terça-feira, 21 de junho de 2011

André Forastieri: Por que sou contra a descriminalização da maconha (ou: Vamos marchar pelo crack?)!

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André Forastieri: Por que sou contra a descriminalização da maconha (ou: Vamos marchar pelo crack?)!

Neste sábado, brasileiros marcharão pela liberdade em mais de 30 cidades. É ótimo que os brasileiros estejam marchando. É fundamental que defendamos o que julgamos correto. E essencial que possamos fazer isso sem levar cacetada da tropa de choque nem respirar gás lacrimogêneo, como aconteceu outro dia em São Paulo, cidade que adora fascistóides e factóides. O que os marchantes defendem? O cardápio de reivindicações é variado.

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Em Cuiabá, por exemplo, inclui a greve dos professores da rede estadual, a diminuição das reservas indígenas, a luta contra a aprovação do Código Florestal, a defesa do investimento na agricultura familiar e nas favelas. Em outras cidades, outras pautas - homofobia, racismo etc. É a Marcha da Liberdade, então cada um tem direito de defender a bandeira que lhe aprouver, contanto que socialmente responsável e defensável.

Não marcharei e aproveito o embalo para também hastear meu estandarte. Que é o seguinte: chega desse papo de descriminalizar a maconha. É muito além de ridículo. Quando o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso sai em capa de revista defendendo a descriminalização, está na cara que este tema já não requer mobilização nenhuma.

O Supremo Tribunal Federal já garantiu esta semana que temos todos o direito de marchar pela descriminalização da maconha, o que é mais uma razão para não marcharmos. Rebeldia com autorização do judiciário não tem graça nem efeito.

O grande argumento que ouço pela descriminalização da maconha é que ela faria menos mal que as outras (ou não faria mal nenhum). Discordo completamente e muitas outras pessoas discordam também. E aí? Quem vai decidir, "cientificamente", que fumar baseado é menos ruim que cheirar pó?

E, sim, a convicção da sua tia Maricota de que a maconha leva a outras drogas é razoável. Nunca ouvi falar de alguém que fume crack, ou tome ácido, que anteriormente não tenha fumado maconha (se bem que, como dizia Frank Zappa, todos os drogados começam com leite materno).

Mas a grande razão para eu não marchar é que sou contra a descriminalização da maconha. Sou pela legalização, o que é completamente diferente. Entendo que cada ser humano tem direito de fazer o que bem entender com o seu corpo - e nada com o corpo alheio, a não ser com autorização do outro.

Por isso, deveria ser legalizado não só o consumo de maconha, mas sua produção e venda. E não só da maconha, mas do LSD, do crack, da heroína, do ecstasy e de todas as outras drogas hoje ilegais. Venda em farmácia, em bar, em supermercado, onde for. Com controle de qualidade regulamentado por agências governamentais, e pagando imposto. Como cachaça, cigarro e batata frita de pacotinho.

A luta pela liberdade tem de ser a luta pelo direito de consumir coisas que fazem mal, fazer coisas que fazem mal, e não se render aos que querem determinar o que faz bem ou é bom. Como rezava a plataforma da banda de rock mais ativista da história, o MC5: drogas, armas, e sexo nas ruas.

Lutar pela liberdade é defender o indefensável, dizer o escandaloso, publicar o impublicável e exigir o impossível. Menos é mediocridade, é passeio no parque, festinha de centro acadêmico.
Marchem, mas com ambição e propósito. E prontos não só pra levar porrada, mas para dar também.

Link:
http://noticias.r7.com/blogs/andre-forastieri/2011/06/17/por-que-sou-contra-a-descriminalizacao-da-maconha-ou-vamos-marchar-pelo-crack/

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