quinta-feira, 23 de junho de 2011

'Efeito Borboleta' é um filme sobre escolhas! - por Rodrigo Cunha!


Efeito Borboleta é um filme sobre escolhas! - por Rodrigo Cunha!

Uma grande brincadeira com viagens no tempo garantem a diversão nessa salada de gêneros.

De um modo geral, Efeito Borboleta pode ser visto como mais um filme sobre escolhas. Apesar disso, ele não é um filme qualquer do gênero, pois apresenta boas idéias, até que bem trabalhadas, mas pelo roteiro querer ser "moderninho" demais, provocar lágrimas, acaba por ter uma conclusão bastante insatisfatória. 

É aquele sentimento chato de ver o final perfeito para o filme passando ali na tela, mas perceber que ele se alongou desnecessariamente, para tentar agradar uma fatia maior do público. Não, o filme não é ruim. Tem suas falhas, mas em vários momentos consegue divertir.

A história começa com Evan adolescente (Ashton Kutcher) entrando desesperadamente em uma sala, colocando móveis na frente da porta e escrevendo uma carta bem tensa sobre o seu possível fim. Sabendo que o filme é do mesmo pessoal de Premonição, pode ser que fiquemos com uma impressão errada sobre ele. 

Logo depois a história volta alguns anos, mais precisamente para quando Evan tinha apenas sete anos de idade. Por alguns bons minutos, o filme desenvolve os personagens em várias ótimas situações, que devem ser vistas com atenção, já que o filme revisa esses acontecimentos mais para a frente. 

É exatamente aquele tipo de filme que você não entende nada por um tempo para depois juntar todas as peças do quebra-cabeças.

Nesse tempo de desenvolvimento, acabamos conhecendo uma característica bem peculiar de Evan: sua falta de memória. Parece que a mente do rapaz simplesmente deleta alguns momentos de sua vida, e isso é MUITO bem representado no filme. Isso porque conseguimos sentir exatamente o que uma pessoa na mesma situação sentiria. 

É usado um recurso de montagem genial. Tente imaginar a cena para entender melhor: você está vendo o filme, normal, e o diretor opta, em certo momento importante do filme, por usar a câmera em subjetiva, ou seja, com a gente vendo exatamente a mesma coisa que o personagem vê (a câmera funciona como seus olhos). 

Só que, do nada, há um corte brusco e logo depois já há o resultado de alguma coisa que aconteceu e não sabemos o quê – exatamente a mesma situação pela qual passa o personagem. Por exemplo: em certo momento vemos Evan conversando com seu pai na cadeia e, após esse corte brusco, já temos o pai em cima dele, enforcando-o.

A primeira vez que vi esse tipo de montagem tomei um susto. Mas um susto real, não daqueles artificiais que os diretores costumam usar, somente fazendo aparecer algo na tela e o som aumentando cavalarmente só para assustar. 

Aqui o recurso é o mesmo, mas justificado pela condição do personagem, o que foi uma solução muito criativa por parte do filme. Esse recurso também é usado quando Evan é retratado um pouco mais velho, com treze anos. Novamente o filme constrói diversas situações que serão revistas posteriormente, então é bom quem quer que for assistí-lo ficar atento a essas passagens para depois não ficar perdido. 

É uma pena que, quando Ashton Kutcher entre em cena, esse recurso seja deixado de lado, pois o personagem passa justamente a lembrar o que aconteceu nesses períodos onde sua memória aparentemente não registrava o que estava acontecendo.

Em uma dessas lembranças, Evan acaba percebendo um grande potencial: manipular o tempo através desses espaços guardados em sua memória. Justamente quando essa manipulação temporal acontece pela primeira vez no filme é que tudo começa a embolar. 

A cada vez que Evan volta ao passado e altera alguma ação que ele não se lembrava que havia feito, todo o futuro muda. 

O problema é que a cada vez que ele altera esse passado, parece que alguma coisa ruim acontece, nunca ficando da maneira ideal para seguir a vida. 

Com isso, o filme deixa todo o suspense criado pelo início do filme para um embaralhamento de gêneros que causa uma mistura na história: você terá drama, suspense, romance. 

Isso acabou tirando um pouco a identidade da produção, que acaba sendo reconhecida como uma ficção científica, um gênero muito forte para 'Efeito Borboleta' ser enquadrado, sinceramente.

Toda vez que há a alteração no passado e a correção no futuro, o filme peca por cair nos mesmos clichês de sempre ao retratar o mundo à volta de Evan, com algumas forçadas na barra em algumas histórias para nunca estar perfeito o mundo que ele tentou consertar (é importante dizer também que toda vez que ele volta, algo de ruim acontece). 

E por esses clichês não combinarem com a proposta do filme de brincar com o tempo, tudo quase se perde em meio à pretensão de seus criadores. 

Há ainda alguns furos enormes na história, como por exemplo Evan voltar para uma época, quando ele tinha sete anos de idade, e depois, não satisfeito com o resultado, voltar para uma de treze. 

Não se esqueçam que, ao voltar para a de sete, aquele momento de treze anos não havia mais acontecido, havia sido modificado.

Ignorando esse fator, é muito divertido ligar tudo o que está acontecendo e ver que o filme foi bem amarradinho, é exatamente aí que a diversão do filme se encontra (apesar de que, é dito que ele não esquece dos acontecimentos).

Agora, quem rouba a cena são as crianças. 

Creio que tenham sido as melhores interpretações que eu vi em muito tempo, realmente convincentes, melhores até que seus respectivos personagens em versão mais velha! 

O moleque que fez Tommy com treze anos – Jesse James – tem uma participação extremamente marcante, com pelo menos uma cena inesquecível, bem convincente e assustadora: a do cinema, onde ele briga com um rapaz bem mais velho. 

Nessa cena destaco a pequena referência a Debi & Lóide e Seven, dois filmes também da New Line que ambientam um pouco a história em nosso tempo real. 

Pelo menos Ashton Kutcher está menos pior do que de costume e quase que não faz nada de errado durante sua participação. Ele encarou um papel um pouco diferente do que está acostumado, com mais tensão dramática e sem aquelas caretas idiotas que ele costuma fazer em seus filmes de comédia (como Doze é Demais e Recém-Casados). 

Ele vai levando o filme na boa, mas quando é exigido em uma interpretação um pouco mais dramática, deixa a desejar. Dá para entender o porquê de Cameron Crowe o dispensar de seu novo filme e mandá-lo ter aulas de interpretação. Evan acabou mesmo caindo como um presente para ele, já que Joshua Jackson (o Pacey de Dawson’s Creek) e Seann William Scott já haviam sido chamados para o papel, porém recusaram, além do fato de ser Efeito Borboleta um filme diferente do que ele estava acostumado a participar, melhorando assim seu currículo como ator.

Não poderia deixar de comentar a belíssima música composta pela minha banda favorita de todos os tempos: ‘Stop Crying Your Heart Out’, do Oasis, que toca do fim do filme até metade dos créditos finais. Ela realmente se encaixou muito bem à situação e, "fãamente" falando, foi inesquecível ouví-la em um cinema praticamente só para mim e nas alturas. Só esse fato já havia valido o ingresso. 

Aliás, é importante dar um destaque para toda a parte sonora de Efeito Borboleta, pois a trilha foi muito bem escolhida e funciona bem sempre que é exigida.

Se Efeito Borboleta tivesse terminado quando o filme retorna justamente para onde começou, teria sido muito melhor. 

Agora o prolongamento de seu final quase pôs tudo a perder, pois um monte de perguntas vêm à mente ao final do filme, como por exemplo “por que AQUELA ação deu final ao ciclo de acontecimentos ruins? Por que tinha que ser EXATAMENTE aquilo que alterava toda a vida daquelas pessoas ao redor?”. 

Justamente por causa dos diretores terem feito essa opção, o filme acaba ficando com cara de forçado, afinal, essa opção não poderia mover o filme inteiro e também a vida de todas aquelas pessoas envolvidas ao redor. 

Mais uma vez, se você ignorar essas forçadas e os pequenos erros de lógica, você vai conseguir tirar algo de bom de Efeito Borboleta, mesmo que ele não mude sua vida em nada. Não vai ser um dinheiro jogado fora, e hoje em dia isso já é um grande lucro.

Por Rodrigo Cunha

Link:

http://www.cineplayers.com/critica.php?id=240

Meu Comentário!

O autor do texto (muito bom, por sinal) comete um equívoco na parte abaixo e que comento logo na sequência:


"Há ainda alguns furos enormes na história, como por exemplo Evan voltar para uma época, quando ele tinha sete anos de idade, e depois, não satisfeito com o resultado, voltar para uma de treze. Não se esqueçam que, ao voltar para a de sete, aquele momento de treze anos não havia mais acontecido, havia sido modificado.".

Na verdade, a Física explica que quando se toma uma decisão diferente no passado, este não é modificado, pois aquilo que aconteceu não pode ser alterado. Ao se voltar para o passado, e se tomar decisões distintas daquelas que tomamos anteriormente, o que fazemos é criar uma nova realidade, mas sem anular com a anterior. 

 Outra informação interessante é essa aqui: 

"Evan acabou mesmo caindo como um presente para ele, já que Joshua Jackson (o Pacey de Dawson’s Creek) e Seann William Scott já haviam sido chamados para o papel, porém recusaram".

Quer dizer que o Peter de 'Fringe' poderia ter sido o protagonista de 'Efeito Borboleta', que inspirou, claramente, as histórias de Walter, Olivia e do próprio Peter na série? Será uma coincidência? 

Parece que Joshua Jackson ganhou, com 'Fringe', uma nova chance de se tornar o protagonista de uma produção importante. E desta vez ele não a recusou. Ele teve uma segunda chance e, daí, tomou a decisão correta, o que melhorou e muito o seu futuro. 

Talvez em um Universo Alternativo o Joshua tenha sido o protagonista de 'Efeito Borboleta'...

Obs: A borboleta de 'Fringe' é muito parecida com a de 'Efeito Borboleta'.

Confiram aqui:

Borboleta de 'Fringe':

http://4.bp.blogspot.com/-HrELZpO6eF8/TV_5Nzu_j4I/AAAAAAAAAsg/-MaJLfQB-5c/s1600/600px-ButterflyGlyph.jpg

Borboleta de 'Efeito Borboleta':

http://birimbelo.com/wp-content/uploads/2010/02/Efeito-Borboleta-3-Revela%C3%A7%C3%A3o.jpg

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