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domingo, 14 de fevereiro de 2016

'The Man in the High Castle' (O Homem do Castelo Alto) - Episódio "Sunrise" (1X02) - Marcos Doniseti!

'The Man in the High Castle' (O Homem do Castelo Alto) - Episódio "Sunrise" (1X02) - Marcos Doniseti!
Na visão alternativa da história da obra de Philip K. Dick que é mostrada em 'O Homem do Castelo Alto', os países do Eixo venceram a Segunda Guerra Mundial e dividiram o Mundo e os EUA entre si. 
Neste segundo e ótimo episódio da série criada por Frank Spotnitz, vemos o Frank Frink sendo preso e espancado pela polícia japonesa. Esta deseja tirar dele a informação de onde se encontra Juliana, mas ele se recusa a dizer, até porque ele não tem como saber. Para pressioná-lo, a sua irmã e os dois filhos desta também são presos. Se Frank não revelar a localização de Juliana, eles serão mortos pelos japoneses.

Enquanto isso, Joe Blake continua ajudando Juliana, pagando a estadia desta em um hotel de Canon City, no Colorado. Eles vão passear, param sobre uma ponte e Joe diz que não há um nascer do sol semelhante àquele em Manhattan (Nova York). É impressão minha ou 'pintou um clima' de romance entre os dois? O problema é que nós sabemos que Juliana tem, em seu poder, a cópia de um filme que Joe tem a missão de recuperar. Como ele irá reagir quando descobrir isso? O que falará mais forte: Sua lealdade ao nazismo ou o amor por Juliana?

Obs1: Parece que a General Motors está fazendo um bom merchandising na série. O caminhão de Joe é da GMC e a marca Chevrolet aparece com destaque no episódio. 

Os modelos dos carros são antigos, é claro, afinal a história se passa no início dos anos 1960, mas a propaganda da marca GM e Chevrolet é feita o tempo inteiro. 

No diálogo entre eles após retornar do passeio até a ponte, Joe quer saber se Juliana tem algum compromisso com outro homem e ela confirma, citando Frank. Depois foi a vez dela se interessar em saber porque ele dirigia caminhão, com o mesmo respondendo que estava 'seguindo os passos do pai'. 

Juliana consegue um emprego de garçonete em um restaurante chamado 'Sunrise,' de Canon City, e Joe fica sabendo que recebeu um telefonema quando estava ausente.
Juliana e Joe vendo o nascer do sol juntos... Como aonde tem fumaça, tem fogo, será que vai 'rolar' um romance entre os dois?
Enquanto isso, vemos John Smith reunido com a sua família, para o café da manhã. 

E fica claro que a família de Smith reproduz a estrutura autoritária, rígida, patriarcal e hierárquica do regime nazista, com o pai concentrando todos os poderes em suas mãos e os demais integrantes (incluindo a esposa) sendo totalmente submissos à sua autoridade, tal como acontecia em relação ao Fuhrer, Hitler. 

Cada ato dos membros da família tem que contar com a sua autorização, como fica claro quando Thomas quer estudar enquanto toma café pois há um outro aluno em sua classe, Randolph, que compete com ele pelas maiores notas, embora seja um dissidente que adota um comportamento crítico, individualista e rebelde. 

Smith pergunta ao filho porque este deseja se sobressair e o mesmo responde que é para deixar a sua família orgulhosa, levar respeito à sua escola e servir ao país, ou seja, são objetivos altruístas, como diz Smith. 

Smith diz que Randolph só quer saber de satisfação pessoal e que tal forma de comportamento leva à decadência moral, que teria arruinado os EUA antes da Guerra e que o filho, Thomas, irá crescer e ser útil para a sociedade e ajudará a fortalecer a Nação, enquanto que Randolph ão dará qualquer contribuição positiva para a sociedade, independente das suas notas na escola. Com isso, ele autoriza o filho a estudar enquanto toma café, o que surpreende até a própria esposa, mas somente naquele dia.

Obs2: É bom ficar claro que esse discurso de John Smith se encaixa perfeitamente na doutrina nazista, que priorizava a submissão do indivíduo aos interesses do regime hitlerista. Os interesses do Estado, da Nação e da 'Raça Ariana Superior' se impunham totalmente aos interesses individuais. O Nazismo rejeitava o liberalismo, mas não tinha nada a ver com o Socialismo, pois o seu principal objetivo era eternizar as desigualdades sociais, em vez de tentar eliminá-las, como defende o Socialismo. Como se percebe, os produtores da série estudaram bem o assunto antes de criar o seriado, o que comprova os cuidados que tiveram para produzi-lo.
O discurso de John Smith resume perfeitamente a essência do regime Nazista, que possuía um caráter racista, elitista, autoritário e que era contrário a toda e qualquer forma de igualdade ou de liberdade, fosse individual ou coletiva. 
Joe Blake telefona para John Smith e este pergunta se já encontrou o seu contato, com o agente dizendo que não... De fato, ele já encontrou, é a Juliana, mas ele ainda não sabe disso. Mas ele fica pensativo quando Smith lhe diz que seu contato veio de São Francisco e é uma mulher. Quando pergunta sobre o filme e sobre a sua missão, Smith lhe diz que o papel de Joe é obedecer ordens e não fazer perguntas, afirmando que este presta um grande serviço pela Pátria. 

Enquanto isso, Frank Frink é despido e interrogado pelo inspetor Kido, que informa ter descoberto a origem judaica da família do preso, informando que as leis raciais do regime nazista também tem validade na parte do território dos EUA que é dominada pelo Japão e que, além dele, a irmã, Laura, e os filhos, também deverão ser mortos, a não ser que Frink os informe a respeito da localização de Juliana, que está com o filme que lhe foi dado pela irmã, Trudy Walker. 

Juliana tem um bilhete informando o horário, a data e o local em que deverá encontrar o seu contato. Em seu trabalho, no restaurante, um cliente lê a Bíblia, o que é proibido, e se mostra bastante simpático com ela e que diz que 'se encontra muita coisa interessante na Zona Neutra'.

Joe liga a TV, mas não tem nada de muito interessante para assistir, mas depois ele pega o rolo de filme onde vemos a frase 'O Gafanhoto torna-se pesado'.  

Na sede da Autoridade Japonesa do Pacífico ocorre uma reunião na qual o embaixador nazista exige do líder nipônico, Nobusuke Tagomi, que os japoneses tomem medidas urgentes para recuperar um dos rolos do filme feitos pelo 'Homem do Castelo Alto' antes que este morresse e que se encontra com uma mulher (Juliana, é claro).
Líderes japoneses e alemães tentam recuperar o rolo de filme que se encontra com Juliana. Nazistas dizem que se os japoneses não os encontrarem, eles mesmos farão isso, levando o líder nipônico a dizer que eles devem ter cuidado, pois se encontram em território japonês, mas alemães insistem que isso é uma questão de Estado. Hitler determinou que os rolos dos filmes fossem confiscados, pois teme as consequências caso o conteúdo deles chegue até a população. 
Finalmente chegou o horário pré-determinado para Juliana encontrar o seu contato, mas o leitor da Bíblia é quem conversa com ela e cujo nome é 'Line-Faced Man' ou 'homem com cara de leão, uma pessoa que realmente existiu e cujo nome era Stephan Bibrowski.

Neste momento o 'Line-Faced Man' diz para Juliana que os japoneses consideram que o Imperador tem origem divina e que eles acreditam que devem se sacrificar pelo seu país, enquanto que para os nazistas não existe vida espiritual alguma. 

E quando ela pergunta no que ele acredita, ele responde apenas 'capítulo 12, versículo 5'. Assim, 12/5 não era o horário, tal como Juliana pensava, mas um trecho da Bíblia, do livro do Eclesiastes. O contato diz que ela deve comprar uma Bíblia. 

Erich, assistente de John Smith, é atacado junto com o chefe, por membros da Resistência, quando se deslocavam de automóvel por Nova York. Antes eles travam um diálogo no qual John Smith sugere que os filmes que procuram não foram feitos pelo 'Homem do Castelo Alto'. Erich diz que ouviu falar de que Hitler considera que os filmes são uma ameaça à existência do Reich Nazista. 

Obs3: O livro de Philip K. Dick cria uma realidade alternativa, na qual o Japão e a Alemanha Nazista venceram a Segunda Guerra Mundial. E dentro da sua história, temos filmes que mostram uma outra realidade alternativa, na qual os Aliados é que venceram a Guerra. É como se ele estivesse perguntando: Afinal, o que é mesmo a Realidade?
John Smith e seu assistente, Erich, foram atacados por membros da Resistência, mas ele sobreviveu ao mesmo. 
O amigo de Frank, Ed, se preocupa com o fato dele não ter aparecido para trabalhar e pede autorização ao chefe para verificar o que aconteceu. Chegando à casa de Frank, ele vê que algo aconteceu com o amigo. 

Na prisão, o vizinho de Frank, Randall diz que foi quem entregou o rolo de filme para Trudy ( ele era um dos contatos da irmã de Juliana e que se encontrou com esta na estação rodoviária... ver episódio 'The New World - 1X01) e Frank tenta convencê-lo a dizer aos japoneses que não tem nada a ver com tudo aquilo. 

Randall conversa com Frank, dizendo que deseja liberdade, mas Frank fala que não quer nada, preocupando-se apenas com sua própria vida, e que prefere manter a cabeça abaixada e a boca fechada, pois o importante para ele é sobreviver. Frank admite que sabe para onde Juliana foi, mas que não diz nada porque se o fizesse seria morto do mesmo jeito. 

Juliana pede um intervalo em seu trabalho e se dirige á livraria para comprar um exemplar da Bíblia (na versão do Rei Jaime). O dono resiste, pois isso é ilegal, mas acaba vendendo um exemplar. 

Um outro assistente de Smith lhe diz que um dos presos por Smith no ataque é filho de judeus executados no campo de Cincinatti em 17/05/1951, falando que 'nós os exterminamos e eles voltam como coelhos', sendo criticado por Smith em função disso, pois este diz que eles não são piolhos, mas que eles matam oficiais nazistas, são terroristas e que não devem ser subestimados. Smith também diz que muda o seu trajeto todos os dias e que, mesmo assim, eles sabiam onde atacá-lo.
Frank Frink não quer saber de lutar pela liberdade e se preocupa apenas com o seu bem estar individual. 
Randall diz para Frank que eles estão sendo torturados porque o filme mostra como a realidade pode ser e não como ela é, mas Frank fala que Randall e os seus aliados são 'Utópicos da Resistência' e que não tem chance alguma de derrotar os japoneses e os nazistas. E Randall rebate, dizendo que 'o Mal só vence quando homens de bem não fazem nada'. 

Essa frase me parece ser uma citação de outra, dita por Martin Luther King, que falou o seguinte: 'O que me preocupa não é o grito dos maus, mas o silêncio dos bons'.  

Joe, que vigia Juliana o tempo inteiro, vai até a livraria e diz que quer comprar um livro para crianças. O dono recomenda 'As Aventuras de Hucleberry Finn' (livro de autoria de Mark Twain). Mas o que Joe queria, mesmo, era descobrir qual o livro que Juliana havia comprado, mas o dono diz que 'não se lembra' dela, protegendo Juliana. Esta lê a Bíblia e encontra o trecho que se refere ao 'gafanhoto que se torna pesado', que se refere a uma situação em que as pessoas enfrentam grandes dificuldades. Juliana telefona para Frank, pois ela não sabe que ele está preso. Outra pessoa atende a ligação e, com medo, ela desliga. 

O líder nipônico, Tagomi, recebe um coronel alemão (Wegener) que lhe passa informações a respeito da situação política alemã, se disfarçando de embaixador da Suécia. Tagomi conta a respeito da pressão que o embaixador alemão fez para que os japoneses encontrem a mulher que tem o rolo do filme do 'Homem do Castelo Alto' e o Coronel Wegener diz que quando Hitler morrer haverá guerra entre os dois países e que o destino está nas mãos dos homens. 
Membros da Resistência, quando atacavam John Smith e Erich. 
A irmã de Frank Frink, Laura Crothers (interpretada pela belíssima Christine Chatelain), e os filhos desta (John e Emily) , são 'convocados' pela polícia japonesa, fotografados e presos, a fim de pressionar Frank a dizer onde Juliana se encontra. 

No local em que ficam Laura e os filhos ficam presos há certas aberturas no teto que podem ser usadas para liberar um gás, algo que Laura percebe, é claro, mas sem dizer nada para os filhos. 

Logo depois, o Inspetor chantageia Frank, mostrando a foto da irmã e dos sobrinhos, dizendo que eles serão mortos se ele não falar onde está Juliana, falando que eles sabem que ela está na Zona Neutra (mas sem saber o local exato, pois é um território muito extenso). 

O Inspetor Kido fala que usarão o gás 'Zyklon D' em Laura e nos filhos se ele não falar onde está Juliana, dizendo também que o 'Zyklon D' é uma versão melhorada do gás usado durante a Segunda Guerra Mundial, que foi o 'Zyklon B'. 

Frank fica num dilema mortal, pois qualquer que seja a decisão que venha a tomar, isso implicará na morte de alguém. 

Obs4: O 'Zyklon B' foi fabricado por um cartel que reunia as grandes indústrias químicas da Alemanha, como a Bayer, Basf e a Hoechst. O nome do cartel era 'IG Farben' e o mesmo colaborou intensamente com o regime Nazista. 


Frank Frink segura a foto da irmã, Laura, com os dois filhos (John e Emily). Ele enfrenta um dilema, pois terá que escolher quem ele irá salvar e o que é mais importante para ele: Juliana e a sua luta pela Liberdade de todos ou a família e a sua vida pessoal e daqueles que lhes são próximos. 
Durante o interrogatório, Randall estimula Frank a resistir e acaba sendo espancado em função disso. Kido diz que Randall sofre de desvio social, mas que ele, Frank, é leal ao Império Japonês e que ainda pode ter uma vida longa e próspera (olha a referência a 'Star Trek' aí...). 

Joe Blake coloca um disco de Billie Holiday para tocar (música 'Strange Fruit') enquanto observa Juliana no restaurante. Parece que ele já sabe que Juliana é o seu contato, mas que enfrenta um sério dilema, pois está cada vez mais interessado nela, para dizer o mínimo. Ele vai até lá e tenta descobrir quem era o homem (da Bíblia... o 'Line-Faced Man') com quem Juliana conversara minutos antes. Ele diz que está perguntando isso por ciúmes, mas ela não acredita, com ele respondendo que ela não o conhece tão bem (isso é verdade...). 

Na sequência, Joe liga para John Smith a fim de pedir informações sobre o homem com que Juliana está conversando, o descrevendo e dizendo que ele faz pássaros de papel (ou seja, origamis...). Juliana vai até o hotel e paga Joe, saldando a sua dívida com ele. E comete o erro, talvez, de lhe pedir que o mesmo entregue uma carta para a sua mãe, que mora em São Francisco (ela se chama Anne Crain Walker). 

Na prisão, Laura fica observando as aberturas no teto, temendo que sejam mortos, enquanto os filhos assistem aos desenhos na TV... Ela pede para que alguém abra a porta, mas não há ninguém por perto. 
Inspetor Kido, a cara do Estado ditatorial assassino: Frio, calculista, implacável e eficiente.
Randall fala para Frank que ele tem uma escolha difícil, pois não importa qual seja alguém que ele ama irá morrer. Randall também diz que os nazistas temem que o filme possa acabar com o domínio deles e que não culparia Frank se este acabasse cedendo, pois vidas de inocentes estão em jogo. 

Mas Randall fala que é por meio de chantagem, mentiras e torturas que os nazistas e japoneses se mantém no poder e que aquela situação somente acabará quando pessoas como eles se recusarem a ceder, independente dos custos. E conclui dizendo para Frank que resistir é o único meio de derrotar os poderosos e de preservar a sua alma. Randall acaba sendo levado embora pelos policiais japoneses.

Joe Blake lê a carta que Juliana lhe entregou e descobre que a irmã desta, Trudy, lhe entregou um filme que mostra um mundo melhor. Despertado pela carta de Juliana, ele assiste ao filme que encontrou no caminhão e vai para um cinema abandonado no qual vemos cartazes com propaganda anti-semita, mostrando um cartaz dos Irmãos Marx, o que também não deixa de ser um referência outro Marx, no caso, o Karl Marx. 

Joe assiste ao filme e descobre que há um mundo alternativo. 

A questão é: De que maneira Joe foi afetado pelo filme? Ele irá mudar a sua postura, tornando-se um membro da Resistência ou continuará trabalhando para o brutal e desumano regime Nazista? Seu interesse por Juliana influenciará o seu comportamento? Minha resposta: Sim, ele mudará. Vamos conferir nos próximos episódios.
Foto de divulgação da série. 
O Inspetor Kido diz para Frank que o tempo está acabando e pergunta onde Juliana se encontra e este diz para matá-lo, mas que poupe Laura e os filhos. Pensativo sobre o filme que acabou de ver, Joe recebe de Smith a informação sobre o 'homem com cara de leão', que é um agente secreto nazista e que deve estar eliminando inimigos do regime Nazista. Joe é aconselhado a ficar longe deste agente. 

Frank é levado para ser fuzilado, mas o Inspetor Kido descobre que a bolsa de Trudy Walker tinha sido entregue para outra mulher e não para Juliana. Ele impede a execução de Frank, que é libertado, porém Laura e os filhos já haviam sido mortos. 

Enquanto isso, Juliana vai até a ponte para se encontrar com o 'homem com cara de leão', que pega o filme dela e tenta matá-la, dizendo 'Bom trabalho, Trudy...'. No entanto, Joe vai até o local e quando está próximo de matar o agente nazista, Juliana usa um golpe de Aikido e mata o mesmo. E Joe entrega o filme para Juliana.

Parece que Joe está mudando de lado... E na confusão o desenho que Frank fez dela acabou ficando na ponte (e até mereceu um close...). Talvez isso signifique uma transição na série, com Juliana deixando Frank para trás e começando a se envolver com Joe. 

O Inspetor Kido informa Frank a respeito do erro cometido, bem como que Laura e os filhos já tinham sido mortos quando ficaram sabendo disso. O amigo de Frank de Ed vai até a prisão e ele é libertado, o que foi um erro, pois é mais do que evidente que, a partir de agora, ele será o mais novo inimigo das duas ditaduras e se integrará à Resistência. 

E o Inspetor Kido ainda teve a cara-de-pau de dizer que ele não era um monstro. E Frank responde dizendo que se ele precisar matar mais judeus, saberá onde encontrá-lo. Kido diz 'Sim, eu sei'.

Fim. 
Joe Blake ajudou Juliana, devolvendo o filme para ela. Parece que assistir o filme fará ele mudar de lado no conflito entre as ditaduras nazistas e nipônica e a Resistência. 
Links:

Músicas tocadas no episódio:

http://www.tunefind.com/show/the-man-in-the-high-castle/season-1/26798

Eclesiastes: Capítulo 12, versículo 5:

http://bibliaportugues.com/ecclesiastes/12-5.htm

O que é ser 'Cara de Leão':

http://www.projetovidanova.com.br/noticias/2009/caradelaeo.html

A IG Farben, a produção do Zyklon B e a sua aliança com Hitler e os Nazistas:

http://www.megacurioso.com.br/guerras/58754-aliados-do-nazismo-a-ig-farben-e-sua-relacao-quimica-com-o-mal.htm

Vídeo - Trailer oficial da Série: 



Vídeo - Música de Billie Holiday - 'Strange Fruit':






segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

'The Man in the High Castle' - Episódio Piloto (The New World) - Marcos Doniseti!

'The Man in the High Castle' - Episódio Piloto (The New World) - Marcos Doniseti!

Nesta ótima série, a visão alternativa da história criada por Philip K. Dick em seu livro, mostra que o Eixo venceu a Segunda Guerra Mundial e que a Alemanha Nazista e o Japão dividiram os EUA, a América e o Mundo entre si.
Assim ficaram os EUA após serem derrotados na Segunda Guerra Mundial pela Alemanha Nazista e pelo Japão. 
Série - The Man in the High Castle (O Homem do Castelo Alto);
Episódio Piloto;
Exibido em 15 Janeiro de 2015;
Título - The New World;
Duração 60 minutos;
Criador - Frank Spotnitz;
Direção - David Semel;
Produtor Executivo - Ridley Scott;
Rating no IMDB: 8,2;
Elenco - Alexa Davalos (Juliana Crain), Rupert Evans (Frank Frink), Luke Kleintank (Joe Blake).

Sinopse: Um membro da Resistência, Joe Blake, deixa Nova York, que está localizada em território dominado pelos alemães, e se dirige, de caminhão, para o Colorado, na Zona Neutra. Enquanto isso, em São Francisco, que faz parte do 'Estado Japonês do Pacífico', Juliana Crain tem acesso a filmes que mostram que os Aliados venceram a guerra e 'herda' um bilhete, que pertencia a sua irmã (também integrante da Resistência), que a levará para o Colorado, onde deverá se encontrar com outro membro do movimento.

O seriado é baseado em um livro de mesmo nome do genial escritor Philip K. Dick, um dos principais nomes da literatura de Ficção-Científica de todos os tempos.

Neste livro, os Aliados foram derrotados na Segunda Guerra Mundial. Com isso, a Alemanha Nazista e o Japão dividiram o Mundo entre si, incluindo o continente americano.

Os EUA também foram divididos: A parte Leste e o Centro ficou com os alemães, o Oeste com os japoneses e, entre as duas regiões, há uma Zona Neutra.

A série estreou em Janeiro de 2015 (quando foi exibido o episódio 'Piloto'), mas os episódios restantes foram exibidos apenas no último biimestre do ano. No total, tivemos a produção e a exibição de 10 episódios nesta primeira temporada.
O ótimo livro de Philip K.Dick, no qual a série se baseou.

A série é uma produção da Amazon (sendo que Ridley Scott é um dos produtores) e foi criada por Frank Spotnitz, excelente produtor e roteirista, que trabalhou em 'Arquivos-X' entre a 2a. e a 9a. temporadas, bem como nos dois filmes da série de Sci-Fi e suspense de maior sucesso da história da TV mundial.
A primeira temporada do seriado obteve ótimos índices de audiência e, com isso, ele foi renovado para mais uma temporada.
No IMDB, o seriado alcança um ótimo rating, de 8,2 (vai de 0 a 10), sendo que foi avaliada por quase 22.700 pessoas.
Gostei muito do primeiro episódio ('The New World'). Ele apresenta todo o contexto histórico no qual a temporada irá se desenvolver. 

O episódio mostra que a Segunda Guerra Mundial foi vencida pelos países do Eixo e que a Alemanha Nazista e o Japão dividiram o mundo entre eles. Os EUA ficaram assim: Costa Leste e Centro caíram sob domínio Nazista. Já a Costa Oeste passou a ser região de domínio nipônico. 

Entre as duas regiões existe uma Zona Neutra, mas onde as autoridades se submetem ao poder alemão. Logo, os japoneses estão virtualmente confinados à região Oeste dos EUA. 

Essencialmente, o 1o. episódio se concentra em mostrar a luta de uma Resistência contra a dominação nazista dos EUA. A história gira em torno de um rolo de filme que mostra que, ao contrário da realidade na qual as pessoas vivem, os Aliados é que venceram a Segunda Guerra Mundial, o que resultou na destruição do Nazismo.
John Smith é o brutal Obergruppenfuhrer, que manda torturar de forma implacável aos prisioneiros, mesmo que isso seja feito apenas para enganar e iludir a Resistência. 
Uma das integrantes dessas Resistência é Trudy, mas ela está sendo perseguida pela polícia. Com isso, o rolo do filme é entregue por Trudy para a sua irmã, Juliana, que não possuía qualquer conexão com a luta da Resistência. Na sequência, Trudy acaba sendo morta pela polícia japonesa. Mas, após a morte de Trudy, Juliana assiste ao filme e meio que herda essa luta, mesmo sem querer. 

Assim, Juliana deixa Frank (com quem vivia em São Francisco) para trás e o abandona. 

Frank é todo certinho, se preocupa apenas com a sua carreira profissional, ansiando por ascender social e economicamente e não quer saber de qualquer envolvimento com a Resistência. Inclusive, ele também vê trecho dos filme e tenta convencer Juliana a entregá-lo para a Polícia, dizendo ainda que aqueles filmes são ficcionais, sendo produzidos por um membro da Resistência que é chamado de 'O Homem do Castelo Alto'. 

Juliana diz que fará isso, mas com a morte da irmã, ela está decidida a não agir desta maneira, o que fará com que ela dê continuidade à luta da irmã assassinada.

Juliana, antes de herdar a luta da irmã, também era totalmente apolítica, e demonstrava um grande interesse pela cultura japonesa, bebendo muito chá e lutando aikidô, motivo pelo qual ela era muito criticada pela mãe, que a crítica por conviver com as pessoas que mataram o pai dela durante a Guerra. A justificativa de Juliana é que os japoneses com quem ela convive não são violentos e que eles não foram os responsáveis pela morte de seu pai durante o conflito.

Assim, após assistir um grupo de policiais japoneses matar friamente à sua irmã, ela decide levar o filme para o local ao qual Trudy iria viajar, Canon City (no Colorado, que faz parte da Zona Neutra). E para informar Frank de que fez a viagem, ela deixa um colar para trás e que, depois, o noivo irá ver, descobrindo que ela viajou para o Colorado.
Na obra de Philip K. Dick, que agora virou série, Nova York faz parte do Grande Reich Nazista. 
Enquanto isso, um jovem que aparenta ser membro da Resistência, Joe Blake, também se encarrega de ir, de caminhão, ao mesmo local para o qual Juliana se dirige, mas eles não se conhecem e somente saberão quem são na hora em que se encontrarem.

No momento em que estava prestes a ir embora, a empresa no qual Joe pegou o caminhão, e que servia como fachada para a Resistência, foi atacada pela polícia nazista e um dos seus integrantes acabou feito prisioneiro. Com isso, ele será barbaramente torturado a fim de entregar informações sobre as atividades do grupo.

Porém, os torturadores, comandados por um oficial nazista, John Smith, já possuem todas as informações que desejam, pois é revelado que Joe Blake é, de fato, um agente infiltrado pelos nazistas na Resistência.

Durante a viagem de Joe, ele teve que parar em função de pneu furado, contando com a ajuda de um policial para trocá-lo. E quando ele vê algo flutuar no ar e pergunta ao policial o que é aquilo, o mesmo informa que às terças-feiras, no hospital, 'aleijados e doentes terminais' são mortos.

Obs1: De fato, o governo de Hitler colocou em prática um programa desse tipo, inclusive assinando documentos que determinaram a morte de todos os doentes mentais e deficientes físicos em toda a Alemanha. Na época, ao perceberem o que estava acontecendo, muitas pessoas começaram a reclamar disso e até lideranças religiosas (que apoiavam o governo nazista) protestaram contra essa política cruel e desumana. Por isso, Hitler mandou 'suspender o programa'. 

Mas, de fato, ele continuou com tal programa. E Hitler também tirou uma importante lição disso, ou seja, de que não deveria assinar documentos que comprovassem a prática desse tipo de política. E foi isso o que ele fez quando os nazistas começaram a política de 'Solução Final', ou seja, a exterminar os judeus (fonte: livros de Richard J. Evans sobre o regime nazista: 'A Chegada do Terceiro Reich', 'O Terceiro Reich no Poder' e 'O Terceiro Reich em Guerra').

Cuidado, Juliana... Esse Joe não é de muita confiança, não... 
Antes de ver Joe, Juliana acaba se encontrando, em uma estação, com um membro da Resistência, que aguardava por Trudy, mas que acaba convencido por ela de que ela tem condições de cumprir com a missão que era da irmã assassinada. 

Porém, quando Juliana irã se encontrar com Joe Blake, ela evidentemente não sabe disso. O que ele quer, mesmo, é pegar os filmes que mostram a realidade alternativa, aquela na qual os Aliados venceram a guerra.

Assim, Joe procura ganhar a confiança de Juliana, a fim de se aproximar dela e roubar o rolo de filme produzido pelo 'Homem do Castelo Alto'.

No filme também vemos imagens de Hitler, já idoso e doente (sofria do Mal de Parkinson... aliás, isso é fato histórico... Hitler já tinha a doença nos anos finais da Guerra). A morte do Fuhrer está próxima e ficamos sabendo que os dois líderes que desejam sucedê-lo a frente do Reich Nazista são dois fanáticos delirantes, Goebbels e Himmler.

Inclusive, vimos um agente secreto alemão Alemanha e o embaixador do Japão se encontrarem secretamente para conversar a respeito da situação política, pois os japoneses temem que, após a morte de Hitler, Goebbels ou Himmler comecem uma guerra nuclear contra o Japão.

Aliás, no episódio fica claro que existe uma espécie de 'Guerra Fria' entre japoneses e alemães, que apesar de serem aliados, fica claro que existe muita desconfiança entre os dois Impérios. E os próprios japoneses reconhecem que a Alemanha Nazista é mais forte e poderosa do que o Japão, possuindo uma tecnologia mais avançada do que a dos nipônicos.
Este é o terceiro volume da essencial obra de Richard J. Evans sobre a ascensão, auge e queda do Nazismo. 
Durante a viagem, Juliana acaba sendo roubada por uma mulher que percebe que ela é uma novata na Zona Neutra mas, pelo menos, ela consegue preservar o filme. Sem dinheiro para comer, Joe se aproxima dela lhe pagando a conta no restaurante.

Enquanto conversam, vemos imagens dos membros da Resistência sendo presos, incluindo o homem com quem Juliana se encontrou na estação, Frank é espancado pelos policiais japoneses. E ela ainda perguntou para Joe se ele estava procurando por uma Trudy... 

No final, vemos Joe conversando com John Smith e se cumprimentando com a saudação 'Heil Hitler'. 

Gostei muito do episódio. A qualidade de produção é excelente, o elenco é ótimo e o roteiro é muito bom, prendendo a atenção do começo ao fim. A fotografia do seriado é belíssima e a trilha sonoro também é muito boa. 

Enfim, se a qualidade deste episódio 'Piloto' for mantida, então pode-se dizer que temos mais uma ótima série para assistir. 
Juliana assiste ao filme, feito pelo ''Homem do Castelo Alto'', que lhe deu esperanças para lutar contra a tirania nazista. 

Obs2: Junto com mais dois amigos, criei um grupo no Facebook para debater e trocar informações sobre a série. Ele é o primeiro grupo do Facebook em português a respeito do seriado.

Quem quiser entrar para o mesmo, o link é esse aqui:]

https://www.facebook.com/groups/459238014281429/

Links: The Man in the High Castle (O Homem do Castelo Alto):

http://www.imdb.com/title/tt1740299/?ref_=nv_sr_1

Richard J. Evans escreveu a grande 'biografia' do Nazismo:

http://www.jornalopcao.com.br/colunas/imprensa/sai-a-grande-biografia-do-nazismo

Trailer - Vídeo:




sábado, 21 de março de 2015

‘Fringe’ – Walter, Peter e Olívia e as Mitologias de Fringe! - Marcos Doniseti!

‘Fringe’ – ‘Fringe’ – Walter, Peter e Olívia e as Mitologias de Fringe! - Marcos Doniseti!

Em 'Fringe', Walter, Peter e Olívia travam uma incansável guerra contra o Destino!

(revisto e atualizado em 30/03/2023)

Os protagonistas de 'Fringe' sob um Halo Sagrado, demonstrando claramente que eles não são personagens e nem humanos comuns, mas possuem poderes típicos de Deuses.
 
Os Protagonistas de 'Fringe', os Deuses e os Mitos!

Os personagens de ‘Fringe’ não são apenas e tão somente ‘personagens’. Eles são mais do que isso. Eles são representações de Mitos, principalmente daqueles presentes na Mitologia Grega. Logo, eles são Deuses. 

Essa afirmação é válida para Walter, Peter, Olívia (que são Deuses), Broyles, Astrid (que são Mitos) e, também, para Michael (que é o Oráculo) e que foi um personagem fundamental para o encerramento do seriado.

No caso de Walter, ele teve acesso a um conhecimento de origem sagrada ou divina, trouxe o mesmo para a Humanidade e ainda fez uso do mesmo (exemplo: quando descobriu uma forma de atravessar para outro Universo e de viajar no tempo e no espaço). E ele pagou um alto preço por ter feito tudo isso. Sua família foi destruída, sua assistente morreu e ele foi parar numa instituição psiquiátrica, na qual ficou por dezessete anos. 

Logo, Walter é a representação do mito de Prometeu. 
 
Peter, por sua vez, é o sujeito que sai pelo mundo, depois que a sua família foi destruída, em busca de algo que nem ele mesmo sabe o que é, vive 'mil e uma' aventuras, passando por todo o tipo de situação, principalmente aquelas nas quais a lei é interpretada por ele com uma certa, digamos, ‘flexibilidade’.
 
Peter até se envolve com a Máfia, em Boston, e conforme as suas próprias palavras, acostuma-se a ‘fazer negócios escusos, com pessoas escusas e em hotéis escusos’.
 
Depois, ele retorna para casa, reconstrói a sua família (com Walter, Olívia, Etta e, porque não dizer, também com os colegas da ‘Fringe Division’, ou seja, Broyles, Astrid...). Desta maneira, Peter é a manifestação do mito de Ulysses.
 
O fantástico elenco de 'Fringe': John Noble, Seth Gabel, Joshua Jackson, Jasika Nicole, Anna Torv, Lance Reddick (falecido há poucas semanas) e Blair Brown.
 
Já o Broyles (que é Coronel) é o herói, o guerreiro (Aquiles na Mitologia Grega) que está disposto a morrer para salvar alguém ou algo que é, na sua visão, mais importante do que ele. Ele sempre se sacrifica pelos demais. Temos vários exemplos dessas postura dele durante a série.
 
Assim, na primeira temporada ele confrontou Sanford Harris e disse que se o mesmo prejudicasse Olívia, iria arrumar confusão com ele. Logo, Broyles estava disposto a um sacrifício pessoal para proteger Olívia.
 
E na temporada final, novamente, ele se dispôs a se sacrificar para que os Observadores pudessem ser derrotados. Até mesmo a versão alternativa de Broyles, do Universo Vermelho, acabou se sacrificando para evitar a destruição dos dois Universos na terceira temporada. 

Broyles, desta maneira, pode ser considerado como sendo a representação do Mito de Aquiles, o herói guerreiro.

Astrid também é a representação de um mito, sendo aquele melhor amigo que não abandona a pessoa da qual gosta por nada neste mundo, fazendo de tudo para ajudá-lo, por mais ‘doido  varrido’ que este seja (o que é o caso de Walter, que é considerado louco ou freak por outras pessoas 'comuns', inclusive pelo próprio Peter no início).
 
No caso, Astrid se torna a melhor amiga de Walter, ao qual ajuda, a princípio, porque era o seu trabalho. Mas, posteriormente, ela passa fazer isso porque passa a gostar de Walter, o que ela lhe diz na 4a. temporada ('Brave New World - Parte 1'; 4X21). Ela até pode considerar que ele é um pouco ‘maluco’, mas não o abandona por nada, tal como Sancho Pança faz em relação a Dom Quixote.

Olívia Dunham: Uma Deusa em 'Fringe'! E porque ela precisaria ser apagada da história humana!
 
A talentosa e belíssima Anna Torv interpreta Olivia Dunham, que é a Deusa da Memória em 'Fringe'.

Olívia também é a representação de um Mito, que é Mnemosine (a Deusa da Memória na Mitologia Grega, inspiradora das Musas da música, da poesia, da história... no total são nove Musas). Ela é a única personagem do seriado que nunca se esquece de nada, conseguindo, inclusive, se lembrar dos fatos ocorridos nas Timelines anteriores. 

Na quarta temporada, por exemplo, ela foi a única que se lembrou de Peter, com o qual sonhou por várias semanas consecutivas, mesmo sem saber qual era o nome dele. Porém, com o tempo, as memórias da Olívia da Timeline Original substituíram as memórias da Olívia da Timeline Reescrita.
 
Desta forma, ela conseguiu se lembrar de tudo o que havia vivenciado com Peter na primeira Timeline. E ela também tem o poder de permitir a existência de Paradoxos, fazendo com que o Peter de uma Timeline destruída voltasse a existir. E desta maneira ela e Peter puderam voltar a se envolver romanticamente.

Como disse Lúcia, do blog 'Mitologia Grega': O papel da memória não é apenas o de simples reconhecimento de conteúdos passados, mas um efetivo reviver que leva em si todo ou parte deste passado. É o de fazer aparecer novamente as coisas depois que desaparecem. É graças à faculdade de recordar que, de algum modo, escapamos da morte'.' (ver link abaixo).

'Fazer aparecer novamente as coisas depois que desaparecem'? Foi exatamente isso que a Olívia fez com relação ao Peter da Timeline Original, que voltou a existir na Timeline Reescrita, reforçando a natureza divina da personagem. 

Enquanto isso, Walter tinha apenas visões de Peter, quando este estava retornando à história, mas nunca conseguiu se lembrar dos fatos ocorridos na Timeline Original, como aconteceu com a Olívia. Desta maneira, Walter nunca fez a menor ideia de quem era Peter e ficou apavorado com as visões dele, bem como com aquilo que ouvia do mesmo. Walter até chegou a tentar fazer uma lobotomia nele mesmo, pois pensou que estava enlouquecendo ('Alone in the World'; 4X03).
 
Ele somente irá, de fato, se lembrar do que havia acontecido na Timeline Original (e do que a sua outra versão havia feito e vivido ao lado de Peter, Olívia na Timeline Reescrita) quando o Michael, na última temporada da série, tocou em Walter e fez com que ele se lembrasse de tudo o que a outra versão dele, o Walter da Timeline Original, tinha feito.

Olívia sob um outro Halo Sagrado. É a Deusa da Memória. 

Também não podemos esquecer que a história de Peter nas duas Timelines é diferente.

Na Timeline Original (que foi a das três primeiras temporadas), o Peter do Universo Azul morreu, Walter abriu o portal entre os Universos, foi até o Universo Vermelho, sequestrou Peter-alt, retornou para o Universo Azul, os dois caíram no Reiden Lake (cuja superfície estava congelada), mas o September chegou a tempo de salvar a ambos.

Já na Timeline Reescrita, da quarta e quinta temporadas, a história é quase igual, mas com uma diferença fundamental. Nesta segunda Timeline, o Peter do Universo Vermelho morreu quando ele e Walter fizeram a travessia para o Universo Azul. September tentou salvar os dois, mas não conseguiu salvar o Peter-alt.

Assim, na Timeline Reescrita, os dois Peters morreram quando ainda eram crianças e, portanto, não pode existir um Peter adulto nesta Timeline, a não ser na condição de Paradoxo. E quem criou esse Paradoxo foi a Olívia, graças aos poderes que ela desenvolveu com o uso do cortexiphan.

Entre os poderes que Olívia possui, temos o de atravessar para outros Universos, o de se lembrar de tudo que vivenciou, possuindo uma memória mnemônica, e também o de permitir a existência de Paradoxos, o que é o caso de Peter na Timeline Reescrita, pois o mesmo retornou à existência graças aos poderes ‘olivianos’. 

Tais poderes fazem de Olívia uma verdadeira Deusa (Mnémosine).

O grande problema desta situação é que Olívia, ao ter a capacidade de permitir a existência de Paradoxos, acaba desencadeando o início de uma sucessão de anomalias espaço-temporais, como as que são criadas pelo casal de físicos Raymond e Kate, no episódio "And Those We've Left Behind" (3X06). 
 
Raymond, consegue, usando dos cálculos de Kate, criar uma experiência na qual eles sempre retornam quatro anos no tempo, embora isso aconteça por apenas 47 minutos. Com o passar do tempo, estas anomalias vão crescendo, até que o acúmulo delas leva ao colapso da Timeline.

Portanto, a Olívia cortexiphada acaba sendo a responsável pelo colapso da Timeline. E o pior é que isso se repete indefinidamente, fazendo com que eles fiquem presos em um Loop-Espaço temporal.

'Fringe' e o seu alfabeto, as glyphs code. 

E a única forma de encerrar isso, na visão de September, é eliminando Olívia cortexiphada de todas as Timelines. Por isso é que ele disse para a Olívia que havia visto todos os possíveis futuros da Humanidade e que ela teria que morrer em todos eles, pois ela é a responsável pelo colapso destas Timelines e, também, por eles estarem presos em um Loop Espacial-Temporal. 

Para September, somente eliminando-se a Olívia cortexiphada da história, seria possível eliminar o Paradoxo (Peter Bishop) das Timelines. Desta forma, não haveria mais Paradoxos, nem colapsos de Timeline e o Loop Espacial-Temporal não aconteceria mais. 

Porém, na quinta e última temporada da série, surge um novo personagem, que é o Michael, que também é a representação de um Mito, que é o Oráculo. Na Mitologia grega, o Oráculo é um intermediário entre os humanos e os Deuses. E é exatamente este papel que o Michael desempenha em ‘Fringe’.

Michael faz o papel de intermediário em um acordo que é fechado entre a Olívia e os Deuses (ou, como também os chamo, os ‘Senhores ou Agentes do Destino’).

E o acordo que é fechado entre Olívia e os Deuses é representado, no episódio final da série (‘An Enemy Fate’ – 5X13), pelo gesto que o Michael (o Oráculo) faz ao pedir silêncio para Olívia, logo após ela ter matado o Windmark e derrotado os Observadores.

Qual o significado desse gesto feito por Michael? Entendo que ele está dizendo o seguinte para a Olívia:

“1) Eu sei dos seus poderes, do que você é capaz de fazer;

2) Eu sei que você irá, na próxima Timeline, se lembrar de tudo que está acontecendo agora e que você também possui o poder de permitir a existência de Paradoxos;

3) Mas se, na próxima Timeline, você fizer uso destes poderes para modificar o Destino que foi traçado, e que inclui o sacrifício de Walter, então tudo irá começar novamente: A Guerra com os Deuses irá continuar e os colapsos da Timeline voltarão a acontecer e vocês, humanos, ficarão presos no Loop Espacial-Temporal novamente;

4) Então, que tal você, na próxima Timeline, ficar quieta, em silêncio e guardar as suas memórias e lembranças para você mesma e não fizer uso dos seus poderes? Se você aceitar esse acordo, você, Peter e Etta poderão ficar juntos e serão felizes para sempre. Desta maneira, não teremos mais Paradoxos, nem colapsos de Timeline e o Loop Espacial-Temporal será superado. E daí, vocês conseguirão viver as suas vidas normalmente.

E então, você aceita o acordo, Olívia, minha cara Deusa da Memória?”.

A confirmação de que Olívia aceitou esse acordo com os ‘Senhores do Destino’ é o fato de que, na sequência final da série, no último episódio, vemos a nossa querida Deusa junto com Peter e Etta e a invasão dos Observadores não acontece. Assim, eles continuarão vivendo juntos e felizes, que era o que o acordo previa.

Obra do genial escritor de ficção científica Philip K Dick ajuda e muito a compreender a Mitologia de 'Fringe', na qual Walter, Peter e Olívia travam uma incansável e permanente guerra contra o Destino.

Walter, Peter e Olívia: Um Bande à Part ou Os Desajustados!

Walter, Peter e Olívia são, essencialmente, três desajustados que não conseguem se integrar inteiramente à sociedade. Eles formam um verdadeiro Bande à Part.

Inicialmente, Walter era um cientista ambicioso, que desejava ser Deus. E pagou um alto preço por isso, que foi a destruição da sua família, a morte de sua assistente (Carla Warren) e o seu internamento no hospital psiquiátrico 'St. Claire's' por dezessete longos anos. 
 
E depois ele ainda sofre com a perda de sua memória, devido à uma cirurgia que foi realizada a seu próprio pedido, pois ele mesmo detestava a pessoa que era. Com isso, ao ser retirado do hospital, ele acaba demonstrando um comportamento que, para muitos, era coisa de louco. Aliás, foi isso que a Amy Jessup perguntou ao Peter quando viu o Walter trabalhando. 'Ele é louco?', ela perguntou. E Peter, ironicamente, disse que sim.

Peter, por sua vez, tornou-se um 'cínico profissional' depois que o pai foi internado e a sua mãe (Elizabeth) cometeu suicídio. Ele sai pelo mundo, desenvolvendo atividades que não estão muito de acordo com as leis, seja as dos EUA ou as do Iraque. E ele até se torna um colaborador da Máfia. 
 
Assim, ele é outro desajustado, que não consegue se acostumar com a ideia de respeitar normas, leis e regras, demonstrando uma rebeldia contra as autoridades, que extravasa por meio de ironias e sarcasmos. Vide as piadas que fazia com Sanford Harris na primeira temporada da série. 

E Olívia é uma mulher que tem dificuldades de se relacionar de maneira séria e profunda com outras pessoas, devido ao que viu acontecer com a sua mãe quando ela era criança. A forma como o padrasto dela tratou a ambas, ela e a mãe, a tornaram profundamente desconfiada dos homens e irá dificultar os seus envolvimentos românticos, impedindo que eles se tornem sérios e duradouros.
 
Ela também acaba tendo dificuldades em fazer amizades, devido ás suas desconfianças em relação aos outros. Ela mesma admitiu isso, quando falou que o seu apelido na escola era 'Han', que é uma referência a 'Han Solo', personagem de 'Star Wars'. Peter até brincou com ela a respeito disso (episódio 'Safe' - O Cofre' - 1X10).

Então, temos três personagens desajustados que somente são felizes quando ficam juntos.
 
Assim, não é à toa que eles fazem de tudo para que a união deles não seja desfeita, o que inclui atravessar portais para outros Universos, promover viagens no Tempo e destruir e criar Universos e, também, reiniciar o Tempo. E isso ajuda a explicar porque eles estão em uma permanente guerra contra um Destino que, por algum motivo, tenta impedí-los de ficarem juntos. 

Aliás, entendo que é justamente o fato de Walter, Peter e Olívia desenvolverem tantos poderes, assim, quando estão juntos, que faz com que os 'Deuses' ou os 'Senhores do Destino' tentem impedí-los de continuar vivendo juntos, pois sempre que isso acontece eles passam a representar uma ameaça aos poderes das forças 'sobrenaturais' ou 'sagradas' que controlam a vida humana.

Assim, tentar separar Walter, Peter e Olívia é a maneira pela qual os 'Senhores do Destino' encontram de garantir que nenhum humano consiga representar uma ameaça ao seu poder de determinar qual deve ser o Destino da Humanidade.

'Fringe': Walter, Peter e Olívia somente conseguem ser felizes quando estão juntos e, para conseguir isso, desafiam até aos Deuses.

A 5a. Temporada e as suas conexões com as obras de Isaac Asimov e Philip K. Dick!

É bom acrescentar que a trama desenvolvida na quinta e última temporada dessa série absolutamente fantástica que é ‘Fringe’ é fortemente influenciada por, pelo menos, dois clássicos da literatura de ficção científica. E é altamente recomendável ler os dois para se compreender a história da série em sua temporada de despedida.

O primeiro clássico é o livro ‘O Fim da Eternidade’, de Isaac Asimov, cujo tema, essencialmente, é a luta travada pela Humanidade para viver de forma livre, algo que os ‘Eternos’ (que seriam como os ‘Senhores do Destino’ de ‘Fringe’) não permitem. 

Os 'Eternos' traçam e definem o destino das Humanidades e não permitem que estas façam, de fato, do uso do livre-arbítrio, que, na obra de Asimov, não passa de uma mera ilusão. Asimov, inclusive, é citado por Walter no episódio em que ele, Peter e Etta encontram Olívia, no apartamento de Markham.

E outra influência desta última temporada da série é o conto ‘The Adjustment Team’, do genial Philip K. Dick, e que deu origem ao filme ‘Os Agentes do Destino’ (gosto muito deste filme... recomendo).
 
Nele, vemos personagens que lembram, e muito, aos Observers de ‘Fringe’, inclusive no visual, pois eles também usam ternos e chapéus. E o papel deles é obrigar os seres humanos a viver conforme os planos, o Destino, que foram traçados para cada um deles. 

Mas, tal como acontece em 'Fringe', no filme 'Os Agentes do Destino' temos pessoas que se rebelam contra isso, iniciando um conflito entre os humanos, que desejam desfrutar do livre-arbítrio, e os Eternos, que não abrem mão de controlar o Destino da Humanidade. 

Logo, tanto no livro de Isaac Asimov, como no de Philip K. Dick, temos o conflito entre os seres humanos e seres poderosos que definem o Destino das diferentes Humanidades e que procuram, a todo custo, evitar que esse Destino seja desrespeitado pelos humanos.

E o conflito que ocorre entre os seres humanos e seres poderosos (‘Deuses’ ou ‘Agentes/Senhores do Destino’), que procuram controlar e manter a humanidade dentro dos limites estabelecidos por eles, também está presente em ‘Fringe’ e isso ocorre desde o início da série. 

Porém, Walter, Peter e Olívia não aceitam tal situação e se rebelam contra o Destino que lhes foi determinado. E neste caso, estamos falando de pessoas incomuns, que possuem poderes típicos de Deuses. 

Walter, por exemplo, inventou máquinas de teletransporte e para viajar no tempo (episódio 'Safe' - 1X10), criou uma outra Máquina, com o poder de criar e destruir Universos, elaborou um plano para destruir os dois Universos e gerar um novo (ver 'Brave New World', partes 1 e 2, 4X21 e 4X22). Estes são poderes típicos de Deuses, não de humanos comuns e mortais.
 
Peter entrou na Máquina, viajou no Tempo (sua consciência), destruiu um Universo e criou uma ponte conectando dois Universos (ver 'The Day We Died'; 3X22).
 
E o mesmo acontece com Olívia, que tem uma memória capaz de se lembrar de tudo, atravessa de um Universo a outro e também possui o poder de permitir a existência de Paradoxos, provocando outra guerra contra os Deuses.
 
Pessoas comuns não fazem isso, certo?
 
Este é outro livro importante para se compreender as histórias de 'Fringe'.

Nós tivemos várias situações na série em que Walter, Peter e Olívia procuraram modificar o Destino. 
 
Exemplos:

1) Quando Walter perdeu o seu filho, no Universo Azul, e viu que o Peter do Universo alternativo também iria morrer, ele não se conformou com isso, abriu um portal entre os Universos, sequestrou o Peter-alt e o trouxe para o Universo, no qual conseguiu curar o garoto. Assim, ele não aceitou o Destino que estava reservado para o Peter-alt e modificou o Destino do mesmo.

O problema é que essa ação de Walter desencadeou uma guerra entre os dois Universos e a mesma irá provocar a destruição da Timeline Original, tal como vimos que aconteceu no último episódio da terceira temporada (‘The Day We Died’ – 3X22).

2) Quando Peter entrou na Máquina (‘The Day We Died’ – 3X22) e destruiu o Universo Vermelho, logo depois a sua consciência foi até 2026, onde ele pôde ver diretamente as consequências do que ele havia feito. No futuro, ele descobriu que em função da sua iniciativa de destruir o Universo Vermelho, o Walternativo se vingou dele, matando a sua amada Olívia.
 
E Peter também soube que ao destruir o Universo Vermelho, acabou por condenar o Universo Azul ao aniquilamento, pois o destino dos dois Universos estava ligado e o que acontecesse com um deles, acabaria ocorrendo com o outro.

Por isso, Peter volta para 2011 e, ainda dentro da Máquina, toma uma outra decisão, diferente da anterior, que é a de criar uma ponte conectando os dois Universos. Ao fazer isso, Peter tinha o objetivo de obrigar os seus moradores a colaborar entre si para que, juntos, pudessem resolver os problemas que a guerra entre eles havia gerado.

Quando Peter tomou essa decisão, de criar a ponte conectando os dois Universos, ele criou uma realidade alternativa, dando origem a uma nova linha temporal, que é a Timeline Reescrita. Nesta, as histórias são ligeiramente diferentes daquelas que vimos na Timeline Original e os personagens também são versões um pouco distintas daquelas que existiram na Timeline Original.

Peter na Máquina, que tem o poder de criar e destruir Universos, e que foi criada pelo Walter para que apenas Peter pudesse colocá-la para funcionar e para que somente Olívia pudesse desligá-la. 
 
A Timeline Reescrita e os seus personagens!

E o que aconteceu com a Timeline Original e com os seus personagens? Eles foram destruídos e simplesmente deixaram de existir. Os personagens que vemos na Timeline Reescrita são outras versões, tendo algumas semelhanças e também diferenças com relação àqueles que vimos nas três primeiras temporadas. 

Exemplos: 

1) Na Timeline Original, September conseguiu salvar o Peter-alt. Na Timeline Reescrita, isso não aconteceu. 

2) Na Timeline Original, Olívia tentou matar o seu padrasto (que espancava a sua mãe), quando tinha nove anos de idade, mas não conseguiu. Na Timeline Reescrita ela matou o padrasto. 

3) A história de Rachel, irmã de Olívia, também é diferente nas duas Timelines. Na primeira, Greg é um 'cretino' que pede o divórcio e deseja ficar com a custódia total de Ella. Na segunda Timeline, Rachel e Greg são felizes e possuem dois filhos (Ella e Eddie). 

O único personagem da Timeline Original que continuou existindo na Timeline Reescrita, e que também chegou vivo e inteiro à Timeline Redefinida, é o Peter, mas na condição de Paradoxo. 

Ele é o único sobrevivente de uma Timeline (a Original) que não existe mais e que foi trazido de volta à existência devido aos imensos poderes de Olívia, a Deusa da Memória (e também devido à Física Quântica – ver links abaixo).

Quanto à Olívia da Timeline Reescrita, ela acabou se transformando na Olívia da Timeline Original, pois as memórias desta substituíram as da Olívia da segunda Timeline. É como se esta tivesse morrido e a Olívia da primeira Timeline tivesse tomado o lugar dela.

Mas como isso é possível? 'Fringe' é uma série que diz, claramente, que é preciso existir um Equilíbrio entre o uso da razão e o das emoções. Se nos apegarmos demais ao pensamento racional e científico, deixaremos de lado as emoções e os sentimentos.
 
E se nos apegarmos demais às emoções, acabaremos adotando um comportamento irracional e iremos nos destruir. As duas, razão e emoção, são importantes e nenhuma das duas podem ser descartadas, mas é preciso existir um equilíbrio entre elas.

Cenas da quarta temporada de 'Fringe', na qual os moradores dos dois Universos colaboram entre si para corrigir os problemas que foram gerados pela guerra que travaram. 

Fringe e a Física Quântica: Tudo a Ver!

'Fringe' também faz uso de conceitos científicos, principalmente os da Física Quântica. O Observer, por exemplo, é a personificação da ideia quântica de que o ato de apenas observar a realidade, acaba modificando a mesma. 

Foi exatamente isso que aconteceu, por exemplo, com o September e o August, que deveriam apenas observar a Humanidade, mas acabaram simpatizando com a mesma e, mesmo que involuntariamente, acabaram por interferir no rumo da história humana. September, por exemplo, foi o responsável por impedir que Walternativo curasse o Peter-alt. 

E August interferiu na vida de uma jovem pelo fato de ter se apaixonado pela mesma, o que vimos acontecer no episódio 'August' (2X08).

Outro exemplo da presença das ideias e conceitos da Física Quântica na série é a existência de Universos Paralelos, que é baseada no conceito de Multiversos, que foi criado pelo físico Hugh Everett em 1954.
 
O retorno de Peter à trama foi baseado no conceito de 'Apagamento Quântico', que diz que é perfeitamente possível apagar o passado, mas sem eliminar a influência que este exerceu sobre o Futuro, até que algo ou alguém o traga de volta à existência novamente. 

Se analisarmos friamente, foi exatamente isso que Olívia fez na quarta temporada, graças aos seus poderes. As memórias que ela absorveu da Olívia da Timeline Original fizeram com que ela se lembrasse do Peter da mesma, na qual tiveram um forte envolvimento romântico, e o trouxessem de volta à existência. 

Além disso, entendo que existe um outro conceito da Física Quântica que aparece em 'Fringe', que é o de 'Entrelaçamento Quântico'. 

Entendo que existe uma espécie de 'Entrelaçamento Quântico Emocional' ligando Peter, Walter e Olívia em todos os Universos e Timelines. Quando um deles desaparece da história, os outros dois, de alguma forma, acabam se lembrando do terceiro. E daí eles passam a querer trazer o mesmo de volta à existência. 
 
Assim, quando o Peter deixou de existir, na nova Timeline Reescrita ('The Day We Died', 3X22), Olívia o trouxe de volta à existência. E quando a Olívia morreu, no episódio final da 4a. temporada ('Brave New World; 4X22), Walter fez com que ela voltasse a viver.

A Olívia tem muito mais facilidade para se lembrar do Peter (ou mesmo do Walter, agora, na Timeline Redefinida) porque é cortexiphada (e também porque não teve o seu lobo temporal retirado), o que fez com que ela desenvolvesse uma memória prodigiosa.


O fato é que ela não se esquece de nada, nem mesmo do que aconteceu nas Timelines anteriores. Olívia é a 'Memória Viva' da série, representando a Deusa grega Mmemósine, que tinha esse poder de se lembrar de tudo o que os outros já esqueceram. E com essa Memória Viva, torna-se possível aparecer novamente aquilo que já deixou de existir (Peter).

Esta é 'uma pequena história de Amor' que envolve duas pessoas que tem o poder de criar e destruir Universos, promover a existência de Paradoxos e gerar colapsos de Timelines. Definitivamente, eles não são pessoas comuns. 
 
Este 'Entrelaçamento' que existiria entre os três também explicaria porque o Peter fez aquele olhar, na cena final da temporada, como se tivesse se lembrado do que o Walter havia lhe falado a respeito da carta que enviou na Timeline anterior. 

E vocês já repararam como eles (Walter, Peter e Olívia) sempre acabam juntos, mesmo que a história de suas vidas sejam diferentes, independente do Universo ou da Timeline? 


Então, fica claro que o retorno de Peter à história foi resultado de uma soma de fatores muito mais complexa do que apenas o Amor, como pensou o September (episódio 'A Short Story About Love' - 4X15). 

Alguém poderia perguntar porque tudo isso não foi explicitado na série? Porque 'Fringe' não mostra tudo mastigado, para você assistir, entender tudo, desligar a tv e ir dormir sem sequer se lembrar do que assistiu. 

Isso pode ser válido para outras séries. Mas isso não vale para 'Fringe', não.


As Guerras de 'Fringe'

Então, entendo que nestas cinco temporadas vimos mais de uma guerra em 'Fringe'. 

Em primeiro lugar tivemos uma guerra entre os dois Universos, o que foi mostrado nas segunda e terceira temporadas da série. Mas ao longo de toda a série fica claro que há uma outra guerra em andamento, maior e mais difícil de ser travada, que é pela liberdade, pelo livre-arbítrio, da Humanidade. 

Esta guerra é travada, essencialmente, entre Walter, Peter e Olívia, cujos poderes se assemelham ao de Deuses, e que travam uma luta incansável para destruir o Destino que lhes foi imposto pelos Deuses/Senhores do Destino, que fazem de tudo para impedir que eles permaneçam juntos, pois eles representam uma clara ameaça aos poderes destes 'Deuses'.

Portanto, uma perspectiva perfeitamente válida e que pode ser utilizada para analisar 'Fringe' é a de que a série pode ser encarada como sendo a história da Humanidade lutando por sua Liberdade, em defesa do Livre Arbítrio.

Cenas do episódo 'White Tulip' (2X18) que, para muitos fãs da série, é um dos melhores da história do seriado. 

Links:

O apagamento quântico explica a volta de Peter à série:

http://popeseries.blogspot.com.br/2012/03/fringe-fisica-quantica-explica-o.html

Mnemosine e o papel da memória:

http://eventosmitologiagrega.blogspot.com.br/2010/12/mnemosine-e-as-musas.html

As glyphs code dos episódios das 4 primeiras temporadas de 'Fringe'.

http://popeseries.blogspot.com.br/2012/03/fringe-glyphs-code-de-todas-as.html

Episódio 'Safe' (O Cofre - 1X10):

http://popeseries.blogspot.com.br/2013/02/fringe-comentando-o-episodio-safe-o.html

Mnémosine:

http://portal-dos-mitos.blogspot.com.br/2013/07/mnemosine.html
 
Foto de divulgação da 5a. temporada da série. 'Fringe' deixou muitas saudades.

Trechos da série: