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sábado, 2 de setembro de 2017

'Não Amarás' - Kieslowski: A punição do 'pecado' por meio de uma bela, sensível e trágica história de amor! - Marcos Doniseti!

'Não Amarás' - Kieslowski: A punição do 'pecado' por meio de uma bela, sensível e trágica história de amor! - Marcos Doniseti!
'Não Amarás' recebeu vários prêmios internacionais e, junto com o 'Decálogo' e 'Não Matarás', tornou Kieslowski um cineasta respeitado e reconhecido no mundo inteiro. 

Kieslowski foi um dos principais e mais importantes cineastas europeus e da história do Cinema mundial. 
Já escrevi e publiquei vários textos a respeito de alguns dos seus principais filmes ('Sorte Cega', 'Sem Fim', 'A Dupla Vida de Véronique') e volto a fazer isso, sendo que agora escrevo sobre um dos seus mais belos filmes: 'Não Amarás'. 

Este filme é derivado de uma produção feita para a TV polonesa em 1988/89, que foi a monumental 'Decálogo', que tinha nos Dez Mandamentos bíblicos o seu ponto de partida. Kieslowski dirigiu dez médias-metragens, sendo que cada um deles era inspirado em um Mandamento. 'Não Amarás' é derivado do sexto mandamento ('Não Cometerás Adultério'). 

Os dez filmes tinham cerca de 58/60 minutos de duração cada um e neles o genial Kieslowski procurava refletir sobre a condição humana no mundo moderno, mostrando situações nas quais ficava evidente o quanto é difícil para as pessoas viver de acordo com os princípios e valores que os Dez Mandamentos determinam. 
'A Liberdade é Azul'? Não... É 'Não Amarás'. Kieslowski usava dos mesmos elementos em vários filmes, mas em contextos diferentes e com significados distintos. 

Foi graças ao sucesso e imensa repercussão internacional do 'Decálogo' que o incansável Kieslowski foi convidado para trabalhar na França, associando-se ao produtor franco-romeno Marin Karmitz (proprietário da produtora MK2), que passou a financiar e a produzir os filmes do genial cineasta polonês. Na França, Kieslowski dirigiu os clássicos imortais 'A Dupla Vida de Véronique' e a 'Trilogia das Cores' (‘Blue’, ‘Blanc’ e ‘Rouge’). 


E dois médias-metragens do 'Decálogo' foram transformados em longas-metragens por Kieslowski, dando origem a este 'Não Amarás' e ao também excepcional 'Não Matarás' (sobre a pena de morte). 

Ambos os longas foram lançados, inclusive, antes da exibição do 'Decálogo' na TV polonesa e conquistaram vários prêmios internacionais. 

No caso de 'Não Amarás', Kieslowski alterou o final quando decidiu realizar este longa-metragem e isso foi feito a pedido da atriz que interpreta Magda, que desejava um final um pouco mais otimista para o filme. Pessoalmente, gosto mais do final do filme feito para o Cinema do que daquele que ele escolheu para a sua versão televisiva. 
O solitário e tímido Tomek furta a luneta que usará para espionar Magda. Assim, apesar do seu amor por Magda ser caracterizado pela pureza e pela idealização da mesma, Tomek também comete alguns pecados em nome deste sentimento (ele violou o sétimo mandamento: 'Não Furtar') e também será punido por isso. 

Entendo que o final feito para o Cinema tem mais a 'cara' das produções deste fantástico cineasta polonês, embora o próprio Kieslowski imaginasse sempre muitos finais distintos para as suas produções. Este era um dos principais motivos pelos quais ele participava de todo o processo de montagem do filme, pois Kieslowski nunca sabia, de antemão, qual o final que iria escolher. 


As histórias dos dez episódios do 'Decálogo' se passam todas em um complexo de edifícios de apartamentos de Varsóvia, sendo que os protagonistas dos filmes feitos para a TV polonesa sempre acabavam fazendo pequenas aparições em outros episódios. 

O cenário deste belíssimo 'Não Amarás' é o mesmo local do 'Decálogo'. A diferença entre as duas produções é que o longa-metragem tem aproximadamente 25 minutos de duração a mais do que o filme feito para a TV.

A trama do filme gira em torno de um jovem (Tomek, com 19 anos), que trabalha nos Correios, e de uma bela e madura mulher (Magda), por quem Tomek desenvolve um amor intenso. 
Tomek trabalhando na agência dos Correios. Ao fundo vemos um quadro de uma mulher que se parece com um anjo e que lembra Magda, que é objeto do amor (puro e idealizado) do jovem tímido. Ele mandava falsos avisos para Magda apenas para ter a chance de vê-la tão próxima.

A primeira cena do filme já é uma antecipação do final, mostrando um braço enfaixado e uma mão tentando tocar no mesmo, mas sendo impedida por outra mão. 


Não vemos, porém, a quem pertencem as duas mãos e vemos que o braço é de um jovem (Tomek).

Tomek sempre coloca o relógio para despertar as 20hs30, pois este é o horário em que Magda chega ao seu apartamento, que se localiza em um prédio frontal àquele em que Tomek reside. O jovem funcionário dos Correios fica todas as noites observando Magda, com o uso de uma luneta, que ele roubou de uma loja. 

No momento do roubo, inclusive, vemos que Tomek quebrou o vidro de uma loja e os pequenos pedaços do mesmo eram todos azuis. Em 'Blue' ('A Liberdade é Azul') a protagonista (Julie Vignon, interpretada por Juliete Binoche) tem um lustre no mesmo tom de azul, sendo que o mesmo é a única peça da sua vida passada (anterior ao acidente) que ela preservou. Kieslowski fazia muito isso em suas obras, usando de elementos que já haviam aparecido em filmes anteriores, mas usando-os em outro contexto e com significados diferentes. 
Nos Correios, Tomek admira a mulher que tanto ama, mas de quem não tem coragem de se aproximar. Ele procura, de várias maneiras, chamar a atenção da sua bela vizinha.  

Anteriormente, era o seu amigo (Marcin), que foi para a Síria, quem espionava a bela mulher, com o uso de binóculos, sendo que o mesmo fez isso durante um ano. 
Tomek vive com a mãe do amigo, que gosta dele, pois assim ela não fica sozinha, já que o filho nunca fica muito tempo por ali e está sempre viajando para outros países. 

Em outro momento, a mãe de Marcin pergunta para Tomek se ele já se envolveu com alguma mulher e ele diz que não. Ela fala que embora as meninas beijem qualquer um o que elas gostam mesmo é de um homem que as trate com carinho. 

Tomek nota que Magda é uma mulher que não se prende a um único homem e que sempre recebe vários amantes em seu apartamento, o que o deixa com ciúmes e o faz sofrer. Para evitar que ela tenha relações sexuais com um destes homens, ele avisa aos funcionários da companhia de gás que há um vazamento no local, o que estraga a noite de prazer de Magda. 

Ele também tem o hábito de telefonar para Magda, mas sem dizer nada, o que a deixa irritada. 
O apartamento em que Tomek mora é branco. A cor branca representa o caráter puro, honesto e idealizado do amor que sente por Magda, que vive na luxúria e no pecado.  

Apesar do forte sentimento que tem por Magda, o tímido Tomek não tem coragem de se aproximar dela a fim de revelar o que sente e prefere usar de algumas estratégias para ver se a bela Magda começa a notar o seu interesse. 


Tomek tenta atrair a atenção de Magda, por exemplo, enviando falsos avisos dos Correios de que ela teria dinheiro para receber. Daí, ela vai até o posto de atendimento do Correio e não tem nada. Ele também passa a entregar o leite (branco e puro, que simboliza o seu amor por ela) para a vizinhança, a fim de poder vê-la todos os dias. 

É interessante notar o uso das cores por parte de Kieslowski neste belíssimo filme, principalmente o branco e o vermelho. A cor branca representa o amor puro, enquanto que a cor vermelha representa uma vida desprovida de sentimentos, libertina, marcada pelo 'pecado', para usar uma terminologia cristã. E também é bom ressaltar que branco e vermelho são as cores da bandeira da Polônia. 

O leite derramado (branco...) passa a ter um importante significado no filme, tal como acontece quando Magda rompe um relacionamento e chora em função disso, derramando o leite sobre a mesa. Ela literalmente chora sobre o leite derramado, ou seja, em função do relacionamento que fracassou. 
No apartamento de Magda predomina a cor vermelha, que representa a vida sexual livre e descompromissada (libertina) que ela tem, ou seja, uma vida de luxúria e pecado, o que a separa e a diferencia radicalmente da vida casta que Tomek leva. No cinema de Kieslowski as janelas, vidros e esferas delimitam uma separação entre realidades distintas (como as de Magda e Tomek). Esse aspecto do seu Cinema também estará presente nos filmes da sua fase francesa. 

Enquanto isso, o pano que Tomek usa para cobrir a sua luneta é vermelho, pois ele o utiliza para ver Magda se relacionando sexualmente com outros homens (sobre um lençol vermelho...), momento este em que ela estaria 'pecando'. E o telefone de Magda também é vermelho. Como se percebe a cor vermelha está muito presente no apartamento dela e simboliza a vida sexualmente livre que ela desfruta. 
 

Depois que viu Magda chorando, Tomek perguntou para a mãe de Marcin porque as pessoas choram e ela diz que elas fazem isso porque estão sofrendo e porque não conseguem suportar a vida. Tomek pergunta o que se pode fazer para tolerar isso e ela diz, com outras palavras, que uma dor mais forte faz esquecer a outra, mais fraca. 

Depois disso, Tomek passa a usar uma faca e a colocar a mesma entre os dedos da mão, de forma cada vez mais rápida, até que acaba se cortando. Assim, ele colocou em prática o ensinamento da mãe de Marcin, para ver se a dor gerada pelo corte o faria sofrer menos em função do seu amor frustrado por Magda. 

Nota-se que ele fez isso usando do pano vermelho, pois é o comportamento 'libertino' e ‘pecaminoso’ de Magda que o faz sofrer daquela maneira. 
Momento em que Tomek diz para Magda que a ama. Ao fundo vemos a cor vermelha (de Magda) envolvendo a cor branca (de Tomek), representando a incompatibilidade entre eles, pois enquanto Tomek fala de um amor puro e sincero (de caráter nobre e mais espiritual e que abre mão até do sexo), Magda está voltada apenas para relacionamentos vazios e desprovidos de sentimentos, que buscam apenas o prazer sexual (de natureza puramente carnal). 

Quando Tomek enviou o falso aviso de dinheiro para Magda pela segunda vez isso acabou gerando uma grande confusão, pois ela quis conversar com a gerente em função do ocorrido e foi acusada de querer roubar dinheiro dos outros, deixando-a indignada. 


Com isso, ele sai correndo atrás dela e confessa que foi ele que enviou os falsos avisos e que costuma observá-la todas as noites, dizendo ainda que na noite anterior ela havia chorado. Magda reage de maneira indignada, chamando-o de tarado, mas ela fica confusa e não consegue entender a razão daquele comportamento de Tomek, que fica arrasado com a reação da mulher que ama.

E naquela mesma noite ela decide preparar uma vingança, convidando um dos seus amantes para ir até o seu apartamento, a fim de ter relações sexuais com o mesmo, com o objetivo de fazer Tomek sofrer com isso. E a cama em Magda irá se relacionar sexualmente tem um lençol vermelho por cima. 

O homem, ao ser avisado por Magda que era observado, vai até o edifício de Tomek, que sai à rua e é agredido pelo mesmo. 
O 'Anjo Branco' (personagem do 'Decálogo') faz uma expressão triste quando vê Tomek feliz porque irá se encontrar com Magda. Ele sabe que os acontecimentos futuros serão trágicos para o jovem e casto voyeur. Assim, Kieslowski mostra que tem 'alguma coisa lá em cima' (um mundo espiritual) e que o Tempo não é cronológico e nem linear. Tais elementos também estarão presentes em 'A Dupla Vida de Véronique' e na belíssima 'Trilogia das Cores'. 

Mesmo assim, na manhã seguinte, Tomek vai entregar o leite (ou seja, o seu amor, marcado pela pureza) para Magda e a mesma o convida para entrar, mas ele se recusa. Quando é questionado por Magda, Tomek confessa que a ama, mas ao mesmo tempo ele diz que não quer nada com ela (nem sair ou tampouco beijá-la ou fazer amor com ela), o que a deixa confusa. 


O amor de Tomek por Magda é puro, tanto quanto o leite que entrega todas as manhãs, e isso algo que ela ainda não consegue compreender. Ela o vê como sendo muito semelhante aos outros homens, que a desejam apenas para ter relações sexuais rápidas, vazias e desprovidas de sentimentos.  

E talvez o jovem Tomek evite uma aproximação maior, em um primeiro momento, porque provavelmente teme que o objeto do seu amor, a bela Magda, a mulher que ele idealiza e com a qual sonha todas as noites, não seja merecedora do sentimento que nutre por ela. 

Obs1: Na porta do apartamento de Magda é possível ver as cores azul, branca e vermelha, que são as cores da bandeira da França, país em que Kieslowski foi trabalhar depois que produziu o fantástico 'Decálogo'. Coincidência?
Na grande e moderna cidade (Varsóvia) o jovem e casto Tomek tem uma existência marcada pela tristeza, melancolia e solidão. No 'Decálogo', Kieslowski mostra como o ser humano tem imensas dificuldades para viver de acordo com princípios e valores morais mais rígidos, como aqueles estipulados pelos Dez Mandamentos. 

Depois de muito refletir (e sofrer também...), Tomek decide convidar Magda para sair e ela aceita, o que o deixa imensamente feliz. Ele sai correndo com o carrinho de leite, momento no qual cruza com um homem inteiramente vestido de branco, que é um personagem sem nome que apareceu em 9 dos 10 filmes do 'Decálogo'. Ele é uma espécie de Anjo, que nada diz e apenas observa os acontecimentos. As expressões (de tristeza e melancolia) que ele faz antecipam os acontecimentos que irão afetar o apaixonado Tomek. 


No encontro Tomek diz para Magda que a ama, mas ela fala que isso não existe. Ela também comenta sobre os casos que teve com outros homens. 

Tomek mostra as cartas de um ex-amante de Magda, que ele confiscou, impedindo que ela as recebesse, e que foram enviadas da Austrália. Tomek diz que simpatizava com este antigo amante e ela diz que também gostava do mesmo, mas que agora isso não importa mais. 

Assim, ela demonstra toda a sua frieza com relação ao fato, pois não havia sentimentos mais fortes envolvidos neste seu relacionamento anterior, tal como acontecia com todos os seus relacionamentos, que eram caracterizados apenas pela busca do prazer sexual. Para ela esse amante havia sido apenas mais um entre tantos outros. 
Magda toca o leite que derramou sobre a mesa. Será a partir deste momento que ela e Tomek começarão a se aproximar. Assim, a sua vida de luxúria e pecado, que não lhe trás nenhuma felicidade e pela qual ela será punida, começará a mudar radicalmente a partir do momento em que entrará em contato com o amor puro que Tomek sente por ela. E o jovem tímido também mudará radicalmente em função deste relacionamento. 

Magda demonstra surpresa com as atitudes de Tomek em relação a ela: confisco das cartas, envio de falsos avisos, espionagem com a luneta, entrega do leite. Isso comprova que ela nunca teve alguém que realmente a tivesse amado de verdade. Os homens se envolviam com ela apenas pelo prazer sexual e ela agia de maneira semelhante com os mesmos. 


Tomek também demonstra a sua total inexperiência com mulheres, confessando para Magda que nunca havia se envolvido com nenhuma. Ela mostra um casal em outra mesa, onde o namorado acaricia a mão da garota, como uma maneira de mostrar para ele como o jovem deveria agir no encontro.

Eles saem do café. O ônibus está parado no ponto. Ela diz que se conseguirem entrar no mesmo então os dois irão para o apartamento dela. Eles não conseguem entrar no ônibus, mas vão para o apartamento dela mesmo assim. No local, ela começa a seduzir Tomek, colocando as mãos deste em suas coxas. Tomek fica excitado e, mesmo usando calça, ele goza... Daí ela lhe diz que ‘Isso é o Amor’. 

É como se ela tivesse desferido uma bofetada em Tomek, que fica horrorizado com o que ela falou e sai correndo do local. A vida de liberal e 'pecaminosa' de Magda, bem como a sua postura de total indiferença em relação ao sentimento puro de amor que Tomek nutria por ela, entrou em conflito com os sentimentos do jovem casto e que a idealiza. 
O encontro entre Magda e Tomek, no qual ela lhe disse que o Amor não existe. Em função disso ela vive de forma livre, descompromissada, passando de um relacionamento vazio a outro. Mas ela pagará um preço por isso.  

Outra forma de mostrar esses mundos e sentimentos opostos que Tomek e Magda representam é que enquanto ele toma café quando espiona Magda, esta prefere o leite. Café-com-Leite são muito diferentes ('opostos') mas também se complementam. Mas nem sempre eles se misturam. Além disso, enquanto o quarto de Tomek está sempre imerso na escuridão, o apartamento de Magda está sempre iluminado. 


Assim, temos várias dualidades presentes neste belo, sensível e poético filme do genial Kieslowski: 

- escuridão/claridade; 
- cores branca/vermelha; 
- café/leite; 
- vida casta/vida de luxúria;
- amor puro/prazer sexual. 

Depois dessa imensa decepção que sofreu, Tomek chega ao seu apartamento e toma uma decisão radical, que é a de cometer suicídio, cortando os pulsos. Afinal, como disse a mãe de Marcin, somente uma dor mais forte pode fazer esquecer outra dor. E a decepção de Tomek com Magda, com todo o sofrimento que ela provocou, somente poderá ser curada por meio da sua morte. 

O sangue de Tomek (vermelho, é claro, a cor dos ‘pecados’ cometidos por Magda), escorre por uma bacia (branca, a cor que representa o amor puro de Tomek por Magda). Esta é a maneira pela qual ele procura se livrar da impureza, que é representada pela atitude de Magda, para quem o amor não existe e tudo se resume ao sexo. 

Em seu apartamento, Magda vê uma ambulância que leva o jovem Tomek para o hospital. Ela vai até o apartamento onde Tomek residia, levando o casaco que ele esquecera, para conversar com a mãe de Marcin, mas esta não a recebe muito bem, pois culpa Magda pelo que aconteceu a Tomek. 
'Isso é o Amor' diz Magda, para um Tomek que fica decepcionado quando descobre que a mulher que ele tanto ama não existe, sendo apenas uma libertina, pecadora e que se relaciona de maneira fria e vazia com os homens.

E Marcin diz para Magda que Tomek está no hospital, de onde sairá em duas semanas, mas fala que não é uma boa ideia que Magda vá visitar o mesmo. Porém, quando encontra o carteiro, Magda fica sabendo da verdade, ou seja, que Tomek tentou cometer suicídio devido ao fato de ter sofrido uma grande decepção amorosa. 

E é claro que ela sabe que é a responsável pelo que aconteceu. 

Com isso, Magda passa a se comportar de maneira semelhante à de Tomek, anteriormente, quando o mesmo a amava intensamente, invertendo os papéis. Ela espiona o apartamento dele e vai até os Correios verificar se Tomek já voltou a trabalhar, tentando encontrá-lo. 

Magda também vai até o apartamento da mãe de Marcin, a quem pergunta se ele já voltou do hospital. 

Quando ela vê que Tomek voltou, ela é autorizada a entrar no apartamento e vê o jovem deitado, dormindo, com o braço enfaixado. Ela tenta tocar o braço do jovem, mas a mãe de Marcin não permite que isso aconteça (é a cena de abertura do filme se repetindo...). 
Magda, triste e solitária, ao lado de um vidro com manchas vermelhas (a cor dos pecados que ela cometeu), que a separam do exterior (branco, a cor do amor de Tomek). Logo, ela é punida por seus pecados (uma vida de prazer e luxúria que é representada pela cor vermelha), que agora a impedem de ter contato com o mundo externo (branco e puro), ou seja, com o amor de Tomek. 

Magda usa a luneta de Tomek e observa o seu próprio apartamento e imagina e visualiza uma cena em que ela chora por Tomek, com o leite derramado sobre a mesa, enquanto ele aparece e a toca, como que a perdoando pelo que havia feito com ele anteriormente. 


Agora, Magda o ama tanto quanto ele a amou e deseja ficar junto de Tomek. 

Mas o leite já foi derramado...

Obs2: Como se percebe, Kieslowski não dá um final propriamente dito para o filme, deixando o mesmo em aberto, para que as pessoas construam o seu próprio final. Esta foi uma atitude que também foi adotada, posteriormente, pelo produtor Chris Carter na série ‘The X-Files’, na qual os episódios também terminavam sem que tivessem um final. No início, os executivos da Fox (que produz e exibe a série nos EUA) reclamavam muito  com C.Carter em função disso, mas depois eles perceberam que o mistério ajudou a série a se tornar um grande sucesso e nunca mais reclamaram. Será que Chris Carter foi influenciado por Kieslowski? 
A bela cena em que Magda (a pecadora) imagina que Tomek (o casto) poderá perdoá-la pela maneira que agiu com ele. E Kieslowski deixa em aberto se isso será possível ou não. E tal como ocorreu em outros filmes dele o final é levemente otimista. 
Obs3: A bela e triste trilha sonora, de autoria de Zbgniew Priesner, é outro destaque deste fabuloso filme de Kieslowski.

Informações Adicionais:


Título: Krótki film o Milosci ('Uma Breve História de Amor' ou 'Não Amarás');
Diretor: Krzysztof Kieslowski;
Roteiro: Krzysztof Kieslowski e Krzysztof Piesiewicz; 
Ano de Produção: 1988; País de Produção: Polônia;
Duração: 83 minutos; Gênero: Drama; Romance;
Fotografia: Witold Adamek; Música: Zbigniew Preisner; 
Elenco: Grazyna Szapolowska (Magda); Olaf Lubaszenko (Tomek); Stefania Iwinska (Mãe de Marcin); Piotr Machalica (Roman); Artur Barcis (Anjo de Branco);
Prêmios: Melhor Filme no Festival Internacional de Chicado em 1989; 
Prêmio Especial do Júri no Festival de San Sebastian de 1988 (Espanha). 

Informações sobre o Filme:

http://www.imdb.com/title/tt0095467/?ref_=nv_sr_4

Trecho do Filme: 

domingo, 29 de janeiro de 2017

'A Dupla Vida de Véronique': Kieslowski fez uma obra-prima sobre vida, morte, destino, tragédia, acaso e livre-arbítrio! - Marcos Doniseti!

'A Dupla Vida de Véronique': Kieslowski fez uma obra-prima sobre vida, morte, destino, tragédia, acaso e livre-arbítrio! - Marcos Doniseti!
'La Double Vie de Véronique' (1991) é um filme belo, poético, romântico, trágico, melancólico, filosófico e misterioso do genial Kieslowski, que foi um dos mais importantes cineastas da história.

A formação e a trajetória de Kieslowski!

Krzysztof Kieslowski
foi mais um dos talentosos e criativos cineastas poloneses do Pós-Guerra. Ele se formou na famosa Escola de Cinema de Lodz, onde também estudaram Andrzej Wajda e Roman Polanski.


Kieslowski começou a filmar documentários em 1966 e somente na década de 1980 é que ele passou a se dedicar a realizar filmes ficcionais que, no entanto, estão intimamente relacionados ao momento histórico vivido pelos poloneses naquela época, em que o regime do 'Socialismo Real' enfrentava uma grave crise política, econômica e social, o que gerou a criação do movimento 'Solidariedade', liderado por Lech Walesa.

Esse movimento conquistou o apoio da quase totalidade dos poloneses, o que provocou a derrubada do governo 'comunista' em 1990, quando o o povo polonês elegeu um novo governo e Walesa tornou-se o novo Presidente do país. 

Os filmes de Kieslowski eram bastante críticos em relação ao sistema político, econômico e social dominante na Polônia entre 1945-1990 e justamente por isso é que os seus filmes eram frequentemente censurados. O filme 'Przypadek' ('Sorte Cega'), por exemplo, foi realizado em 1981 mas somente foi liberado pelo governo polonês em 1987. 

Após a realização de uma série de ótimos filmes e de uma monumental série de TV ('Dekalog'), que foi baseada nos Dez mandamentos, mas que tratava da vida humana no mundo atual, com seus dilemas, conflitos, angústias e contradições, a fama de Kieslowski atravessou fronteiras, consagrando-o como um dos principais cineastas contemporâneos, recebendo vários prêmios internacionais importantes (no Festival de Cannes, por exemplo).
A jovem e bela polonesa Weronika viaja para Cracóvia, de trem, enquanto observa as estrelas verde e vermelha dentro da pequena esfera.

Com a consagração de 'Dekalog', Kieslowski foi convidado para trabalhar na França, mas sem que isso significasse cortar inteiramente os laços com a sua terra natal, a Polônia. 


Essa dualidade pode ser claramente notada, inclusive, na produção de seu primeiro filme 'francês', que é esta obra-prima chamada 'A Dupla Vida de Véronique', pois a história do filme se desenvolve em dois países (Polônia e França), com duas personagens que são idênticas, não apenas nos aspectos físicos, mas também espirituais.

A protagonista do filme, interpretada pela bela e talentosa Irene Jacob, é uma jovem formada em Música. Mas acontece que a protagonista não é apenas uma, mas duas pessoas e que se chamam Weronika (a jovem polonesa) e Véronique (a jovem francesa).


As duas bonitas jovens nasceram no mesmo dia, mês e ano (23/11/1966), mas em duas cidades diferentes (Varsóvia e Paris) e ambas se formaram em Música. E o que acontecia na vida de uma delas, acabava se refletindo na vida da outra, em vários momentos, como se elas estivessem interligadas por tênues fios invisíveis. Inclusive, ambas sofriam dos mesmos problemas cardíacos, que acabará sendo fatal para uma delas. 

Cena na qual a imagem parece distorcida, como se estivesse mostrando uma outra realidade. 

Assim, quando Weronika, ainda criança (com apenas dois anos de idade), queimou a mão, Véronique quase fez o mesmo, em Paris, dias depois, mas evitou de fazer isso ao retirar a sua mão no último momento, embora não soubesse, é claro, o que havia acontecido com Weronika, a milhares de quilômetros de distância. Mas o que havia ocorrido com Weronika acabou evitando que ela fizesse a mesma coisa. 


Essa conexão entre as duas jovens (uma polonesa e outra francesa) pode ser interpretada de várias maneiras, pois essa é uma característica dos filmes do genial Kieslowski, ou seja, ele apresenta uma série de questões, mostra a sua visão dos acontecimentos, mas deixa espaço em sua obra para que aqueles que assistem aos seus filmes possam interpreta-la à sua própria maneira.


Tal conexão pode ser vista, por exemplo, como uma ligação espiritual que existiria entre as duas jovens, o que explicaria o fato de que aquilo que acontecia com uma, acabava mexendo com as sensações e sentimentos da outra. 


Weronika, por exemplo, diz ao seu pai que sente que não está sozinha no mundo. Ele responde que ela não está, mesmo, demonstrando não compreender o que a sua filha havia dito. 


E muitos pequenos detalhes também mostram essa conexão entre elas. 

Momento em que Weronika vê, pela primeira e única vez, a francesa Véronique junto com o grupo de turistas, que está correndo para entrar no ônibus, enquanto estudantes e policiais entram em conflito na praça de Cracóvia. 

Assim, quando o namorado de Weronika (Antek) fica hospedado em um hotel de Cracóvia, para onde ela viajou, o número do quarto é 287. 
Enquanto isso, quando Véronique se hospeda em um hotel de Paris, enquanto era perseguida por Alexandre (por quem estava apaixonada, mas que a havia decepcionado), o número do quarto no qual ela fica também é o de número 287. 


Logo, vemos em vários momentos do filme que as duas personagens estão ligadas por formas de comunicação não-verbais. E esta duplicidade das protagonistas é representada pelo uso das cores vermelha e verde. As duas cores aparecem o tempo inteiro, do início ao fim do filme, representando a ligação existente entre as duas jovens. 


No filme, também temos um único momento no qual as duas estiveram bem próximas. Isso ocorreu quando Véronique fez uma viagem pela Polônia, Hungria e Tchecoslováquia. 


E vemos que Véronique esteve em Cracóvia, em uma praça na qual ocorria uma manifestação estudantil que protestava contra o governo do país, Weronika percebe a presença de Véronique, que não a vê em nenhum momento e que está entrando em um ônibus de turistas (enquanto fotografava o povo na praça). Weronika fica olhando para Véronique, surpresa, sem acreditar no que estava acontecendo, mas Véronique não a vê. 

A francesa Véronique, dentro do ônibus, em Cracóvia. Ela fotografou Weronika, mas somente irá perceber isso mais adiante, graças à Alexandre. 

Posteriormente, somente no final do filme, é que Véronique irá se dar conta de que esteve na mesma praça em que Weronika se encontrava, ao mesmo tempo que a jovem polonesa. 


Além da conexão espiritual, uma outra possível explicação para essa duplicidade e para a conexão existente entre Weronika/Véronique é o mito europeu do doppelganger, que surgiu no século XIX e que possui origem germânica. Este mito diz que todos nós temos um duplo, que é idêntico em tudo a nós, não apenas nos aspectos físicos, mas também nos espirituais, bem como nas características de nossa personalidade.  


E duas outras possíveis explicações podem ser usadas para entender a relação existente entre a polonesa Weronika e a francesa Véronique, que vivem a uma imensa distância uma da outra, mesmo sendo tão semelhantes em praticamente tudo, que são: A) Universos Paralelos; B) Entrelaçamento Quântico.


Se o filme de Kieslowski fosse de ficção científica, então a teoria dos Universos Paralelos (Teoria dos Muitos Mundos ou do Multiverso, elaborada pelo físico Hugh Everett, em 1954) poderia ser aplicada para explicar a conexão entre as duas jovens. Segundo esta teoria, o nosso Universo não é o único. Existiriam muitos outros Universos, nos quais teríamos réplicas da Terra e de nós mesmos. E estas nossas réplicas seria muito semelhantes a nós, nos aspectos físicos, espirituais, aspectos da personalidade. 

Momento em que Weronika vê, em Cracóvia, Véronique dentro do ônibus de turistas. Ao fundo uma tropa da Polícia, que está reprimindo uma manifestação estudantil contra o governo polonês. 

Aliás, há um momento no filme no qual essa possibilidade parecer estar sendo sugerida por Kieslowski, que ocorre quando Weronika está viajando de trem para Cracóvia e olha pelo vidro e a imagem é um pouco modificada, como se estivesse mostrando a imagem de uma outra realidade, de um mundo alternativo. 


E uma última possibilidade para explicar essa forte ligação que temos entre Weronika/Véronique é a ideia do Entrelaçamento Quântico, a qual Einstein chamou, de forma irônica e espirituosa, de 'Ação Fantasmagórica à Distância'. 


Segundo este aspecto da Física Quântica, dois elétrons podem estar separados por uma gigantesca distância no espaço, mas o que acontece com um acaba refletindo no outro, independente do quão distantes possam estar. Einstein contestou tal ideia, porque ela violava a lei da Física que diz que nada pode viajar mais rápido do que a Luz. 


Mas o genial Einstein se enganou e, agora, é reconhecido que o Entrelaçamento Quântico realmente existe. Assim, há uma influência mútua entre tudo o que existe no Universo, não importando qual seja a distância que exista entre os diferentes objetos.  

A mulher misteriosa que vê Weronika sendo aceita como a nova soprano da Orquestra, na Polônia. Depois que Weronika morre, ela estará em Paris, onde ficará espantada ao se encontrar com Véronique e verificar a imensa semelhança existente entre as duas jovens. 

Obs1: 
Uma série de TV que usou e desenvolveu bastante essa Teoria do Multiverso de Everett foi a ótima 'Fringe', sobre a qual escrevi e postei muitos textos aqui no blog. Aliás, a ideia do Entrelaçamento Quântico, de formas de comunicação não-verbais e a existência de doppelgangers também estão presentes no seriado. Será que os produtores e roteiristas de 'Fringe' eram admiradores de Kieslowski? 


Então, todas estas possibilidades podem ser usadas para explicar porque as duas jovens, Weronika e Véronique estão conectadas e porque sentem que não estão sozinhas (Weronika) ou porque são afetadas por acontecimentos aos quais elas não tem ligação direta (Véronique). 


E a conexão entre as duas jovens é tão forte que quando Weronika morre, logo após ter sido escolhida para se tornar a soprano de uma orquestra, Véronique desiste de continuar com as suas aulas de canto, para desgosto do seu professor. Ela nem sabe explicar o motivo da sua decisão, mas claramente ela age desta maneira porque foi muito afetada, mesmo sem o saber, pela morte de Weronika. 


Véronique diz, para Alexandre, que a vida inteira ela teve a sensação de que nunca esteve sozinha. E ao mostrar os objetos que estão dentro de sua bolsa para ele, no hotel, ele vê uma fotografia, que Véronique tirou quando viajou para Cracóvia. Ela percebe que fotografou Weronika, a jovem que é idêntica à ela e com quem ela se sentiu ligada durante toda a sua vida. 


Logo, Véronique se dá conta da conexão que sentia com a jovem polonesa e chora, emocionada. 
Uma senhora idosa e corcunda, que anda com dificuldade. Será que os seres humanos são tão frágeis? 

Aliás, a própria maneira como Véronique e Alexandre se conheceram e se apaixonaram foi meio que de repente, eles nem mesmo conseguem explicar como este sentimento nasceu entre eles. É como se já estivesse pré-determinado que isso iria acontecer, o que é uma forma de Kieslowski questionar se, de fato, os seres humanos possuem o controle sobre as suas vidas ou se não passam de marionetes num jogo maior, a respeito do qual pouco conhecem, não possuindo controle algum sobre o seu destino.  


Além disso, o belo, poético e filosófico filme de Kieslowski também faz referências ao momento político que a Polônia vivenciava em 1990/91, quando o filme foi produzido, que foi justamente a época em que o regime comunista estava desmoronando e o país vivia um processo de democratização. 


O protesto na praça em Cracóvia e a retirada de uma gigantesca estátua (que parece ser de Lenin) são claras referências a estas mudanças políticas e sociais que ocorriam na Polônia. O filme também faz referência aos atentados terroristas que aconteciam na França naquela época. 


Mas em 'A Dupla Vida de Véronique' estes aspectos políticos ficam claramente em segundo plano, o que é uma diferença marcante em relação aos filmes realizados por Kieslowski quando o mesmo trabalhava na Polônia, quando vários dos seus filmes tinham nas questões políticas e sociais o seu tema dominante. 

Véronique fica triste quando descobre que Alexandre, por quem ela se apaixonou, entrou em contato com ela apenas porque estava escrevendo um livro e queria fazer um teste psicológico com uma mulher, sem ter tido nenhum motivo especial para te-la escolhido. 

Desta maneira, se nos filmes da sua fase polonesa predominam os aspectos exteriores da realidade e de que maneira os personagens de seus filmes eram afetados tais acontecimentos, ao começar a filmar na França o cineasta polonês parece ter passado a priorizar o interior dos personagens. 


Outro aspecto marcante deste filme fabuloso de Kieslowski está relacionado à questão do livre-arbítrio. 


Kieslowski parece questionar se os seres humanos são realmente livres para tomar as suas decisões ou se os mesmos são apenas meras marionetes que são manipuladas por uma Força Superior (ou Forças Superiores)? Aliás, o namorado (Alexandre) francês de Véronique é justamente alguém que trabalha com marionetes. 


Ou será que os acontecimentos que mudam e definem as nossas vidas são frutos do acaso? 


Alexandre chega a fazer duas marionetes de Véronique, sendo que ele justifica isso dizendo que elas costumam quebrar facilmente. Kieslowski parece que está se referindo à fragilidade do ser humano. Esta ideia sobre a fragilidade humana parecer ser representada no filme pela presença de uma senhora idosa, corcunda, que anda lentamente. 

Véronique e Alexandre mal se conhecem e se apaixonam, como se isso já estivesse escrito. 

Será que é assim que Deus age em relação aos seres humanos, parece perguntar Kieslowski, criando várias versões de cada um de nós, pois somos muito frágeis e quebramos facilmente?


A história de vida de Weronika e de Véronique não fecha as portas para nenhuma destas possibilidades. 


Com isso, Kieslowski consegue fazer uma série de questionamentos a respeito da existência e da vida humana, apresentando a sua visão sobre a mesma, ao mesmo tempo em que deixa espaço para que as pessoas possam assistir, refletir e tirar as suas próprias conclusões. 


E tudo isso é feito ao mesmo tempo em que vemos a um filme absolutamente maravilhoso, que é uma verdadeira obra-prima do Cinema mundial, com uma fotografia estupenda e que também possui uma das mais belas trilhas sonoras da história, de autoria de Zbigniew Presnier, que trabalhou com Kieslowski em inúmeros filmes (tal como ocorreu no 'Decálogo'). 

Momento no qual Véronique descobre que havia fotografado Weronika, quando viajou para Cracóvia. 

Infelizmente, o genial e talentoso Kieslowski encerrou a sua carreira logo após filmar 'A Fraternidade é Vermelha' (1994), ou seja, após encerrar a sua fantástica 'Trilogia das Cores'.


Depois disso, Kieslowski anunciou que não realizaria mais nenhum filme, pois afirmou que já havia dito tudo o que desejava em seus filmes. E poucos meses depois ele faleceu...


Destino? Talvez. Não sei. 


Mas seria tão bom se existisse um duplo de Kieslowski e o mesmo desse continuidade à sua carreira, criando novos e geniais filmes, que fossem tão excepcionais quanto 'A Dupla Vida de Véronique'. 

Alexandre mostra uma das marionetes que fez de Véronique. Ele fez duas, porque elas, tal como os seres humanos, se quebram facilmente. 

Informações Adicionais!


Título: La Double Vie de Véronique (A Dupla Vida de Véronique);

Diretor: Krzysztof Kieslowski;
Roteiro: Krzysztof Kieslowski e Krzysztof Piesiewicz;
Duração: 93 minutos;
Ano de Produção: 1991; 
Países de Produção: França, Polônia e Noruega;
Gênero: Drama;
Música: Zbigniew Preisner;
Fotografia: Slawomir Idziak;
Elenco: Irène Jacob (Weronika/Véronique); Aleksander Bardini (Maestro); Wladyslasw Kowalski (Pai de Weronika); Jerzy Gudejko (Antek); Philippe Volter (Alexandre Fabbri); Sandrine Dumas (Catherine); Claude Duneton (Pai de Véronique); Gilles Gaston-Dreyfus (Jean-Pierre);
Prêmios: 
Melhor Filme: Sindicato de Críticos de Cinema da França; 
Irène Jacob: Melhor Atriz no Festival de Cannes de 1991; 
K.Kieslowski: Melhor Diretor pela Federação Internacional de Críticos de Cinema - FIPRESCI.
Fim. 

Links:


Teoria dos Muito Mundos ou do Multiverso de Hugh Everett:


http://hypescience.com/interpretacao-de-muitos-mundos-vai-dar-um-no-na-sua-cabeca/


A Teoria do Multiverso pode estar certa?


http://hypescience.com/teoria-do-multiverso/

O Entrelaçamento Quântico realmente existe:


http://hypescience.com/emaranhamento-quantico-prova/


O mito do Doppelganger:


http://hypescience.com/10-historias-perturbadoras-de-doppelgangers/


Kieslowski: Outra Europa, outros filmes, outros públicos:


https://www.publico.pt/2015/12/05/culturaipsilon/noticia/kieslowski-1716160

Informações sobre o filme:

http://www.imdb.com/title/tt0101765/?ref_=nm_flmg_wr_10

Vídeo - Trailer do filme: