no qual um cientista (o Dr. Krick) misturou lutécio e ósmio (as duas substâncias mais densas encontradas na Terra) e conseguiu criar um terceiro composto que permitia a paraplégicos flutuar.


Walter percebeu que isso não tinha sido nenhum milagre (como Krick pensava), mas que somente tinha sido possível porque o Universo estava se deteriorando. 


Em circunstâncias normais, ou seja, com os Universos em estado de equilíbrio, isso jamais aconteceria. 


Então, penso que esse mesmo fator, a degeneração dos Universos, colaborou para que Peter retornasse à trama do seriado. 


Em circunstâncias normais, com os Universos em estado de equilíbrio, tal possibilidade não seria viável, mas como os Universos estavam fragilizados, depois de tantos anos de travessias sendo realizadas entre os mesmos (por Walter, Walternate, pelos metamorfos, Bell, etc) e com a guerra que os mesmos travaram por muito tempo, tudo isso fez com que a degeneração de ambos os Universos se acelerasse. E isso acabou ajudando no retorno de Peter.


Vejam que, na 4a. temporada, os fatos se desenvolvem numa Timeline Reescrita. E nesta, segundo o que foi mostrado nos episódios do início da temporada, o Peter e o Peter-alt morreram no mesmo dia, nos dois Universos. 


Nesta Timeline Reescrita, Walter contou para Peter-alt que seu filho, o Peter do Universo Azul, havia morrido e que, daí, ele foi até o Universo Paralelo, o sequestrou e o trouxe para seu Universo, mas que ambos caíram no Reiden Lake e Peter-alt acabou morrendo. 


Logo, nesta Timeline Reescrita, nenhum dos Peters chegou à fase adulta.


E mesmo assim, o Peter-alt da Timeline Original acabou retornando à vida física na Timeline Reescrita, o que não deveria ter acontecido. Nesta 'nova' Timeline, Peter era um paradoxo e, logo, sequer deveria existir. Afinal, se nenhum dos dois Peter chegou à fase adulta, não pode existir um Peter adulto nesta Timeline. 


Porém, e entendo que tal fato é esclarecido nos primeiros episódios do quarto ano, penso que isso somente aconteceu, o retorno de Peter, porque os Universos estavam passando por um rápido processo de degeneração. 


E isso estava, inclusive, gerando anomalias temporais (vide o episódio 'And Those We've Left Behind'- 4X06) que faziam com o que o tempo voltasse quatro anos em função de uma experiência desenvolvida por Raymond e, sem que esta soubesse, a sua esposa Kate. 



Os Universos estavam tão deteriorados que permitiram o retorno de Peter, o que piorou ainda mais a condição deles, gerando uma série de anomalias espaço-temporais. Raymond e Kate conseguiam, com o uso de equipamentos simples, até fazer o tempo voltar 4 anos durante 47 minutos. 
Assim, o grau de degeneração dos Universos era tão elevado que um simples casal conseguia, com alguns cálculos e equipamentos não muito sofisticados, promover anomalias temporais no Universo. Embora essas anomalias tivessem começado após o retorno de Peter e fossem uma consequência deste retorno, a degeneração dos Universos era anterior a ambos os acontecimentos, e acabou contribuindo para que Peter voltasse à existência. 

É por isso que September disse ao December (já no 4X01 - 'Neihter Here Nor There') que a volta de Peter era impossível. 


De fato, em circunstâncias normais, numa situação de equilíbrio  entre os Universos, isso era impossível, mesmo, mas naquele contexto de degeneração 'o impossível tornou-se possível' e as memórias e lembranças que Walter e Olívia tinham dele, Peter, completaram o quadro, colaborando para o retorno do mesmo à vida.


Mas, outra questão que pode ser feita sobre a volta de Peter é a seguinte: 


Afinal, porque Peter não retornou à vida no Universo Vermelho, que foi onde ele nasceu e viveu os seus primeiros anos de vida? 


Entendo que foi aí que os laços emocionais (as memórias) que ligavam Peter com Walter e Olívia fizeram a diferença. Como o Peter-alt da Timeline Original viveu a maior parte do seu tempo de vida no Universo Azul e conviveu intensamente com Walter e Olívia, quando ele volta à vida, ele retorna para o Universo Azul e não para o Vermelho como, em tese, seria o 'correto'. 



Somente Olívia consegue atrair Peter, sob a forma de energia. 

Por isso, a explicação para a volta de Peter reúne tanto elementos científicos, de ficção científica, quando aspectos emotivos e sentimentais.

Como disse a própria Olívia (no episódio '6B' - 3X14'), não se trata apenas de física, mas também de pessoas. 


E a Ciência-Tecnologia e as Emoções Humanas são dois dos principais elementos que envolvem, praticamente, todas as tramas e episódios das cinco excelentes temporadas 'Fringe'. 


Obs: Quando vi os primeiros episódios da quarta temporada, estranhei muito, é claro, a ausência de Peter, que sempre foi um dos protagonistas do seriado, mesmo que no início (principalmente na 1a. temporada) ele não tivesse a mesma importância de Walter e Olívia. 


E na época esse estranhamento me fez não gostar tanto destes primeiros episódios. 


Porém, ao revê-los é perfeitamente possível perceber que eles foram muito bons, sim, e que o retorno de Peter à trama foi muito bem conduzida, de forma bastante detalhada e com muito cuidado, para que não soasse forçada, feita de qualquer maneira. 

Seus antigos parceiros de 'Fringe Division', por exemplo, não se lembravam dele, algo perfeitamente natural nesta Timeline Reescrita, onde ele morreu quando ainda era criança. As diferentes maneiras pelas quais Broyles, Walter, Olívia receberam Peter demonstram que tudo foi minuciosamente plajejado pelos produtores e roteiristas da série. Nada pareceu ser forçado, feito 'nas coxas', muito pelo contrário.


Broyles, por exemplo, ao ficar sabendo que aquele Peter sabia de fatos e informações confidenciais dos casos investigados pela 'Fringe Division', fez aquilo que era o que se esperava dele: prendeu Peter a fim de descobrir quem este era, realmente, e como o mesmo havia sabia tanto sobre as investigações feitas em caráter estritamente secreto pela Divisão Fringe.  

Assim, a maneira como foi conduzida a volta de Peter, um dos três protagonistas da série, à trama é um desses momentos em que uma série mostra o seu valor. 


E 'Fringe' soube mostrar o quanto era boa em um momento tão importante e delicado quanto este. Caso essa história do retorno de Peter tivesse sido mal conduzida e, com certeza, a série jamais teria tido mais uma temporada, que foi a quinta, última e excelente temporada.


E isso acabou acontecendo, mesmo tendo uma audiência baixa para os padrões das grandes redes comerciais de TV dos EUA, das quais a Fox é uma das maiores e mais poderosas. Aliás, se não fosse tão boa e não tivesse uma comunidade de fãs tão atuante, 'Fringe' não teria passado da 3a. temporada, quando a sua audiência já não era das maiores, como disse o próprio Joshua Jackson.

Logo, atualmente, gosto muito mais destes episódios do que gostei na época em que os vi pela primeira vez, quando o estranhamento da ausência de Peter foi significativo.


Isso demonstra, a meu ver, a imensa qualidade de 'Fringe', que é uma série que parece crescer com o tempo. 


'Fringe' parece ser como os bons vinhos, que vão melhorando com o passar do tempo. 



Peter retorna à existência física na Timeline Reescrita, o que nunca poderia acontecer, pois nela os dois Peters morreram quando eram crianças. Logo, ele retorna, mas na condição de Paradoxo.

Links:


Esclarecendo algumas dúvidas dos fãs - O retorno de Peter e as memórias de Olívia e Walter:


http://popeseries.blogspot.com.br/2013/01/fringe-esclarecendo-as-duvidas-dos-fas.html


As Timelines, Peter, o Paradoxo e os Observadores (contém SPOILERS):


http://popeseries.blogspot.com.br/2013/01/fringe-um-possivel-final-para-serie.html


quarta-feira, 8 de junho de 2011

Michio Kaku: 'Ficção é maneira mais simples de gerar interesse na ciência'!


'Ficção é maneira mais simples de gerar interesse na ciência', diz físico

G1 entrevistou Michio Kaku, físico cocriador da teoria das cordas. Para ele, o conhecimento científico é 'o motor da democracia'.

Mário Barra Do G1, em São Paulp

Há 150 anos, ao imaginar como seria a viagem do homem à Lua, o escritor Júlio Verne acertou quase na mosca três palpites: o primeiro voo sairia do estado norte-americano da Flórida, demoraria três dias para chegar ao destino e cairia no mar ao voltar à Terra. Tentando seguir seus passos, o físico teórico Michio Kaku também tenta adivinhar como ideias vindas da ficção científica, como colonizar galáxias distantes, seriam possíveis.

"O nosso desafio é mostrar para as pessoas como os conceitos científicos que vão governar o futuro no espaço podem ser compreendidos hoje mesmo, por qualquer pessoa", afirma o cientista norte-americano de 64 anos, cocriador da teoria das cordas -- agora, apresentador do programa "Física do Impossível", no canal de TV a cabo Discovery Science.

"A ficção talvez seja a maneira mais simples de fazer as pessoas se interessarem por ciência", afirma Kaku.

Especializado em teoria das cordas - campo da física que enxerga os átomos como se fossem "fios" extremamente pequenos e oferece uma nova interpretação para como o espaço e as coisas se comportam -, o cientista usa o conhecimento disponível atualmente no mundo da física e tenta aplicá-los para explicar como seria possível captar mais energia das estrelas ou mesmo povoar o espaço.

Ao ser lembrado sobre como ideias como essas parecem estar distantes da realidade, Kaku cita o exemplo de Verne. Para o cientista, o escritor não contava com o dom de premonição e mostrou como ideias estranhas durante uma época podem apontar corretamente o futuro.

"Como ele conseguiu saber tudo isso? Não pode ser pura especulação. Ele conversava com cientistas e conseguiu, com o conhecimento da época, enxergar algo que parecia improvável", afirma.

O 'futuro' nas crianças

Muito antes da fama de séries como ‘Jornada nas estrelas’ e ‘Guerra nas estrelas’, o físico norte-americano iniciou seu contato com ciência por meio de outra atração na TV: Flash Gordon, um dos primeiros herois espaciais.

"Foi a primeira vez que eu me interessei por naves, invisibilidade, aliens e viagens espaciais”, lembra o físico. A partir daí, Kaku nunca mais deixaria de espantar "como uma criança" e seguiria o caminho até virar um cientista profissional.

Esse olhar infantil do mundo é uma das armas nas quais Kaku mais acredita para despertar a atenção para a ciência. "Crianças consomem muita ficção científica, mas não sabem dizer se o que veem é verdade", diz. "Enquanto isso, na escola, a física 'de verdade' é ensinada de uma maneira muito chata, seca e intimidadora."

Crianças consomem muita ficção científica, mas não sabem dizer se o que veem é verdade"
Michio Kaku, físico teórico e apresentador, do programa 'Física do Impossível'

Para solucionar o problema, o físico sugere a ficção científica como uma possível porta de entrada para o conhecimento.

"O objetivo é tornar tópicos complicados em algo simples para as pessoas se interessarem, sem sacrificar o rigor científico. Usar um pouco do truque dos gibis, filmes e videogames, que captam a atenção das pessoas."

Descrevendo o conhecimento científico como "o motor da democracia", Kaku vai até mais longe para destacar a importância da introdução dos jovens no mundo científico. "A ciência gera riqueza, mas os benefícios só aparecem quando os jovens decidem virar parte dessa revolução", diz.

"Cada nação deve despertar o interesse. O mundo está ficando cada vez mais científico. Infelizmente, alguns países estão sendo deixados para trás, não estão investindo nos jovens e em educação."

Universos paralelos

Uma das "maluquices" dos físicos que Kaku tenta simplificar é a existência de universos paralelos, uma consequência da explicação oferecida pela teoria das cordas ao espaço.

"O universo pode ser entendido como uma bolha que está crescendo. Nós vivemos na superfície dessa bolha e estamos presos a ela. A teoria das cordas prevê que outras bolhas existem, seriam outros universos, paralelos ao nosso", afirma o físico.

Kaku defende a teoria das cordas como a explicação definitiva para a física, capaz de explicar todos os aspectos do universo. Essa busca pela "teoria do tudo" é também uma herança de sua infância: inspirado por Albert Einstein, outro que também tentou unificar todo o conhecimento da física em uma única equação de poucos centímetros de extensão.

A esperança de Kaku em poder provar a existência das suas "bolhas" pode estar em experimentos como o Grande Colisor de Hádrons (LHC, na sigla em inglês), na Suíça.

Caso esteja certo, Kaku teria mais um exemplo para apostar na força da ficção como um acesso ao futuro. "A teoria das cordas nos permite imaginar viagens ao passado e até mesmo 'warp drives' [termo famoso na série 'Jornada nas estrelas', que sugere uma forma de viajar a pontos distintos do espaço, a velocidades maiores que a da luz]", diz. "O que era impensável no passado, hoje é encarado com seriedade pelos cientistas."

Link:

http://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2011/05/ficcao-e-maneira-mais-simples-de-gerar-interesse-na-ciencia-diz-fisico.html